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Os 58 anos de Wanderlei de Paula e sua luta pela vida

Imagem relacionadaCaminhando para terminar este dia 6 de junho, não poderia deixá-lo ir sem que antes considerasse um fato que tem marcado a todos da família “de Paula” em Peruíbe, assim como a todos os demais amigos nossos que nos acompanham nestes 52 anos que vivemos em Peruíbe. Sim, digo vivemos, porque eu, embora 650 quilômetros distante, ainda me sinto como se em Peruíbe estivesse, assim como estão todos os demais meus irmãos, fazendo companhia à senhora nossa mãe no auge de seus 82 para 83 anos.

Pois bem. Neste dia 6 de junho nosso irmão Wanderlei comemora seus 58 anos. Terceiro no clã outrora capitaneado pelo nosso pai Luiz de Paula, que este ano marcou 20 anos de ausência física entre nós, e nascido Wanderlei Abrahão de Paula na ainda hoje pequena e bucólica Pariqüera-Açú no ano de 1961, este nosso irmão de outros cinco, e amigo de tantos e muitos, enfrenta hoje uma batalha que ele mesmo sabe, a depender da Medicina, inglória e de vitória pouco provável. Descontamos deste vaticínio o fato de que continuamos acreditando no bom Deus e na sua capacidade de realizar milagres, e creditamos à fé de nossa mãe, através de suas orações, que Wanderlei possa, ao fim, contradizer a Medicina vindo a ser alvo da graça divina.

Seria, assim, este aniversário só mais um dentre os tantos que parecem se acumular no seio de uma família numerosa como a nossa. Afinal, no último dia 3, o caçula William de Paula, marcou seu 51º tento de vida; no dia 4, este que aqui escreve foi contemplado com seu 36º aniversário de casamento com a senhora Neide Toledo de Paula; no próximo dia 1º de julho, será a vez de nossa única irmã, Waldicéia de Paula Marques, receber das mãos da vida sua 53ª rosa; e, por fim, completando este ciclo de outono-inverno, Welyton de Paula entra para a casa sexagenária no dia 14 de julho. Mas, não! Pelo trauma que nos abateu a todos, e pelo drama da empreitada de luta de Wanderlei (e de todos nós, por que não?), não há propriamente o que se comemorar.

Wanderlei está acometido da temida Esclerose Lateral Amiotrófica, tida, nos relatos médico-científicos como a mais cruel das enfermidades, muito mais do que qualquer neoplasia que, como sabemos, se descoberta no início, pode-se em taxas altíssimas até alcançar a cura! A ELA, como é conhecida este tipo de esclerose, já a partir do primeiro sintoma entrega o paciente a um destino fatal. Você que me lê agora, pode até estar estranhando a forma como estou tratando este assunto delicado, e não lhe tiro a razão. Afinal, a morte ainda é tabu de difícil compreensão e aceitação; mas, é dura realidade que nos alcançará a todos, cedo ou tarde, desta ou daquela maneira. Mas, ser alcançado, dentro de uma estatística de 1 dentre 100.000 pessoas, por uma doença rara como essa, para a qual a Ciência e a Medicina ainda não têm explicações sequer sobre suas causas, quando mais para sua cura, e nem mesmo para estancar a celeridade do avanço da doença, é digno de merecer uma nota que faz justa a indignação do paciente em perguntar: “por que eu?”

Sim. Wanderlei já tem se perguntando inúmeras vezes por quê ele, por que justamente ele, que sempre foi o que mais se destacou dentre seus irmãos como homem que começou a trabalhar ainda menino, que fez carreira como bancário, e que foi contemplado pelo sucesso como empresário, que constituiu família, que construiu um patrimônio bem maior que a soma do patrimônio de todos os seus demais irmãos, e que se notabilizou na sociedade como homem bom, sempre pronto a ajudar o próximo. Por que ele, meu Deus?

Aos olhos das pessoas comuns e modernas, já distantes da credulidade para com as coisas espirituais, tal indagação pode parecer pertinente e até pretensiosa no sentido de tentar colocar Deus “em xeque”. Para nós outros, entanto, temos a dura tarefa de encarar o assunto como estando dentro dos planos e da vontade de Deus, e que, por isso mesmo, não deve (ou não deveria) encontrar lugar para as objeções e/ou imprecações, ou mesmo dúvidas quanto ao fato indubitável de que Deus nosso Pai tem um propósito muito definido para luta como essa pela qual todos passamos, e que nosso irmão Wanderlei enfrenta com singular galhardia, galhardia e altivez, coragem e denodo que, aliás, sempre o notabilizou em tudo o que fez ao longo desses agora 58 anos de idade.

Confesso-me dividido. Ainda custo a crer que tenhamos sido atingidos por este raio incomum. E peço que me perdoem e me entendam; afinal, nestes 52 anos em Peruíbe, eu que sou o mais velho dos irmãos, e que este ano faço 62, posso afirmar para os senhores e senhoras, leitores e leitoras, que somos pouco dados com esta coisa de doenças, e, neste período, não experimentamos mais que dois passamentos na família, tendo sido o primeiro e nossa avó materna, quando eu ainda era adolescente, e, depois, 20 anos atrás, de nosso pai. Eis então um bom motivo para manifestarmos gratidão a Deus, mesmo porque manteve-nos Ele afastado de tantas das enfermidades que acometem o homem e a mulher modernos, até enfrentarmos este hiato de agora, com a enfermidade severa do Wanderlei.

Deparo-me vez ou outra com uma e outra pessoa que me confessa que gostaria de visitar o Wanderlei, mas que teme não conter as lágrimas por ver aquele homem forte de ainda alguns meses atrás encolhido numa cadeira de rodas, magro e abatido pela doença. Mas é preciso que eu lembre aqui que toda e qualquer visita dos amigos e companheiros de bola, de música, de boteco, de festas, dos carnavais, faz muitíssimo bem ao Wanderlei. Vão visitá-lo! Verão que, a despeito do revés de saúde, o melhor e mais bonito sorriso da família, e até mesmo algumas gargalhadas (embora bastante limitadas) têm lugar seguro no rosto de Wanderlei. Não temam chorar, porque também ele chora. O choro traz as lágrimas que lava a alma, e a purifica, preparando-a para a difícil tarefa de entender por que tudo isso está acontecendo com o Wanderlei, com toda a família, e, de resto, com todos nós.

Nestes seus 58 anos, Wanderlei, saiba que todos nós seus irmãos e sua mãe que está do seu lado, todos nós o amamos. Cada qual a seu modo, uns mais doces, outros mais rudes, uns mais perto, outros mais distantes, mas não há medida que diferencie o amor que todos nutrimos por você. Creio mesmo que se fosse possível dividir o seu sofrimento em partes iguais, todos nós acolheríamos com muita disposição cada qual a nossa porção, com o fito de vê-lo melhor.

Pedindo vênia ao Apóstolo Paulo, eu termino este lamento com um halo de esperança: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (cf Rm 8.31). Deus está conosco, Wanderlei. Deus está com você. Hoje, agora e sempre!

Deus o abençoe! Feliz aniversário!

Washington Luiz de Paula

 

 

22 de abril de 2019 – 20 anos sem Luiz de Paula

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Luiz de Paula – N> 13/11/1931 – F> 22/04/1999
Pode parecer piegas esta coisa de ficar, a cada ano que passa, rememorando o passamento de um ente, e mais piegas ainda fica parecendo nestes tempos em que o amor parece ter-se perdido em meio às entranhas das ocupações hodiernas. Mas eu de mim e para mim prefiro seguir a espinhosa trilha daqueles que ainda nutrem um pouco de sentimento, e que, portanto, não fazem parte das miríades de zumbis, escravos das pedagogias que culminaram por criar milhões de analfabetos funcionais Brasil afora, que são aqueles que decantam terem títulos de bacharéis, mestres e doutores, mas que encomendaram suas teses das cartilhas prontas a ensinarem a não pensar.

Eu penso; logo existo!* Porquanto isso não posso lograr esquecer o tempo que o respeito pela vida e a reverência diante da morte eram basilares de uma sociedade que sobreviveu a tudo quanto hoje dizem serem fora de moda. Conheci em Peruíbe um pouco desse tempo ainda. E vim morar em Prados, nas Minas Gerais, que, em que pese ser tricentenária, ainda nutre essa coisa “estranha” de se respeitar os mais velhos, pedindo-lhe a bênção. Curioso é, aos olhos de uma Peruíbe que cresceu muito em tão pouco tempo, e talvez até motivo para chacota, que a reverência pelos mortos e antepassados faz lotar o pitoresco cemitério local a cada final de semana – e há até mesmo quem faça rotina diária a ida ao cemitério cuidar do sepulcro de um ente querido que partiu. Eu mesmo tive a grata satisfação de conhecer pelo menos duas famílias de numerosos irmãos que se revezam diariamente a visitar e a cuidar do túmulo da mãe querida que fisicamente se foi. Eu resumiria assim: Prados tem história; Peruíbe, não! Mas; será?

Veja. Não disserto aqui sobre a condição centenária de Prados comparada ao tempo de apenas seis dezenas de anos de Peruíbe. Ora, se considerarmos que Peruíbe não tem apenas e tão-somente 60 anos, mas sim 484 anos passados desde o primeiro apontamento histórico falando acerca das praias de Tapirema – ou da Aldeia de São João, lá pelos idos de 1535, e, para buscarmos vestígios mais recentes, famílias de caiçaras, como os Caetano, Aquino, Prado, Costa e outras por estas plagas viveram – e alguns ainda vivem – bem mais que os 60 anos da história político-administrativa de Peruíbe, veremos que Peruíbe tem história, sim; o que Peruíbe não tem é memória, e, posto não tê-la, faz perder nos escaninhos mofados do tempo essa sua história tão bela, e não menos rica que as que os contadores mineiros ditam, gerações após gerações, pela antiga mas eficiente tradição oral.

Não dá para esperar mesmo muito mais de Peruíbe. São raros os que a amam de verdade, e vão se perdendo nas gavetas lúgubres da necrópole de Santa Isabel, dia após dia, os poucos que ainda sabem dizer de cor as cores de sua bandeira, os versos de seu hino e o significado de seu brasão das armas. E explicação está na rotatividade dos que vão e dos que se achegam ao município, alguns não ficando mais do que alguns anos apenas. E há os filhos da terra que saem para longe em busca de oportunidade de uma vida mais estável e melhor.

Ora, quem tem paciência de acompanhar meus extensos e enfadonhos escritos ao longo destes 45 anos que tenho por sina o escrever, não diria a história, mas, ao que me parece, o cotidiano de uma sociedade nada organizada, e tão pouco unida, sabe que esta minha queixa é recorrente. E tal como sabe disso os que me distinguem com seu precioso tempo de leitura, sei eu também que malho em ferro frio. Triste pena essa!

O senhor meu pai, Luiz de Paula, era um desses contadores de casos e de “causos”, cuja inexistência tanto se faz sentir em nosso meio. Só mesmo quem já perdeu seu velho pai pode ter a dimensão exata da falta que faz o esteio “naquela mesa”, sentado à cabeceira, promovendo, com mão firme a régia união da família que lamentavelmente, tão logo se foi no tempo, assim também parece teimar se dissipar sua outrora onipresença e consequentemente a concórdia intrafamiliar.

Não quero dissertar aqui sobre o currículo de Luiz de Paula, falecido há exatos 20 anos neste 22 de abril, até porque já está feito em outras postagens deste blogue. Aproveito, porém, este momento de saudade para buscar refletir e fazer refletir sobre o que andamos fazendo com nossas memórias, notadamente com aquelas que estão intimamente ligadas às pessoas que amamos e que já partiram para o outro plano. Posto isso, é preciso que tenhamos consciência de que só é possível manter viva a memória coletiva se mantivermos viva a memória individual.

Neste diapasão a memória coletiva tem a ver com aquelas pessoas que já morreram, mas que contribuíram para o progresso da cidade, ainda que somente em sua restrita área de atuação. A estas geralmente são reservados logradouros que levam seus nomes como para fazer perene a lembrança do que fizeram, do quanto fizeram para o serviço da comunidade, e o que foram no seio da sociedade. E é por isso que acho que vale a pena este registro, não só pelo que Luiz de Paula representou para a família “de Paula”, mas também e sobretudo pelo quanto contribuiu Luiz de Paula – e sua família – nestes 50 e tantos de presença em Peruíbe, dos quais o patriarca só pode participar não mais que 30 anos. E é por isso que emprestou ele seu nome a uma das ruas de Peruíbe, a antiga Rua 3 do Park D’Aville.

Sempre fui muito crítico sobre a falta de critério para a composição dos nomes dos logradouros de Peruíbe. Lamentavelmente os vereadores, aos quais cabe a árdua tarefa de indicar e propor que o prefeito decrete este ou aquele logradouro com este ou aquele nome, costumam fazê-lo por ótica lá não muito técnica, convenhamos. É assim que há rua em Peruíbe que leva nome de natimorto, para citar um exemplo apenas. Deixei de ser ácido, entrementes, após meu velho pai ter sido contemplado com um nome de rua. E, ainda que orgulhoso, confesso um certo incômodo com esta homenagem. Afinal, meu saudoso pai nada mais fez do que a obrigação de ofício, o que fazia sempre com grande denodo e rigorosa honestidade. Acho até que se a homenagem fosse em vida ele não a teria aceitado.

Da mesma sorte nunca concordei com que os nomes como do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e General Arthur da Costa e Silva tivessem sido vítimas do ranço político, trocados que foram, o primeiro, pelo nome do comerciante Ambrósio Baldim (praça redonda), e o segundo, pelo do governador Mário Covas (avenida beira mar). Não que os meus também saudosos amigos Ambrósio Baldim e Mário Covas não merecessem a distinção com as quais foram homenageados, mas, a meu modesto ver, pela falta de respeito para com nossa história recente (do qual hoje temos motivo de sobejo para nos orgulharmos).

A questão, entanto, permanece: Quem foi, o que fez por Peruíbe, cada um dos personagens que empresta nome a logradouros, praças, escolas e outros patrimônios imóveis do município? Que medida a Secretaria de Cultura, em conjunto com a Secretaria da Educação tem feito, ou fez, ou fará para que haja registro nos anais da história de Peruíbe, e para que haja ensino que ilustre às crianças em idade escolar a fim de que elas possam ter na história de vida dessas pessoas exemplos para que venham amanhã a se tornarem homens e mulheres melhores? Eu mesmo respondo: nenhuma!

A bem da verdade, se Luiz de Paula, assim como cada um dos nossos entes que se foram, não permanecer vivo nas memórias de seus próprios familiares, não demorará para que amanhã um vereador resolva propor a mudança do nome desta ou daquela rua, desta ou daquela praça, desta ou daquela escola, de um nome “tão antigo” que nem mesmo ele sabe dizer quem foi, para um nome que lhe seja mais familiar, muito a propósito de alguém que tenha em sua família votos preciosos…

Sim, porque se depender dos agentes públicos e daqueles que têm a concessão para o oferecimento da “morada” perenal, os mortos de Peruíbe continuarão recebendo pouco ou nenhum respeito, e não serão mais do que, conforme os versos de nosso poeta maior Dalmar Americano da Costa (outro que quase ninguém hoje sabe quem foi), “pária, entre os párias deste mundo”.

Antigamente, a cada começo de ano, recebíamos das mãos do outrora venerável farmacêutico Enéas Craice, um almanaque produzido, creio, se não me falhe a memória, pela indústria que fabricava o Biotônico Fontoura, cheio de dicas e informações interessantes e com um calendário para o ano mostrando as datas comemorativas, as festas sacras e as cívicas. Não seria muito pensar em formatar ideia semelhante, anual que fosse, onde estas dentre outras informações se fizessem impressas. Assim quem sabe fosse possível explicar por que que o Ginásio de Esportes leva o nome de “Marcos Ensel Wizentier”, e o campo de futebol central, de “Aparecido Ribeiro”.

No tocante ao senhor meu pai, vitimado pelo câncer quando eu tinha 41 anos, o que posso dizer é que ainda hoje choro seu passamento, e poderia mesmo dizer com certeza tácita e firme, parafraseando Marta e Maria ao Senhor Jesus, quando da morte de Lázaro, amigo do Mestre: “Ah, Luiz de Paula, se estivesse aqui ainda hoje, e ainda que do alto de seus 88 anos, tudo teria sido muito diferente. Muito diferente!”.

Não sei se estarei aqui daqui 20 anos para reclamar que se lembrem de meu pai. É bastante certo que a grande maioria dos que o conheceram já tenham também partido, do mesmo modo como já vem de um crescente o número de meus próprios amigos que têm me antecedido na volta à “casa paterna”. Que fique, pois, este registro para a posteridade, a fim de que sentença do amanhã não nos seja tão árdua como seria se escolhêssemos permanecer na ingratidão.

Washington Luiz de Paula

Cogito, ergo sum – René Descartes

Paulão – A volta de quem não foi

Resultado de imagem para a voltaLendo Ciclos – As Forças Misteriosas que Guiam os Fatos, de Og Mandino e Edward R. Dewey, deparo-me com um fato curioso, que não deixa de merecer reflexão, não só pelo relevo destes dois escritores-pesquisadores no meio da comunidade científica, mas também porque trazem eles a lume um assunto que tem incomodado gerações após gerações, que é a discussão sobre as coincidências e acasos se contrapondo às evidências que fazem crer que há sim alguma força misteriosa e reger o mundo – e o universo – em ciclos abastecidos por ritmos quase sempre ao compasso simples diria que de um cantochão gregoriano.

Coincidência ou não, esta leitura vem em exato momento em que sou informado do retorno do emblemático Paulo Henrique Siqueira – o Paulão, a Peruíbe. Pois bem, antes de discutir a que veio Paulão de retorno a Peruíbe, gostaria de elevar o grau da discussão para um plano em que seja possível discutir, primeiro, se, afinal, ele algum dia foi embora de Peruíbe; e, segundo, num dogma mais abrangente, se retorna – acaso realmente tenha ido – a serviço de si mesmo, de terceiro, ou da própria História.

A teoria da História Cíclica, não obstante afirmar que “as forças humanas mais relevantes acabam motivando a ação humana a seguir uma ciclicidade” (idas e vindas ao mesmo ponto inicial), parece ter por companheira a curta lembrança das pessoas em relação aos acontecimentos pelos quais foram beneficiados, ou através dos quais foram prejudicados. É assim, por exemplo, com as eleições municipais no Brasil que seguem ciclo quadrienal. A cada ano eleitoral o resultado dos pleitos tende a seguir o retorno ao status quo ante, mesmo em detrimento da esperança do novo, da aposta no novo.

Dentre as forças relacionados como propulsoras da ciclicidade da História (Religião/Espiritualismo, a Política, a Ciência, a Filosofia, a curiosidade e a criatividade), parece mesmo que a Política é mola mestra.

Para Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.), “a história é a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a vida da memória, a mensageira da velhice”. Segundo o imortal filósofo e orador romano, “conhecer a história é se deparar com as ações de várias pessoas, independentemente da distância espacial e temporal que a separam”. Desta arte, a história teria uma função digamos pedagógica, de ensinar mesmo o indivíduo a pensar acerca de seu presente e a planejar seu futuro, sempre tendo como referência seu passado. Já o historiador alemão R. Koselleck (1923-2006) afirma que a História nos deixa livres para repetir os sucessos do passado, ao invés de incorrermos presentemente nos velhos erros. É bem possível que ambos – Roselleck e Cícero – tenham sustentando suas teorias em Heráclito de Éfeso, filósofo jônico que viveu de 535 a 475 a.C., para o qual “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois, quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”.

Trazendo esta discussão acadêmico-filosófica para o plano da realidade atual, e para complemento do estudo da História de Peruíbe, mormente a mais recente, temos por obrigação enumerar algumas nuances interessantes:

  • Como pretendia Cícero, até que ponto a insatisfação atual interfere no esquecimento das lembranças amargas do passado, a ponto de parecer desobrigar os indivíduos a aprender com estas mesmas lembranças amargas e, então, e só a partir delas, planejar melhor seu futuro?
  • A que “sucessos” e a que “mesmos erros” se referia Koselleck, ao inferir que a História nos deixa livres para fazermos nossas próprias escolhas no futuro?
  • Por último, será mesmo que, na tese de Heráclito de Éfeso, ao se adentrar novamente no rio, não obstante a certeza de no rio não encontrarmos as mesmas águas, “o próprio ser já se modificou”?

Estas ponderações merecem discussão, amiúde terem respaldo na história político-administrativa de Peruíbe nestes seus 60 anos comemorados neste 18 de fevereiro próximo passado. Senão vejamos: Destes 60 anos, metade, ou 30 anos, o município foi administrado por um triunvirato composto por Gheorghe Popescu (já falecido) e Benedito Marcondes Sodré, como prefeitos se alternando no Executivo municipal, e Oswaldo Linardi (também in memorian), que pilotou o Legislativo por uma dezena de vezes como Presidente da Câmara, sendo que, quando não foi o piloto, era copiloto que mandava no piloto!

Se Mandino e Dewey tivessem tomado conhecimento deste detalhe da história de Peruíbe, é certo que teria merecido capítulo à parte no livro que estou a ler presentemente.

O fenômeno do revezamento Sodré-Popescu-Sodré tinha duas explicações lógicas: Primeiro, ambos se convertiam em inimigos vorazes nos anos eleitorais, para depois se comporem em seus objetivos pessoais evidente que pouco ou nada confessáveis, os dois tendo respaldo da claque de edis capitaneada por Linardi; segundo, porque ambos contavam com a curta memória do povo que, por 30 anos – e por sete eleições seguidas – repetiam o mote do “ah, eu era feliz e não sabia com Sodré (ou com Popescu)”. O segredo talvez estivesse na dieta de chuchu e abobrinha imposta ao povo. Era um povo marcado. Mas era um povo feliz!

Este ciclo pareceu tomar termo com o advento de uma “molecada” que “mal tirou as fraldas das bundas”, como diziam os coronéis ali pelos idos de 1980. Com a vitória de Mário Omuro em 1988 já era possível prever que o ciclo Sodré-Popescu cessara. Mas, fora ledo o engano. Em 1992 Sodré ganharia a eleição para cumprir seu quarto mandato como prefeito – e olha que, não por falta de vontade do agora octogenário Benedito, já teria tentando seu “penta” há bom tempo!

De 1996 para 2016 não houve mais repetição de nomes. Da mesma sorte, não houve uma só reeleição a se registrar nos anais peruibenses. Os outrora mandatários bem que tentaram, mas não lograram êxito em retornar ao Executivo. Assim foi com Mário Omuro, Alberto Sanches Gomes, Gilson Bargieri, Julieta Omuro e Milena Bargieri. A ex-prefeita Ana Preto (2013-2016) foi a única que se absteve de buscar aprovação popular para um segundo mandato consecutivo.

Feitas estas elucubrações e apontados os devidos registros históricos, parece mesmo que há certo grau de preocupação entre os tucanos de baixa plumagem de Peruíbe com relação ao retorno de Paulão em ano que antecede o ano eleitoral, e que costuma ser ano de ensaios e de se começar a esquentar as baterias rumo ao processo das eleições de 2020. Digo entre os tucanos de “baixa plumagem”, porque não creio mesmo que haja qualquer tipo de preocupação entre os tucanos de plumagem mais exuberante – leia-se o prefeito Luiz Maurício e sua competente equipe de técnicos, cada qual em sua área. Luiz Maurício demonstra firmeza ao afirmar que seu governo está dando certo, e que o pretendera ao se candidatar ao Executivo (e ao vencer as eleições de 2016) vem seguindo o ritmo proposto em seu programa de governo.

Agora, que as peças começam a se movimentar no tabuleiro da política local isso é verdade. O próprio retorno de Paulão, que, lembrando, foi peça chave na eleição de José Roberto Preto em 2004, e, depois, de Ana Preto, em 2012, é sinal mais que evidente que as forças políticas de Peruíbe haverão de começar a se organizar. Mas, não é só Paulão que pode incomodar o tucanato local. Nomes como José Ernesto Lessa Maragni Júnior (Zeca da Firenze ou Diácono Zeca) e Alex Pereira de Matos (Alex) também merecem registro pelas forças que certamente representam, e que estiveram fora por algum tempo, mas que, também, ou já voltaram, ou já vêm de ensaiar retornar para um estabelecimento mais definitivo e “mais perto” de onde as coisas acontecem em Peruíbe.

Zeca não esconde sua pretensão de tentar novamente o Executivo, ainda que siga afirmando que 2020 ainda é ano sabático para ele; e Alex Matos ainda continua sendo a maior “eminência parda” que o município já conheceu, desde que deixou uma reeleição praticamente ganha para vereador. Evidente que ambos são dois “elefantes” que, deveras, incomodam muita gente!

No que diz respeito a Paulão, marqueteiro político de jaez e estirpe, e que coleciona sucessos até mesmo como cantor de música romântica e popular, é de se ter certeza ao menos de uma coisa: não retornou ele a Peruíbe para ser ele mesmo candidato, ainda que certa feita tenha me confessado este seu intento, mas sim para estar a serviço de alguém. Resta saber de quem.

Se ele veio com o intuito de ilusionista, para uma tarefa que, decerto, não é lá tão difícil, de fazer a urbe esquecer como foram seus anos de “sucesso” como prefeito ad hoc, na tentativa de fazer retornar sua antiga chefe, a saber Ana Preto, é até mesmo possível que logre êxito. Como tenho dito desde sempre o povo tende a ter memória curta, e a ser, em certo sentido, até ingrato. E, não obstante as pesquisas e enquetes apontarem que o prefeito Luiz Maurício não só está no caminho certo, como também estar imprimido a melhor gestão pública de toda a história de Peruíbe, não é difícil prever que seu projeto de reeleição exigirá um esforço extraordinário à parte. Ele sabe disso.

Eu, de mim e para mim, torço para que as forças se conjuguem em torno daquilo que tem dado certo, para o bem comum, e não para atender vaidades e desejos espúrios pessoais. Quanto a Paulão, embora custe a crer que algum dia tenha efetivamente ido embora de Peruíbe, ainda assim, oxalá tenha retornado – e seja assim bem-vindo! – para somar. Sim, porque se veio para dividir, como dividido estiveram os candidatos em 2016, tenho a crer que, se Luiz Maurício se elegeu nas últimas eleições por obra de alguma força oculta que poderíamos chamar de “acaso”, em 2020, caso venha a se reeleger, não obstante todo o sucesso de seu governo, provará ser bem mais que advogado e administrador público: será mágico!

Consoante sabermos que pouco ou nada podemos coligir de efetivamente bom, perfeito, justo e honesto na história recente de Peruíbe, torçamos para que os ciclos tanto estudados por Og Mandino e Edward Dewey, portanto, falhem em 2020. Afinal, Peruíbe é, como fez acordar o prefeito Luiz Maurício, e deverá continuará sendo “uma cidade de todos”!

Que Deus salve Peruíbe das maldições do passado!

Washington Luiz de Paula

Efeito Bolsodoria – O que os resultados das eleições têm a ensinar para Peruíbe

De plano, o povo quer mesmo mudanças por estar cansado dos mesmos, das oligarquias que teimavam pretender se perpetuar no poder, e está até mesmo disposto a correr o risco de experimentar o novo no lugar de ter que engolir a velha comida requentada que tanto mal fez à saúde (em todos os aspectos) de todos os brasileiros, de todos os paulistas, e, pensando no microcosmo de nossa cidade, de todos os peruibenses.

Não! Não adianta teimar, porque ainda que permaneçam bolsões onde a falta de informação e a ignorância pareçam teimar perenes na cabeça de uma parcela da população que não consegue mais discernir entre o bem e o mal, entre o bom e o ruim, é crescente o índice daqueles que estão descontentes e que se aperceberam que o voto, além de sigiloso, tem a força que propicia a mudança.

Se fizermos uma análise fria desta segunda-feira pós-eleições, e dos números que estes resultados nos apresentam, teremos a certeza de que parece mesmo que o povo vai perdendo o medo que os antigos coronéis lhes imputavam, e resolve, como é tradição na história brasileira, impor a revolução, sem o uso de recursos bélicos, sem derramamento de sangue, mas tão somente pelo voto.

O que o Brasil tem a aprender com estes resultados que sepultam não só velhas raposas da política em todos os planos – nacional, estadual e também municipal -, mas que também encerram nas masmorras da Justiça aqueles que lesaram os cofres públicos por anos a fio, é que é possível sim vislumbrar anos em que estejamos sob a égide de governantes que nos guiem “pelo exemplo” como salienta o presidente eleito Jair Bolsonaro, e como tem sido em Peruíbe nos últimos dois anos em que o município está sob a batuta do prefeito Luiz Maurício, e como se deduz ser guiado o estado a partir de janeiro tendo à frente um pragmático como João Doria Jr.

Evidente que os algozes de plantão, que ainda podem estar sob o efeito da ressaca das derrotas de 7 de outubro e também de ontem (28), haverão de espernear ao dizer que o que se aqui se escreve é mero exercício de retórica e semântica. Não tiremos destes o direito ao “jus sperneandi”. Aliás, em política aprende-se que promover esperneios (ou, para leitores mais modernos, o “mi-mi-mi”), não é próprio de estadistas, daqueles que estão preparados para governar ou para representar o povo nas câmaras legislativas. Exemplos disto pudemos ver ainda ontem, quando nem ainda haviam terminadas as apurações para o governo do estado, em que Márcio França, ainda que vendo que a diferença urna a urna andava na casa dos 500 a 700 votos (o que é pouco, convenhamos, para um universo de 33 milhões de eleitores), foi o primeiro a reconhecer a derrota para seu oponente João Doria, oficializando isto em telefonema que fez questão de fazer a Doria, parabenizando-o pela vitória. Eis aí um político tralhado para a vida pública – um estadista! Enquanto isso, praticamente no mesmo horário, Fernando Haddad, mesmo tendo perdido para Jair Bolsonaro por uma diferença acachapante de 10.756.607 votos (e olha que no primeiro turno Haddad perdeu para Bolsonaro por 17.934.959 votos!), o representante do Partido dos Traidores, ops… dos Trabalhadores preferia continuar com seu discurso de ódio (sim! – ele sim, de ódio!), de inconformismo, de ameaças, não esquecendo de impor, ainda que indiretamente, sobre os quase 58 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em Bolsonaro, a pecha da ignorância, de que não souberam votar. Eis, portanto, a diferença entre um estadista e um oportunista.

Ouvi ainda há pouco um discurso de Barack Obama – o discurso da derrota imposta por Donald Trump – que evidencia esta coisa de que “a eleição é um jogo, uma hora se ganha, outra hora se perde”. E ensina que, mesmo perdendo, é importante, seguir em frente, “ansioso por ajudar o próximo presidente a ter sucesso”, e não perdendo nunca a “fé no nosso povo”, porque “acima de tudo estamos todos no mesmo time”. Pois é. Lamentavelmente não há estadistas deste jaez no PT. Basta ver o escárnio com que as vozes vociferantes das lideranças petistas tratam as instituições públicas e, de resto o povo brasileiro, quando de seus esbravejantes discursos nas tribunas e palanques eleitoreiros.

Então. É disto que falo e vejo e que nos faz agora ter a certeza de que o povo está cansado. Cansado e oprimido. Cansado e inseguro. Cansado e cheio de incertezas quanto ao futuro, mas que agora joga suas últimas e preciosas cartas por um vislumbre que seja de Brasil melhor, de São Paulo melhor e, como aconteceu há dois anos atrás, de Peruíbe melhor.

No que tange ao que, como defini acima, “microcosmos” de Peruíbe, o avanço do entendimento da população por este anseio nacional por mudanças – de jogo e de regras – parece ter encontrado similaridade no resultado das apurações no âmbito municipal. Com 55.810 eleitores, Peruíbe foi muito além da média nacional, ao escolher Bolsonaro com 54,62% dos votos contra 15,55% dos votos oferecidos a Haddad. No segundo turno, a diferença foi ainda mais expressiva: Bolsonaro, com quase 70% dos votos dos peruibenses, deixando Haddad com pouco mais de 30%. É para reflexão notar, no entanto, que o embate para governador do estado, no plano municipal, demonstrou números que merecem ponderação, principalmente quando sabemos envolverem nomes que, a partir destes resultados, já começam a arquitetar seus planos para as eleições municipal de 2020.

A diferença de votos entre Márcio França (1º mais votado), e João Doria (2º mais votado) no primeiro turno (sempre lembrando que são números municipais, de Peruíbe), foi de 2.894 votos, ou, considerando terem havido 12 candidatos ao governo, 35,85% dos votos para Márcio França, contra 26,56% dos votos para Doria. Eram, convenhamos, números preocupantes para o staff tucano municipal, e de modo especial quando se sabe que os ex-prefeitos Gilson Bargieri, Milena Bargieri e Ana Preto apoiavam abertamente Márcio França, acompanhado de pertos por lideranças municipais não menos expressivas de vereadores, e até de ex-vereadores como Emer Elias Abou Jaoude, Alex Matos e Alexksander Veiga Mingroni (Kiko), e também pelo ex-candidato Barros (Altas Horas), e ainda por Paulo Henrique Siqueira (Paulão) teimosa eminência parda das oposições municipais. E ainda que não se possa afirmar que todos estariam juntos em 2020 contra o establishment tucano, o que, considerando a história política de Peruíbe, é deveras complicado e difícil, o fato é que as forças estavam juntas e misturadas em favor de Márcio França, legando a responsabilidade do apoio à “novidade” João Doria (pelo menos no plano municipal) para Luiz Maurício e sua régia equipe.

O embate estava, está e estará, portanto, evidente.

A quebra de braço, entanto, a meu modesto ver, não esteve só a serviço da medição do índice de satisfação que o povo vem tendo quanto à atuação do prefeito Luiz Maurício. Como dito acima, parece mesmo que o eleitorado de Peruíbe acompanhou a onda bolsonarista que apelava pelo desvio da rota deste gigantesco navio chamado Brasil para que não acabasse soçobrando ao chocar-se com o iceberg socialista e comunista que tenderia mesmo a tingir-se de vermelho do sangue de brasileiros que desde muito já morrem vitimados pelo descaso governamental nos cuidados com a saúde pública e com a segurança pública. Porém, quando se nota que a diferença de votos entre Márcio França e João Dória caiu de 2.894 votos no primeiro turno, para 429 votos apenas no segundo turno, é forçoso admitir que o cacife eleitoral do prefeito Luiz Maurício continua relevante ou mesmo, eu diria, até pode ter aumentado. Aliás, o próprio prefeito tem sido modesto em comentar reservadamente que o resultado das urnas foi uma vitória: “afinal éramos nós com nosso povo, contra todos eles”, referindo-se a nomes que seguramente deverão – e outros que poderão ou eventualmente haverão de – concorrer à prefeitura em 2020.

Embora não se possa precisar haverem vitoriosos ou derrotados nas searas dos políticos municipais que estiveram apoiando João Doria e Márcio França, pessoalmente cria que Márcio França teria votação muito mais expressiva em Peruíbe, até por ele ser um habitual frequentador da cidade, onde tem inclusive casa de veraneio. Do mesmo modo cria que João Doria teria votação bem menor em razão de até esta campanha não passar de um ilustre desconhecido para o povo de Peruíbe, e que dificilmente conseguiria convencer sobre a que veio, não fosse a interferência obstinada e direta do prefeito Luiz Maurício.

Por este viés é de se considerar que a ínfima derrota de Doria em Peruíbe não foi mais do que vitória para ele, e para o tucanato municipal. Afinal, ganhando na totalidade dos votos estaduais por apenas 3,5 pontos percentuais de votos à frente de Márcio França, é justo afirmar que os 15.971 votos (0,08% dos votos válidos) que João Doria obteve em Peruíbe foram de suma importância para ratificar sua vitória como governador do Estado para o quatriênio 2019-2022. E, para quem acha que esses números são poucos, experimente multiplicar esta votação local pelos 645 municípios do estado, e verá que se chega a um número que que representa um terço de todo o eleitoral paulista.

Elucubrações à parte, o importante mesmo é comemorar. O Brasil está livre da sanha socialista e comunista. São Paulo está livre das velhas oligarquias. Peruíbe agora pode sonhar e acreditar que os dois últimos anos deste atual governo do prefeito Luiz Maurício não será mais marcado pela perseguição política, pela vingança e pelo ranço. Retomamos, afinal, o rumo certo. Força no leme, João Doria! Força no remo, Luiz Maurício! Força na cabine de comando, Capitão! Deus os ilumine nesta dura tarefa, e ilumine a nós, vitoriosos e derrotados, para que saibamos entender que o Brasil, São Paulo e Peruíbe não é deste ou daquele partido ou político. O Brasil, São Paulo e Peruíbe é de todos nós! E, juntos, somos mais fortes! E, juntos, venceremos! Emmanuel!

Washington Luiz de Paula

Blogue faz 8 anos neste dia 13, e quem ganha o presente é você!

Banner grátis válido só até a meia noite de amanhã, quinta. Não perca!

Da Redação

Nascido quase que por acaso de uma conversa de botequim, o blogue “O Que Escrevi, Escrevi.”, assinado pelo decano no jornalismo peruibense, Washington Luiz de Paula, completa oito anos neste dia 13, quinta-feira.

Washington lembra que havia acabado de passar o seu “Jornal Acontece” para João Di Fiori, então presidente da Associação Comercial, e, meio triste por se ver longe da lide, aceitou a provocação feita pelo corretor de imóveis Mário do Carmo, tendo como testemunha Antonio Carlos Marques Dib – o “Gordo Dib”: “Por que não um blogue?”.

E assim nascia o blogue do Washington! A referência ao título “O Que Escrevi, Escrevi.” tem uma história curiosa, e Washington conta:

“Em umas das infindáveis ações que sofri, nos campos cíveis, criminais e eleitorais, nos 20 anos que mantive o Jornal Acontece, deparei-me em uma audiência resultado de uma ação que o falecido jornalista Félix Pinheiro Rodrigues (Tribuna de Peruíbe – extinto) movia contra mim por tê-lo chamado de ‘paneleiro’ em um editorial assinado por mim. Félix era português de nascimento e, em Portugal, ‘paneleiro’ é o mesmo que pederasta, homossexual. Na audiência o juiz Olavo Zampol Júnior me perguntou: ‘O senhor confirma o que disse fazendo referência ao senhor Félix?’, ao que eu respondi: ‘Excelência, eu não disse; eu escrevi! E o que escrevi, escrevi.’. Félix perdeu a ação em Peruíbe, e recorreu ao Tribunal, onde perdeu novamente, não sem antes deixar esta história registrada nos anais do anedotário forense paulista”.

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Como participar

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Aguardamos você!

O lado irônico (e obscuro) dessa história da Lama Negra

Que me perdoem desde logo o trocadilho, mas há um lado negro nesta história presente e corrente destas campanhas tipo “salvem a Lama Negra”. Ou se preferirem aqueles que querem excluir o lápis preto da caixa de lápis de cor de meus netos, vejo claramente (e aqui vai outro “trocandalho do carilho”) que há algo de obscuro neste surto repentino de paixão pelo pelóide tido e havido no fundo do Rio Preto de Peruíbe desde tempos que me lembro bem, mas que são imemoriais para muita gente…

Será mesmo, como querem fazer acreditar os paladinos de hoje da Lama Negra, que o “futuro” de tal minério está mesmo nas mãos do prefeito Luiz Maurício? Eu repondo com um sonoro e retumbante NÃO!

É muito evidente que nem mesmo os autores da petição informal que corre no Avaaz creem que R$ 50.000 seria dinheiro mais que suficiente para “salvar” a Lama Negra, pelo que a petição tem esse condão de solicitar, quase suplicar que o prefeito pague por mais esta dívida que não é dele – nem tão pouco do governo nele, em uma história que se arrasta desde 2015, um ano antes de assumir como prefeito, portanto. Fosse assim, acreditassem mesmo em mais esta versão da história da carochinha, seria muito mais fácil juntar os 500 interessados e assinantes da tal petição e se fizesse com que cada um contribuísse com cem reais para que o quantum restasse amealhado para pagamento dos compromissos do Lamário junto aos competentes órgãos estaduais e federais.

Ora, afinal, se podemos aprender algo com a lição de Kennedy, entenderíamos que é muito melhor perguntamos o que é que nós podemos fazer por nossa cidade, e não o contrário. E R$ 100,00, convenhamos, não haveria de fazer falta para muitos dos participantes de tal movimento sabidamente político-eleitoreiro, vez que há empresários e profissionais liberais dentre estes que, à guisa de exemplo, só por conseguir uma canetada de um juiz para quebrar um flagrante de tráfico de drogas, pode amealhar nessa única canetada, até 50 vezes mais que isso.

A questão é que ninguém quer salvar nada. Ninguém está sequer interessado se a lama é negra ou se é marrom. Muitos sequer “escutaram o cheiro dessa água”, para lembrar o glorioso e quase beato Benedito Marcondes Sodré, quando prefeito, mostrando a água sulfurosa que jorrava de fonte onde o pelóide da lama negra abundava ali pelas bandas do Jardim Veneza ao então governador Laudo Natel.

Evidente que também aqui a regra tem lá sua exceção. E a exceção aqui tem nome: Paulo Flávio de Macedo Gouvêa que resolveu dedicar estes últimos anos de sua vida profissional como médico para desenvolver tese de doutorado em estudos que começaram lá atrás com o termalista e crenólogo Benedictus Mário Mourão, de Poços de Caldas. Por visionário acabou ficando conhecido no meio político de Peruíbe por um epíteto lá não muito gracioso e, convenhamos, imerecido: Paulo Louco.

Por louco, visionário e insistente em suas teses em favor da Lama Negra, o Dr. Paulo Flávio viveu como poucos a agonia da falta de reconhecimento de seu trabalho pelos políticos de antes, e mais ainda pelos de antes-de-ontem. Transformou-se no nosso “passageiro da agonia”, parafraseando Lúcio Flávio, o anti-herói ressuscitado pelo cineasta Hector Babenco décadas atrás.

Então, embora seja de se fazer agora a pergunta que não quer calar, de o por quê Paulo Flávio e outros protagonistas desta campanha hodierna, como Cynthia Calli, ex-diretora de Meio Ambiente do Governo Ana Preto, não emprestavam no governo passado tanto e tamanho vigor a uma campanha pelo “resgate” da Lama Negra, fica evidenciando que se há mérito em quer que seja nesta luta perenal em favor da Lama Negra, este deve estar com o Dr. Paulo Flávio. E c’est fini. O que passa disso é chorumela!

Separemos, no entanto, esta questão político-eleitoreira da efetiva necessidade de se fazer agora e já o que nenhum outro prefeito (ou prefeita) de governos passados fizeram para que seja possível explorar a lama negra como deve explorada, partindo de seus princípios terapêuticos e curativos, deixando apêndices de interesses mesquinhos de todos quantos queiram se aproveitar – diria, se locupletar – desta dádiva divina, deste legado dos céus à nossa cidade. O turismo, por pressuposto, é um destes apêndices. O comércio, outro.

Ora, ninguém aqui vai conseguir me convencer de que o Dr. Paulo Flávio e mais dois ou três auxiliares servindo no Lamário Municipal dariam conta de atender e aplicar o pelóide em caras e corpos de centenas, talvez milhares de pessoas que para cá de repente acorressem atrás deste “milagre” da natureza! Nem Chico Xavier conseguia essa proeza de atender sozinho multidões em busca de seu socorro espiritual! E muito menos o bom-senso nos fará permitir crer que uma “verbinha” seja bastante e suficiente para fazer acorrer turistas milionários do mundo todo para as plagas peruibenses. É ledo esse engano.

Mas, esperem aí! Eu disse “milionários”? Sim, disse e repito: milionários! Turista pobre, que não tem dinheiro para se hospedar na mais simples das pousadas da cidade, ou de comer uma pizza das mais baratas em restaurante local, esse não interessa para ninguém! Deixemos de hipocrisia, meu Deus do céu! Claro que a Lama Negra tem que estar a disposição de todos, indistintamente, mas crer que uma romaria de “farofeiros” em busca de uma aplicação da lama resolveria o problema latente de Peruíbe, que é a falta de incremento ao turismo, ora, vamos e venhamos…

E o turista milionário não viria para Peruíbe. A cidade não tem uma marina onde atracar seu iate, não tem um hotel graduado em estrelas para receber alguém famoso, não tem segurança, enfim, não será Luiz Maurício, convenhamos, com seus quatro anos de governo, que resgatará Peruíbe desse limbo sobre o qual o qual os políticos imediatistas e egoístas das últimas décadas jogaram a cidade e o município.

Seria de grande utilidade até para a formação de uma opinião pública mais equilibrada que o Dr. Paulo Flávio viesse a lume para dizer qual dos prefeitos anteriores com quem trabalhou mais e melhor fez pela Lama Negra de Peruíbe. Mas não só dissesse quem, mas também declinasse o que fez o dito alcaide.

Do que depreendo das atitudes dos políticos todos que acompanho desde 1976, quando debutei na política local, posso dizer, sem medo de errar, e mesmo não sendo sequer preciso perguntar-lhe, que o Dr. Luiz Maurício, atual prefeito, tem na sua mais alta pauta de preocupações uma ação das mais efetivas para dar solução perene a este impasse de décadas. Mas sabe o prefeito – e ele não é irresponsável – que o município por si só não tem condições de gerir e administrar com seriedade este equipamento de saúde pública, da mesma forma que qualquer município deste Brasil afora tem condições, por suas próprias finanças municipais, de administrar um hospital público, por pequeno que seja.

Tenho para mim desde muito tempo que a solução para a Lama Negra é sua entrega, em comodato, para uma indústria farmacêutica, um laboratório multinacional, uma empresa com experiência no ramo de aplicação termal, dentro de fora do Brasil, ou ainda uma grande empresa do ramo hoteleiro, com as exigências e garantia de praxe, a fim de que esta, então, investisse na instalação de um grande complexo que contemplasse a exploração máxima da Lama Negra e de todos os seus benefícios à saúde.

Eu não sou tolo de achar que isso seria fácil. Os primeiros a se movimentarem contra uma entrega da Lama Negra para a iniciativa privada seriam aqueles que se acham detentores de todas as raízes do município, alguns dos quais tendo chegando ontem na cidade, não tendo como servir nem de caule, quanto mais de raiz. Sendo assim, continuamos vivendo numa cidade em que nada se pode fazer: se o prefeito investe em atividades culturais e turísticas, deveria investir no hospital; se investe no hospital, deveria promover entretenimento para a população… Esta é, deveras, a cidade dos descontentes! Só Jesus na causa!

Até que este impasse se desenrole, e ele não há de se desenrolar até outubro pelo menos, sigamos acreditando que este ou aquele deputado que ainda ontem sequer sabia em qual região do estado ficava Peruíbe haverá de, se reeleito, se lembrar que Peruíbe existe e que, dentro dela tem um mar de lama… de Lama Negra, claro!

Washington Luiz de Paula

Saúde Pública – Use e Abude

Há não muito tempo atrás havia pelas plagas peruibanas um homo politicus que tinha a saúde pública como fixação – quase uma obsessão. Estou tratando do ex-vereador e extinto Anielo Pernice Neto. Quem viveu os gloriosos anos da dupla Anielo Pernice e Milton dos Santos (também falecido) como legisladores municipais, há de se lembrar do quanto eles se preocupavam com a saúde da população. Os críticos diziam que ambos se aproveitavam das agruras físicas do povo para se locupletarem politicamente nas urnas; as centenas de pessoas que, de algum modo, seja indireta ou indiretamente, beneficiaram-se de seus favores nesta tão nevrálgica área, têm os dois em muito boa lembrança, diria que com saudade até.

Anielo, a quem conheci de perto, passou a se preocupar muito mais amiúde com a saúde pública depois que tivera dois enfartos, e dependeu dos parcos recursos físicos (instalações), de equipamentos, de insumos e remédios, mas, sobretudo, da extrema boa-vontade dos agentes de saúde pública em fazerem quase que literalmente “das tripas, coração”, para poder sobreviver aos ataques cardíacos que o acometera. E, pelo menos no que tange aos dois primeiros, sobreviveu; já no terceiro, anos depois, o vaticínio fora certeiro, próprio de quem conhecia bem de perto as dificuldades, ora gerados pelo descaso de mandatários municipais e profissionais da área, ora propiciados pelos desvios do dinheiro público que deveria ser mais e melhor investido na saúde: “Filho, não tenha pressa; sei que eu não volto vivo para casa”, disse Anielo a seu filho que o socorria, levando-o para o pronto socorro.

Anielo morreu sem realizar dois de seus maiores sonhos: o de ser prefeito de Peruíbe, e o de ser Secretário de Saúde. O segundo desejo era assim como um fetiche. Não obstante, para ele, tudo parecia mesmo ser uma mera questão de nomenclatura, apenas de título, de diploma. Anielo foi, afinal, um grande e memorável secretário de saúde “ad hoc”, segundo testemunhos daqueles que geriram a pasta da saúde, tendo o venerável Anielo como guardião, do outro lado da rua – e da vala da Ubatuba.

A vida prepara dessas peças para as pessoas. Para Anielo, que é bem possível ter morrido triste por não ter podido fazer mais, e por não ter sido reconhecido por seu empenho frente aos inúmeros problemas, diria que incontáveis problemas deste verdadeiro “saco sem fundo” que é a saúde pública, é muito provável que o destino o tenha poupado das críticas dos incautos, da ingratidão da plebe, e do ostracismo político a que está relegado todo aquele que tenha passado pela Secretaria de Saúde como seu administrador e gestor.

Posto isso, tenho repetido que a Saúde Pública é uma máquina para fazer desgraçado todo e qualquer projeto político de quem quer que seja que tenha se sentado na cadeira de Secretário de Saúde. E posso citar todos os que me vêm à memória neste momento para ilustrar se o que falo e escrevo tem ou não tem pano de verdade. Assim é e assim foi, e assim se deu com os médicos Jaime Itchiro Uehara, César Kabbach Prigenzi, Rubens Rodrigues Gomes Júnior, Valdez Lopes da Silva; e da mesma forma com os cirurgiões-dentistas Alberto Sanches Gomes e Julieta Fujinami Omuro; e de igual sorte com os veterinários José Rubens Nogueira de Souza e o atual Antonio Carlos Abude. Completamente fora da área médica, marcaram presença como secretários também uma advogada, e, mais recentemente o empresário, ex-vereador, ex-presidente da Câmara e ex-vice-prefeito Nelson Gonçalves Pinto, o “Nelson do Posto”.

Todos – sem exceção – experimentaram a glória de terem sido amados em um certo tempo, mas de restarem odiados, razão porque nenhum deles, por mais que tenham se esforçado, ou por mais que venham a se esforçar, jamais conseguirão serem lembrados nas urnas pelo bem que muito certamente fizeram enquanto estavam à frente da saúde pública municipal. E, para tal, basta um deslize qualquer, que será mais que suficiente para fazê-los detestados por parcela considerável do povo.

Ora, se ninguém duvida da capacidade empresarial, e de seriedade – e até da honestidade – de quase todos os nomes supracitados, seria tempo de se perguntar porque é que, afinal, não se consegue fazer a “coisa” andar em perfeito e reto trilho quando falamos de saúde pública numa cidade como Peruíbe, que, no sentido das dificuldades encontrada para sustenta-la com eficiência e plenamente, não difere em nada até mesmo de capitais como São Paulo?

A saúde pública é, deveras – e repetindo – um saco sem fundo. Há problemas estruturais, e há problemas de boa vontade, e até de honestidade, dentro e fora, interna e externamente. E pra estes problemas não há cristão como denodo e coragem suficiente para enfrenta-los sem correr um risco de tomar um cruzado de direita no nariz como literalmente aconteceu em Peruíbe, à saída da Secretaria da Saúde, não muito tempo atrás, o que vem me fazendo crer que, para ser bom secretário de saúde não é preciso entender apenas de medicina e de administração médico-hospitalar, mas também é importante ser um bom pugilista, ou ao menos um faixa preta em qualquer arte marcial.

A doença de que sofre a saúde parece mesmo ter base no corporativismo. Senão, como ser possível admitir que um médico “aceite” receber por sete plantões semanais de 24 horas, o que chegou a contemplar alguns médicos com um corpulento salário de até R$ 70 mil no final do mês? E aquele motorista de ambulância que em auditoria não muito distante recebia por horas extras enquanto dormia em casa? Além de descalabros financeiros desta jaez, há a questão do atendimento ao público, que, da parte de alguns funcionários que teimam em transferir suas frustrações familiares, pessoais e até profissionais para os pacientes e, quando confrontados, esfregam na cara dos incautos a previsão legal que ameaça jogar na cadeia todo aquele que “desacata” um funcionário público.

Outro cancro que faz minha humilde sapiência perder os fios de cabelos que ainda me restam diz respeito à terceirização da administração médico-hospitalar. Num país eivado de escândalos envolvendo fundações, organizações não-governamentais, associações e institutos, crer ser possível encontrar uma entidade séria e sobretudo honesta para este “negócio” é acreditar no conto-da-carochinha. Uma rápida pesquisa pelos escaninhos de Tribunais de Contas aponta para uma infinidade de desvios, que vão desde relatórios maquiados, superfaturamento de preços, desvios os mais diversos, e para a corrupção passiva e ativa. Contados nos dedos de uma das mãos as passagens de Peruíbe pelo “Fantástico”, para citar um exemplo apenas, a maioria destas passagens tratou de tema de desvio de dinheiro, de remédio e de escândalos envolvendo a administração pública direta com estas agremiações que são criadas para serem verdadeiros “papa-dinheiro” da saúde pública, alhures e algures.

Por penúltimo relaciono como nevralgia de que padece a saúde pública, a vontade (ou falta dela) política. Em verdade tem faltado vontade de acertar, e tem sido excessiva a vontade de errar. Lógico que estou tratando de história, e não de caso presente. Por esse ritmo, não duvido, por exemplo, da enorme vontade que o atual prefeito de Peruíbe Luiz Maurício tem de acertar, e até arrisco a dizer que tem mais acertado que errado também na área da saúde pública. Mas, passado um ano e meio de seu governo, é de se perguntar se não está na hora de uma reciclagem, de um rodízio de seu pessoal de primeiro escalão na busca da excelência que – tenho certeza – é o seu norte enquanto prefeito municipal.

E por último, e não menos crônico, está a questão da insatisfação popular de um povo que se divide entre aqueles que têm efetivas necessidades de cuidados de saúde, e aqueles que a mim vai me parecendo até fazerem força para ficarem doentes, somente para terem o “prazer”, mórbido convenhamos, de serem “mau-atendidos”, de conferirem “que não tem remédio”, que “o médico não estava no plantão” e assim por diante. Estes, melhores atendidos que pelos agentes de saúde, o são pelos representantes da imprensa marrom que fazem plantão na porta do hospital ou do pronto socorro e, de microfone ou celular em punho, inquirem aos que saem depois de atendidos, e quando recebem uma resposta que expressa satisfação pelo bom atendimento, parecem dizer: “não, esta resposta não vale!”. O serviço de saúde atende mil pessoas num dia; 999 saem satisfeitas, mas uma apenas sai de lá insatisfeita, e esta então é “aproveitada” para engordar a audiência da rádio, da TV, do jornal ou do sítio na internet.

Não! Não estou fazendo parte da claque que acredita que o Secretário de Saúde seja culpado pelo sucateamento das viaturas e ambulâncias, pela falta de remédios básicos na farmácia do hospital, por médicos que assinam plantão e se mandam para outras cidades vizinhas, ou simplesmente somem, por atendentes despreparados para uma simples sutura ou coleta de sangue. Não! Mas, quando vejo crescer a campanha contra o atual Secretário de Saúde de Peruíbe fico me perguntando se toda esta teimosia vale mesmo a pena… Lógico que a troca pura e simples do secretário por quem quer que seja não resolveria o problema. O problema, então, não está no Dr. Abude. Nem no prefeito.

A saúde pública é tão vulnerável que permite até mesmo ser usada para atingir objetivos que não os publicamente declarados nas campanhas “fora Abude!” por aí adentro. Posso facilmente visualizar que tem gente, por exemplo, que quer que o Dr. Abude, que é vereador eleito, volte para a Câmara, porque quer que sua suplente, a vereadora Luciana Castellan perca o mandato. Sendo assim, o alvo de interesse não é nem a saúde, nem o Dr. Abude, e sim a vereadora Luciana que parece ter imprimido em seu curto mandato até aqui um jeitão todo peculiar que tem incomodado alguns e feito com que colecione desafetos.

O que sucede é uma sucessão de teimosia. A quebra de braço entre a incongruência e a intransigência não dá sinais de que possa se romper, seja de um lado, seja de outro. Se, por um lado parecem cegos aqueles que acham que todo o problema da saúde pública em Peruíbe pode-se ver resolvido, quase que num átimo, sacrificando-se o boi de piranha da vez, por outro lado o prefeito Luiz Maurício parece tolhido pelo compromisso político assumido, tanto com Abude, quanto com a Castellan, seus companheiros de partido e de campanha.

Para imitar um pouquinho a salve, salve, querida ex-presidenTA, pessoalmente eu não acho que alguém vá ganhar alguma coisa com essa ziquizira. Tão pouco quem quer seja perderá, porque, independente do Abude, a saúde pública não haverá de melhorar, ainda que ganhássemos uma filial do Albert Einstein, do Sírio Libanês ou da Beneficência Portuguesa! Em outras palavras, sempre haverá quem reclame, sempre haverá quem não se dê por satisfeito e – lembrando bem – em todo lugar, e em todos estes hospitais morre-se gente todo santo dia, desde por um problema respiratório aparentemente comum (como foi o caso do ex-prefeito José Roberto Preto, expirado num leito do Hospital Albert Einstein), até em meio a uma cirurgia mais complexa. Sendo assim, estava certa a Dilma quando dizia que “eu não acho que alguém vá ganhar ou vá perder; eu acho é que todos irão perder!”.

O imbróglio, entanto, está aí. Eis uma situação onde não se consegue ver razão plena, seja nos patronos das ações que pleiteiam a queda do Abude, seja no próprio prefeito que insiste em manter seu stablishment inicial. Do que posso depreender que razão mesmo, só apenas resquícios.

Deduz-se por isso pelo arrazoado que dá conta de que ser prefeito é uma tarefa deveras difícil. Luiz Maurício não foi constituído prefeito para atender os desejos lascivos de lobos e lobas sedentos por sangue, sequiosos pelo pior. Afinal, há mais ovelhas e cordeiros nesta terra de Tapirema que lobos e lobas. E, ainda que contentar tal e tamanho rebanho seja assaz difícil, é preciso serenidade para seguir em frente sem se preocupar com os uivos isolados que ecoam aqui, ali ou acolá.

Cabe ao prefeito, portanto, e só a ele, avaliar se aquele (ou aquela) que “amassou lama” com ele durante a campanha, seguem merecendo a confiança nele depositado (ou nela depositada), mesmo correndo o risco de “morrer na praia”, abraçados com estes e estas. E, convenhamos, a um ano e meio de governo apenas, não é mesmo possível ver qualquer risco de naufrágio da nau tucana comandada por Luiz Maurício.

Sabe, portanto, o prefeito que se ceder agora, terá que ceder novamente amanhã, e depois de amanhã outra vez, porque a sanha dos apóstolos do quanto pior melhor é voraz e insaciável.

Sendo assim, é preciso que o próprio Dr. Abude também se ajuste à boa vontade do prefeito. Deve ele saber que, na administração da res publicae não há lugar para teimosia muito mais apropriada a adolescentes que a homens feitos. E, neste momento, só o Secretário de Saúde sabe de fato se terá mesmo condições de deixar sua marca como administrador público de saúde, ou se será ele somente mais um que sairá da pasta, ao fim do governo, ou antes que ele termine, chamuscado politicamente por não ter conseguido fazer o que decerto bem quis fazer.

E para aqueles que ainda acham que a saúde pública foi feita para se servir na base do “use e abuse”, receito os chazinhos que nossos avós e pais nos ministravam sempre que éramos acometidos de uma febre, de uma diarreia, de um vômito, de uma dor de cabeça, de uma falta de apetite, de um mal-estar, de um cansaço, de uma dor nas costas…

Eu sou do tempo em que, para ser atendido num posto de saúde, ou no pronto socorro, você tinha que mostrar sua carteira de trabalho assinada. E sigo cansado desta asneira de ouvir tanta gente vociferar que paga imposto por isso tem direito a isso e aquilo, quando sabidamente não tem propriedade, não produz, não trabalha – apenas dá trabalho, e muito!

Que o bom Deus se apiede de todos quantos fazem força para ficarem doentes, seguindo céleres para a unidade de saúde mais próxima torcendo para não serem atendidos, ou para serem mal atendidos. E que um dia – quem sabe – alguém encontre o fundo desse saco, e o saneie de vez!

Washington Luiz de Paula

Prefeito Luiz Maurício – Um outro bom exemplo a ser seguido

Parece ser marca registrada destes jovens tucanos de hoje a discrição, o que destoa um tiquinho do modus operandi dos velhos caciques do PSDB, e de outros, não tão antigos, mas que, bem “a la Narciso”, gostam mesmo é de holofotes.

Claro que, ao falarmos de políticos do timbre de Bruno Covas, hoje prefeito da maior cidade do Brasil e das Américas – e a sétima do Planeta; e de Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira, também prefeito, ainda que da pequena e ainda teimosamente bucólica Peruíbe, não são eles assim tão “jovens”, não obstante todo o alto clero do tucanato estadual e nacional já ande ali pela casa dos 70 anos. Tanto Bruno (38 anos completados no último dia 7 de abril), quanto Luiz Maurício (39 anos completados 23 de fevereiro último) podem sim, portanto, serem considerados “jovens”.

A atuação de ambos à frente da administração pública de suas respectivas cidades se equipara em grau de transparência, honestidade, prontidão e energia para a tomada de decisões mais duras quando elas se fazem necessárias. São, poderíamos assim dizer, previdentes e providentes. E, por curioso, ambos apreciam a discrição no trato de suas ações enquanto gestores da res publicae. No caso de Bruno há que se considerar um fator, digamos, genético, já que seu avô – o grande político brasileiro Mário Covas -, que também foi prefeito de São Paulo, e governador do Estado, não era lá muito chegado às luzes dos flashes, ou mesmo às provocações pelos galanteios da imprensa e/ou da opinião pública. Ele era, afinal, um engenheiro – um administrador por excelência. Quanto a Luiz Maurício, para quem conhece seu pai, o eminente advogado Dr. José Luiz de Carvalho Pereira, há que se ponderar ter puxado o pai neste quesito da equilíbrio e sensatez.

Sendo assim, pode ter passado desapercebido de muitos – e muitos ainda podem sequer ter sentido os efeitos provocados pela paralização dos caminhoneiros Brasil afora, e que trouxe sério risco de prejuízo aos serviços públicos essenciais, o que seria catastrófico, convenhamos. A situação imposta pela paralização e pelo iminente desabastecimento de insumos, bens de consumos e de combustíveis impunha a tomada de medias emergenciais. Mais do que isso, a visão pelo provável substituindo a aposta no improvável, permitiu a ambos os prefeitos a decretação de estado de emergência em suas respectivas cidades, e a busca, desde então, para fazer valer o direito do cidadão continuar sendo atendido pelos serviços de transporte público, de saúde, de educação, e outros não menos nevrálgicos e necessários.

As medidas de enfrentamento da crise tomadas por Bruno Covas passaram longe do interesse da chamada “Grande Imprensa”, sequiosas que são – como sabemos – pelas notícias alarmantes, pelo lado negativo da notícia. Mereceu, não obstante, anotação do conservador “O Estado de S. Paulo” (Estadão), em editorial (leia aqui) onde registrou-se a “atuação firme, serena e bem planejada da prefeitura da capital paulista”, comandada por Bruno Covas, fazendo distinção de que “a ação do prefeito paulistano neste caso é, ao mesmo tempo, a escolha correta das medidas, a determinação e a rapidez de sua execução”. E encerra: “Pelo menos esse bom exemplo de administração pública eficiente e responsável a crise provocada pela greve dos caminhoneiros possibilitou. E com uma vantagem suplementar: o prefeito e seus auxiliares souberam, neste caso pelo menos, se comportar com discrição”.

De igual sorte, as semelhantes medidas tomadas pelo prefeito Luiz Maurício quando a crise ainda estava por se instalar, mas que já se fazia evidente e comprometedora, não mereceram maiores ou melhores comentários do que o que se pode ler aqui e ali dando conta de que não fizera ele “mais do que sua obrigação”. É de sobejo que a administração pública exige responsabilidade, mas de igual modo sabe-se historicamente que essa coisa chamada “responsabilidade” não andou lá muito presente no vocabulário de alguns mandatários de outrora em Peruíbe. Por isso mesmo (e ainda que só por isso), é de se admitir que o prefeito Luiz Maurício mereça sim a lembrança e o agradecimento da opinião pública, e daquela que é (ou deveria ser) sua guardiã, que é a Imprensa.

Bruno Covas e Luiz Maurício, militantes da juventude do PSDB na mesma época, e ambos advogados, e amigos que são ainda hoje, não combinaram, todavia, o que deveriam e como deveriam agir diante da crise. Parece mesmo que a seriedade no trato com suas obrigações de ofício fê-los a ambos agirem, quase que concomitantemente, e de igual modo. Ainda assim, se fosse possível admitir tal possibilidade, dir-se-ia que Bruno Covas copiou seu colega peruibense, vez que Luiz Maurício se antecipou ao prefeito paulistano em tomar as medidas que tomou.

O fato é que a crise, ainda não dissipada de todo, não teve os efeitos danosos que em outras cidades e regiões pode ser sentida por todos.

Se se tivesse deixado a crise se instalar no grau que era aspiração daqueles que costumam apostar no pior, é muito certo que a população viesse a clamar por um “salvador da pátria”, um enigmático “super-herói” que buscasse a redenção de todos diante do caos. Estes, quase sempre aparecem como oportunistas da desgraça, e dela buscam tirar vantagens as mais diversas. E, deveras, recebe o aplauso e a recompensa que entendem ser devido a tal “benfeitor”.

Como a desordem passou longe – e como o paladino que tomou pé da catástrofe antes que ela se estabelecesse passa ao largo dos elogios e dos louvores, deixo eu aqui, por estas linhas que não são regidas por outra ordem que a da minha consciência, o meu agradecimento sincero, em nome de todos os munícipes de boa vontade de Peruíbe ao prefeito Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira – Sim! Por ter feito a sua obrigação – coisa que muito ex-prefeito e ex-prefeita de Peruíbe nem isso soube fazer!

Deus o abençoe hoje e sempre, prefeito. Peruíbe precisa de mais homens iguais a você!

Washington Luiz de Paula

Operação PF da PF: Um prato feito à maledicência peruibana

Começo a milonga de agora repetindo ipsis litteris as três ou quatro linhas que mais encantaram a claque presente às esquinas das bocas malditas de Peruíbe no dia de ontem, por ocasião da tardia (portanto já esperada) visita dos agentes da Polícia Federal em Peruíbe, posto que fizeram plantão durante algumas horas da manhã deste dia nove dentro do prédio onde está instalado o paço municipal, e mais especificamente, nas entranhas da Secretaria de Administração e Departamento de Compras da prefeitura:

Houve promessa de vantagem indevida ao atual Prefeito LUIZ MAURÍCIO PASSOS DE CARVALHO PEREIRA, por intermédio do lobista ELÁDIO e de JOÃO EDUARDO GASPAR para pagamento pela Prefeitura de uma dívida de R$ 2 milhões de reais contraída na gestão da ex-Prefeita ANA PRETO.

A anotação acima é excerto de uma peça de 354 páginas. Sim. Você leu bem: 354 páginas. Estas 354 páginas compõem a peça da representação que a Polícia Federal faz à Justiça, em face de investigações que envolvem o desvio de verbas federais para a Educação, a pedido e com acompanhamento da Controladoria Geral da União (CGU).

Nestas 354 páginas o atual prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira é citado quatro vezes. Em nenhuma das quatros vezes os investigadores federais demonstraram haver ato, por ação ou omissão, direta ou indiretamente, que implicasse acusação formal contra Luiz Maurício, diferente do que aconteceu com os demais investigados, do que tratarei mais adiante; antes pelo contrário, a última das quatro citações se referido ao nome do alcaide peruibense, atenta que (também ipsis litteris):

Não vislumbro, por ora, elementos que apontem para a participação do Prefeito eleito LUIZ MAURÍCIO, motivo pelo qual tais fatos estão sendo apresentados a esse Juízo.

Posto isto, fica evidenciada a maldade de todos quantos se aproveitaram para entupir as redes sociais na antecipação de acusação que procurou jogar o prefeito Luiz Maurício no mesmo mar de lama onde nadaram e até se deliciaram em nadar antigos mandatários municipais, uns mais recentes e outros não tanto.

A mim, contudo, isto não é novidade. A maledicência grassa em Peruíbe. A vontade de promover o mal é uma planta daninha, uma trepadeira que medra no consciente coletivo do povo, a começar da casta dominante, infundindo raízes por qualquer beco onde seja propícia a evolução de uma biqueira que se dê ao desplante, não de vender, mas de distribuir graciosamente aquela que é maior das drogas que mina e corrói por dentro toda e qualquer sociedade, que é a maldade.

Exagero o que observo? Não, não é. Tenho décadas de “janela” nesta cidade, e vejo com imensa tristeza que, não obstante a cidade ter crescido fisicamente, o seu povo continua pequeno. Pequeno e pobre. Pobre de espírito. Pobre e doente emocionalmente e psicologicamente.

Esta coisa do discurso do prefeito Luiz Maurício buscar devolver a dignidade e orgulho ao povo de Peruíbe é devaneio. A sociedade de Peruíbe está resistente a todo e qualquer antídoto que tente minimizar ou erradicar os efeitos desta maldade latente na alma deste povo.

Como costumo dizer, em Peruíbe, paga-se por ter cão, mas também se paga por não ter cão. Seja prefeito, vereador ou empresário empreendedor, ou qualquer outro cidadão desavisado de que a peçonha espreita onde menos ela se espera, não demora a começar a compreender o quão difícil é lidar com tal lamentável situação.

À guisa de exemplo, peguemos uma pessoa que passa pela rua, e que de uma hora para outra é vista magra demais. Ou aquela outra que se fica sabendo ter caído na cama, numa cadeira de rodas, ou estar internada num hospital. Nove dentre 10 dirão: “este (ou esta) não come peru este ano”. Apenas um teria uma palavra de consolo, de bênção, de requerimento a Deus pela cura ou restabelecimento do semelhante.

Se alguém passa pela rua com um carro um pouco mais caro, ou então está construindo um imóvel melhor elaborado, serão estes mesmos nove a compartilhar suas opiniões de que “você viu fulano? Só pode estar traficando!”. Apenas aquele mesmo e único ser que consegue ver o sacrifício com que o amigo, colega, parente ou conhecido, procura melhorar de vida.

É de sobejo conhecimento de todos de que, nas redes sociais é muito “mais atraente” disseminar as maldades destiladas por pessoas que sabem muito bem o que estão fazendo, mas que acabam sendo compartilhadas – por incrível que isso pareça – por pessoas outras que sequer sabem o que estão compartilhando.

Buscar a verdade? Pesquisar? Inquirir? Estudar provas e origens destas postagens que atendem a interesses mesquinhos e escusos? Nem pensar!

O acontecido neste fatídico nove de maio denota o que aqui digo. Ora, senão vejamos: dentro de um inquérito policial de qualquer natureza seu nome é citado numa das gravações telefônicas grampeadas pelo agente policial, é natural que a polícia enseje buscar informações para ver até onde estaria o seu envolvimento no ilícito, e, por conseguinte, você passe a ser investigado. Nisto está implícito o dever de polícia. Mas o policial sabe que antecipar-se a uma acusação por conta de uma simples citação em telefonema seria erro grosseiro, até porque a investigação em si é que vai permitir determinar até que ponto você está envolvido ou não.

No caso do prefeito Luiz Maurício, a delegada de polícia federal Melissa Maximino Pastor, que assina a “Representação por Mandados de Busca e Apreensão e Prisão Temporária” referente aos autos de investigação que procuram determinar culpados nos desvios de dinheiro público por parte dos agentes públicos e privados das diversas cidades citadas no relatório, é enfática em atestar “não haver elementos que apontem para a participação do prefeito Luiz Maurício” nos ilícitos investigados.

Mas, se o prefeito Luiz Maurício não é culpado, e se foi citado por quatro vezes no inquérito, a que se devem, então estas citações? A resposta é simples: ato de leviandade de dois senhores que tiveram seus pedidos de prisão temporária solicitados pela Polícia Federal, embora, por menos por ora, negados pela Justiça.

Uma análise de cada uma destas citações aponta para que um simples exercício de interpretação de texto fosse bastante para o convencimento do total desconhecimento do prefeito quanto ao uso irresponsável, indevido e não autorizado de seu nome.

Senão, vejamos:

A primeira das citações está à página 130 do relatório, e relata que “houve promessa de vantagem indevida ao atual prefeito LUIZ MAURÍCIO PASSOS DE CARVALHO PEREIRA, por intermédio do lobista ELÁDIO E de JOÃO EDUARDO GASPAR para pagamento pela prefeitura de uma dívida de R$ 2 milhões contraída na gestão da ex-prefeita ANA PRETO” (ipsis litteris).

Vamos à análise e interpretação desse texto:

  1. Houve promessa de quem para quem? (isto será respondido nas outras citações, como veremos; mas o que é certo é que o prefeito Luiz Maurício não recebeu e tão pouco estava disposto a ouvir qualquer tipo de conversa nesse sentido, ainda mais quando sequer tinha assumido, ou mesmo quando assumiu, posto que imprimiu desde então que todo o passivo da prefeitura seria pago respeitando rígida ordem cronológica, o que, aliás, deixou muita gente insatisfeita e até aborrecida com o prefeito).
  2. Lido, un passant, o texto pode até sugerir que a tal promessa de vantagem indevida teria sido feita diretamente ao prefeito, o que foi bastante para que os algozes do prefeito e apóstolos do quanto pior melhor se apropriassem destas linhas para tentar impingir falta de decoro da parte do prefeito.

A segunda das citações ao nome do prefeito LUIZ MAURÍCIO pode ser encontrada à folha 136 da representação criminal formulada pela PF. Ei-la tal e qual escrita está no texto oficial:

Em 02.10.16, logo após o resultado das eleições municipais em que venceu candidato LUIZ MAURÍCIO PASSOS, CARLINHOS (“C”) busca junto a ELÁDIO (“E”) que intermedeie uma proposta de vantagem indevida com vistas a receber sua dívida e estabelecer uma “parceria”.

A análise desse texto é simples:

O prefeito Luiz Maurício havia vencido as eleições, o que deixou perplexos os acusados “CARLINHOS” e “ELÁDIO”, vez, como se deduz da conversa interceptada pela Polícia Federal de ambos (a qual me eximo de publicar ipsis verbis aqui), eles haviam ajudado o então candidato Gilson Bargieri, com o qual já haviam negociado o que convencionaram chamar, durante a conversa, de “parceria”.

Em dado momento da conversa, “ELÁDIO” diz para “CARLINHOS”: “Esse cara do PSDB, tenho um amigo que é lá de tinha me falado desse cara. Falou: ELADIO, quem vai ganhar é esse cara do PSDB. Nem aparecia na pesquisa quase, falou: vai ganhar. Vamos ver se a gente consegue chegar nesse cara através desse amigo meu aí. Ele tem negócio lá, ele tem empresa em Peruíbe” Ao que “CARLINHOS” responde: “Tem que correr, a partir de amanhã tem que correr.

O desespero tinha motivo: “CARLINHOS”, presumivelmente credor dos R$ 2 milhões que Ana Preto ficara lhe devendo, não tinha sequer ideia de quem haveria de ser esse tal “LUIZ MAURÍCIO”, e tão pouco o seu lobista “ELÁDIO”, que então prometia ao seu “patrão” buscar o empenho de um conhecido seu em Peruíbe que dizia ter acesso ao prefeito eleito Luiz Maurício, como vereamos a seguir.

Na terceira citação do nome de LUIZ MAURÍCIO, a narrativa sustenta que o lobista ELÁDIO ligou para CLÁUDIO SOARES, “o qual teria (grifo meu) contato direto com o novo prefeito LUIZ MAURÍCIO”.

Na transcrição da gravação interceptada pela polícia entre ambos, ELÁDIO pergunta a CLAUDIO SOARES se ele tem acesso ao prefeito eleito, o qual responde que o “acesso é muito bom, muito bom mesmo”. Na sequência ELÁDIO pede que CLÁUDIO SOARES sonde LUIZ MAURÍCIO sobre se ele estaria disposto a ter uma conversa buscando solução para receber o montante que a prefeitura devia à empresa de CARLINHOS.

Bem, conheço pessoalmente Cláudio Soares. É um bom amigo. Sujeito ponderado, equilibrado, difícil de crer que levasse tal proposta ou tentativa de proposta a Luiz Maurício que, na oportunidade nem assumira a prefeitura ainda. Atendeu a ligação do lobista por educação, e, como de fato, a conversa entre Soares e Luiz Maurício neste sentido acabou nunca acontecendo. A principal razão é a de que Cláudio Soares, até por conhecer Luiz Maurício como dizia que conhecia, tendo dito inclusive que seu acesso ao prefeito eleito era “bom, muito bom mesmo”, e sabia, de prévio, que Luiz Maurício rechaçaria prontamente qualquer tentativa de fosse que tivesse por viés alguma ilicitude. A segunda, por óbvio, Luiz Maurício que passara os quatro anos de seu mandato como vereador como crítico ferrenho do governo Ana Preto, tendo saído com a marca da reputação ilibada enquanto homem público, não haveria de buscar subterfúgios para se macular política e pessoalmente, ainda antes de assumir o governo. Seria estultícia, para usar uma palavra bonita – burrice, no jargão popular!

Por pressuposto, vale seguir lembrando que estas linhas não têm o condão de dar atestado de idoneidade ao prefeito Luiz Maurício, nem de defende-lo do que poderia eventualmente ser indefensável; antes, é de meu dever ajudar na correção de uma injustiça que se faz contra ele, o que faria, fosse por quem fosse.

Mas, agora é que a grande curiosidade e que mata a charada deste assunto espetacular. O indicativo era de que – como vimos acima – a conversa do lobista ELÁDIO com CLÁUDIO SOARES não prosperara. Eis porque, na sequência das investigações aparece a figura de JOÃO EDUARDO GASPAR, à época assessor de um deputado estadual, sendo contatado pelo próprio CARLINHOS (o credor da prefeitura), e, na interceptação da ligação telefônica entre ambos, aparece finalmente a figura agora já nada emblemática de PAULÃO (Paulo Henrique Siqueira), homem das “decisões” durante o governo Ana Preto.

A iniciativa da ligação parece ter sido de GASPAR, que pergunta a CARLINHOS quanto é que a prefeitura deve a ele. Diante da resposta de que “ficaram dois (milhões) para trás”, GASPAR é enfático: “Eu vou acertar de te pagar isso aí”, e remenda, na sequência: “Eu tive com o Paulão hoje’. Esta conversa aconteceu em 16 de novembro. CARLINHOS então diz que abre mão de “vinte por cento”.

Muito bem. O resultado desta conversa está numa planilha de pagamentos da prefeitura referente ao mês de dezembro de 2016, último mês do governo Ana Preto, conforme se vê a seguir:

Como a imagem fala mais que mil palavras, é fácil denotar que o “arranjo” foi feito, e muito bem feito, de tal modo que, em três pagamentos feitos num único dia (9 de dezembro), outro no dia 13 de dezembro (R$ 505 mil), e – na raspa do tacho do governo Ana Preto, no dia 30 de dezembro de 2016, mais um pagamento fizeram somar R$ 1.158.327,32 pagos a CARLINHOS, liberados então sob a presumível batuta de Paulão. Quanto ao lado obscuro desta transação, deixo para o imaginário de cada leitor…

Mas, não estaria faltando dinheiro nesta conta? Afinal, falou-se durante todo o tempo em R$ 2 milhões. Segundo anotações da administração repassadas à Polícia Federal na data de ontem, a dívida de 2013 era de R$ 1.200.000,00. Deste montante ficou um resto a pagar pelo atual governo no valor de quase R$ 20.000,00 que foi pago em fevereiro de 2017. Segundo informações, a empresa UNIMESC havia protestado a prefeitura, e o pagamento teve que ser feito às pressas para evitar que a prefeitura deixasse de receber repasses importantes dos governos estadual e federal por conta do protesto.

Sendo assim, a prefeitura nada mais deve à UNIMESC. E o prefeito Luiz Maurício pode dormir o sono dos justos porque, ainda que tenham tentado, de uma maneira leviana e inescrupulosa, envolver seu nome nestes crimes todos, restou, para tristeza de seus preclaros inimigos políticos (e alguns até eventualmente pessoais), que não há indício algum que configure sua participação em mais um caso dos muitos que ilustram muito bem como foram os anos 2013-2016 na administração pública municipal de Peruíbe. Para o prefeito, portanto, o prato não está feito – está limpo!

Não convém aqui citar nominalmente aqueles que tiveram que abrir as portas de suas casas para a busca e apreensão autorizada pela Justiça para a PF, nem tão pouco registrar também nominalmente aqueles que tiveram pedidos de prisão temporária requeridos pela PF, porém negados pela Justiça, para não incorrermos em sustentar o índice de maldade que, graciosamente, se tenta impor contra fulano, beltrano ou ciclano.

A lição maior que se deve tirar deste imbróglio é aquela que me faz lembrar os anos de acadêmico, e de um velho professor de Sociologia que costumava dizer: “Um texto fora do contexto, não é um texto, é um pretexto”. E qual o pretexto? Você sabe. Não confessa; mas sabe.

Diante disso é tempo de fazermos cada um de nós uma pergunta para nós mesmos respondermos: Em que podemos contribuir para um Peruíbe melhor? Será que atacando assim levianamente as pessoas levaremos Peruíbe a ser melhor? Você, agindo assim, se tornará melhor?

Por finalmente, ressuscito Frei Hilário das Lamentações, personagem do saudoso e querido B. da Veiga (Eduardo Bastos), que muito certamente agora, diante deste disparate diria: “Ai de ti, Tapirema! Tu cujos filhos andam destilando fel pelas ruas da cidade! Que será de ti se teus filhos continuarem assim?…”

A seguir o andor assim, deste modo em que parece que as pessoas estão pouco ou nada dispostas a mudar, que será de ti, Peruíbe?

Washington Luiz de Paula

Poema – O sino da igreja

O sino da igreja


Ouvindo o sino da Igreja de Santo Antonio – Prados, MG

Aqui o sino reverbera
De quinze em quinze minutos,
Muito tempo a quem espera;
Pouco, se anunciados lutos.

Do alto da torre o falante
Segue contando este tempo
Da vida que segue adiante
No trabalho e passatempo.

Feita em pedras esta igreja
Da qual Santo Antonio é o guia,
Guarda a Prados benfazeja,
Candura ao povo anuncia.

Prados, 1º de maio de 2018
Washington Luiz de Paula

Poema – Prados

Prados


Sob um marco maçônico à entrada de Prados, MG

Desde logo, numa entrada
Desta pequena cidade,
Percebe-se estar guardada
Por tão sólida irmandade.

É assim Prados destas Minas
Perenes de Liberdade –
Atalaia que contamina
O Brasil-fraternidade.

Portentoso e grande Oriente
Que dá ao mineiro fiel rumo,
Busca na Essência emergente
Colunas em régio prumo.

Prados, 28 de abril de 2018
Washington Luiz de Paula

O cabide

O cabide


Aqueles que choramingam,
Vociferam e esperneiam,
São os mesmos que agora xingam
Por lorota que alardeiam.

O cabide? Ah, este cabide
Do qual este e aquela é contra
Sequer existe na lide
Da conversa que vem pronta.

Mas, se existisse tal arte
Em varal de quem não leu,
Todos quereriam sua parte,
Também ela, e também eu.

Washington Luiz de Paula
Prados, 12 de abril de 2018

Marina

Marina


                                               À minha neta Marina, por ocasião de seu primeiro mês de vida.

Eis um anjo que aqui nasce,
Doce e meiga pequenina.
Proveu Deus que ela chegasse
Pra cumprir gloriosa sina.

Pra cumprir gloriosa sina
Na vida que nos contasse;
Aqui o encanto da menina,
Bem maior que nos chegasse.

Bem maior que nos chegasse
Alterando a adrenalina;
Pra que no jardim brotasse
Linda flor: neta Marina!

Washington Luiz de Paula
Prados, 10 de abril de 2018

Narciso

Narciso


Revisitando a Fonte do Narciso, em Prados, MG

Mostrou ser grande verdade –
Eis-me a provar, se preciso,
Que voltam a esta cidade
Os que bebem do Narciso.

Fonte limpa e cristalina,
Cheia de brilho e cuidados,
É o mistério da colina
Que nos faz tornar a Prados.

Tal cidade centenária
De um povo de amor ardente,
Traz na história originária
A paixão do Inconfidente.

Washington Luiz de Paula
Prados, 7 de abril de 2018

Luiz Maurício – 39 anos de paixão por Peruíbe

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Ao longo desta minha existência enquanto escriba tenho alimentado o hábito de tecer homenagens póstumas às pessoas que, mesmo não sendo necessariamente amigas de meu convívio, têm deixado para nossa história e – de resto – para a história da cidade – aquele “quê” que as notabilizaram enquanto estavam em nosso convívio.

É curioso que, de modo geral, as pessoas restem lembradas apenas quando partem justamente para serem esquecidas, como de fato são, ou acabam sendo, demorando pouco tempo apenas depois que morrem. Considerando também que basta você morrer para se tornar “bom” e de “saudosa memória”, soa um tanto quanto hipocrisia render loas a torto e a direito, algures, a este ou aquele falecido, esta ou aquela falecida.

Hoje descubro-me na contramão deste meu quase vício. Este dia 23 de fevereiro vai terminando, faltando pouco para que seja “ontem”, e decido considerar honra a quem os homens e mulheres de bem e de bons costumes desta cidade devem honra, senão por este ser seu dia especial para rememorar nascimento tido e havido há 39 anos atrás, o que talvez importe apenas para familiares e amigos mais chegados e íntimos, ao menos para aproveitar o momento de festa para agradecer por estar sendo prefeito, senão melhor, ao menos não pior, e, deveras, diferente de todos os demais que se assentaram na cadeira em que hoje ele mesmo se assenta.

Evidente que as palavras podem reverberar o som da seda se rasgando para dar efeito especial e deslumbrante ao que o momento requer, e não escapo eu – nem tento escapar – de ser lançado ao mar daqueles que não demorarão para lançarem sobre mim o epíteto de “puxa-saco”, sabido como sei que estes são aqueles que assim agem porque, no mais das vezes são despeitados por não poderem contar com o prestígio de estarem próximos dos detentores do poder municipal ou mesmo por não conseguirem, por mais que se esforcem, escrever duas linhas que ofereça sentido qualquer ao que pretendem expressar.

Mas, não me importo. Falem o quanto quiserem de mim, ainda que falem mal ou bem. Se falarem bem, que o falem ainda que na minha ausência; se a reunião for para falar mal de mim, me chamem, posto que sei de coisas horríveis a meu respeito!

O que gostaria de dizer ao prefeito Luiz Maurício neste seu dia de aniversário poder-se-ia resumir em duas palavras singelas: Muito obrigado! Foi a mensagem que passei a ele ainda as 5hs da manhã deste dia 23, via WhatsApp. E replico aqui: Muito obrigado, prefeito, pelo bem que você vem fazendo a Peruíbe, porque fazendo bem a Peruíbe, a mim e à minha família também faz bem!

Dirão os algozes de plantão: agradecer por não fazer mais do que a obrigação dele? Não! Agradecer por ser, por estar sendo diferente.

Eu não sei exatamente o que vai na mente do prefeito Luiz Maurício, de repente se contrapondo ao Luiz Maurício até meses atrás vereador durante um governo de difícil esquecimento, ou ainda do advogado, do homem, do chefe de família Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira. Quais são seus dilemas? Quais seus dramas? O que gostaria de ter já ter feito que ainda não pode fazer? O que gostaria de fazer, mas que já sente que não terá condições ou tempo de fazer? O que é, afinal, administrar um orçamento realizado em apenas metade dele, do qual subtraem-se obrigações com folha de pagamento de pessoal, percentuais obrigatórios para a educação, saúde e legislativo, restando pouco para se fazer tudo o mais que se precisa fazer para manter a máquina pública funcionando?

Como é ser prefeito diante de uma plebe que nunca está contente com nada, muitos dos quais até nos fazendo ter a impressão de que fazem força para ficarem doentes só para “provarem” que a saúde não funciona (sic)? Será que tinha razão o filósofo Raul Seixas ao dizer que “mamãe, não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito, e alguém pode querer me assassinar”?

Pois é, meus senhores, e minha diletas senhoras. Não é tarefa fácil ser prefeito. Quem acha que o salário de prefeito justifica os aborrecimentos do cotidiano de quem tem a responsabilidade de gerenciar uma cidade, é vítima de ledo engano. Quem acha que faria mais e melhor se na cadeira de prefeito estivesse sentado, engana-se também. Estar prefeito é viver o drama de Dâmocles: será mesmo que compensa este e tal poder?

Lamentavelmente a classe política brasileira pouco ou nada tem contribuído para que o povo melhore seu conceito. Mas é preciso que se diga que ainda há homens e mulheres sérios e sérias em todas as esferas do poder, seja em Peruíbe, São Paulo, ou mesmo em Brasília. São poucos, convenhamos, mas convenhamos também que são estes que buscam empreender uma batalha hercúlea para provar que é possível sim fazer a diferença para que o Brasil melhore, e, no nosso caso presente, a começar por Peruíbe.

E vejo que este jovem advogado, filho de um proeminente operador do Direito de nossa cidade, faz e tem feito todo o empenho para provar que tudo que se pode fazer para provar o seu amor e a sua paixão por Peruíbe, ele tem feito, e com notável efeito sobre a cidade e sobre o município que tem ares de efetiva melhora desde sua aparência até no que diz respeito aos meandros da administração pública municipal.

Pouco dado a foguetórios, amigo da discrição, homem simples que prefere o Guaraú a Campos do Jordão ou os Estados Unidos, inimigo daqueles que buscam favores visando benefícios próprios ou particulares, Luiz Maurício tem conseguido fazer, em ano e meio de governo, o que muito dos seus antecessores sequer tentaram fazer em quatro ou mais anos enquanto prefeitos ou prefeitas.

E vejo que o resumo desta sua paixão desmedida por Peruíbe pode ser vista não só em sua participação in loco em cada uma das manifestações artísticas e culturais encetadas por gente da própria cidade, mas em sua sui generis manifestação pública em artigo publicado em A Tribuna (veja íntegra aqui) no qual fala de seu “orgulho de ser Peruíbe”.

Os revezes políticos parecem terem sido vencidos desde quando me vi na contingência de escrever, em julho do ano passado, editorial no qual relatei que “Enquanto os cachorros latem, Luiz Maurício passa”. Se isto de fato se deu, já não era sem tempo. Não há força política, de centro, esquerda ou direita em uma cidade que não precise que em sua cidade tudo esteja funcionando direitinho. Esse negócio de torcer pelo quanto pior, melhor, é o mesmo que acreditar que tenha gente com prazer de deliberadamente dar tiro no próprio pé. E, convenhamos, não há representante de qualquer destas forças políticas em Peruíbe que não veja que Peruíbe mudou, e que mudou para melhor!

Neste dia de seu aniversário, prefeito Luiz Maurício, quem ganha o presente somos todos nós! E a sua presença como elemento gestor de nosso destino, considera a seriedade com que tem tratado a coisa pública, é, de fato, o nosso melhor presente!

Deus o abençoe e o ilumine sempre. E que o povo desta cidade, se mais não puder fazer, ao menos continue rogando a Deus por proteção e providência para não lhe falte força, coragem, determinação e vontade, muita vontade de continuar apaixonado por Peruíbe, e oferecendo do seu melhor para este povo que por 59 anos vem buscando viver de, com e para Peruíbe!

Washington Luiz de Paula

Agradecimento público – Jaime Redigulo

Externo, por este meu canal de comunicação pública, o meu sincero agradecimento pela oportunidade que me concedeu o Sr. Jaime Redigulo em fazer-lhe uma modesta doação de R$ 1.000,00 para os cuidados que um septuagenário tem que ter em seu próprio favor, notadamente quando mora só.

Evidente que, quem me conhece, sabe que não sou assim tão voluntarioso. Antes fosse, ou antes pudesse ser! Sendo assim, estes R$ 1.000,00 não me estavam sobrando, mas não me fizeram, como não me fazem, ou como não me haverão de fazer falta, porque eu confio no Provedor que tem me sustentado ao longo destes meus 60 anos e já alguns meses.

A sabedoria popular ensina que devemos fazer o bem sem olhar a quem, e a Bíblia anota que “o que faz a nossa mão direta que não o veja a nossa mão esquerda”, indicando que nossas contribuições aos mais necessitados têm que ter mesmo este ritmo só de ida, sem esperar volta.

Também aprendemos que nossas ações de voluntariedade, seja de ordem financeira ou de qualquer outro empenho, não deve requerer louros ou troféus, e tão pouco deve nos interessar o que o beneficiado com nosso gesto altruístico há de fazer com nossa contribuição. Por sensato, espera-se sempre que se faça bom uso do que ganhou, seja qual tenha sido o método pelo qual tenha ganho o que ganhou.

Jaime Redigulo foi meu senhorio por um ano. Ao longo deste tempo pude honrar o compromisso do aluguel que tinha com ele, desde quando houvera dado o depósito caução da locação até o último dia em que deixamos seu imóvel. Como houve necessidade de deixarmos seu imóvel, houvemos por bem que os últimos três meses seriam dedicados a descontar o valor da caução depositada no início do contrato. Mas acabamos deixando no segundo mês, restando, portanto, um mês que, a rigor da lei, deveria ser-nos devolvido, com os juros da poupança, considerando que, também para cumprimento da lei, deveria ter sido depositado em poupança (caução é isso: garantia!). Como ele não procedeu com o depósito em poupança, e tão pouco tinha a disponibilidade do dinheiro em questão, acordamos esperar que ele alugasse novamente seu imóvel para a devolução então dos R$ 1.000,00.

Pois bem. Uma vez que ele alugou seu imóvel novamente e já manifestou nenhuma disposição nesta devolução, mesmo eu tendo proposto o parcelamento em até cinco vezes, resta afirmar que os R$ 1.000 ficaram mesmo para os cuidados de sua saúde. Que faça bom proveito, por suposto. E que o bom Deus que nunca nos deixou faltar o pão em minha casa seja o mesmo Deus que também nunca deixe de prover as necessidades dele. E que em nossos corações jamais haja lugar para rancor, mágoa, ódio ou ingratidão.

Deus conosco. Sempre!

Washington Luiz de Paula

Nome que é sobre todo o nome e seu sobrenome

O apóstolo Paulo afirma, em sua Carta aos Filipenses, Capítulo 2, Versículo 9, que a Jesus – e só a ele – foi dado um nome que é sobre todo o nome. No mesmo versículo Paulo completa que este nome que é sobre todo nome dado a Jesus, foi dado pelo próprio Deus, que – agora imaginem isso: “o exaltou soberanamente”!

Claro que aqui tratamos de um Jesus tido como o temos, nós os cristãos, como sendo o Filho unigênito do Deus Pai, e que, desde a Criação constitui o mistério da Trindade, sendo três e sendo um, juntamente com o Espírito Santo (In Nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti…).

Jesus, porém, não tinha um sobrenome, ou antes, um nome. Poderíamos dizer que Jesus era o seu prenome, se pensarmos os nomes civis como os vemos hoje. Se seu nome fosse Jesus da Silva, para efeitos legais hoje em dia, seu nome seria “da Silva”, e Jesus seria seu prenome. Se seu nome fosse Jesus da Silva Santos, dir-se-ia que seu nome, então, seria “Santos”, que “Jesus” continua sendo seu prenome, e o “da Silva” passaria a ser seu prenome.

Este assunto, por cultura inútil que possa parecer, deixa de sê-lo quanto pensamos na importância que tem um nome para uma pessoa e, de modo de maior importância ainda, para uma família.

Ainda que eu não tenha estudado isso com afinco, quero supor que mesmo no tempo de Jesus não haviam nomes, prenomes e sobrenomes como os conhecemos hoje. Basta ver os relatos dos evangelhos e das epístolas para notarmos que as pessoas eram conhecidas por serem filho de fulano ou de ciclano. Eram o que poderíamos dizer de “filhos do pai”, não obstante já serem também naquela época “filhos da mãe”!

Sendo assim Jesus era identificado pelos seus conterrâneos como sendo “Jesus, filho de José”. Como a comunidade de Nazaré era pequena, era difícil que houvesse outro “José” que tivesse um filho chamado “Jesus” pelas redondezas. Mas não era impossível. Para resolver esse impasse, acrescentava-se ao nome do pai da criança o ofício do pai: “Ora, não é este Jesus, filho de José, o carpinteiro” (cf Mateus 13.55). E, se houvesse ainda mais que uma carpintaria em Nazaré, Jesus também poderia ser identificado como “o nazareno” (cf Mateus 14.67). Aliás, é curioso que o próprio Jesus tivesse essa particular predileção: ser nazareno. Paulo, quando relatava o episódio de sua conversão na estrada de Damasco, lembrava que Jesus lhe aparecera e se identificara por seu gentílico: “Eu sou Jesus, o nazareno, a quem tu persegues” (cf Atos 22.8).

Trazendo para os dias cartoriais de hoje, seria algo como dizer que eu tenho por nome “de Paula”, que tenho por sobrenome Luiz, mas que sou conhecido por Washington, que é o meu prenome. Mas quem sou eu? Ora, Washington, filho do Luiz, o topógrafo do estado; ou ainda poderia dizer: sou Washington, o pariquerano (ou pariquerense, como queiram).

Desta arte proceder com um estudo de uma árvore genealógica hoje em dia é de algum modo fácil, graças aos mecanismos de busca e pesquisa que a internet oferece. Este estudo, entanto, nem sempre traz notícias agradáveis: alguns descobrem-se como tendo antepassados nobres, outros, que são provenientes de uma casta de criminosos piratas que assombraram os sete mares no passado.

Ainda assim, o nome de uma família deve ser preservado, sim! Este é o meu entendimento preliminar.

Trago a lume este assunto agora, mesmo depois de ter feito a digressão inicial em nome de Jesus, para tentar invocar o direito que a família tem que ter de se defender destes ataques sutis encetados pela mídia, pelos partidos políticos pouco comprometidos com a ordem natural das coisas, pelas entidades que defendem a liberalidade como pressuposto de liberdade, e, por consequência, pelas mudanças correntes nas leis que regulam o registro civil das pessoas naturais.

Evidente que há nomes que constrangem. Outros são até curiosos. Outros provocam a imaginação aos trocadilhos e aos cacófagos. Mas há também aqueles que, mesmo sendo jocosos, impõem respeito. Ainda no mandato passado tivemos um “Pinto” na Câmara, e olha que ele passou os quatro anos do Legislativo com posicionamento duro, inflexível até. Já o seu irmão, também “Pinto”, que chegou a ser vereador, presidente da Câmara e até vice-presidente, era bem mais conciliador. De tão moderado, dizia-se dele até mesmo ser “Denorex” – aquele que parece, mas não é. Mas deixo claro que não está aqui em pauta a discussão se é melhor que Manoel Bosta deixe de se chamar assim para passar a se chamar Joaquim Bosta (aliás nomes portugueses e japoneses são pródigos no oferecimento no enriquecimento do anedotário e do folclore).

O que trago à discussão são absurdos como a daquela senhorinha que tem elegante nome espanhol e que, à hora do casório, diante do juiz “de paz”, descobre que será acrescentado ao seu nome catalão um “Pereira” meio desengonçado, e arma desde aquele momento uma batalha campal que não poderia dar em outra coisa que num casamento de pouquíssima duração. Pois é. Mas a lei já vem de há muito de permitir isso: cabe à mulher decidir à hora do casório se quer ou não ter acrescentado ao seu nome o nome de seu marido, podendo inclusive decidir pela supressão de seu nome de solteira (vejam bem: estou falando de nome, e não de prenome!).

Imaginemos a Joana da Silva se casando com o João dos Santos. A lei permite que ela, ao se casar, passe a se chamar Joana da Silva dos Santos, ou só Joana dos Santos (suprimindo o nome paterno “da Silva”), ou até mesmo que permaneça só com o nome de solteira: Joana da Silva. Mais curioso é uma mais recente reforma na lei dos registros cíveis que permite também o contrário: João dos Santos, ao se casar com Joana da Silva, pode escolher permanecer com seu nome de solteiro, ou acrescentar o nome da esposa ao seu, ficando então João dos Santos da Silva, ou ainda suprimir o nome de seu pai (“dos Santos”), passando a se chamar somente João da Silva.

Parece complexo, mas não é. Sim. Não é. A crescente campanha de aniquilamento dos valores morais e das tradições familiares, trazendo para o mesmo nível de irresponsabilidade ética e social as figuras do pai, da mãe e dos filhos faz que as pessoas tenham este assunto como de somenos importância. “É irrelevante”, diriam alguns. “Não tem nada a ver”, acrescentariam outros. E outros ainda invocam o mais nobre dos sentimentos para defender a mesquinharia social reinante: “O que importa é o amor”, dizem. Infelizmente a realidade é dura, nua e crua: há muita gente se vingando de seus pais e de seus familiares neste importante momento de mudança de sua própria história, mal sabendo que esta armadilha pode pegar a caça, sim, mas, de modo geral, tem é pego o caçador!

Por retrógado que eu possa parecer aos meus leitores, repudio tais preceitos. Acho que é mais que um dever meu preservar a integridade dos nomes da minha família, e da família de minha esposa – é uma obrigação. A “simples” inserção dos nomes “de Paula” e “Toledo” no nome de meus filhos promove uma satisfação à sociedade do quanto eu e minha esposa somos gratos aos nossos pais, senão pelos que eles foram ou deixaram de ser, ao menos por nos terem concedido o dom mais precioso que é o dom da vida! Minha esposa, quando se casou comigo, este ano fazendo 35 anos já, fiz questão que preservasse o nome de seu pai, e acrescentasse ao seu nome o meu: Neide Toledo de Paula é o nome dela. Os meus filhos – todos os três – trazem também ambos os nomes, sendo que os três carregam também o prenome do avô paterno: George Washington LUIZ Toledo de Paula, Gabriel Felipe LUIZ Toledo de Paula e Guilherme EUCLIDES LUIZ Toledo de Paula, sendo Euclides o prenome do avô materno.

Os nomes ficaram grandes? Que importa? Importa mesmo é o privilégio de carregar em sua carteira de identidade a lembrança de suas origens. Faço outra digressão para uma aulinha modesta de história: Dom Pedro I, aquele que proclamou nossa Independência de Portugal ostentava “modestos” 18 nomes em sua certidão de nascimento: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Por tradição seu filho D. Pedro II não fugiria à regra, com 17 nomes: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon. (Se você teve paciência de ler ambos os nomes, percebeu um “de Paula” escondidinho entre seus nomes, não?).

A acusação por certo é fatal, porém não certeira: ah, isso é vaidade! Não diria. Orgulho? Também não. Tradição? Sim. Respeito? Igualmente sim!

Fico estupefato quando vejo alguém negar vincular o nome de seu pai ao seu. Há muitos pais e muitas mães na cadeia hoje em dia. São ladrões, traficantes, assassinos, criminosos de toda ordem. Outros estão fora da cadeia, mas envergonham de igual modo a família e a sociedade. Mas, se você buscar com cuidado, amor, atenção e gratidão, verá que há um quê de bondade no pior dos facínoras sociais. E eu acrescentaria: Você não tem o direito de vilipendiar, jogar no ostracismo, sepultar o nome de sua família só por carregar no peito um coração eivado de mágoas e questões mal resolvidas com seus entes mais próximos. Se seu pai foi assim e assado, será que seu avô também foi assim? Ou será ainda que não nenhuma viva ou morta alma dentre os nomes que você pretende perpetuar de agora para diante que também não tenha lá suas mazelas? Claro que há! Em toda família há alguém que por qualquer motivo envergonha ou já envergonhou seus parentes.

A desculpa para este negócio de não querer mais o nome de seu pai pode até se amparar na lei que, como dito acima, traz escondida em seu bojo uma intenção malévola de desarticular a família como ente perfeito criado por Deus. A família, prevista constitucionalmente como o “esteio da sociedade” já vem de perder o seu valor, o seu objetivo, a sua intenção maior que é a de formar homens e mulheres responsáveis e capazes de conviver em sociedade, de estudar para o aprendizado que traz o conhecimento e a capacidade ao desenvolvimento, de trabalhar para a promoção do bem comum.

Sei que estas são letras mortas para muitos. E eu não penso só em mim não. Tenho uma neta que traz só o meu nome, tendo deixado de receber o nome de seu avô materno. E posso dizer que, porquanto esta minha neta seja a coisa mais linda que o bom Deus já me deu até aqui, chama-la por prenome e nome me soa estranho: falta alguma coisa, falta o nome que, tenho certeza, encheria de alegria o coração do avô que mora lá para as bandas do interior.

A escolha dos prenomes, sobrenomes e nomes, por evidente, deve ser sempre prerrogativa dos pais. Foi assim comigo. E deve ser assim com meus filhos e noras, assim como com você que teve paciência de me ler até aqui. Mas lá, naquela horinha preciosa em que se vai definir o destino nominal daquela nova criatura que Deus nos dá, será que não vale refletir ao menos um pouquinho neste sentimento de gratidão que deve permear nossos corações, gratidão a Deus em primeiro lugar, e a nossos pais por terem feito o que podiam (e alguns até o que não podiam) para nos criar?

Neste momento em que me preparo para ser avô novamente, faço esta reflexão, por entender oportuna, e que tenho certeza poderá nortear caminhos e procedimentos diferentes que, por si só, podem servir de remédio que faça dissipar de todos os meus leitores toda mágoa, rancor e ódio que eventualmente temos ou que um dia porventura tivemos de nossos pais.

Deus nos abençoe! Sempre.

Washington Luiz de Paula

Poema – O último Natal

O último Natal

Este momento antecede
O do desterro cabal:
Para uns não cheira nem fede
Ser este o último Natal.

Natal que já foi primeiro,
Segundo e até perenal;
Dos costumes é lindeiro
O se esquecer do Natal.

Se houve razão que procede
Este desfecho fatal,
Por palavras não se mede
Se é derradeiro o Natal.

Por prados eu vou, brejeiro,
Tal quem descansa, afinal,
Feliz buscar o ano inteiro;
Não somente no Natal.

Peruíbe, 25 de dezembro de 2017
Washington Luiz de Paula

Tenor Washington canta “Haja Paz na Terra” na Igreja de São João Batista, em recital natalino

A cultura das batatas e o ensopado das letras, em ré bemol menor

Padre Marcos fala no final da apresentação do tenor Washington Luiz de Paula (camisa branca), tendo ao lado Celso Vernizzi e o vereador Sussumu
Foi lindo!

Esta talvez tenha sido a manifestação mais sincera do que se pode deduzir do meu recital de ontem, na Paróquia de São João Batista (Igreja Matriz). O panegírico veio de uma pessoa ainda pouco conhecida de mim, ou mesmo quase desconhecida, mas que, por isso mesmo, merece o registro que se faz agora.

Evidente que sei que elogio em boca própria é vitupério. De igual modo fica claro que elogios vindos de minha esposa D. Neide, e de minha irmã Waldicéia e de meu irmão Welyton devem ficar reservados aos suspeitos. Mas o fato é que o meu recital sim atendeu às minhas expectativas pessoais enquanto cantor erudito e sacro, assim como também no que diz respeito aos acompanhamentos, ao piano da professora Regina Galetti, e na flauta transversa do maestro Nelson Gomes, aos quais reitero aqui agradecimentos sinceros por me darem a honra de ilustrarem minha voz, e até cobrirem, com seus talentos musicais, os defeitos que aqui e ali surgiram durante a apresentação.

Mas eu não posso perder nem o pelo e nem o vício. E, consoante isso, aproveito para discutir a ausência de uma política pública de cultura ao menos um pouco mais interessada no que tange às manifestações artísticas daqueles que fazem arte em nossa cidade, seja em que campo for, isto é, seja na música, sejam nas artes plásticas ou cênicas, seja na dança, no cinema, na literatura, e por aí vai. Digo isto porque, ainda que a chuva tenha prejudicado um pouco, você receber uma apresentação de um nível técnico-musical como esse era de se pressupor ter uma dedicação, um empenho um pouco mais acurado dos agentes públicos, notadamente nas áreas de cultura e educação, não tanto de prestígio, que talvez nem o cantor merecesse tanto, mas ao menos de abertura de oportunidade a que os alunos das escolas de músicas e artes da cidade, assim como as crianças e adolescentes e jovens da rede pública municipal de ensino, viessem a conhecer um elemento cultural diferente, que talvez nunca tenham visto, e que talvez nunca terão oportunidade outra para ver.

A mim não me estranha isso. O registro da indignação é apenas para reiterar o que venho dizendo há anos, de que há pouco ou nenhum interesse dos agentes públicos de abrir portas a que as mentes de nossas crianças e jovens consigam enxergar que há muito mais que mistério além das divisas do parco conhecimento que têm dentro das parcas possibilidades que o município oferece como prontas para eles.

Ver, num espaço que caberiam ao menos 300 pessoas sentadas, não mais que 30 pessoas prestigiando meu recital dá aquela sensação a qualquer artista em que se fica perguntando se vale mesmo a pena persistir, continuar, teimar. Mas, muito mais que o público ausente, pude sentir a ausência, então, dos alunos da escola municipal de música, que deveriam ter como elemento curricular a ida a eventos deste nível. E muito mais ainda pude sentir a ausência das autoridades constituídas, ausências essas que refletem o latente descaso com que se trata a disposição de alguém que, como eu, procurou apresentar algo sui generis na cidade, sem que dano algum tivesse dado aos cofres públicos (aliás, muito mais custo teve a própria paróquia que dispôs do espaço, da luz, do som, do pessoal de apoio etc). A próprio diretora de Cultura, professora Cynthia Riggo não se fez presente! Desta minha indignação salvaram-se o vice-prefeito André de Paula (que sigamos lembrando: não é meu parente!), que se fez presente ao lado de sua esposa Márcia Sodré, o diretor de Comunicação Celso Vernizzi (que abriu o evento), e Eduardo Ribas, Secretário de Turismo, Cultura e Esportes, este um tanto suspeito por ser amigo de infância, ou por ter tido oportunidade anterior de conhecer meu potencial vocal, além do vereador Sussumu que trabalha na administração da paróquia.

Não. É mais que certo que ninguém tinha obrigação implícita de ir me ouvir em meu recital. Mais certo ainda que este e aquele – autoridade ou não – haverá de lamentar não ter ido, buscando desculpa em outros compromissos assumidos anteriormente, no esquecimento, ou mesmo da desculpa esfarrapada da chuva que caiu: “ah, começou a chover e eu pensei que iriam cancelar porque achei que era do lado fora…”, ainda que eu tivesse insistido, até com veemência, de que o encontro musical seria DENTRO da igreja!

A questão, portanto – sigo lembrando – não é o fato de ser sido eu, ou de ter sido um evento em que eu era o protagonista, o cantor. Sei das minhas limitações e talvez até mesmo não tenha mais tempo ou oportunidade para alcançar o nível de um Andrea Bocelli, e também nunca tive pretensão de ser melhor que qualquer que seja, seja em qualquer área. O descaso de ontem é só mais um dentre os tantos que a gente tem notícia e conhece, imaginando até mesmo que seja perene, um vício, diria que uma iniquidade cultural que já cauterizou a mente das pessoas, seja no seio do povo, seja em meio aos mandatários, a ponto de eles já pouco ou nada se importarem e até mesmo de não acharem que isso seja tão errado assim.

Passei por experiência semelhante quando trouxe as crianças do Instituto Baccarelli, em seus primórdios, para conhecerem o mar e para se apresentarem – coro e orquestra – na Igreja de São José Operário, no Caraguava, anos atrás. O maestro Sílvio Baccarelli, juntamente com seu pupilo Edilson Venturelli mal começavam seu projeto musical junto às crianças da favela Heliópolis – uma das maiores, senão a maior de São Paulo, mas já davam mostras do sucesso que aquela iniciativa iria resultar, fazendo com que a Orquestra Sinfônica Heliópolis viesse a ser hoje referência no Brasil e no mundo inteiro, já exportando jovens talentos para orquestras importantes nos Estados Unidos, Alemanha e Israel (para citar alguns países apenas), e eu conseguia trazê-los para se apresentarem em Peruíbe. Escolhi a Igreja de São José Operário por acreditar que a população iria se mover a se fazer presente, e, portanto, iria vir a precisar de um espaço grande. E foi grande o meu engano. Algumas dezenas de pessoas foram à apresentação, e, dentre as autoridades, apenas dois vereadores compareceram: Maria Onira Betioli Contel (professora Onira), e Carlos Luiz Rúbio (Carlito Massagista).

No que tange à esta coisa de cultura, e sempre que inquirido a respeito, não me demorava em responder que a única cultura de que nossos agentes públicos entendem é a cultura de batatas. E hoje vejo, com alguma tristeza no coração, que esta realidade sofrida não estava apenas no conceito (ou no preconceito) de políticos do passado, mas que parece teimar em reinar nos políticos de hoje também.

Quem sofre com isso é a própria cultura em si. Ou pelo menos aquela que surge de tentativas públicas um tanto quanto tímidas (muito políticas e nada sociais) de se fazer algo em favor desta importante ferramenta de fomento ao progresso de nossa cidade. O que resulta disso pode-se ver no concerto de natal deste ano da nossa banda, que era algo que vinha seguindo um roteiro de tradicionalidade ano após ano, e que era mesmo esperado no curso do ano com certa ansiedade pelos amantes da boa música. Para quem entende, e para quem conhece, passa a ser dever alertar que a qualidade técnico-musical de nossos jovens instrumentistas vem caindo a níveis alarmantes, e já até mesmo o repertório tem que passar a ser apelativamente popularesco. A começar pelos instrumentos velhos e puídos, não se vê mais tantas crianças com aquele desfile de talentos como outrora se via, e os eternais Maestro Sérgio Luiz da Silva e Maestrina Elizete da Silva têm que se virar como podem para não permitir um encontro entre a banda musical municipal e a orquestra de crianças do Instituto Relfe (por exemplo), para não fazer feio.

Pois bem. Isto posto e registrado como deve ser, e partindo da premissa de que o novel governo comandando pelo jovem prefeito Luiz Maurício tem por mote o resgate da dignidade do povo de Peruíbe, é tempo, portanto, de se perguntar o que é e como é que se pretende agir para que nossos artistas saiam do limbo, do ostracismo, para virem a lume oferecer mais e melhor luz para nossos olhos e ouvidos?

Será que fazendo permanecer velhos conhecidos, com seus evidentes comprometimentos políticos e avidez pelos cargos e pelos salários, em áreas tão nevrálgicas como a cultura e a educação trará alento de que alguma coisa ao menos comece a ser mudado na mentalidade de nossa gente ao longo dos três anos que separam este governo das próximas eleições? Ou será mesmo que, como muitos têm apostado, o prefeito Luiz Maurício decida agora, já no início deste seu segundo ano de seu governo, dar uma guinada de 180 graus em sua equipe, trocando os agentes políticos (sobre os quais tinha compromisso de campanha) por agentes técnicos, estes agora, totalmente descompromissados com a política?

Ainda que entendam por estas letras que eu fiquei despeitado por não ter tido público para meu recital, e por não ter sido prestigiado pelas autoridades, o fato é que – quer creiam ou não – o próprio recital de canto que ofereci ontem na Igreja Matriz, fi-lo não por mim, mas por Peruíbe, por minha cidade! Como dizia o poeta Giógia Júnior: “Que vaidade teria a estrela em seu poder, a flor em seu perfume?” Bem longe da pureza do perfume da flor, ou da majestade de uma estrela, quem esteve ontem na Igreja Matriz pode testemunhar de que algum mérito há sim em minha voz! Mas nem mesmo os colegas da imprensa acorreram para me prestigiar ou registrar o evento! É desanimador, convenhamos.

Não posso terminar este desabafo sem deixar marcado aqui o meu agradecimento ao padre Marco Antonio Rossi e ao vereador Hélio Sussumu por terem aberto da igreja para meu recital. Agradecer também aos colaboradores, a começar pelo prefeito Luiz Maurício, e seguindo com a De Paula Corretora de Seguros, De Paula Topografia, AW Matos/Terraloc/Alex Matos, TV+/Socorro Mendonça, Maranatha Jóias/Diácono Zeca, Peruíbe Suíte Flat Hotel, Pão de Maçã, Pamplona Imóveis e Cheff Grill; e agradecer também à professora Regina Galetti e ao maestro Nelson Gomes que gentilmente me acompanharam ao piano e na flauta respectivamente.

Teremos outro? Não sei. Sinceramente não sei. Este primeiro eu não esperei ser convidado. Corri atrás e consegui realiza-lo. O próximo já não valerá a pena tanto empenho e desgaste meu e de familiares, principalmente de minha esposa. Isto significa que esperarei ser convidado? Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não ouso pretender tal; mas estarei sempre à disposição. Para isto e para aquilo. Se não haverei de esperar cachês ou louros, ao menos quero garantias de que realmente mudou a mente dos direcionadores da cultura no município. E para melhor!

Washington Luiz de Paula

Carrapicho – O grude desgrudou

A agonia física, biológica, natural, de um corpo por fome, sede ou frio, dura pouco, muito pouco, mas a agonia de uma alma insatisfeita dura toda a vida
Federico Garcia Lorca

Perdi um amigo hoje. Perdemos um amigo hoje. Perdemos Mauro Sérgio de Araújo, o querido por todos Carrapicho. Sim. Por todos! Assim, eis que se vai um homem que conseguia reunir, dentre outros, este predicado singular: o de ser querido pelos que lhe eram amigos, mas também pelos que não tanto.

Ultimamente eu e ele estávamos ali no liame tênue que une a amizade que já foi muito próxima outrora, para aquela que, por conta dos revezes e diferenças no campo das ideologias – notadamente as políticas – nos mantiveram equidistantes. Mesmo assim, o considerava querido amigo. Amigo daqueles que preferia não ver perdendo para a inexorabilidade da morte.

Há os que estão calcinados pela frieza destes tempos hodiernos e podem até dizer, com evidente desprezo que “antes ele que eu”. Eu, contudo, despeitado me revelo para dizer que preferia que fosse antes eu que ele. Ora, se a morte assim é tão líquida e certa, e há de nos arrebatar uma hora ou outra, vejo que melhor seria que ela já tivesse me arrebatado antes mesmo de ter visto meu pai partir, ou de começar a ver como venho vendo há bons pares de anos meus amigos de infância partirem. Não. Recuso-me a ver meus irmãos partirem antes que eu me vá! Mas tenho que entender também que este desígnio não está no plano de minha vontade, muito embora custe também a crer, como mal cristão que sou, que Deus tenha mesmo alguma coisa a ver com essa coisa de morrer, notadamente quando se morre de morte violenta ou provocada por descaso profissional dos cuidadores da saúde, ou mesmo por descuido com a própria saúde…

Sendo assim me parece mais que Carrapicho foi apenas mais uma vítima desta política injusta, cruel, desumana, insana que envolve toda a saúde pública neste país de larápios do dinheiro que deveria ir para os hospitais e que, por mais não terem como justificar tantos e tais desvios, criam uma tal de “regulação de vagas”, que ao mesmo tempo que não regula nada, regula as vagas existentes – porque elas existem! – para apadrinhados e apaniguados daqueles que comandam o status quo.

Com efeito, portanto, não adianta se ter um atendimento competente no pronto socorro, se se tem que esperar horas, e às vezes até dias (como aconteceu com o Carrapicho) até que algum iluminado desgrude a bunda de sua confortável cadeira, desligue o jogo de paciência do computador, para cuidar de prestar assistência àquele que não pode esperar mais um minuto sequer, que dirá dias! (Isso sem contar que, se você chega com alguma emergência em qualquer hospital deste país, você é prontamente atendido e avaliado o grau de emergência, cuidando do devido encaminhamento dentro do próprio hospital).

Sendo assim, recuso-me aceitar que Carrapicho morreu porque chegou sua hora, ou porque essa era a vontade de Deus! Acreditar nisso é o mesmo que dizer que essa casta de bandidos que governa (sic) nosso país, desviando dinheiro que deveria ir para a saúde, não são mais que meros colaboradores de Deus, promotores da vontade de Deus para que este morra hoje, e amanhã morra eu ou você!

Vejam os senhores que esta “homenagem” que deveria estar prestando apenas e tão somente ao dileto Mauro Sérgio Araújo – o Carrapicho, segue o mesmo viés que norteou a vida dele próprio, que foi o da indignação com duas coisas que ele conseguia, como poucos, ver muitíssimo bem: por um lado, a crueldade com que os mandatários do município, do estado e da nação conduzem o destino do povo, se contrapondo, na outra ponta, com a mediocridade desde mesmo povo que sabe pouco escrever ou se expressar, que sabe nada interpretar o que se fala, se escreve e se demonstra, que não lê um livro sequer ao longo de toda a vida, que não quer saber de estudar, que é pouco dado ao trabalho, mas que é muito dado à malandragem.

Como todos os poetas, Carrapicho era um indignado. Sofria o revés de se ver tolhido de mais poder fazer para que o lamentável estado de penúria intelectual que tomou conta do consciente coletivo tivesse ao menos um desvio para que as pessoas, de modo especial os seus próximos, melhorassem um pouquinho que fosse.

A pergunta que faço agora para este instante de transe em que nos despedimos do Carrapicho, é a mesma que um dia quem sabe alguém fará quando eu também me for deste plano: Se todos o tínhamos como amigo, será que ele mesmo considerava que nós outros éramos de fato seus amigos? Deveras, tinha Carrapicho amigos? Pois é, chego a recear que não tivesse tido amigos de verdade, a começar de mim que poderia ter sido mais e melhor amigo dele. E arrisco a dizer que muito mais amigo que todos os seus amigos era o cigarro, que foi seu companheiro de mais de quatro décadas, mas que, também ele – o cigarro – o acabou traindo, a ponto de vitimá-lo à morte.

Carrapicho se vai num momento em que eu e o não menos querido José Antonio Pereira – o Zé Capacete, nos preparávamos para reunir nossa turma de formandos do antigo Colégio (hoje 2º Grau), para um almoço de confraternização em que memoraríamos nossos 40 anos de formatura; e agora já nem sei se levamos à frente este projeto, principalmente depois desde dia de hoje em que Carrapicho foi se encontrar com Luiz Lucas do Santos, Virgílio Dias de Oliveira, Gerti Rose Marie Ubrig, Aparecida Andrade, Luiz Elias Pacheco, e algum outro daquela alegre turma de 1977 que talvez também tenha morrido, cujo fato não tenha me chegado ao conhecimento.

A forma como Carrapicho encarou a vida de veia e alma de poeta, foi a de fazê-la inusitada, incorporando na irreverência com que trajava a barba sempre por aparar a própria poesia que sempre o sustentou. Carrapicho, portanto, era um poeta completo. Mas, e daí? Quem se importa? Você que tem tido paciência de ler meus longos textos, e me que lê agora, conhece alguém que tenha lido uma poesia sequer no curso deste 2017 que termina, ou mesmo de toda vida? Pois é. É muito provável que Carrapicho já tivesse perdido a vontade de escrever, ainda que soubesse que muitas das revoluções que moveram o mundo nos séculos passados começaram por versos de poetas como ele. Diferente dos poetas fabricados nas escolas de Letras, compreendia Carrapicho o que Garcia Lorca outrora escrevera: “A poesia não quer adeptos; quer amantes”. E é justamente neste diapasão que eu e ele nos entendíamos, pelo que ouso afirmar que nossas almas estiveram desde sempre unidas pelos laços dos versos e da prosa.

Por esta união transcendente que invoco agora é que presto esta derradeira homenagem em vida ao estimado Carrapicho, na certeza de que, com a morte dele morreu também um pouco de mim mesmo. Vá em paz! Ainda que eu saiba que não demora para que você seja relegado ao ostracismo das lembranças, saiba você que ao menos para mim você fará falta; muita falta! Falta até mesmo do tempo em que estudamos juntos em todos aqueles bons anos do “ginásio” e do “colégio” (estivemos sentados lado a lado ali no “Kalil” e “Jardim Brasil” desde 1971 até 1977). E não adianta perguntarem: não sei exatamente porque do apelido “Carrapicho”. Posso supor, mas não afirmo. É possível que de tanto amigo, podia ser considerado um “grude” tal e qual um carrapicho agarrando em nossas pernas juvenis. Se assim foi ou era, eis que agora o nosso Carrapicho desgrudou de nossas pernas e calças. Pois que desgrude! Mas que jamais desgrude de nossos corações que hoje está ferido por este espinho a nos espetar a alma.

Termino este tributo lembrando ainda outra vez Federico Garcia Lorca (1898-1936), o revolucionário poeta e dramaturgo espanhol, justamente ele que foi fuzilado em muito por conta de sua verve, em frase que parece resumir o pensamento de Carrapicho: “Como não me preocupei de nascer, não me preocuparei de morrer”.

Que o bom Deus o tenha.

Washington Luiz de Paula

Recital inédito em Peruíbe traz músicas natalinas na Igreja Matriz neste dia 20, quarta.

Tenor Washington Luiz de Paula canta o Natal – De Paula Topografia apóia este evento!

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Da Redação

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  3. O pagamento você pode fazer por transferência bancária (Itaú, Bradesco, BB ou Caixa), ou ainda através de cartão de crédito ou mesmo emissão de boleto.
  4. Assim que confirmado o pagamento, envio um portador até seu endereço com seu bilhete para concorrer na rifa, e coloco no mesmo dia os seus anúncios para rodar.
  5. Se você estiver fora de Peruíbe, envio pelo Correio, ou fotografo seu número para você registrar sua participação, enviando o comprovante por e-mail.
  6. Os banners são aplicados para rodarem aleatoriamente em todas os posts e também em páginas fixas dentro do blogue, e NÃO EXPIRAM!
  7. Nossos visitantes são de todo o Brasil. Portanto, suas chances de realizar bons negócios são bem maiores.
  8. Lembre-se: Você anunciando através desta campanha você estará colaborando no tratamento de nosso irmão Wanderlei de Paula em seu caríssimo tratamento na luta contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
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  • (13) 99721-9141 (William)
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  • (13) 99775-3191 (Yohana)

Levamos até você!

Eu, o sexagenário

Comemoro hoje 60 anos. Meio século mais 10 anos que o bom Deus me confere, pelo que tenho que agradecer ao Autor da vida. Não fosse Ele, sequer teria nascido. Não fosse Ele, o milagre do surgimento da vida que tantos hodiernamente tentam violentar assassinando crianças indefesas ainda no ventre da mãe não teria acontecido. Não fosse Ele, o milagre da preservação da vida não teria permanecido em mim, em dias, meses e anos em que grassa a violência gratuita, fútil, despropositada, que tem ceifado tanta gente inocente Brasil e mundo afora.

Por tudo isso, eu agradeço ao meu Deus.

É curioso, entanto, que não me sinta assim entrando na terceira idade. Muito embora seja sedentário convicto, ainda assim sinto a vida fluir dentro de mim como se ainda eu estivesse no auge dos meus 30 anos. E talvez seja por isso que rejeite as benesses de algumas leis segregacionistas implantadas nos últimos anos no Brasil que confere privilégios a “velhos”, exatamente porque não me sinto velho. E olha que eu até acho que o “velho” deveria ter preferência em filas e atendimentos gerais, mas desde que ele fosse (ou estivesse) efetivamente velho; e, neste sentido, continuo achando que não deveria ser o Estado a interferir na vida do cidadão para obrigar-lhe a ter aquilo que nele deveria ser inato, que é a educação.

Mas isso lá são outros “quinhentos”, ou, no caso, talvez melhor se disséssemos que são outros “sessenta”. O importante é que a vida segue.

Evidente que, pelo curso natural da vida, e considerando o padrão da idade média de vida do brasileiro, já acelero os passos para encontrar-me com o Criador. Se, 30 anos atrás, tinha expectativa de viver pelo menos mais 40 anos, hoje a expectativa se reduziu a um quarto. Em tese, teria, portanto, mais 10, quando muito 20 anos de vida pela frente. Não! Mas isto não me aflige. Embora não possa dizer que tenha vivido bons anos durante estas seis décadas que agora ficam para trás, ao menos trouxe destes anos o meu casamento e o fruto deles: meus três filhos que agora já vêm de me dar netos e netas. Lamentavelmente, para outras facetas da vida pregressa, não me agradam muito as lembranças.

Agora, ao refletir sobre os tantos erros cometidos, e começando a me desesperar por tentar querer fazer em 10 anos o que não fiz em 40, não posso chegar a outra conclusão que a de oferecer para mim mesmo um solene “mea culpa, mea máxima culpa”. Sim! Atribuir culpa a terceiros por nossas mazelas do passado é não ter a dignidade que a entrada para a velhice vem de requerer da gente. Fui o que fui, fiz o que fiz, deixei de ser o que gostaria de ter sido, deixei de fazer o que gostaria de ter feito por obra exclusiva de minha histórica teimosia se contrapondo à vontade principalmente de meu pai, e não aceitando convites de oportunidades que amigos distantes de Peruíbe me ofereceram.

Lembro-me de quando ingressei na faculdade em 1978. Naquele tempo – 39 anos atrás, e eu com 20 anos de idade, portanto! – eu sonhava que chegaria aos 30 com bacharelado e mestrado em Teologia, e tendo feito pelo menos um ou outro curso paralelo (talvez Sociologia, Filosofia ou Psicologia). Não me demorei mais que três anos e, em 1981, aos 24 anos, ingressava para a política, hipnotizado pelo canto de duas desajeitadas sereias, travestidas nas pessoas de dois amigos que me tiraram da faculdade e fizeram retornar para Peruíbe. E olha que eu bem que consultei o deão na faculdade, o glorioso, calmo, sereno e tranquilo professor Bertoldo Gatz, ao que ele me disse, em tom grave e forte sotaque alemão: “Washington, você vai deixar o faculdade, vai entrar para o política, depois você vai se casar, virão os filhos, e você nunca mais voltará para cá!”. Fora um vaticínio! Nunca mais voltei!

Ah, a política. Você conhece ciência mais ingrata que essa? Ou conhece alguém que tenha ascendido e sido bem-sucedido na política sem que tenha uma história para NÃO contar? É, meus queridos, fui vítima dessa engrenagem, desse redil cheio do visgo da desonestidade, da corrupção, do levar vantagem, do passar por cima dos outros, o pisar impiedosamente sobre a plebe.

Lembro bem a inauguração do estigma que me persegue até hoje nesta cidade. Era mês de setembro e o governo do estado fizera um concurso sobre o “Dia da Árvore”. Eu tinha talvez 16 anos. O casal querido de professores, Carlos Alfredo Ubrig e Jacira Marques Correa Ubrig (de inglês e português respectivamente) já conheciam meu talento para as letras, e me incentivaram a participar do certame, e eu sagrei-me vitorioso no município. Por iniciativa do médico e poeta Dalmar Americano da Costa, então vereador, a Câmara me conferiu uma moção, e, para entrega da homenagem, foi designada uma sessão solene. Dois terços dos nove vereadores da época torciam o nariz para a novidade, e foi assim que o então presidente Oswaldo Linardi pedia que aquele que me homenageara lesse meu trabalho da Tribuna, quando a expectativa de meus professores e colegas que enchiam o plenário da antiga sede do Legislativo. Dr. Dalmar, pressionado pelos colegas, alegou ter esquecido os óculos em casa, e a leitura coube propositadamente ao vereador Ildo Inocêncio, sabidamente semianalfabeto. Ildo, que era um sujeito metido a “facão sem cabo” (como diziam os antigos caiçaras), matou o meu trabalho, e o professor Carlão puxou uma vaia de seus alunos que reverbera até hoje sobre minha história, mesmo passado 44 anos!

Dias depois, quando o governo estadual chamava os representantes das cidades para o fase regional daquele concurso, e eu sem dinheiro, e meus pais sem recursos para me ajudarem a ir até Santos (e olha que naquela época ir a Santos era como ir para um outro país hoje!), me indicaram o também então vereador e advogado Eduardo Monteiro da Silva, representante do espólio das terras de Leão Novaes e, portanto, tido como “abastado” a que me ajudasse, e sua resposta foi das mais desmotivadoras para o pleito que fora lhe levar, embora naquele momento eu começasse a me sentir impelido a seguir a saga que me estava reservada pela vida e pela história, que era a de fazer jornalismo, embora desde sempre informal.

Mas este transe marcou uma sina: Nunca mais eu haveria de ser lembrado com alguma lembrança em termos de oportunidade, apoio ou incentivo ao meu trabalho que se seguiu àquele momento. Até mesmo aquele que me fora retirar de meu sonho na Capital, quando esteve em cargo de relevo junto ao governo do Estado, e, depois, quando se viu prefeito, sequer se lembrou de mim.

Nestes 60 anos de vida, dos quais 50 anos em Peruíbe, e 44 anos escrevendo a história e a política de Peruíbe, posso dizer que já vi muita coisa. Sou, como se poderia dizer, um registro ainda vivo de centenas de desmandos e mazelas colecionados junto à classe política municipal, notadamente de 1976 para cá, quando debutei nos bastidores de uma campanha eleitoral em Peruíbe. Mas, muito mais do que ter visto e registrado, soube pensar sobre o que fizeram e sobre o que deixaram de fazer por Peruíbe. E isso de “pensar” é o que aborrece esta casta acostumada a conduzir o povo com arreio curto e freio de fel.

Não quero me delongar nestes devaneios que a nada levam. Eu quero é mais – e que se rale o povo que gosta de ser gado marcado, e que sigam para o inferno no qual não acreditam todos aqueles que enfiaram no bolso qualquer tostão que tenha sido desviado na merenda de nossas crianças, ou de remédios e insumos da saúde municipal.

O que eu quero dizer é que, se eu vier a morrer hoje, em pleno dia de meu aniversário de 60 anos, eu, embora (como já dito) não possa dizer que fui necessária e efetivamente feliz, mas ao menos eu vivi com a dignidade daqueles que podem dormir – e morrer – em paz. Nem mesmo a dezena de processos da qual fui vítima nestes anos todos, nem mesmo os 17 dias que passei encarcerado por obra de uma acusação injusta, mas arquitetada por algumas pessoas que meu coração ainda permite receber hoje em minha casa como se nada eu soubesse, ou como se nada tivesse acontecido, podem ser maiores do que eu mesmo e do orgulho que carrego no peito de ter aprendido algumas regrinhas básicas de nossa língua pátria com minha saudosa professora Jacira, tornando-me hoje neste elogiado escritor – ainda que não reconhecido como devesse.

Se tributo honra aos meus professores, estendo glória a meu Deus, para seguir repetindo Gióia Júnior quando disse: “Para a glória de Deus é que em noites frias e longas madrugadas meus versos tenho escrito! Eis a grande verdade: Que vaidade teria a estrela em seu poder, a flôr em seu perfume?” Pois é. Sigo o exemplo registrado pelo Mestre em seu Sermão da Montanha para quem se nem mesmo Salomão, com todo seu esplendor e riquezas, se vestiu mais formosamente que um lírio do campo, quem seria eu agora para me ufanar por esta facilidade que os Céus me conferem?

Um dia, ainda no ano passado, quando registrei em meu blogue a passagem de André Santana pelo Gabinete, lembrando-lhe de suas constantes viagens de Turismo, e seguindo na lembrança de que “viajar ganhando R$ 10 mil por mês” é fácil, o insigne cerimonialista não demorou em destilar o veneno do qual tenho sido vítima anos a fio: “Pelo menos eu não tenho uma história triste para contar!”. Ele tinha razão. Minha história é triste. Mas história menos triste eu teria para contar se ele, seu compadre e protetor-mor Paulo Henrique Siqueira (Paulão), e a então prefeita Ana Preto et caterva tivessem honrado o compromisso comigo que se arrastava desde a campanha dela em 2012 que, se contabilizado hoje, daria mais de duas centenas de mil reais! Ah! Esteja certo, compadre André: Se eu tivesse dinheiro hoje, neste meu dia de aniversário, estaria com meus netos no colo, contando-lhes histórias boas e felizes neste meu dia, mas muito longe daqui, preferencialmente lá para as bandas das Minas Gerais, em cujo solo já sigo pretendendo ser sepultado um dia! E para isso não precisaria muito: bastariam os poucos meses que você ficou na chefia de Gabinete, ganhando estimados R$ 10 mil por mês!

Em família o momento não é lá para grandes comemorações. A enfermidade de meu irmão, e os revezes que se seguem a ela, não nos permitem brinde algum que o de continuar rogando a Deus que se apiede de nós, e nos conceda paz, ao menos paz, já que dinheiro, convenhamos, está difícil. Muito difícil.

Deus nos abençoe a todos. Sempre.

Washington Luiz de Paula

O que há de certo (e de errado) nesta traição

A exposição pública a que meu irmão Wanderlei Abrahão de Paula se expôs dia desses, através de seu perfil no Facebook, suscitou uma polêmica que, em dois dias, colecionou 300 curtidas e 144 manifestações de seus (a maioria) amigos e amigas.

Não venho aqui usar este meu espaço para estender julgamentos ou pré-julgamentos. Consoante à infidelidade conjugal tenho pensamento que fere alguns princípios mais radicais e ortodoxos, ao mesmo tempo em que sigo sendo ortodoxo no pensamento cristão de ser contra o divórcio, seja em que circunstância for. Para mim, a prevalência deve ser do perdão. Sempre.

Claro que há casos e há casos. O próprio Jesus, ao tentar mostrar que não tinha intenção de mudar a lei que permitia o oferecimento de carta de divórcio por parte do cônjuge somente em caso de adultério, mas sim de oferecer uma interpretação, digamos, mais justa, adequada e contemporânea ao tema, trouxe a lição de que não há limite para o perdão, que deve exceder à conta dos “setenta vezes sete”.

Mas, se errar é humano e o perdoar é divino, convenhamos: é mais fácil errar do que perdoar. Perdoar, por suposto, é horrivelmente difícil. É uma luta que se trava contra o ego, contra o amor próprio, o orgulho, a vaidade, os costumes, as tradições, as culturas, os preconceitos, a ponto de eu afirmar que somente aquele que experimenta o receber e dar perdão sincero e verdadeiro pode sentir a plenitude da paz e do amor também verdadeiro, que só Deus nos oferece e dá.

Como eu sou humano, confesso que, para o caso em tela, estou com pedras na mão! Mas, não para atirar sobre aquela que agora recebe a acusação de adultério, até porque torço que isso tenha sido um caso sazonal, esporádico, fruto de um momento de desespero que se estendeu ao transe cruel e triste pelo qual passa meu irmão; logo, se assim for, não podemos imputar-lhe pecha de “adúltera”, porque não useira e vezeira na lide. A pedra, se a fosse lançar, se a pudesse lançar, seria contra aquele que desgraçadamente se aproveita de um momento de fragilidade para se aproximar de um objeto de desejo puramente sexual e aventuresco, para quem imputo, com o perdão dos meus muitos pecados, mas com a boca empostada e as pregas vocais vibrando, e o ar apoiado no diafragma, o mais solene epíteto de CANALHA!

Não pensem que estou só nesta indignação. Como gosto de estatística, colhi as opiniões das manifestações apostas no desabafo de meu irmão, e vejam que curioso:

  • 59,72% dos que se manifestaram lá são homens, contra 40,28% de mulheres.
  • Dos homens que se manifestaram, 89,53% aprovaram a atitude do Wanderlei, e apenas 10,47% desaprovaram a exposição pública de sua vergonha familiar.
  • Já entre as mulheres, 84,48% se solidarizaram com o Wanderlei, e apenas 15,52% buscaram justificar razão para desaprovação do post publicado

Na regra geral 87,50% mostraram indignação contra a atitude da mulher, e se solidarizando com o Wanderlei. 12,50% ou esbravejaram pela acusação pública, ou simplesmente rogaram para o post fosse retirado do ar.

O que nos mostra e ensina isso? Em primeiro lugar expõe uma hipocrisia latente que aflora em momentos de descobrimentos como esse que não têm nada de inusitado, e que acontecem diariamente, estando a acontecer em algum canto desta cidade neste exato momento em que escrevo ou que você me lê. A traição conjugal é, inclusive, motivo de pilhéria, de piadas, e já entrou para o folclore. Em segundo lugar, que, principalmente numa cidade ainda pequena como Peruíbe, prevalece sempre o provincianismo.

Não se trata aqui de discutir que a mulher é sempre a culpada, até porque, como vemos nos números acima, são as próprias mulheres aquelas que mais condenam atitudes como a da esposa de meu irmão, e isto por uma razão simples: são elas as maiores intolerantes quando o assunto diz respeito à traição. A nomeação dos homens pelo expurgo da mulher pega em adultério é, digamos compreensível, e crédito seja dado ao corporativismo masculino.

Lógico que não estou dentre os 10,47% dos homens que desaprovaram a atitude do meu irmão. Eu a aprovo porque, conforme testificamos ontem à noite na casa de minha, isto “lavou sua alma”, e ele até que estava se sentindo bem mais leve – a ponto, inclusive, de pôr-se em pé por alguns segundos (e por pelo menos três vezes) – e sozinho! – o que é um feito memorável para alguém que a Medicina já condenou à cadeira de rodas para sempre! E mais: sorrindo (acho que de nós todos, o Wanderlei é aquele que tem o rosto e o sorriso mais bonito), ele me chamou a atenção para mostrar que conseguira balbuciar um “a – e – i – o – u”, que já valeriam toda comemoração do mundo, e compensariam toda amargura sofrida e passada até aqui.

Bem, mas entendo que merecemos respeito. Fazemos parte da história dessa cidade. Minha família é aquela que se pode chamar de “quatrocentona”, embora Peruíbe venha comemorar os 60 anos que amanhã comemoro somente daqui dois anos. Esse sujeito que resolveu interferir no curso da história de minha família, entendo que deixa de merecer o crédito, a consideração, a preferência, por parte de todos aqueles que, nesta cidade, nos conhecem, e conhecem cada um dos “de Paula”. Fosse ao tempo de minha avó Colutorina – a desteminha Nhá Coluta! – lá para as bandas de Rebouças, no sertão do Paraná, nos idos dos anos 50 (não muito longe, portanto), este sujeito seria amarrado a uma carroça, com uma canga ao pescoço, e atravessaria a cidade gritando: SOU ADÚLTERO! SOU ADÚLTERO! E se o grito não fosse convincente e alto, o chicote de três pontas comeria solto no lombo!

Os tempos são outros, e minha avó já morreu. Meu pai, com seu Schmidt à cinta também já morreu. E nós todos, porque sofrendo como estamos, também estamos sucumbindo face a inexorabilidade das coisas que acontecem ao nosso derredor e que não deveriam mais nos surpreender, mas que continuam nos surpreendendo.

A vergonha? Não! Esta não morre nunca! Continua por ai desfilando como se estivesse numa passarela da moda, certos que cada vez mais ficam da impunidade que para estes e outros casos se pereniza.

Que o bom Deus me faça sábio e forte o suficiente para dar o outro lado do rosto a este que nos bateu violentamente em uma de nossas faces – e que nos faça dignos de darmos também a túnica a este que nos roubou a capa.

Washington Luiz de Paula

Recital de Canto e Piano – Inédito em Peruibe!

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Revelação

Revelação

Todo respeito ao parente
Deve ser assim perene,
Ainda se estiver doente,
É atitude mui solene.

Mas quando o respeito falta,
Dando lugar aos conchavos,
O pecado aos dois assalta
Dele tornando-se escravos.

Ah, que esta traição não aliene,
E não torne a ninguém bravo.
Melhor no canto a sirene
Que na ferradura o cravo!

Peruíbe, 19 de outubro de 2017
Washington Luiz de Paula

A adversidade

A adversidade

Ao meu querido irmão Wanderlei Abrahão de Paula, neste seu particular instante de adversidade

Não é “por quê” que se pergunta
Da adversidade a razão;
Há motivo que se junta
Ao sofrer do coração.

Mas “para quê”, na verdade,
Faz descobrir, com certeza,
Que de bondade e maldade
Se nos cerca a natureza.

Não obstante bem mais duro
Descobrir que a adversidade
Revela de um, lado obscuro,
Ainda de outro, falsidade;

Ainda assim é bem melhor
Sofrer angústia e desprezo
Por um tempo que é menor
Bem menor que o menosprezo,

Que ser pra sempre enganado
Pelo mal fingindo bem,
Que rejeita o predicado.
Mas que “ama” pelo que tem.

Peruíbe, 12 de outubro de 2017
Washington Luiz de Paula

Poema – O alfinete

O alfinete

Ai, Jesus, que alfinetada
Foi esta que a mim me rende?
Se rota tal costurada
Não há pano com que remende!

Não há pano com que remende
Se a costura for malfeita;
Com alfinete se aprende
Muito mais que com desfeita.

Muito mais que com desfeita
Que se costura este pano:
Um poeta jamais se peita
Sem que exponha tal engano.

Sem que exponha tal engano
Que o que nos pretende crer,
Há na mente maior dano
Do que o físico a sofrer.

Que este alfinete que traça
Onde corrige a costura
Seja o mesmo que nos faça
Buscar a paz com candura.

Washington Luiz de Paula
Peruíbe, 18 de julho de 2017

Ao mestre Joaquim Paulo, com carinho e saudade

Maestro Joaquim Paulo do Espírito Santo (esq.) e o discípulo Washington Luiz de Paula
Aquele que carregava “Espírito Santo” em seu nome só poderia mesmo ter sido dotado do dom que o notabilizou como exímio pianista. Dotado, não; superdotado! A mais singela expressão da quase simbiose que havia entre Joaquim Paulo do Espírito Santo com o piano eu ouvi numa das aulas de canto que tomava da professora Inês Stockler: “parece que o piano fala com ele, e ele com o piano”, disse ela certa vez, tal a leveza com que tocava. E era assim mesmo: fosse possível, Joaquim Paulo levaria seu indefectível piano, a tiracolo, por onde quer que fosse.

Desta sorte o piano talvez tenha lhe sido seu mais fiel companheiro. Era o seu cão amigo. Nenhuma outra pessoa talvez tenha dedicado o carinho e atenção que Joaquim Paulo merecia, não só por seu incomensurável talento, mas também por ser um homem simples que mal chegou a experimentar os píncaros da glória como músico, mas que, justamente por ser simples, sofreu agruras tantas, das quais a que mais lhe doía na alma, muito certamente, era o abandono de parentes, amigos e irmãos de fé.

Para quem viu Joaquim Paulo derramando lágrimas amargas do desespero de saber-se totalmente dependente dos poucos que ainda restaram próximos de seu convívio como eu vi, posso dizer com tristeza perene que tanto mais gostaria de fazer por ele quanto menos poderia fazer. Estive ao seu lado até que, mesmo involuntariamente, o bastão do cuidado foi passado para um ex-aluno – o cantor erudito Carlos Mader – quem foi seu anjo da guarda aqui na terra, até que, por sua vez, agora passasse o bastão do cuidado terreal para os anjos cuidarem dele lá na eternidade.

Mas, quem era Joaquim Paulo do Espírito Santo? Ele era meu amigo, professor de canto e regência, acompanhante de piano nos solos que cheguei a fazer pelas igrejas da região de Santo Amaro, e, sobretudo, grande incentivador de meus modestos dotes musicais. Lembro com que orgulho regi o coro da Igreja Batista Central de Santo Amaro em encontro de corais sacros na cidade de São Roque tendo ao piano o maestro Joaquim. Ele, que era um perfeccionista, chegou a ceder à minha imperfeição como regente; e, depois, quando vinha a bronca e a crítica, eram elas sempre acompanhadas de um largo e incentivador sorriso.

Seu currículo (veja aqui) ia muito além de acompanhar a mim e a seus ex-alunos em cultos religiosos ou em saraus em casas de amigos. Ele, cuja extensão musical atravessou fronteiras, chegando à Europa e Estados Unidos, acabou seus dias num cômodo e banheiro na periferia da capital, de onde só viria a sair para a peregrinação que se seguiu de estar internado em vários hospitais. Mas não conseguia disfarçar que gostava mesmo era de estar entre seus ex-alunos, e de tocar graciosamente para eles!

A tristeza que toma conta de mim neste momento não é tanto a do seu passamento, já que sua passagem é um descanso do tanto que sofreu nos últimos meses. Como disse ao amigo comum e também maestro Sebastião Soares Teixeira, tristeza maior é a de saber que Joaquim Paulo do Espírito Santo foi vilipendiado e expulso de uma comunidade cristã, acusado de um assédio que fizera a uma distinta senhora, o que mais tarde viria a confessar e a tentar se desculpar com a “vítima” que não era outra que uma “namorada”, embora esta não tivesse aparecido no encontro que o conselho pastoral convocara para este fim. Do episódio restou a lição dada por Jesus ao advertir os fariseus sobre a “trave” que ofuscava a vista do que somente conseguiam enxergar o defeito nos outros, vez que sua acusadora acabou excluída por estar – quem diria? – assediando alguns homens casados dentro da própria membresia.

Não foi bastante a utilidade do talento de Joaquim Paulo para o serviço da igreja local e, quiçá, para o Reino. Não foi levada em conta o primoroso trabalho que Joaquim Paulo conseguiu encetar com os músicos da igreja. Não foi levada em conta a humildade da qual devemos nos revestir. O Sermão da Montanha foi jogado no lixo!

Eis aí a mágoa que Joaquim Paulo do Espírito Santo carrega agora para o túmulo. Eis aqui o sofrimento que carrego no peito de não ter tido, a seu tempo, a coragem necessária para acolhê-lo em minha casa, mesmo morando num apartamento de três dormitórios onde existiam dois quatros inúteis. Eis o lamento de mais não ter podido fazer por ele por absoluta falta de condição financeira, mas, sobretudo, de não ter feito por ele o que poderia ter feito, ainda que com pouco dinheiro.

Vá em paz, Joaquim. Descanse, maestro. Aproveite, porque agora você pode descansar e não mais sentir dor. O céu é um lugar maravilhoso onde não há discriminação de qualquer espécie.

Deus esteja consigo. Deus permaneça conosco. Amém.

Washington Luiz de Paula

No vídeo abaixo, o maestro Joaquim Paulo interpreta ao piano “Clair de Lune”, de Debussy