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E o prefeito não fez nada… de errado.

Trabalhando2É muito certo que já vivi um bom tempo para ver o que mais uma vez vejo e ouço sendo propagado nas redes sociais, num vídeo muito mal-acabado, disparando uma melodia de péssimo gosto, com letra de igual jaez, e protagonizado por uma voz que, de tão ruim, dispensa todo e qualquer comentário. Logo, não há arte onde há esse tipo de protesto que mais faz crer haver algo mais do que um interesse propriamente dito de pontuar uma – por sua vez – crítica àquilo que pretende fazer entender o tal vídeo, que é o entendimento de um e outro de que o prefeito Luiz Maurício, ao cabo de seu terceiro ano de mandato, nada fez, nada faz ou nada tem feito.

Ora, nem é preciso ser sensato para entender que o exagero é latente, até porque seria absolutamente impossível a um prefeito – e qualquer que fosse ele – não ter feito nada. E ainda que o que tivesse feito fosse deixar de fazer aquilo que por obrigação deve vir ou ir ao encontro da necessidade coletiva, ainda assim ele – o prefeito – teria feito alguma coisa, portanto.

Não tenho estado tão perto de Peruíbe. Por razões de foro íntimo dedico meus últimos meses a respirar o ar dos prados mineiros, em meio ao Campo das Vertentes, na bucólica Prados, entre as históricas São João Del Rei e Tiradentes. Mas a internet – e por conseguinte as redes sociais me fazem ver que, se aqui e ali podem ser apontadas falhas do que poderíamos chamar de bom atendimento á população de Peruíbe como um todo, ao menos naquilo que pode ser considerado primordial e de mais latência frente às necessidades básicas de Peruíbe, o governo municipal, ora comandado pelo prefeito Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira, até que tem se saído muitíssimo bem.

Sempre que vejo o tempo caminhar a passos largos, e já dentro de um ano pré-eleitoral como o que ora vivemos, posso encarar como absolutamente normal que os comportamentos dos chamados “suspeitos”, porque não conseguem esconder (embora não confessem) sua condição de pré-candidatos, tomem tempo incrivelmente grande para buscar razões e motivos para achincalhar o governo. Quando digo “normal”, é porque, assim como os urubus e os abutres não sobrevivam ser que acha carne podre que os sustente, os políticos de oposição, até por serem dotados de capacidade cognitiva que as aves de rapina não têm, quando não encontram elementos que consubstanciem suas pérolas de acusação, eles as inventam.

Como comecei estas linhas, já vivi bastante para ver que esta toada se repete a cada quatro anos, assim como as eleições tendem a se repetir obrigatoriamente de quatro em quatro anos também. E o momento natural é esse, seguindo daqui até a campanha eleitoral.

É curioso notar e lembrar alguns prefeitos do passado, e eu posso até mesmo enumerar quase todos eles, pelo menos dos que eu conheci desde quando, em 1976, debutei numa campanha eleitoral e me embrenhei na política peruibense. Benedito Marcondes Sodré e Gheorghe Popescu se revezaram, se alternaram no poder por 30 anos. É sabido que tinham um acordo comum entre eles, que era o de fomentar a crítica, sempre em ano pré-eleitoral, de que nada um fazia e que, por isso, o outro era o que era melhor. Por 30 anos ambos os dois conseguiram fazer incutir no consciente coletivo da população de Peruíbe o mote do “éramos felizes e não sabíamos”, e felicidade e amargura foram se revezando, com o povo cada vez mais cego, mais surdo e, como ambos também viviam sob o manto de proteção dos militares pós 1964, também mudos.

Quando o povo “acordou”, Mário Omuro “entrou no jogo e venceu o pingue-pongue” tal e qual como expus em manchete que fiz vir a lume logo após as eleições de 1988. Não demorou, porém, para que o povo novamente fizesse ressuscitar o tal do “éramos felizes com Sodré e não sabíamos”. Uma campanha virulenta contra Omuro fez o povo acreditar que ele era relapso, fujão, viajante, irresponsável e que… “não fazia nada”. O resultado foi que Benedito Marcondes Sodré voltaria para o seu quarto mandato como prefeito, o que se deu de 1993 a 1996. Naquele ano de 1996, Gheorghe Popescu tentaria repetir a façanha do tetra de Sodré, mas foi vencido por Alberto Sanches Gomes, parecendo mesmo que o eleitorado gostara da experiência de experimentar o novo, castigando Popescu e o próprio Mário Omuro. Afinal, haviam sido ambos prefeitos “que não faziam nada”.

Indo para o final de seu mandato (1997-2000), Dr. Alberto foi o “homenageado” da vez. Acusado de apatia e de que “não fazia nada”, não foi difícil para que Gilson Bargieri, que era novidade e grande promessa para alavancar Peruíbe rumo ao futuro, ganhasse a eleição de 2000, fazendo um governo (2001-2004) que, sob uma densa névoa de desmandos e acusações diversas de desvios e corrupção, ensejou a José Roberto Preto vencê-lo naquela que talvez tenha sido a mais tumultuada eleição de toda a história de Peruíbe no ano de 2004.

José Roberto Preto não viveu o bastante para terminar seu mandato. Ele, que havia prometido à então vereadora Maria Onira Betioli Contel sua sucessão, não escondia sua predileção por seu pupilo José Carlos Rúbia de Barros que foi assim uma espécie de “tranca-rua” do governo JR Preto. Tendo falecido na passagem do penúltimo para o último ano de seu governo, o último ano da gestão de José Preto foi entregue à sua vice-prefeita, Julieta Fujinami Omuro que não precisou fazer muito esforço para logo começar a ser acusada de indolente também, permitindo assim que Milena Bargieri (com a cara do pai nas urnas) ganhasse a eleição não menos tumultuada de 2008. Em 2011/2012 uma feroz campanha contra Milena expôs todas as vísceras de seu governo. Com Milena também “não fazendo nada”, Ana Preto veio à forra e venceu Milena nas urnas.

Em 2016 foi a vez de Ana Preto ser jogada no cadafalso daqueles carrascos que são sempre os mesmos, com nomes e sobrenomes, os quais boa parte conheço e poderia até declinar aqui não fosse a nomenclatura ser extensa e cansativa. E foi assim que chegou ao poder o então vereador Luiz Maurício, se apropriando desta mesma campanha interna de “esta prefeita (Ana Preto) não faz nada”, conjugado com amplo apoio do tucanato estadual.

Por ser cíclica, ou ao menos por parecer cíclica, a história política de Peruíbe contempla hoje Luiz Maurício com semelhante campanha eivada de sordidez e vilipêndio da qual foram vítimas seus antecessores, todos acusados de que “não faziam nada”, uns com muita justeza e razão, outros nem tanto, outros ainda com nenhuma razão.

Ora, se não havia indicação direta daquilo que, afinal, deixavam de fazer os prefeitos passados, é justo imaginar que a crítica de hoje dirigida ao prefeito de plantão – a saber Dr. Luiz Maurício, venha também desprovida de razão. Afinal, a olhos vistos contemplam-se obras e serviços sendo levados a efeito pelos quatro pontos cardeais da cidade. Sendo assim, além de suspeitos (por sabidamente serem pré-candidatos), por conhecerem a verdade, e por não serem cegos, podem até mesmo serem classificados como aquilo que nos meios forenses se convenciona chamar de litigantes de má-fé.

Já coloquei aqui que estou distante 650km de Peruíbe, e, mesmo sabendo que nem mesmo Luiz Maurício seria autor da façanha de agradar todo mundo, a mim me vai parecendo que a visão que posso ter, por ser macro, facilita o entendimento e o descobrimento de onde, afinal, pode estar o diferencial que tanto faz Luiz Maurício incomodar a seus opositores. E já lhas digo.

Embora funesta, é cultura político-administrativa no Brasil os mandatários fazerem pouco caso das obras iniciadas por seus antecessores. Preocupados com a “paternidade” de tais obras, preferem antes darem início a novas do que acabar as antigas, deixando as obras inacabadas como monumentos ao descaso com o dinheiro público a fim de que elas sejam sempre lembradas como tributo político-eleitoral a serem debitados das contas dos gestores antecessores.

Um exemplo marcante disso é o hospital municipal, cujo início e pedra fundamental teve início 30 anos atrás, com Mário Omuro prefeito e Orestes Quércia Governador, e que prefeitos e governadores que se sucederam desde então nada ou pouco fizeram para vê-lo tornar-se realidade. Claro que sabiam todos que, hospital pronto e funcionando nunca deixaria de ter a “cara” de Mário Omuro. E o que vemos hoje é que o hospital, afinal, parece mesmo uma promessa prestes a se tornar realidade, com o empenho redobrado com que o prefeito Luiz Maurício tem se dedicado para levá-lo a termo.

Não se pode discutir que são inúmeras as obras de escolas, creches, unidades de saúde, próprios municipais de todas as áreas, além dos serviços elementares de zeladoria, coleta de lixo, iluminação pública, merenda escolar, atendimento ambulatorial e médico-hospitalar, farmácia popular e o que mais se pode exigir de uma administração pública escorreita, parecem trazer a marca de quem está preocupado em buscar o melhor uso possível do dinheiro público outrora gasto de maneira suspeita, fazendo ressurgir das cinzas do abandono equipamentos públicos que, de bonitos e práticos para o atendimento à população, têm merecido elogios os mais diversos pela grande maioria da população peruibense.

Então, é de se perguntar o que é queriam que o prefeito fizesse, afinal, para que não viesse a ser acusado de que “não faz nada”? Que não fizesse nada mesmo, inclusive com as obras que, iniciadas e não terminadas, tinham o carimbo do descaso e da má-gestão do dinheiro público de governos passados?

Tenho aqui para mim que este é um caso solene que requer de todos um pouco mais de humildade para reconhecer que, se mais não tem feito, é por absoluta falta de condição mesmo. Evidente que, em vindo a ser candidato a reeleição no ano que vem, Luiz Maurício não tenha lá a pretensão de colecionar a unanimidade, seja em votos, seja em simpatia. É até mesmo justo que haja outros candidatos à cadeira do Executivo, e que tenham propostas com o viés de alternativas a um governo diferente. Faz parte, portanto, do exercício democrático que a oposição se manifeste com uma crítica que vá além do pontual, mas que seja sobretudo e sobremodo propositiva. E o que isso quer dizer? Que tenham propostas e alternativas àquilo que venham a entender ser equívoco da administração.

Dizer, portanto, que Luiz Maurício não faz nada soa muito vago, convenhamos.

Lamentavelmente vivemos tempos em que a crítica destrutiva tende a reverberar com muito mais facilidade e intensidade que um elogio. Experimente, à guisa de exemplo, gritar na rua algo do tipo “vamos todos dar um abraço nessa pessoa ali!”, e verá que grande parte vão achar que você não está bem das ideias; já que você disser o contrário: “vamos descer o pau naquele ali!”, não demora e a pessoa “premiada” está seriamente ferida, senão morta, tal a agilidade e prontidão com as pessoas tendem a responder pelo chamado do mal.

Eu prefiro antes, e antes de ouvir a voz rouca das ruas nem sempre carregada de razão, ouvir, investigar, pensar, ver, para só depois expor o que penso. E, se eu não tenho proposta melhor a apresentar, ou mesmo se me sinto desqualificado neste ou naquele assunto, prefiro antes de me calar. Posto isso, digo que o prefeito Luiz Maurício pode mesmo até não ter feito tudo para agradar a todos, mas dizer que ele não fez ou não faz nada, isso eu não digo.

Olha, sinceramente, eu gostaria mesmo de ver um desses ferozes críticos da administração municipal como prefeito ou prefeita. Provariam eles de que estavam mesmo de olho é na “butique dela”, butique que pode ser entendido pelo salário de prefeito que, convenhamos, é, digamos, “robusto”, ou mesmo pelos orçamentos do município que, nos quatro anos, andam na casa do bilhão de reais.

Se, como já disse alguém “a falsidade é um caminho perigoso escolhido apenas por pessoas que não conseguem ter mérito no que fazem”, é sempre tempo de lembrar Ramakrishna: “Tudo que é falso, é ruim, até mesmo a roupa emprestada. Se seu espírito não combina com a sua roupa, você está sujeito à infelicidade, porque é desta maneira que as pessoas se tornam hipócritas, perdendo o medo de agir mal e de dizer mentiras”.

Logremos a autenticidade e lutemos pela verdade e pela virtude. Posto isso, sejamos todos mais pelo bem de nossa cidade, e menos pelo mal dos interesses daqueles que não conseguem sequer esconder a desfaçatez do corpo, quiçá da alma e do espírito.

Por fim, admito que é justo reconhecer que o prefeito não fez nada, não fez nada mesmo, mas nada de errado!

Washington Luiz de Paula

Os 58 anos de Wanderlei de Paula e sua luta pela vida

Imagem relacionadaCaminhando para terminar este dia 6 de junho, não poderia deixá-lo ir sem que antes considerasse um fato que tem marcado a todos da família “de Paula” em Peruíbe, assim como a todos os demais amigos nossos que nos acompanham nestes 52 anos que vivemos em Peruíbe. Sim, digo vivemos, porque eu, embora 650 quilômetros distante, ainda me sinto como se em Peruíbe estivesse, assim como estão todos os demais meus irmãos, fazendo companhia à senhora nossa mãe no auge de seus 82 para 83 anos.

Pois bem. Neste dia 6 de junho nosso irmão Wanderlei comemora seus 58 anos. Terceiro no clã outrora capitaneado pelo nosso pai Luiz de Paula, que este ano marcou 20 anos de ausência física entre nós, e nascido Wanderlei Abrahão de Paula na ainda hoje pequena e bucólica Pariqüera-Açú no ano de 1961, este nosso irmão de outros cinco, e amigo de tantos e muitos, enfrenta hoje uma batalha que ele mesmo sabe, a depender da Medicina, inglória e de vitória pouco provável. Descontamos deste vaticínio o fato de que continuamos acreditando no bom Deus e na sua capacidade de realizar milagres, e creditamos à fé de nossa mãe, através de suas orações, que Wanderlei possa, ao fim, contradizer a Medicina vindo a ser alvo da graça divina.

Seria, assim, este aniversário só mais um dentre os tantos que parecem se acumular no seio de uma família numerosa como a nossa. Afinal, no último dia 3, o caçula William de Paula, marcou seu 51º tento de vida; no dia 4, este que aqui escreve foi contemplado com seu 36º aniversário de casamento com a senhora Neide Toledo de Paula; no próximo dia 1º de julho, será a vez de nossa única irmã, Waldicéia de Paula Marques, receber das mãos da vida sua 53ª rosa; e, por fim, completando este ciclo de outono-inverno, Welyton de Paula entra para a casa sexagenária no dia 14 de julho. Mas, não! Pelo trauma que nos abateu a todos, e pelo drama da empreitada de luta de Wanderlei (e de todos nós, por que não?), não há propriamente o que se comemorar.

Wanderlei está acometido da temida Esclerose Lateral Amiotrófica, tida, nos relatos médico-científicos como a mais cruel das enfermidades, muito mais do que qualquer neoplasia que, como sabemos, se descoberta no início, pode-se em taxas altíssimas até alcançar a cura! A ELA, como é conhecida este tipo de esclerose, já a partir do primeiro sintoma entrega o paciente a um destino fatal. Você que me lê agora, pode até estar estranhando a forma como estou tratando este assunto delicado, e não lhe tiro a razão. Afinal, a morte ainda é tabu de difícil compreensão e aceitação; mas, é dura realidade que nos alcançará a todos, cedo ou tarde, desta ou daquela maneira. Mas, ser alcançado, dentro de uma estatística de 1 dentre 100.000 pessoas, por uma doença rara como essa, para a qual a Ciência e a Medicina ainda não têm explicações sequer sobre suas causas, quando mais para sua cura, e nem mesmo para estancar a celeridade do avanço da doença, é digno de merecer uma nota que faz justa a indignação do paciente em perguntar: “por que eu?”

Sim. Wanderlei já tem se perguntando inúmeras vezes por quê ele, por que justamente ele, que sempre foi o que mais se destacou dentre seus irmãos como homem que começou a trabalhar ainda menino, que fez carreira como bancário, e que foi contemplado pelo sucesso como empresário, que constituiu família, que construiu um patrimônio bem maior que a soma do patrimônio de todos os seus demais irmãos, e que se notabilizou na sociedade como homem bom, sempre pronto a ajudar o próximo. Por que ele, meu Deus?

Aos olhos das pessoas comuns e modernas, já distantes da credulidade para com as coisas espirituais, tal indagação pode parecer pertinente e até pretensiosa no sentido de tentar colocar Deus “em xeque”. Para nós outros, entanto, temos a dura tarefa de encarar o assunto como estando dentro dos planos e da vontade de Deus, e que, por isso mesmo, não deve (ou não deveria) encontrar lugar para as objeções e/ou imprecações, ou mesmo dúvidas quanto ao fato indubitável de que Deus nosso Pai tem um propósito muito definido para luta como essa pela qual todos passamos, e que nosso irmão Wanderlei enfrenta com singular galhardia, galhardia e altivez, coragem e denodo que, aliás, sempre o notabilizou em tudo o que fez ao longo desses agora 58 anos de idade.

Confesso-me dividido. Ainda custo a crer que tenhamos sido atingidos por este raio incomum. E peço que me perdoem e me entendam; afinal, nestes 52 anos em Peruíbe, eu que sou o mais velho dos irmãos, e que este ano faço 62, posso afirmar para os senhores e senhoras, leitores e leitoras, que somos pouco dados com esta coisa de doenças, e, neste período, não experimentamos mais que dois passamentos na família, tendo sido o primeiro e nossa avó materna, quando eu ainda era adolescente, e, depois, 20 anos atrás, de nosso pai. Eis então um bom motivo para manifestarmos gratidão a Deus, mesmo porque manteve-nos Ele afastado de tantas das enfermidades que acometem o homem e a mulher modernos, até enfrentarmos este hiato de agora, com a enfermidade severa do Wanderlei.

Deparo-me vez ou outra com uma e outra pessoa que me confessa que gostaria de visitar o Wanderlei, mas que teme não conter as lágrimas por ver aquele homem forte de ainda alguns meses atrás encolhido numa cadeira de rodas, magro e abatido pela doença. Mas é preciso que eu lembre aqui que toda e qualquer visita dos amigos e companheiros de bola, de música, de boteco, de festas, dos carnavais, faz muitíssimo bem ao Wanderlei. Vão visitá-lo! Verão que, a despeito do revés de saúde, o melhor e mais bonito sorriso da família, e até mesmo algumas gargalhadas (embora bastante limitadas) têm lugar seguro no rosto de Wanderlei. Não temam chorar, porque também ele chora. O choro traz as lágrimas que lava a alma, e a purifica, preparando-a para a difícil tarefa de entender por que tudo isso está acontecendo com o Wanderlei, com toda a família, e, de resto, com todos nós.

Nestes seus 58 anos, Wanderlei, saiba que todos nós seus irmãos e sua mãe que está do seu lado, todos nós o amamos. Cada qual a seu modo, uns mais doces, outros mais rudes, uns mais perto, outros mais distantes, mas não há medida que diferencie o amor que todos nutrimos por você. Creio mesmo que se fosse possível dividir o seu sofrimento em partes iguais, todos nós acolheríamos com muita disposição cada qual a nossa porção, com o fito de vê-lo melhor.

Pedindo vênia ao Apóstolo Paulo, eu termino este lamento com um halo de esperança: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (cf Rm 8.31). Deus está conosco, Wanderlei. Deus está com você. Hoje, agora e sempre!

Deus o abençoe! Feliz aniversário!

Washington Luiz de Paula

 

 

22 de abril de 2019 – 20 anos sem Luiz de Paula

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Luiz de Paula – N> 13/11/1931 – F> 22/04/1999
Pode parecer piegas esta coisa de ficar, a cada ano que passa, rememorando o passamento de um ente, e mais piegas ainda fica parecendo nestes tempos em que o amor parece ter-se perdido em meio às entranhas das ocupações hodiernas. Mas eu de mim e para mim prefiro seguir a espinhosa trilha daqueles que ainda nutrem um pouco de sentimento, e que, portanto, não fazem parte das miríades de zumbis, escravos das pedagogias que culminaram por criar milhões de analfabetos funcionais Brasil afora, que são aqueles que decantam terem títulos de bacharéis, mestres e doutores, mas que encomendaram suas teses das cartilhas prontas a ensinarem a não pensar.

Eu penso; logo existo!* Porquanto isso não posso lograr esquecer o tempo que o respeito pela vida e a reverência diante da morte eram basilares de uma sociedade que sobreviveu a tudo quanto hoje dizem serem fora de moda. Conheci em Peruíbe um pouco desse tempo ainda. E vim morar em Prados, nas Minas Gerais, que, em que pese ser tricentenária, ainda nutre essa coisa “estranha” de se respeitar os mais velhos, pedindo-lhe a bênção. Curioso é, aos olhos de uma Peruíbe que cresceu muito em tão pouco tempo, e talvez até motivo para chacota, que a reverência pelos mortos e antepassados faz lotar o pitoresco cemitério local a cada final de semana – e há até mesmo quem faça rotina diária a ida ao cemitério cuidar do sepulcro de um ente querido que partiu. Eu mesmo tive a grata satisfação de conhecer pelo menos duas famílias de numerosos irmãos que se revezam diariamente a visitar e a cuidar do túmulo da mãe querida que fisicamente se foi. Eu resumiria assim: Prados tem história; Peruíbe, não! Mas; será?

Veja. Não disserto aqui sobre a condição centenária de Prados comparada ao tempo de apenas seis dezenas de anos de Peruíbe. Ora, se considerarmos que Peruíbe não tem apenas e tão-somente 60 anos, mas sim 484 anos passados desde o primeiro apontamento histórico falando acerca das praias de Tapirema – ou da Aldeia de São João, lá pelos idos de 1535, e, para buscarmos vestígios mais recentes, famílias de caiçaras, como os Caetano, Aquino, Prado, Costa e outras por estas plagas viveram – e alguns ainda vivem – bem mais que os 60 anos da história político-administrativa de Peruíbe, veremos que Peruíbe tem história, sim; o que Peruíbe não tem é memória, e, posto não tê-la, faz perder nos escaninhos mofados do tempo essa sua história tão bela, e não menos rica que as que os contadores mineiros ditam, gerações após gerações, pela antiga mas eficiente tradição oral.

Não dá para esperar mesmo muito mais de Peruíbe. São raros os que a amam de verdade, e vão se perdendo nas gavetas lúgubres da necrópole de Santa Isabel, dia após dia, os poucos que ainda sabem dizer de cor as cores de sua bandeira, os versos de seu hino e o significado de seu brasão das armas. E explicação está na rotatividade dos que vão e dos que se achegam ao município, alguns não ficando mais do que alguns anos apenas. E há os filhos da terra que saem para longe em busca de oportunidade de uma vida mais estável e melhor.

Ora, quem tem paciência de acompanhar meus extensos e enfadonhos escritos ao longo destes 45 anos que tenho por sina o escrever, não diria a história, mas, ao que me parece, o cotidiano de uma sociedade nada organizada, e tão pouco unida, sabe que esta minha queixa é recorrente. E tal como sabe disso os que me distinguem com seu precioso tempo de leitura, sei eu também que malho em ferro frio. Triste pena essa!

O senhor meu pai, Luiz de Paula, era um desses contadores de casos e de “causos”, cuja inexistência tanto se faz sentir em nosso meio. Só mesmo quem já perdeu seu velho pai pode ter a dimensão exata da falta que faz o esteio “naquela mesa”, sentado à cabeceira, promovendo, com mão firme a régia união da família que lamentavelmente, tão logo se foi no tempo, assim também parece teimar se dissipar sua outrora onipresença e consequentemente a concórdia intrafamiliar.

Não quero dissertar aqui sobre o currículo de Luiz de Paula, falecido há exatos 20 anos neste 22 de abril, até porque já está feito em outras postagens deste blogue. Aproveito, porém, este momento de saudade para buscar refletir e fazer refletir sobre o que andamos fazendo com nossas memórias, notadamente com aquelas que estão intimamente ligadas às pessoas que amamos e que já partiram para o outro plano. Posto isso, é preciso que tenhamos consciência de que só é possível manter viva a memória coletiva se mantivermos viva a memória individual.

Neste diapasão a memória coletiva tem a ver com aquelas pessoas que já morreram, mas que contribuíram para o progresso da cidade, ainda que somente em sua restrita área de atuação. A estas geralmente são reservados logradouros que levam seus nomes como para fazer perene a lembrança do que fizeram, do quanto fizeram para o serviço da comunidade, e o que foram no seio da sociedade. E é por isso que acho que vale a pena este registro, não só pelo que Luiz de Paula representou para a família “de Paula”, mas também e sobretudo pelo quanto contribuiu Luiz de Paula – e sua família – nestes 50 e tantos de presença em Peruíbe, dos quais o patriarca só pode participar não mais que 30 anos. E é por isso que emprestou ele seu nome a uma das ruas de Peruíbe, a antiga Rua 3 do Park D’Aville.

Sempre fui muito crítico sobre a falta de critério para a composição dos nomes dos logradouros de Peruíbe. Lamentavelmente os vereadores, aos quais cabe a árdua tarefa de indicar e propor que o prefeito decrete este ou aquele logradouro com este ou aquele nome, costumam fazê-lo por ótica lá não muito técnica, convenhamos. É assim que há rua em Peruíbe que leva nome de natimorto, para citar um exemplo apenas. Deixei de ser ácido, entrementes, após meu velho pai ter sido contemplado com um nome de rua. E, ainda que orgulhoso, confesso um certo incômodo com esta homenagem. Afinal, meu saudoso pai nada mais fez do que a obrigação de ofício, o que fazia sempre com grande denodo e rigorosa honestidade. Acho até que se a homenagem fosse em vida ele não a teria aceitado.

Da mesma sorte nunca concordei com que os nomes como do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e General Arthur da Costa e Silva tivessem sido vítimas do ranço político, trocados que foram, o primeiro, pelo nome do comerciante Ambrósio Baldim (praça redonda), e o segundo, pelo do governador Mário Covas (avenida beira mar). Não que os meus também saudosos amigos Ambrósio Baldim e Mário Covas não merecessem a distinção com as quais foram homenageados, mas, a meu modesto ver, pela falta de respeito para com nossa história recente (do qual hoje temos motivo de sobejo para nos orgulharmos).

A questão, entanto, permanece: Quem foi, o que fez por Peruíbe, cada um dos personagens que empresta nome a logradouros, praças, escolas e outros patrimônios imóveis do município? Que medida a Secretaria de Cultura, em conjunto com a Secretaria da Educação tem feito, ou fez, ou fará para que haja registro nos anais da história de Peruíbe, e para que haja ensino que ilustre às crianças em idade escolar a fim de que elas possam ter na história de vida dessas pessoas exemplos para que venham amanhã a se tornarem homens e mulheres melhores? Eu mesmo respondo: nenhuma!

A bem da verdade, se Luiz de Paula, assim como cada um dos nossos entes que se foram, não permanecer vivo nas memórias de seus próprios familiares, não demorará para que amanhã um vereador resolva propor a mudança do nome desta ou daquela rua, desta ou daquela praça, desta ou daquela escola, de um nome “tão antigo” que nem mesmo ele sabe dizer quem foi, para um nome que lhe seja mais familiar, muito a propósito de alguém que tenha em sua família votos preciosos…

Sim, porque se depender dos agentes públicos e daqueles que têm a concessão para o oferecimento da “morada” perenal, os mortos de Peruíbe continuarão recebendo pouco ou nenhum respeito, e não serão mais do que, conforme os versos de nosso poeta maior Dalmar Americano da Costa (outro que quase ninguém hoje sabe quem foi), “pária, entre os párias deste mundo”.

Antigamente, a cada começo de ano, recebíamos das mãos do outrora venerável farmacêutico Enéas Craice, um almanaque produzido, creio, se não me falhe a memória, pela indústria que fabricava o Biotônico Fontoura, cheio de dicas e informações interessantes e com um calendário para o ano mostrando as datas comemorativas, as festas sacras e as cívicas. Não seria muito pensar em formatar ideia semelhante, anual que fosse, onde estas dentre outras informações se fizessem impressas. Assim quem sabe fosse possível explicar por que que o Ginásio de Esportes leva o nome de “Marcos Ensel Wizentier”, e o campo de futebol central, de “Aparecido Ribeiro”.

No tocante ao senhor meu pai, vitimado pelo câncer quando eu tinha 41 anos, o que posso dizer é que ainda hoje choro seu passamento, e poderia mesmo dizer com certeza tácita e firme, parafraseando Marta e Maria ao Senhor Jesus, quando da morte de Lázaro, amigo do Mestre: “Ah, Luiz de Paula, se estivesse aqui ainda hoje, e ainda que do alto de seus 88 anos, tudo teria sido muito diferente. Muito diferente!”.

Não sei se estarei aqui daqui 20 anos para reclamar que se lembrem de meu pai. É bastante certo que a grande maioria dos que o conheceram já tenham também partido, do mesmo modo como já vem de um crescente o número de meus próprios amigos que têm me antecedido na volta à “casa paterna”. Que fique, pois, este registro para a posteridade, a fim de que sentença do amanhã não nos seja tão árdua como seria se escolhêssemos permanecer na ingratidão.

Washington Luiz de Paula

Cogito, ergo sum – René Descartes

Paulão – A volta de quem não foi

Resultado de imagem para a voltaLendo Ciclos – As Forças Misteriosas que Guiam os Fatos, de Og Mandino e Edward R. Dewey, deparo-me com um fato curioso, que não deixa de merecer reflexão, não só pelo relevo destes dois escritores-pesquisadores no meio da comunidade científica, mas também porque trazem eles a lume um assunto que tem incomodado gerações após gerações, que é a discussão sobre as coincidências e acasos se contrapondo às evidências que fazem crer que há sim alguma força misteriosa e reger o mundo – e o universo – em ciclos abastecidos por ritmos quase sempre ao compasso simples diria que de um cantochão gregoriano.

Coincidência ou não, esta leitura vem em exato momento em que sou informado do retorno do emblemático Paulo Henrique Siqueira – o Paulão, a Peruíbe. Pois bem, antes de discutir a que veio Paulão de retorno a Peruíbe, gostaria de elevar o grau da discussão para um plano em que seja possível discutir, primeiro, se, afinal, ele algum dia foi embora de Peruíbe; e, segundo, num dogma mais abrangente, se retorna – acaso realmente tenha ido – a serviço de si mesmo, de terceiro, ou da própria História.

A teoria da História Cíclica, não obstante afirmar que “as forças humanas mais relevantes acabam motivando a ação humana a seguir uma ciclicidade” (idas e vindas ao mesmo ponto inicial), parece ter por companheira a curta lembrança das pessoas em relação aos acontecimentos pelos quais foram beneficiados, ou através dos quais foram prejudicados. É assim, por exemplo, com as eleições municipais no Brasil que seguem ciclo quadrienal. A cada ano eleitoral o resultado dos pleitos tende a seguir o retorno ao status quo ante, mesmo em detrimento da esperança do novo, da aposta no novo.

Dentre as forças relacionados como propulsoras da ciclicidade da História (Religião/Espiritualismo, a Política, a Ciência, a Filosofia, a curiosidade e a criatividade), parece mesmo que a Política é mola mestra.

Para Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.), “a história é a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a vida da memória, a mensageira da velhice”. Segundo o imortal filósofo e orador romano, “conhecer a história é se deparar com as ações de várias pessoas, independentemente da distância espacial e temporal que a separam”. Desta arte, a história teria uma função digamos pedagógica, de ensinar mesmo o indivíduo a pensar acerca de seu presente e a planejar seu futuro, sempre tendo como referência seu passado. Já o historiador alemão R. Koselleck (1923-2006) afirma que a História nos deixa livres para repetir os sucessos do passado, ao invés de incorrermos presentemente nos velhos erros. É bem possível que ambos – Roselleck e Cícero – tenham sustentando suas teorias em Heráclito de Éfeso, filósofo jônico que viveu de 535 a 475 a.C., para o qual “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois, quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”.

Trazendo esta discussão acadêmico-filosófica para o plano da realidade atual, e para complemento do estudo da História de Peruíbe, mormente a mais recente, temos por obrigação enumerar algumas nuances interessantes:

  • Como pretendia Cícero, até que ponto a insatisfação atual interfere no esquecimento das lembranças amargas do passado, a ponto de parecer desobrigar os indivíduos a aprender com estas mesmas lembranças amargas e, então, e só a partir delas, planejar melhor seu futuro?
  • A que “sucessos” e a que “mesmos erros” se referia Koselleck, ao inferir que a História nos deixa livres para fazermos nossas próprias escolhas no futuro?
  • Por último, será mesmo que, na tese de Heráclito de Éfeso, ao se adentrar novamente no rio, não obstante a certeza de no rio não encontrarmos as mesmas águas, “o próprio ser já se modificou”?

Estas ponderações merecem discussão, amiúde terem respaldo na história político-administrativa de Peruíbe nestes seus 60 anos comemorados neste 18 de fevereiro próximo passado. Senão vejamos: Destes 60 anos, metade, ou 30 anos, o município foi administrado por um triunvirato composto por Gheorghe Popescu (já falecido) e Benedito Marcondes Sodré, como prefeitos se alternando no Executivo municipal, e Oswaldo Linardi (também in memorian), que pilotou o Legislativo por uma dezena de vezes como Presidente da Câmara, sendo que, quando não foi o piloto, era copiloto que mandava no piloto!

Se Mandino e Dewey tivessem tomado conhecimento deste detalhe da história de Peruíbe, é certo que teria merecido capítulo à parte no livro que estou a ler presentemente.

O fenômeno do revezamento Sodré-Popescu-Sodré tinha duas explicações lógicas: Primeiro, ambos se convertiam em inimigos vorazes nos anos eleitorais, para depois se comporem em seus objetivos pessoais evidente que pouco ou nada confessáveis, os dois tendo respaldo da claque de edis capitaneada por Linardi; segundo, porque ambos contavam com a curta memória do povo que, por 30 anos – e por sete eleições seguidas – repetiam o mote do “ah, eu era feliz e não sabia com Sodré (ou com Popescu)”. O segredo talvez estivesse na dieta de chuchu e abobrinha imposta ao povo. Era um povo marcado. Mas era um povo feliz!

Este ciclo pareceu tomar termo com o advento de uma “molecada” que “mal tirou as fraldas das bundas”, como diziam os coronéis ali pelos idos de 1980. Com a vitória de Mário Omuro em 1988 já era possível prever que o ciclo Sodré-Popescu cessara. Mas, fora ledo o engano. Em 1992 Sodré ganharia a eleição para cumprir seu quarto mandato como prefeito – e olha que, não por falta de vontade do agora octogenário Benedito, já teria tentando seu “penta” há bom tempo!

De 1996 para 2016 não houve mais repetição de nomes. Da mesma sorte, não houve uma só reeleição a se registrar nos anais peruibenses. Os outrora mandatários bem que tentaram, mas não lograram êxito em retornar ao Executivo. Assim foi com Mário Omuro, Alberto Sanches Gomes, Gilson Bargieri, Julieta Omuro e Milena Bargieri. A ex-prefeita Ana Preto (2013-2016) foi a única que se absteve de buscar aprovação popular para um segundo mandato consecutivo.

Feitas estas elucubrações e apontados os devidos registros históricos, parece mesmo que há certo grau de preocupação entre os tucanos de baixa plumagem de Peruíbe com relação ao retorno de Paulão em ano que antecede o ano eleitoral, e que costuma ser ano de ensaios e de se começar a esquentar as baterias rumo ao processo das eleições de 2020. Digo entre os tucanos de “baixa plumagem”, porque não creio mesmo que haja qualquer tipo de preocupação entre os tucanos de plumagem mais exuberante – leia-se o prefeito Luiz Maurício e sua competente equipe de técnicos, cada qual em sua área. Luiz Maurício demonstra firmeza ao afirmar que seu governo está dando certo, e que o pretendera ao se candidatar ao Executivo (e ao vencer as eleições de 2016) vem seguindo o ritmo proposto em seu programa de governo.

Agora, que as peças começam a se movimentar no tabuleiro da política local isso é verdade. O próprio retorno de Paulão, que, lembrando, foi peça chave na eleição de José Roberto Preto em 2004, e, depois, de Ana Preto, em 2012, é sinal mais que evidente que as forças políticas de Peruíbe haverão de começar a se organizar. Mas, não é só Paulão que pode incomodar o tucanato local. Nomes como José Ernesto Lessa Maragni Júnior (Zeca da Firenze ou Diácono Zeca) e Alex Pereira de Matos (Alex) também merecem registro pelas forças que certamente representam, e que estiveram fora por algum tempo, mas que, também, ou já voltaram, ou já vêm de ensaiar retornar para um estabelecimento mais definitivo e “mais perto” de onde as coisas acontecem em Peruíbe.

Zeca não esconde sua pretensão de tentar novamente o Executivo, ainda que siga afirmando que 2020 ainda é ano sabático para ele; e Alex Matos ainda continua sendo a maior “eminência parda” que o município já conheceu, desde que deixou uma reeleição praticamente ganha para vereador. Evidente que ambos são dois “elefantes” que, deveras, incomodam muita gente!

No que diz respeito a Paulão, marqueteiro político de jaez e estirpe, e que coleciona sucessos até mesmo como cantor de música romântica e popular, é de se ter certeza ao menos de uma coisa: não retornou ele a Peruíbe para ser ele mesmo candidato, ainda que certa feita tenha me confessado este seu intento, mas sim para estar a serviço de alguém. Resta saber de quem.

Se ele veio com o intuito de ilusionista, para uma tarefa que, decerto, não é lá tão difícil, de fazer a urbe esquecer como foram seus anos de “sucesso” como prefeito ad hoc, na tentativa de fazer retornar sua antiga chefe, a saber Ana Preto, é até mesmo possível que logre êxito. Como tenho dito desde sempre o povo tende a ter memória curta, e a ser, em certo sentido, até ingrato. E, não obstante as pesquisas e enquetes apontarem que o prefeito Luiz Maurício não só está no caminho certo, como também estar imprimido a melhor gestão pública de toda a história de Peruíbe, não é difícil prever que seu projeto de reeleição exigirá um esforço extraordinário à parte. Ele sabe disso.

Eu, de mim e para mim, torço para que as forças se conjuguem em torno daquilo que tem dado certo, para o bem comum, e não para atender vaidades e desejos espúrios pessoais. Quanto a Paulão, embora custe a crer que algum dia tenha efetivamente ido embora de Peruíbe, ainda assim, oxalá tenha retornado – e seja assim bem-vindo! – para somar. Sim, porque se veio para dividir, como dividido estiveram os candidatos em 2016, tenho a crer que, se Luiz Maurício se elegeu nas últimas eleições por obra de alguma força oculta que poderíamos chamar de “acaso”, em 2020, caso venha a se reeleger, não obstante todo o sucesso de seu governo, provará ser bem mais que advogado e administrador público: será mágico!

Consoante sabermos que pouco ou nada podemos coligir de efetivamente bom, perfeito, justo e honesto na história recente de Peruíbe, torçamos para que os ciclos tanto estudados por Og Mandino e Edward Dewey, portanto, falhem em 2020. Afinal, Peruíbe é, como fez acordar o prefeito Luiz Maurício, e deverá continuará sendo “uma cidade de todos”!

Que Deus salve Peruíbe das maldições do passado!

Washington Luiz de Paula

Efeito Bolsodoria – O que os resultados das eleições têm a ensinar para Peruíbe

De plano, o povo quer mesmo mudanças por estar cansado dos mesmos, das oligarquias que teimavam pretender se perpetuar no poder, e está até mesmo disposto a correr o risco de experimentar o novo no lugar de ter que engolir a velha comida requentada que tanto mal fez à saúde (em todos os aspectos) de todos os brasileiros, de todos os paulistas, e, pensando no microcosmo de nossa cidade, de todos os peruibenses.

Não! Não adianta teimar, porque ainda que permaneçam bolsões onde a falta de informação e a ignorância pareçam teimar perenes na cabeça de uma parcela da população que não consegue mais discernir entre o bem e o mal, entre o bom e o ruim, é crescente o índice daqueles que estão descontentes e que se aperceberam que o voto, além de sigiloso, tem a força que propicia a mudança.

Se fizermos uma análise fria desta segunda-feira pós-eleições, e dos números que estes resultados nos apresentam, teremos a certeza de que parece mesmo que o povo vai perdendo o medo que os antigos coronéis lhes imputavam, e resolve, como é tradição na história brasileira, impor a revolução, sem o uso de recursos bélicos, sem derramamento de sangue, mas tão somente pelo voto.

O que o Brasil tem a aprender com estes resultados que sepultam não só velhas raposas da política em todos os planos – nacional, estadual e também municipal -, mas que também encerram nas masmorras da Justiça aqueles que lesaram os cofres públicos por anos a fio, é que é possível sim vislumbrar anos em que estejamos sob a égide de governantes que nos guiem “pelo exemplo” como salienta o presidente eleito Jair Bolsonaro, e como tem sido em Peruíbe nos últimos dois anos em que o município está sob a batuta do prefeito Luiz Maurício, e como se deduz ser guiado o estado a partir de janeiro tendo à frente um pragmático como João Doria Jr.

Evidente que os algozes de plantão, que ainda podem estar sob o efeito da ressaca das derrotas de 7 de outubro e também de ontem (28), haverão de espernear ao dizer que o que se aqui se escreve é mero exercício de retórica e semântica. Não tiremos destes o direito ao “jus sperneandi”. Aliás, em política aprende-se que promover esperneios (ou, para leitores mais modernos, o “mi-mi-mi”), não é próprio de estadistas, daqueles que estão preparados para governar ou para representar o povo nas câmaras legislativas. Exemplos disto pudemos ver ainda ontem, quando nem ainda haviam terminadas as apurações para o governo do estado, em que Márcio França, ainda que vendo que a diferença urna a urna andava na casa dos 500 a 700 votos (o que é pouco, convenhamos, para um universo de 33 milhões de eleitores), foi o primeiro a reconhecer a derrota para seu oponente João Doria, oficializando isto em telefonema que fez questão de fazer a Doria, parabenizando-o pela vitória. Eis aí um político tralhado para a vida pública – um estadista! Enquanto isso, praticamente no mesmo horário, Fernando Haddad, mesmo tendo perdido para Jair Bolsonaro por uma diferença acachapante de 10.756.607 votos (e olha que no primeiro turno Haddad perdeu para Bolsonaro por 17.934.959 votos!), o representante do Partido dos Traidores, ops… dos Trabalhadores preferia continuar com seu discurso de ódio (sim! – ele sim, de ódio!), de inconformismo, de ameaças, não esquecendo de impor, ainda que indiretamente, sobre os quase 58 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em Bolsonaro, a pecha da ignorância, de que não souberam votar. Eis, portanto, a diferença entre um estadista e um oportunista.

Ouvi ainda há pouco um discurso de Barack Obama – o discurso da derrota imposta por Donald Trump – que evidencia esta coisa de que “a eleição é um jogo, uma hora se ganha, outra hora se perde”. E ensina que, mesmo perdendo, é importante, seguir em frente, “ansioso por ajudar o próximo presidente a ter sucesso”, e não perdendo nunca a “fé no nosso povo”, porque “acima de tudo estamos todos no mesmo time”. Pois é. Lamentavelmente não há estadistas deste jaez no PT. Basta ver o escárnio com que as vozes vociferantes das lideranças petistas tratam as instituições públicas e, de resto o povo brasileiro, quando de seus esbravejantes discursos nas tribunas e palanques eleitoreiros.

Então. É disto que falo e vejo e que nos faz agora ter a certeza de que o povo está cansado. Cansado e oprimido. Cansado e inseguro. Cansado e cheio de incertezas quanto ao futuro, mas que agora joga suas últimas e preciosas cartas por um vislumbre que seja de Brasil melhor, de São Paulo melhor e, como aconteceu há dois anos atrás, de Peruíbe melhor.

No que tange ao que, como defini acima, “microcosmos” de Peruíbe, o avanço do entendimento da população por este anseio nacional por mudanças – de jogo e de regras – parece ter encontrado similaridade no resultado das apurações no âmbito municipal. Com 55.810 eleitores, Peruíbe foi muito além da média nacional, ao escolher Bolsonaro com 54,62% dos votos contra 15,55% dos votos oferecidos a Haddad. No segundo turno, a diferença foi ainda mais expressiva: Bolsonaro, com quase 70% dos votos dos peruibenses, deixando Haddad com pouco mais de 30%. É para reflexão notar, no entanto, que o embate para governador do estado, no plano municipal, demonstrou números que merecem ponderação, principalmente quando sabemos envolverem nomes que, a partir destes resultados, já começam a arquitetar seus planos para as eleições municipal de 2020.

A diferença de votos entre Márcio França (1º mais votado), e João Doria (2º mais votado) no primeiro turno (sempre lembrando que são números municipais, de Peruíbe), foi de 2.894 votos, ou, considerando terem havido 12 candidatos ao governo, 35,85% dos votos para Márcio França, contra 26,56% dos votos para Doria. Eram, convenhamos, números preocupantes para o staff tucano municipal, e de modo especial quando se sabe que os ex-prefeitos Gilson Bargieri, Milena Bargieri e Ana Preto apoiavam abertamente Márcio França, acompanhado de pertos por lideranças municipais não menos expressivas de vereadores, e até de ex-vereadores como Emer Elias Abou Jaoude, Alex Matos e Alexksander Veiga Mingroni (Kiko), e também pelo ex-candidato Barros (Altas Horas), e ainda por Paulo Henrique Siqueira (Paulão) teimosa eminência parda das oposições municipais. E ainda que não se possa afirmar que todos estariam juntos em 2020 contra o establishment tucano, o que, considerando a história política de Peruíbe, é deveras complicado e difícil, o fato é que as forças estavam juntas e misturadas em favor de Márcio França, legando a responsabilidade do apoio à “novidade” João Doria (pelo menos no plano municipal) para Luiz Maurício e sua régia equipe.

O embate estava, está e estará, portanto, evidente.

A quebra de braço, entanto, a meu modesto ver, não esteve só a serviço da medição do índice de satisfação que o povo vem tendo quanto à atuação do prefeito Luiz Maurício. Como dito acima, parece mesmo que o eleitorado de Peruíbe acompanhou a onda bolsonarista que apelava pelo desvio da rota deste gigantesco navio chamado Brasil para que não acabasse soçobrando ao chocar-se com o iceberg socialista e comunista que tenderia mesmo a tingir-se de vermelho do sangue de brasileiros que desde muito já morrem vitimados pelo descaso governamental nos cuidados com a saúde pública e com a segurança pública. Porém, quando se nota que a diferença de votos entre Márcio França e João Dória caiu de 2.894 votos no primeiro turno, para 429 votos apenas no segundo turno, é forçoso admitir que o cacife eleitoral do prefeito Luiz Maurício continua relevante ou mesmo, eu diria, até pode ter aumentado. Aliás, o próprio prefeito tem sido modesto em comentar reservadamente que o resultado das urnas foi uma vitória: “afinal éramos nós com nosso povo, contra todos eles”, referindo-se a nomes que seguramente deverão – e outros que poderão ou eventualmente haverão de – concorrer à prefeitura em 2020.

Embora não se possa precisar haverem vitoriosos ou derrotados nas searas dos políticos municipais que estiveram apoiando João Doria e Márcio França, pessoalmente cria que Márcio França teria votação muito mais expressiva em Peruíbe, até por ele ser um habitual frequentador da cidade, onde tem inclusive casa de veraneio. Do mesmo modo cria que João Doria teria votação bem menor em razão de até esta campanha não passar de um ilustre desconhecido para o povo de Peruíbe, e que dificilmente conseguiria convencer sobre a que veio, não fosse a interferência obstinada e direta do prefeito Luiz Maurício.

Por este viés é de se considerar que a ínfima derrota de Doria em Peruíbe não foi mais do que vitória para ele, e para o tucanato municipal. Afinal, ganhando na totalidade dos votos estaduais por apenas 3,5 pontos percentuais de votos à frente de Márcio França, é justo afirmar que os 15.971 votos (0,08% dos votos válidos) que João Doria obteve em Peruíbe foram de suma importância para ratificar sua vitória como governador do Estado para o quatriênio 2019-2022. E, para quem acha que esses números são poucos, experimente multiplicar esta votação local pelos 645 municípios do estado, e verá que se chega a um número que que representa um terço de todo o eleitoral paulista.

Elucubrações à parte, o importante mesmo é comemorar. O Brasil está livre da sanha socialista e comunista. São Paulo está livre das velhas oligarquias. Peruíbe agora pode sonhar e acreditar que os dois últimos anos deste atual governo do prefeito Luiz Maurício não será mais marcado pela perseguição política, pela vingança e pelo ranço. Retomamos, afinal, o rumo certo. Força no leme, João Doria! Força no remo, Luiz Maurício! Força na cabine de comando, Capitão! Deus os ilumine nesta dura tarefa, e ilumine a nós, vitoriosos e derrotados, para que saibamos entender que o Brasil, São Paulo e Peruíbe não é deste ou daquele partido ou político. O Brasil, São Paulo e Peruíbe é de todos nós! E, juntos, somos mais fortes! E, juntos, venceremos! Emmanuel!

Washington Luiz de Paula

O lado irônico (e obscuro) dessa história da Lama Negra

Que me perdoem desde logo o trocadilho, mas há um lado negro nesta história presente e corrente destas campanhas tipo “salvem a Lama Negra”. Ou se preferirem aqueles que querem excluir o lápis preto da caixa de lápis de cor de meus netos, vejo claramente (e aqui vai outro “trocandalho do carilho”) que há algo de obscuro neste surto repentino de paixão pelo pelóide tido e havido no fundo do Rio Preto de Peruíbe desde tempos que me lembro bem, mas que são imemoriais para muita gente…

Será mesmo, como querem fazer acreditar os paladinos de hoje da Lama Negra, que o “futuro” de tal minério está mesmo nas mãos do prefeito Luiz Maurício? Eu repondo com um sonoro e retumbante NÃO!

É muito evidente que nem mesmo os autores da petição informal que corre no Avaaz creem que R$ 50.000 seria dinheiro mais que suficiente para “salvar” a Lama Negra, pelo que a petição tem esse condão de solicitar, quase suplicar que o prefeito pague por mais esta dívida que não é dele – nem tão pouco do governo nele, em uma história que se arrasta desde 2015, um ano antes de assumir como prefeito, portanto. Fosse assim, acreditassem mesmo em mais esta versão da história da carochinha, seria muito mais fácil juntar os 500 interessados e assinantes da tal petição e se fizesse com que cada um contribuísse com cem reais para que o quantum restasse amealhado para pagamento dos compromissos do Lamário junto aos competentes órgãos estaduais e federais.

Ora, afinal, se podemos aprender algo com a lição de Kennedy, entenderíamos que é muito melhor perguntamos o que é que nós podemos fazer por nossa cidade, e não o contrário. E R$ 100,00, convenhamos, não haveria de fazer falta para muitos dos participantes de tal movimento sabidamente político-eleitoreiro, vez que há empresários e profissionais liberais dentre estes que, à guisa de exemplo, só por conseguir uma canetada de um juiz para quebrar um flagrante de tráfico de drogas, pode amealhar nessa única canetada, até 50 vezes mais que isso.

A questão é que ninguém quer salvar nada. Ninguém está sequer interessado se a lama é negra ou se é marrom. Muitos sequer “escutaram o cheiro dessa água”, para lembrar o glorioso e quase beato Benedito Marcondes Sodré, quando prefeito, mostrando a água sulfurosa que jorrava de fonte onde o pelóide da lama negra abundava ali pelas bandas do Jardim Veneza ao então governador Laudo Natel.

Evidente que também aqui a regra tem lá sua exceção. E a exceção aqui tem nome: Paulo Flávio de Macedo Gouvêa que resolveu dedicar estes últimos anos de sua vida profissional como médico para desenvolver tese de doutorado em estudos que começaram lá atrás com o termalista e crenólogo Benedictus Mário Mourão, de Poços de Caldas. Por visionário acabou ficando conhecido no meio político de Peruíbe por um epíteto lá não muito gracioso e, convenhamos, imerecido: Paulo Louco.

Por louco, visionário e insistente em suas teses em favor da Lama Negra, o Dr. Paulo Flávio viveu como poucos a agonia da falta de reconhecimento de seu trabalho pelos políticos de antes, e mais ainda pelos de antes-de-ontem. Transformou-se no nosso “passageiro da agonia”, parafraseando Lúcio Flávio, o anti-herói ressuscitado pelo cineasta Hector Babenco décadas atrás.

Então, embora seja de se fazer agora a pergunta que não quer calar, de o por quê Paulo Flávio e outros protagonistas desta campanha hodierna, como Cynthia Calli, ex-diretora de Meio Ambiente do Governo Ana Preto, não emprestavam no governo passado tanto e tamanho vigor a uma campanha pelo “resgate” da Lama Negra, fica evidenciando que se há mérito em quer que seja nesta luta perenal em favor da Lama Negra, este deve estar com o Dr. Paulo Flávio. E c’est fini. O que passa disso é chorumela!

Separemos, no entanto, esta questão político-eleitoreira da efetiva necessidade de se fazer agora e já o que nenhum outro prefeito (ou prefeita) de governos passados fizeram para que seja possível explorar a lama negra como deve explorada, partindo de seus princípios terapêuticos e curativos, deixando apêndices de interesses mesquinhos de todos quantos queiram se aproveitar – diria, se locupletar – desta dádiva divina, deste legado dos céus à nossa cidade. O turismo, por pressuposto, é um destes apêndices. O comércio, outro.

Ora, ninguém aqui vai conseguir me convencer de que o Dr. Paulo Flávio e mais dois ou três auxiliares servindo no Lamário Municipal dariam conta de atender e aplicar o pelóide em caras e corpos de centenas, talvez milhares de pessoas que para cá de repente acorressem atrás deste “milagre” da natureza! Nem Chico Xavier conseguia essa proeza de atender sozinho multidões em busca de seu socorro espiritual! E muito menos o bom-senso nos fará permitir crer que uma “verbinha” seja bastante e suficiente para fazer acorrer turistas milionários do mundo todo para as plagas peruibenses. É ledo esse engano.

Mas, esperem aí! Eu disse “milionários”? Sim, disse e repito: milionários! Turista pobre, que não tem dinheiro para se hospedar na mais simples das pousadas da cidade, ou de comer uma pizza das mais baratas em restaurante local, esse não interessa para ninguém! Deixemos de hipocrisia, meu Deus do céu! Claro que a Lama Negra tem que estar a disposição de todos, indistintamente, mas crer que uma romaria de “farofeiros” em busca de uma aplicação da lama resolveria o problema latente de Peruíbe, que é a falta de incremento ao turismo, ora, vamos e venhamos…

E o turista milionário não viria para Peruíbe. A cidade não tem uma marina onde atracar seu iate, não tem um hotel graduado em estrelas para receber alguém famoso, não tem segurança, enfim, não será Luiz Maurício, convenhamos, com seus quatro anos de governo, que resgatará Peruíbe desse limbo sobre o qual o qual os políticos imediatistas e egoístas das últimas décadas jogaram a cidade e o município.

Seria de grande utilidade até para a formação de uma opinião pública mais equilibrada que o Dr. Paulo Flávio viesse a lume para dizer qual dos prefeitos anteriores com quem trabalhou mais e melhor fez pela Lama Negra de Peruíbe. Mas não só dissesse quem, mas também declinasse o que fez o dito alcaide.

Do que depreendo das atitudes dos políticos todos que acompanho desde 1976, quando debutei na política local, posso dizer, sem medo de errar, e mesmo não sendo sequer preciso perguntar-lhe, que o Dr. Luiz Maurício, atual prefeito, tem na sua mais alta pauta de preocupações uma ação das mais efetivas para dar solução perene a este impasse de décadas. Mas sabe o prefeito – e ele não é irresponsável – que o município por si só não tem condições de gerir e administrar com seriedade este equipamento de saúde pública, da mesma forma que qualquer município deste Brasil afora tem condições, por suas próprias finanças municipais, de administrar um hospital público, por pequeno que seja.

Tenho para mim desde muito tempo que a solução para a Lama Negra é sua entrega, em comodato, para uma indústria farmacêutica, um laboratório multinacional, uma empresa com experiência no ramo de aplicação termal, dentro de fora do Brasil, ou ainda uma grande empresa do ramo hoteleiro, com as exigências e garantia de praxe, a fim de que esta, então, investisse na instalação de um grande complexo que contemplasse a exploração máxima da Lama Negra e de todos os seus benefícios à saúde.

Eu não sou tolo de achar que isso seria fácil. Os primeiros a se movimentarem contra uma entrega da Lama Negra para a iniciativa privada seriam aqueles que se acham detentores de todas as raízes do município, alguns dos quais tendo chegando ontem na cidade, não tendo como servir nem de caule, quanto mais de raiz. Sendo assim, continuamos vivendo numa cidade em que nada se pode fazer: se o prefeito investe em atividades culturais e turísticas, deveria investir no hospital; se investe no hospital, deveria promover entretenimento para a população… Esta é, deveras, a cidade dos descontentes! Só Jesus na causa!

Até que este impasse se desenrole, e ele não há de se desenrolar até outubro pelo menos, sigamos acreditando que este ou aquele deputado que ainda ontem sequer sabia em qual região do estado ficava Peruíbe haverá de, se reeleito, se lembrar que Peruíbe existe e que, dentro dela tem um mar de lama… de Lama Negra, claro!

Washington Luiz de Paula

Saúde Pública – Use e Abude

Há não muito tempo atrás havia pelas plagas peruibanas um homo politicus que tinha a saúde pública como fixação – quase uma obsessão. Estou tratando do ex-vereador e extinto Anielo Pernice Neto. Quem viveu os gloriosos anos da dupla Anielo Pernice e Milton dos Santos (também falecido) como legisladores municipais, há de se lembrar do quanto eles se preocupavam com a saúde da população. Os críticos diziam que ambos se aproveitavam das agruras físicas do povo para se locupletarem politicamente nas urnas; as centenas de pessoas que, de algum modo, seja indireta ou indiretamente, beneficiaram-se de seus favores nesta tão nevrálgica área, têm os dois em muito boa lembrança, diria que com saudade até.

Anielo, a quem conheci de perto, passou a se preocupar muito mais amiúde com a saúde pública depois que tivera dois enfartos, e dependeu dos parcos recursos físicos (instalações), de equipamentos, de insumos e remédios, mas, sobretudo, da extrema boa-vontade dos agentes de saúde pública em fazerem quase que literalmente “das tripas, coração”, para poder sobreviver aos ataques cardíacos que o acometera. E, pelo menos no que tange aos dois primeiros, sobreviveu; já no terceiro, anos depois, o vaticínio fora certeiro, próprio de quem conhecia bem de perto as dificuldades, ora gerados pelo descaso de mandatários municipais e profissionais da área, ora propiciados pelos desvios do dinheiro público que deveria ser mais e melhor investido na saúde: “Filho, não tenha pressa; sei que eu não volto vivo para casa”, disse Anielo a seu filho que o socorria, levando-o para o pronto socorro.

Anielo morreu sem realizar dois de seus maiores sonhos: o de ser prefeito de Peruíbe, e o de ser Secretário de Saúde. O segundo desejo era assim como um fetiche. Não obstante, para ele, tudo parecia mesmo ser uma mera questão de nomenclatura, apenas de título, de diploma. Anielo foi, afinal, um grande e memorável secretário de saúde “ad hoc”, segundo testemunhos daqueles que geriram a pasta da saúde, tendo o venerável Anielo como guardião, do outro lado da rua – e da vala da Ubatuba.

A vida prepara dessas peças para as pessoas. Para Anielo, que é bem possível ter morrido triste por não ter podido fazer mais, e por não ter sido reconhecido por seu empenho frente aos inúmeros problemas, diria que incontáveis problemas deste verdadeiro “saco sem fundo” que é a saúde pública, é muito provável que o destino o tenha poupado das críticas dos incautos, da ingratidão da plebe, e do ostracismo político a que está relegado todo aquele que tenha passado pela Secretaria de Saúde como seu administrador e gestor.

Posto isso, tenho repetido que a Saúde Pública é uma máquina para fazer desgraçado todo e qualquer projeto político de quem quer que seja que tenha se sentado na cadeira de Secretário de Saúde. E posso citar todos os que me vêm à memória neste momento para ilustrar se o que falo e escrevo tem ou não tem pano de verdade. Assim é e assim foi, e assim se deu com os médicos Jaime Itchiro Uehara, César Kabbach Prigenzi, Rubens Rodrigues Gomes Júnior, Valdez Lopes da Silva; e da mesma forma com os cirurgiões-dentistas Alberto Sanches Gomes e Julieta Fujinami Omuro; e de igual sorte com os veterinários José Rubens Nogueira de Souza e o atual Antonio Carlos Abude. Completamente fora da área médica, marcaram presença como secretários também uma advogada, e, mais recentemente o empresário, ex-vereador, ex-presidente da Câmara e ex-vice-prefeito Nelson Gonçalves Pinto, o “Nelson do Posto”.

Todos – sem exceção – experimentaram a glória de terem sido amados em um certo tempo, mas de restarem odiados, razão porque nenhum deles, por mais que tenham se esforçado, ou por mais que venham a se esforçar, jamais conseguirão serem lembrados nas urnas pelo bem que muito certamente fizeram enquanto estavam à frente da saúde pública municipal. E, para tal, basta um deslize qualquer, que será mais que suficiente para fazê-los detestados por parcela considerável do povo.

Ora, se ninguém duvida da capacidade empresarial, e de seriedade – e até da honestidade – de quase todos os nomes supracitados, seria tempo de se perguntar porque é que, afinal, não se consegue fazer a “coisa” andar em perfeito e reto trilho quando falamos de saúde pública numa cidade como Peruíbe, que, no sentido das dificuldades encontrada para sustenta-la com eficiência e plenamente, não difere em nada até mesmo de capitais como São Paulo?

A saúde pública é, deveras – e repetindo – um saco sem fundo. Há problemas estruturais, e há problemas de boa vontade, e até de honestidade, dentro e fora, interna e externamente. E pra estes problemas não há cristão como denodo e coragem suficiente para enfrenta-los sem correr um risco de tomar um cruzado de direita no nariz como literalmente aconteceu em Peruíbe, à saída da Secretaria da Saúde, não muito tempo atrás, o que vem me fazendo crer que, para ser bom secretário de saúde não é preciso entender apenas de medicina e de administração médico-hospitalar, mas também é importante ser um bom pugilista, ou ao menos um faixa preta em qualquer arte marcial.

A doença de que sofre a saúde parece mesmo ter base no corporativismo. Senão, como ser possível admitir que um médico “aceite” receber por sete plantões semanais de 24 horas, o que chegou a contemplar alguns médicos com um corpulento salário de até R$ 70 mil no final do mês? E aquele motorista de ambulância que em auditoria não muito distante recebia por horas extras enquanto dormia em casa? Além de descalabros financeiros desta jaez, há a questão do atendimento ao público, que, da parte de alguns funcionários que teimam em transferir suas frustrações familiares, pessoais e até profissionais para os pacientes e, quando confrontados, esfregam na cara dos incautos a previsão legal que ameaça jogar na cadeia todo aquele que “desacata” um funcionário público.

Outro cancro que faz minha humilde sapiência perder os fios de cabelos que ainda me restam diz respeito à terceirização da administração médico-hospitalar. Num país eivado de escândalos envolvendo fundações, organizações não-governamentais, associações e institutos, crer ser possível encontrar uma entidade séria e sobretudo honesta para este “negócio” é acreditar no conto-da-carochinha. Uma rápida pesquisa pelos escaninhos de Tribunais de Contas aponta para uma infinidade de desvios, que vão desde relatórios maquiados, superfaturamento de preços, desvios os mais diversos, e para a corrupção passiva e ativa. Contados nos dedos de uma das mãos as passagens de Peruíbe pelo “Fantástico”, para citar um exemplo apenas, a maioria destas passagens tratou de tema de desvio de dinheiro, de remédio e de escândalos envolvendo a administração pública direta com estas agremiações que são criadas para serem verdadeiros “papa-dinheiro” da saúde pública, alhures e algures.

Por penúltimo relaciono como nevralgia de que padece a saúde pública, a vontade (ou falta dela) política. Em verdade tem faltado vontade de acertar, e tem sido excessiva a vontade de errar. Lógico que estou tratando de história, e não de caso presente. Por esse ritmo, não duvido, por exemplo, da enorme vontade que o atual prefeito de Peruíbe Luiz Maurício tem de acertar, e até arrisco a dizer que tem mais acertado que errado também na área da saúde pública. Mas, passado um ano e meio de seu governo, é de se perguntar se não está na hora de uma reciclagem, de um rodízio de seu pessoal de primeiro escalão na busca da excelência que – tenho certeza – é o seu norte enquanto prefeito municipal.

E por último, e não menos crônico, está a questão da insatisfação popular de um povo que se divide entre aqueles que têm efetivas necessidades de cuidados de saúde, e aqueles que a mim vai me parecendo até fazerem força para ficarem doentes, somente para terem o “prazer”, mórbido convenhamos, de serem “mau-atendidos”, de conferirem “que não tem remédio”, que “o médico não estava no plantão” e assim por diante. Estes, melhores atendidos que pelos agentes de saúde, o são pelos representantes da imprensa marrom que fazem plantão na porta do hospital ou do pronto socorro e, de microfone ou celular em punho, inquirem aos que saem depois de atendidos, e quando recebem uma resposta que expressa satisfação pelo bom atendimento, parecem dizer: “não, esta resposta não vale!”. O serviço de saúde atende mil pessoas num dia; 999 saem satisfeitas, mas uma apenas sai de lá insatisfeita, e esta então é “aproveitada” para engordar a audiência da rádio, da TV, do jornal ou do sítio na internet.

Não! Não estou fazendo parte da claque que acredita que o Secretário de Saúde seja culpado pelo sucateamento das viaturas e ambulâncias, pela falta de remédios básicos na farmácia do hospital, por médicos que assinam plantão e se mandam para outras cidades vizinhas, ou simplesmente somem, por atendentes despreparados para uma simples sutura ou coleta de sangue. Não! Mas, quando vejo crescer a campanha contra o atual Secretário de Saúde de Peruíbe fico me perguntando se toda esta teimosia vale mesmo a pena… Lógico que a troca pura e simples do secretário por quem quer que seja não resolveria o problema. O problema, então, não está no Dr. Abude. Nem no prefeito.

A saúde pública é tão vulnerável que permite até mesmo ser usada para atingir objetivos que não os publicamente declarados nas campanhas “fora Abude!” por aí adentro. Posso facilmente visualizar que tem gente, por exemplo, que quer que o Dr. Abude, que é vereador eleito, volte para a Câmara, porque quer que sua suplente, a vereadora Luciana Castellan perca o mandato. Sendo assim, o alvo de interesse não é nem a saúde, nem o Dr. Abude, e sim a vereadora Luciana que parece ter imprimido em seu curto mandato até aqui um jeitão todo peculiar que tem incomodado alguns e feito com que colecione desafetos.

O que sucede é uma sucessão de teimosia. A quebra de braço entre a incongruência e a intransigência não dá sinais de que possa se romper, seja de um lado, seja de outro. Se, por um lado parecem cegos aqueles que acham que todo o problema da saúde pública em Peruíbe pode-se ver resolvido, quase que num átimo, sacrificando-se o boi de piranha da vez, por outro lado o prefeito Luiz Maurício parece tolhido pelo compromisso político assumido, tanto com Abude, quanto com a Castellan, seus companheiros de partido e de campanha.

Para imitar um pouquinho a salve, salve, querida ex-presidenTA, pessoalmente eu não acho que alguém vá ganhar alguma coisa com essa ziquizira. Tão pouco quem quer seja perderá, porque, independente do Abude, a saúde pública não haverá de melhorar, ainda que ganhássemos uma filial do Albert Einstein, do Sírio Libanês ou da Beneficência Portuguesa! Em outras palavras, sempre haverá quem reclame, sempre haverá quem não se dê por satisfeito e – lembrando bem – em todo lugar, e em todos estes hospitais morre-se gente todo santo dia, desde por um problema respiratório aparentemente comum (como foi o caso do ex-prefeito José Roberto Preto, expirado num leito do Hospital Albert Einstein), até em meio a uma cirurgia mais complexa. Sendo assim, estava certa a Dilma quando dizia que “eu não acho que alguém vá ganhar ou vá perder; eu acho é que todos irão perder!”.

O imbróglio, entanto, está aí. Eis uma situação onde não se consegue ver razão plena, seja nos patronos das ações que pleiteiam a queda do Abude, seja no próprio prefeito que insiste em manter seu stablishment inicial. Do que posso depreender que razão mesmo, só apenas resquícios.

Deduz-se por isso pelo arrazoado que dá conta de que ser prefeito é uma tarefa deveras difícil. Luiz Maurício não foi constituído prefeito para atender os desejos lascivos de lobos e lobas sedentos por sangue, sequiosos pelo pior. Afinal, há mais ovelhas e cordeiros nesta terra de Tapirema que lobos e lobas. E, ainda que contentar tal e tamanho rebanho seja assaz difícil, é preciso serenidade para seguir em frente sem se preocupar com os uivos isolados que ecoam aqui, ali ou acolá.

Cabe ao prefeito, portanto, e só a ele, avaliar se aquele (ou aquela) que “amassou lama” com ele durante a campanha, seguem merecendo a confiança nele depositado (ou nela depositada), mesmo correndo o risco de “morrer na praia”, abraçados com estes e estas. E, convenhamos, a um ano e meio de governo apenas, não é mesmo possível ver qualquer risco de naufrágio da nau tucana comandada por Luiz Maurício.

Sabe, portanto, o prefeito que se ceder agora, terá que ceder novamente amanhã, e depois de amanhã outra vez, porque a sanha dos apóstolos do quanto pior melhor é voraz e insaciável.

Sendo assim, é preciso que o próprio Dr. Abude também se ajuste à boa vontade do prefeito. Deve ele saber que, na administração da res publicae não há lugar para teimosia muito mais apropriada a adolescentes que a homens feitos. E, neste momento, só o Secretário de Saúde sabe de fato se terá mesmo condições de deixar sua marca como administrador público de saúde, ou se será ele somente mais um que sairá da pasta, ao fim do governo, ou antes que ele termine, chamuscado politicamente por não ter conseguido fazer o que decerto bem quis fazer.

E para aqueles que ainda acham que a saúde pública foi feita para se servir na base do “use e abuse”, receito os chazinhos que nossos avós e pais nos ministravam sempre que éramos acometidos de uma febre, de uma diarreia, de um vômito, de uma dor de cabeça, de uma falta de apetite, de um mal-estar, de um cansaço, de uma dor nas costas…

Eu sou do tempo em que, para ser atendido num posto de saúde, ou no pronto socorro, você tinha que mostrar sua carteira de trabalho assinada. E sigo cansado desta asneira de ouvir tanta gente vociferar que paga imposto por isso tem direito a isso e aquilo, quando sabidamente não tem propriedade, não produz, não trabalha – apenas dá trabalho, e muito!

Que o bom Deus se apiede de todos quantos fazem força para ficarem doentes, seguindo céleres para a unidade de saúde mais próxima torcendo para não serem atendidos, ou para serem mal atendidos. E que um dia – quem sabe – alguém encontre o fundo desse saco, e o saneie de vez!

Washington Luiz de Paula

Prefeito Luiz Maurício – Um outro bom exemplo a ser seguido

Parece ser marca registrada destes jovens tucanos de hoje a discrição, o que destoa um tiquinho do modus operandi dos velhos caciques do PSDB, e de outros, não tão antigos, mas que, bem “a la Narciso”, gostam mesmo é de holofotes.

Claro que, ao falarmos de políticos do timbre de Bruno Covas, hoje prefeito da maior cidade do Brasil e das Américas – e a sétima do Planeta; e de Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira, também prefeito, ainda que da pequena e ainda teimosamente bucólica Peruíbe, não são eles assim tão “jovens”, não obstante todo o alto clero do tucanato estadual e nacional já ande ali pela casa dos 70 anos. Tanto Bruno (38 anos completados no último dia 7 de abril), quanto Luiz Maurício (39 anos completados 23 de fevereiro último) podem sim, portanto, serem considerados “jovens”.

A atuação de ambos à frente da administração pública de suas respectivas cidades se equipara em grau de transparência, honestidade, prontidão e energia para a tomada de decisões mais duras quando elas se fazem necessárias. São, poderíamos assim dizer, previdentes e providentes. E, por curioso, ambos apreciam a discrição no trato de suas ações enquanto gestores da res publicae. No caso de Bruno há que se considerar um fator, digamos, genético, já que seu avô – o grande político brasileiro Mário Covas -, que também foi prefeito de São Paulo, e governador do Estado, não era lá muito chegado às luzes dos flashes, ou mesmo às provocações pelos galanteios da imprensa e/ou da opinião pública. Ele era, afinal, um engenheiro – um administrador por excelência. Quanto a Luiz Maurício, para quem conhece seu pai, o eminente advogado Dr. José Luiz de Carvalho Pereira, há que se ponderar ter puxado o pai neste quesito da equilíbrio e sensatez.

Sendo assim, pode ter passado desapercebido de muitos – e muitos ainda podem sequer ter sentido os efeitos provocados pela paralização dos caminhoneiros Brasil afora, e que trouxe sério risco de prejuízo aos serviços públicos essenciais, o que seria catastrófico, convenhamos. A situação imposta pela paralização e pelo iminente desabastecimento de insumos, bens de consumos e de combustíveis impunha a tomada de medias emergenciais. Mais do que isso, a visão pelo provável substituindo a aposta no improvável, permitiu a ambos os prefeitos a decretação de estado de emergência em suas respectivas cidades, e a busca, desde então, para fazer valer o direito do cidadão continuar sendo atendido pelos serviços de transporte público, de saúde, de educação, e outros não menos nevrálgicos e necessários.

As medidas de enfrentamento da crise tomadas por Bruno Covas passaram longe do interesse da chamada “Grande Imprensa”, sequiosas que são – como sabemos – pelas notícias alarmantes, pelo lado negativo da notícia. Mereceu, não obstante, anotação do conservador “O Estado de S. Paulo” (Estadão), em editorial (leia aqui) onde registrou-se a “atuação firme, serena e bem planejada da prefeitura da capital paulista”, comandada por Bruno Covas, fazendo distinção de que “a ação do prefeito paulistano neste caso é, ao mesmo tempo, a escolha correta das medidas, a determinação e a rapidez de sua execução”. E encerra: “Pelo menos esse bom exemplo de administração pública eficiente e responsável a crise provocada pela greve dos caminhoneiros possibilitou. E com uma vantagem suplementar: o prefeito e seus auxiliares souberam, neste caso pelo menos, se comportar com discrição”.

De igual sorte, as semelhantes medidas tomadas pelo prefeito Luiz Maurício quando a crise ainda estava por se instalar, mas que já se fazia evidente e comprometedora, não mereceram maiores ou melhores comentários do que o que se pode ler aqui e ali dando conta de que não fizera ele “mais do que sua obrigação”. É de sobejo que a administração pública exige responsabilidade, mas de igual modo sabe-se historicamente que essa coisa chamada “responsabilidade” não andou lá muito presente no vocabulário de alguns mandatários de outrora em Peruíbe. Por isso mesmo (e ainda que só por isso), é de se admitir que o prefeito Luiz Maurício mereça sim a lembrança e o agradecimento da opinião pública, e daquela que é (ou deveria ser) sua guardiã, que é a Imprensa.

Bruno Covas e Luiz Maurício, militantes da juventude do PSDB na mesma época, e ambos advogados, e amigos que são ainda hoje, não combinaram, todavia, o que deveriam e como deveriam agir diante da crise. Parece mesmo que a seriedade no trato com suas obrigações de ofício fê-los a ambos agirem, quase que concomitantemente, e de igual modo. Ainda assim, se fosse possível admitir tal possibilidade, dir-se-ia que Bruno Covas copiou seu colega peruibense, vez que Luiz Maurício se antecipou ao prefeito paulistano em tomar as medidas que tomou.

O fato é que a crise, ainda não dissipada de todo, não teve os efeitos danosos que em outras cidades e regiões pode ser sentida por todos.

Se se tivesse deixado a crise se instalar no grau que era aspiração daqueles que costumam apostar no pior, é muito certo que a população viesse a clamar por um “salvador da pátria”, um enigmático “super-herói” que buscasse a redenção de todos diante do caos. Estes, quase sempre aparecem como oportunistas da desgraça, e dela buscam tirar vantagens as mais diversas. E, deveras, recebe o aplauso e a recompensa que entendem ser devido a tal “benfeitor”.

Como a desordem passou longe – e como o paladino que tomou pé da catástrofe antes que ela se estabelecesse passa ao largo dos elogios e dos louvores, deixo eu aqui, por estas linhas que não são regidas por outra ordem que a da minha consciência, o meu agradecimento sincero, em nome de todos os munícipes de boa vontade de Peruíbe ao prefeito Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira – Sim! Por ter feito a sua obrigação – coisa que muito ex-prefeito e ex-prefeita de Peruíbe nem isso soube fazer!

Deus o abençoe hoje e sempre, prefeito. Peruíbe precisa de mais homens iguais a você!

Washington Luiz de Paula

Operação PF da PF: Um prato feito à maledicência peruibana

Começo a milonga de agora repetindo ipsis litteris as três ou quatro linhas que mais encantaram a claque presente às esquinas das bocas malditas de Peruíbe no dia de ontem, por ocasião da tardia (portanto já esperada) visita dos agentes da Polícia Federal em Peruíbe, posto que fizeram plantão durante algumas horas da manhã deste dia nove dentro do prédio onde está instalado o paço municipal, e mais especificamente, nas entranhas da Secretaria de Administração e Departamento de Compras da prefeitura:

Houve promessa de vantagem indevida ao atual Prefeito LUIZ MAURÍCIO PASSOS DE CARVALHO PEREIRA, por intermédio do lobista ELÁDIO e de JOÃO EDUARDO GASPAR para pagamento pela Prefeitura de uma dívida de R$ 2 milhões de reais contraída na gestão da ex-Prefeita ANA PRETO.

A anotação acima é excerto de uma peça de 354 páginas. Sim. Você leu bem: 354 páginas. Estas 354 páginas compõem a peça da representação que a Polícia Federal faz à Justiça, em face de investigações que envolvem o desvio de verbas federais para a Educação, a pedido e com acompanhamento da Controladoria Geral da União (CGU).

Nestas 354 páginas o atual prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira é citado quatro vezes. Em nenhuma das quatros vezes os investigadores federais demonstraram haver ato, por ação ou omissão, direta ou indiretamente, que implicasse acusação formal contra Luiz Maurício, diferente do que aconteceu com os demais investigados, do que tratarei mais adiante; antes pelo contrário, a última das quatro citações se referido ao nome do alcaide peruibense, atenta que (também ipsis litteris):

Não vislumbro, por ora, elementos que apontem para a participação do Prefeito eleito LUIZ MAURÍCIO, motivo pelo qual tais fatos estão sendo apresentados a esse Juízo.

Posto isto, fica evidenciada a maldade de todos quantos se aproveitaram para entupir as redes sociais na antecipação de acusação que procurou jogar o prefeito Luiz Maurício no mesmo mar de lama onde nadaram e até se deliciaram em nadar antigos mandatários municipais, uns mais recentes e outros não tanto.

A mim, contudo, isto não é novidade. A maledicência grassa em Peruíbe. A vontade de promover o mal é uma planta daninha, uma trepadeira que medra no consciente coletivo do povo, a começar da casta dominante, infundindo raízes por qualquer beco onde seja propícia a evolução de uma biqueira que se dê ao desplante, não de vender, mas de distribuir graciosamente aquela que é maior das drogas que mina e corrói por dentro toda e qualquer sociedade, que é a maldade.

Exagero o que observo? Não, não é. Tenho décadas de “janela” nesta cidade, e vejo com imensa tristeza que, não obstante a cidade ter crescido fisicamente, o seu povo continua pequeno. Pequeno e pobre. Pobre de espírito. Pobre e doente emocionalmente e psicologicamente.

Esta coisa do discurso do prefeito Luiz Maurício buscar devolver a dignidade e orgulho ao povo de Peruíbe é devaneio. A sociedade de Peruíbe está resistente a todo e qualquer antídoto que tente minimizar ou erradicar os efeitos desta maldade latente na alma deste povo.

Como costumo dizer, em Peruíbe, paga-se por ter cão, mas também se paga por não ter cão. Seja prefeito, vereador ou empresário empreendedor, ou qualquer outro cidadão desavisado de que a peçonha espreita onde menos ela se espera, não demora a começar a compreender o quão difícil é lidar com tal lamentável situação.

À guisa de exemplo, peguemos uma pessoa que passa pela rua, e que de uma hora para outra é vista magra demais. Ou aquela outra que se fica sabendo ter caído na cama, numa cadeira de rodas, ou estar internada num hospital. Nove dentre 10 dirão: “este (ou esta) não come peru este ano”. Apenas um teria uma palavra de consolo, de bênção, de requerimento a Deus pela cura ou restabelecimento do semelhante.

Se alguém passa pela rua com um carro um pouco mais caro, ou então está construindo um imóvel melhor elaborado, serão estes mesmos nove a compartilhar suas opiniões de que “você viu fulano? Só pode estar traficando!”. Apenas aquele mesmo e único ser que consegue ver o sacrifício com que o amigo, colega, parente ou conhecido, procura melhorar de vida.

É de sobejo conhecimento de todos de que, nas redes sociais é muito “mais atraente” disseminar as maldades destiladas por pessoas que sabem muito bem o que estão fazendo, mas que acabam sendo compartilhadas – por incrível que isso pareça – por pessoas outras que sequer sabem o que estão compartilhando.

Buscar a verdade? Pesquisar? Inquirir? Estudar provas e origens destas postagens que atendem a interesses mesquinhos e escusos? Nem pensar!

O acontecido neste fatídico nove de maio denota o que aqui digo. Ora, senão vejamos: dentro de um inquérito policial de qualquer natureza seu nome é citado numa das gravações telefônicas grampeadas pelo agente policial, é natural que a polícia enseje buscar informações para ver até onde estaria o seu envolvimento no ilícito, e, por conseguinte, você passe a ser investigado. Nisto está implícito o dever de polícia. Mas o policial sabe que antecipar-se a uma acusação por conta de uma simples citação em telefonema seria erro grosseiro, até porque a investigação em si é que vai permitir determinar até que ponto você está envolvido ou não.

No caso do prefeito Luiz Maurício, a delegada de polícia federal Melissa Maximino Pastor, que assina a “Representação por Mandados de Busca e Apreensão e Prisão Temporária” referente aos autos de investigação que procuram determinar culpados nos desvios de dinheiro público por parte dos agentes públicos e privados das diversas cidades citadas no relatório, é enfática em atestar “não haver elementos que apontem para a participação do prefeito Luiz Maurício” nos ilícitos investigados.

Mas, se o prefeito Luiz Maurício não é culpado, e se foi citado por quatro vezes no inquérito, a que se devem, então estas citações? A resposta é simples: ato de leviandade de dois senhores que tiveram seus pedidos de prisão temporária solicitados pela Polícia Federal, embora, por menos por ora, negados pela Justiça.

Uma análise de cada uma destas citações aponta para que um simples exercício de interpretação de texto fosse bastante para o convencimento do total desconhecimento do prefeito quanto ao uso irresponsável, indevido e não autorizado de seu nome.

Senão, vejamos:

A primeira das citações está à página 130 do relatório, e relata que “houve promessa de vantagem indevida ao atual prefeito LUIZ MAURÍCIO PASSOS DE CARVALHO PEREIRA, por intermédio do lobista ELÁDIO E de JOÃO EDUARDO GASPAR para pagamento pela prefeitura de uma dívida de R$ 2 milhões contraída na gestão da ex-prefeita ANA PRETO” (ipsis litteris).

Vamos à análise e interpretação desse texto:

  1. Houve promessa de quem para quem? (isto será respondido nas outras citações, como veremos; mas o que é certo é que o prefeito Luiz Maurício não recebeu e tão pouco estava disposto a ouvir qualquer tipo de conversa nesse sentido, ainda mais quando sequer tinha assumido, ou mesmo quando assumiu, posto que imprimiu desde então que todo o passivo da prefeitura seria pago respeitando rígida ordem cronológica, o que, aliás, deixou muita gente insatisfeita e até aborrecida com o prefeito).
  2. Lido, un passant, o texto pode até sugerir que a tal promessa de vantagem indevida teria sido feita diretamente ao prefeito, o que foi bastante para que os algozes do prefeito e apóstolos do quanto pior melhor se apropriassem destas linhas para tentar impingir falta de decoro da parte do prefeito.

A segunda das citações ao nome do prefeito LUIZ MAURÍCIO pode ser encontrada à folha 136 da representação criminal formulada pela PF. Ei-la tal e qual escrita está no texto oficial:

Em 02.10.16, logo após o resultado das eleições municipais em que venceu candidato LUIZ MAURÍCIO PASSOS, CARLINHOS (“C”) busca junto a ELÁDIO (“E”) que intermedeie uma proposta de vantagem indevida com vistas a receber sua dívida e estabelecer uma “parceria”.

A análise desse texto é simples:

O prefeito Luiz Maurício havia vencido as eleições, o que deixou perplexos os acusados “CARLINHOS” e “ELÁDIO”, vez, como se deduz da conversa interceptada pela Polícia Federal de ambos (a qual me eximo de publicar ipsis verbis aqui), eles haviam ajudado o então candidato Gilson Bargieri, com o qual já haviam negociado o que convencionaram chamar, durante a conversa, de “parceria”.

Em dado momento da conversa, “ELÁDIO” diz para “CARLINHOS”: “Esse cara do PSDB, tenho um amigo que é lá de tinha me falado desse cara. Falou: ELADIO, quem vai ganhar é esse cara do PSDB. Nem aparecia na pesquisa quase, falou: vai ganhar. Vamos ver se a gente consegue chegar nesse cara através desse amigo meu aí. Ele tem negócio lá, ele tem empresa em Peruíbe” Ao que “CARLINHOS” responde: “Tem que correr, a partir de amanhã tem que correr.

O desespero tinha motivo: “CARLINHOS”, presumivelmente credor dos R$ 2 milhões que Ana Preto ficara lhe devendo, não tinha sequer ideia de quem haveria de ser esse tal “LUIZ MAURÍCIO”, e tão pouco o seu lobista “ELÁDIO”, que então prometia ao seu “patrão” buscar o empenho de um conhecido seu em Peruíbe que dizia ter acesso ao prefeito eleito Luiz Maurício, como vereamos a seguir.

Na terceira citação do nome de LUIZ MAURÍCIO, a narrativa sustenta que o lobista ELÁDIO ligou para CLÁUDIO SOARES, “o qual teria (grifo meu) contato direto com o novo prefeito LUIZ MAURÍCIO”.

Na transcrição da gravação interceptada pela polícia entre ambos, ELÁDIO pergunta a CLAUDIO SOARES se ele tem acesso ao prefeito eleito, o qual responde que o “acesso é muito bom, muito bom mesmo”. Na sequência ELÁDIO pede que CLÁUDIO SOARES sonde LUIZ MAURÍCIO sobre se ele estaria disposto a ter uma conversa buscando solução para receber o montante que a prefeitura devia à empresa de CARLINHOS.

Bem, conheço pessoalmente Cláudio Soares. É um bom amigo. Sujeito ponderado, equilibrado, difícil de crer que levasse tal proposta ou tentativa de proposta a Luiz Maurício que, na oportunidade nem assumira a prefeitura ainda. Atendeu a ligação do lobista por educação, e, como de fato, a conversa entre Soares e Luiz Maurício neste sentido acabou nunca acontecendo. A principal razão é a de que Cláudio Soares, até por conhecer Luiz Maurício como dizia que conhecia, tendo dito inclusive que seu acesso ao prefeito eleito era “bom, muito bom mesmo”, e sabia, de prévio, que Luiz Maurício rechaçaria prontamente qualquer tentativa de fosse que tivesse por viés alguma ilicitude. A segunda, por óbvio, Luiz Maurício que passara os quatro anos de seu mandato como vereador como crítico ferrenho do governo Ana Preto, tendo saído com a marca da reputação ilibada enquanto homem público, não haveria de buscar subterfúgios para se macular política e pessoalmente, ainda antes de assumir o governo. Seria estultícia, para usar uma palavra bonita – burrice, no jargão popular!

Por pressuposto, vale seguir lembrando que estas linhas não têm o condão de dar atestado de idoneidade ao prefeito Luiz Maurício, nem de defende-lo do que poderia eventualmente ser indefensável; antes, é de meu dever ajudar na correção de uma injustiça que se faz contra ele, o que faria, fosse por quem fosse.

Mas, agora é que a grande curiosidade e que mata a charada deste assunto espetacular. O indicativo era de que – como vimos acima – a conversa do lobista ELÁDIO com CLÁUDIO SOARES não prosperara. Eis porque, na sequência das investigações aparece a figura de JOÃO EDUARDO GASPAR, à época assessor de um deputado estadual, sendo contatado pelo próprio CARLINHOS (o credor da prefeitura), e, na interceptação da ligação telefônica entre ambos, aparece finalmente a figura agora já nada emblemática de PAULÃO (Paulo Henrique Siqueira), homem das “decisões” durante o governo Ana Preto.

A iniciativa da ligação parece ter sido de GASPAR, que pergunta a CARLINHOS quanto é que a prefeitura deve a ele. Diante da resposta de que “ficaram dois (milhões) para trás”, GASPAR é enfático: “Eu vou acertar de te pagar isso aí”, e remenda, na sequência: “Eu tive com o Paulão hoje’. Esta conversa aconteceu em 16 de novembro. CARLINHOS então diz que abre mão de “vinte por cento”.

Muito bem. O resultado desta conversa está numa planilha de pagamentos da prefeitura referente ao mês de dezembro de 2016, último mês do governo Ana Preto, conforme se vê a seguir:

Como a imagem fala mais que mil palavras, é fácil denotar que o “arranjo” foi feito, e muito bem feito, de tal modo que, em três pagamentos feitos num único dia (9 de dezembro), outro no dia 13 de dezembro (R$ 505 mil), e – na raspa do tacho do governo Ana Preto, no dia 30 de dezembro de 2016, mais um pagamento fizeram somar R$ 1.158.327,32 pagos a CARLINHOS, liberados então sob a presumível batuta de Paulão. Quanto ao lado obscuro desta transação, deixo para o imaginário de cada leitor…

Mas, não estaria faltando dinheiro nesta conta? Afinal, falou-se durante todo o tempo em R$ 2 milhões. Segundo anotações da administração repassadas à Polícia Federal na data de ontem, a dívida de 2013 era de R$ 1.200.000,00. Deste montante ficou um resto a pagar pelo atual governo no valor de quase R$ 20.000,00 que foi pago em fevereiro de 2017. Segundo informações, a empresa UNIMESC havia protestado a prefeitura, e o pagamento teve que ser feito às pressas para evitar que a prefeitura deixasse de receber repasses importantes dos governos estadual e federal por conta do protesto.

Sendo assim, a prefeitura nada mais deve à UNIMESC. E o prefeito Luiz Maurício pode dormir o sono dos justos porque, ainda que tenham tentado, de uma maneira leviana e inescrupulosa, envolver seu nome nestes crimes todos, restou, para tristeza de seus preclaros inimigos políticos (e alguns até eventualmente pessoais), que não há indício algum que configure sua participação em mais um caso dos muitos que ilustram muito bem como foram os anos 2013-2016 na administração pública municipal de Peruíbe. Para o prefeito, portanto, o prato não está feito – está limpo!

Não convém aqui citar nominalmente aqueles que tiveram que abrir as portas de suas casas para a busca e apreensão autorizada pela Justiça para a PF, nem tão pouco registrar também nominalmente aqueles que tiveram pedidos de prisão temporária requeridos pela PF, porém negados pela Justiça, para não incorrermos em sustentar o índice de maldade que, graciosamente, se tenta impor contra fulano, beltrano ou ciclano.

A lição maior que se deve tirar deste imbróglio é aquela que me faz lembrar os anos de acadêmico, e de um velho professor de Sociologia que costumava dizer: “Um texto fora do contexto, não é um texto, é um pretexto”. E qual o pretexto? Você sabe. Não confessa; mas sabe.

Diante disso é tempo de fazermos cada um de nós uma pergunta para nós mesmos respondermos: Em que podemos contribuir para um Peruíbe melhor? Será que atacando assim levianamente as pessoas levaremos Peruíbe a ser melhor? Você, agindo assim, se tornará melhor?

Por finalmente, ressuscito Frei Hilário das Lamentações, personagem do saudoso e querido B. da Veiga (Eduardo Bastos), que muito certamente agora, diante deste disparate diria: “Ai de ti, Tapirema! Tu cujos filhos andam destilando fel pelas ruas da cidade! Que será de ti se teus filhos continuarem assim?…”

A seguir o andor assim, deste modo em que parece que as pessoas estão pouco ou nada dispostas a mudar, que será de ti, Peruíbe?

Washington Luiz de Paula

Luiz Maurício – 39 anos de paixão por Peruíbe

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Ao longo desta minha existência enquanto escriba tenho alimentado o hábito de tecer homenagens póstumas às pessoas que, mesmo não sendo necessariamente amigas de meu convívio, têm deixado para nossa história e – de resto – para a história da cidade – aquele “quê” que as notabilizaram enquanto estavam em nosso convívio.

É curioso que, de modo geral, as pessoas restem lembradas apenas quando partem justamente para serem esquecidas, como de fato são, ou acabam sendo, demorando pouco tempo apenas depois que morrem. Considerando também que basta você morrer para se tornar “bom” e de “saudosa memória”, soa um tanto quanto hipocrisia render loas a torto e a direito, algures, a este ou aquele falecido, esta ou aquela falecida.

Hoje descubro-me na contramão deste meu quase vício. Este dia 23 de fevereiro vai terminando, faltando pouco para que seja “ontem”, e decido considerar honra a quem os homens e mulheres de bem e de bons costumes desta cidade devem honra, senão por este ser seu dia especial para rememorar nascimento tido e havido há 39 anos atrás, o que talvez importe apenas para familiares e amigos mais chegados e íntimos, ao menos para aproveitar o momento de festa para agradecer por estar sendo prefeito, senão melhor, ao menos não pior, e, deveras, diferente de todos os demais que se assentaram na cadeira em que hoje ele mesmo se assenta.

Evidente que as palavras podem reverberar o som da seda se rasgando para dar efeito especial e deslumbrante ao que o momento requer, e não escapo eu – nem tento escapar – de ser lançado ao mar daqueles que não demorarão para lançarem sobre mim o epíteto de “puxa-saco”, sabido como sei que estes são aqueles que assim agem porque, no mais das vezes são despeitados por não poderem contar com o prestígio de estarem próximos dos detentores do poder municipal ou mesmo por não conseguirem, por mais que se esforcem, escrever duas linhas que ofereça sentido qualquer ao que pretendem expressar.

Mas, não me importo. Falem o quanto quiserem de mim, ainda que falem mal ou bem. Se falarem bem, que o falem ainda que na minha ausência; se a reunião for para falar mal de mim, me chamem, posto que sei de coisas horríveis a meu respeito!

O que gostaria de dizer ao prefeito Luiz Maurício neste seu dia de aniversário poder-se-ia resumir em duas palavras singelas: Muito obrigado! Foi a mensagem que passei a ele ainda as 5hs da manhã deste dia 23, via WhatsApp. E replico aqui: Muito obrigado, prefeito, pelo bem que você vem fazendo a Peruíbe, porque fazendo bem a Peruíbe, a mim e à minha família também faz bem!

Dirão os algozes de plantão: agradecer por não fazer mais do que a obrigação dele? Não! Agradecer por ser, por estar sendo diferente.

Eu não sei exatamente o que vai na mente do prefeito Luiz Maurício, de repente se contrapondo ao Luiz Maurício até meses atrás vereador durante um governo de difícil esquecimento, ou ainda do advogado, do homem, do chefe de família Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira. Quais são seus dilemas? Quais seus dramas? O que gostaria de ter já ter feito que ainda não pode fazer? O que gostaria de fazer, mas que já sente que não terá condições ou tempo de fazer? O que é, afinal, administrar um orçamento realizado em apenas metade dele, do qual subtraem-se obrigações com folha de pagamento de pessoal, percentuais obrigatórios para a educação, saúde e legislativo, restando pouco para se fazer tudo o mais que se precisa fazer para manter a máquina pública funcionando?

Como é ser prefeito diante de uma plebe que nunca está contente com nada, muitos dos quais até nos fazendo ter a impressão de que fazem força para ficarem doentes só para “provarem” que a saúde não funciona (sic)? Será que tinha razão o filósofo Raul Seixas ao dizer que “mamãe, não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito, e alguém pode querer me assassinar”?

Pois é, meus senhores, e minha diletas senhoras. Não é tarefa fácil ser prefeito. Quem acha que o salário de prefeito justifica os aborrecimentos do cotidiano de quem tem a responsabilidade de gerenciar uma cidade, é vítima de ledo engano. Quem acha que faria mais e melhor se na cadeira de prefeito estivesse sentado, engana-se também. Estar prefeito é viver o drama de Dâmocles: será mesmo que compensa este e tal poder?

Lamentavelmente a classe política brasileira pouco ou nada tem contribuído para que o povo melhore seu conceito. Mas é preciso que se diga que ainda há homens e mulheres sérios e sérias em todas as esferas do poder, seja em Peruíbe, São Paulo, ou mesmo em Brasília. São poucos, convenhamos, mas convenhamos também que são estes que buscam empreender uma batalha hercúlea para provar que é possível sim fazer a diferença para que o Brasil melhore, e, no nosso caso presente, a começar por Peruíbe.

E vejo que este jovem advogado, filho de um proeminente operador do Direito de nossa cidade, faz e tem feito todo o empenho para provar que tudo que se pode fazer para provar o seu amor e a sua paixão por Peruíbe, ele tem feito, e com notável efeito sobre a cidade e sobre o município que tem ares de efetiva melhora desde sua aparência até no que diz respeito aos meandros da administração pública municipal.

Pouco dado a foguetórios, amigo da discrição, homem simples que prefere o Guaraú a Campos do Jordão ou os Estados Unidos, inimigo daqueles que buscam favores visando benefícios próprios ou particulares, Luiz Maurício tem conseguido fazer, em ano e meio de governo, o que muito dos seus antecessores sequer tentaram fazer em quatro ou mais anos enquanto prefeitos ou prefeitas.

E vejo que o resumo desta sua paixão desmedida por Peruíbe pode ser vista não só em sua participação in loco em cada uma das manifestações artísticas e culturais encetadas por gente da própria cidade, mas em sua sui generis manifestação pública em artigo publicado em A Tribuna (veja íntegra aqui) no qual fala de seu “orgulho de ser Peruíbe”.

Os revezes políticos parecem terem sido vencidos desde quando me vi na contingência de escrever, em julho do ano passado, editorial no qual relatei que “Enquanto os cachorros latem, Luiz Maurício passa”. Se isto de fato se deu, já não era sem tempo. Não há força política, de centro, esquerda ou direita em uma cidade que não precise que em sua cidade tudo esteja funcionando direitinho. Esse negócio de torcer pelo quanto pior, melhor, é o mesmo que acreditar que tenha gente com prazer de deliberadamente dar tiro no próprio pé. E, convenhamos, não há representante de qualquer destas forças políticas em Peruíbe que não veja que Peruíbe mudou, e que mudou para melhor!

Neste dia de seu aniversário, prefeito Luiz Maurício, quem ganha o presente somos todos nós! E a sua presença como elemento gestor de nosso destino, considera a seriedade com que tem tratado a coisa pública, é, de fato, o nosso melhor presente!

Deus o abençoe e o ilumine sempre. E que o povo desta cidade, se mais não puder fazer, ao menos continue rogando a Deus por proteção e providência para não lhe falte força, coragem, determinação e vontade, muita vontade de continuar apaixonado por Peruíbe, e oferecendo do seu melhor para este povo que por 59 anos vem buscando viver de, com e para Peruíbe!

Washington Luiz de Paula

Nome que é sobre todo o nome e seu sobrenome

O apóstolo Paulo afirma, em sua Carta aos Filipenses, Capítulo 2, Versículo 9, que a Jesus – e só a ele – foi dado um nome que é sobre todo o nome. No mesmo versículo Paulo completa que este nome que é sobre todo nome dado a Jesus, foi dado pelo próprio Deus, que – agora imaginem isso: “o exaltou soberanamente”!

Claro que aqui tratamos de um Jesus tido como o temos, nós os cristãos, como sendo o Filho unigênito do Deus Pai, e que, desde a Criação constitui o mistério da Trindade, sendo três e sendo um, juntamente com o Espírito Santo (In Nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti…).

Jesus, porém, não tinha um sobrenome, ou antes, um nome. Poderíamos dizer que Jesus era o seu prenome, se pensarmos os nomes civis como os vemos hoje. Se seu nome fosse Jesus da Silva, para efeitos legais hoje em dia, seu nome seria “da Silva”, e Jesus seria seu prenome. Se seu nome fosse Jesus da Silva Santos, dir-se-ia que seu nome, então, seria “Santos”, que “Jesus” continua sendo seu prenome, e o “da Silva” passaria a ser seu prenome.

Este assunto, por cultura inútil que possa parecer, deixa de sê-lo quanto pensamos na importância que tem um nome para uma pessoa e, de modo de maior importância ainda, para uma família.

Ainda que eu não tenha estudado isso com afinco, quero supor que mesmo no tempo de Jesus não haviam nomes, prenomes e sobrenomes como os conhecemos hoje. Basta ver os relatos dos evangelhos e das epístolas para notarmos que as pessoas eram conhecidas por serem filho de fulano ou de ciclano. Eram o que poderíamos dizer de “filhos do pai”, não obstante já serem também naquela época “filhos da mãe”!

Sendo assim Jesus era identificado pelos seus conterrâneos como sendo “Jesus, filho de José”. Como a comunidade de Nazaré era pequena, era difícil que houvesse outro “José” que tivesse um filho chamado “Jesus” pelas redondezas. Mas não era impossível. Para resolver esse impasse, acrescentava-se ao nome do pai da criança o ofício do pai: “Ora, não é este Jesus, filho de José, o carpinteiro” (cf Mateus 13.55). E, se houvesse ainda mais que uma carpintaria em Nazaré, Jesus também poderia ser identificado como “o nazareno” (cf Mateus 14.67). Aliás, é curioso que o próprio Jesus tivesse essa particular predileção: ser nazareno. Paulo, quando relatava o episódio de sua conversão na estrada de Damasco, lembrava que Jesus lhe aparecera e se identificara por seu gentílico: “Eu sou Jesus, o nazareno, a quem tu persegues” (cf Atos 22.8).

Trazendo para os dias cartoriais de hoje, seria algo como dizer que eu tenho por nome “de Paula”, que tenho por sobrenome Luiz, mas que sou conhecido por Washington, que é o meu prenome. Mas quem sou eu? Ora, Washington, filho do Luiz, o topógrafo do estado; ou ainda poderia dizer: sou Washington, o pariquerano (ou pariquerense, como queiram).

Desta arte proceder com um estudo de uma árvore genealógica hoje em dia é de algum modo fácil, graças aos mecanismos de busca e pesquisa que a internet oferece. Este estudo, entanto, nem sempre traz notícias agradáveis: alguns descobrem-se como tendo antepassados nobres, outros, que são provenientes de uma casta de criminosos piratas que assombraram os sete mares no passado.

Ainda assim, o nome de uma família deve ser preservado, sim! Este é o meu entendimento preliminar.

Trago a lume este assunto agora, mesmo depois de ter feito a digressão inicial em nome de Jesus, para tentar invocar o direito que a família tem que ter de se defender destes ataques sutis encetados pela mídia, pelos partidos políticos pouco comprometidos com a ordem natural das coisas, pelas entidades que defendem a liberalidade como pressuposto de liberdade, e, por consequência, pelas mudanças correntes nas leis que regulam o registro civil das pessoas naturais.

Evidente que há nomes que constrangem. Outros são até curiosos. Outros provocam a imaginação aos trocadilhos e aos cacófagos. Mas há também aqueles que, mesmo sendo jocosos, impõem respeito. Ainda no mandato passado tivemos um “Pinto” na Câmara, e olha que ele passou os quatro anos do Legislativo com posicionamento duro, inflexível até. Já o seu irmão, também “Pinto”, que chegou a ser vereador, presidente da Câmara e até vice-presidente, era bem mais conciliador. De tão moderado, dizia-se dele até mesmo ser “Denorex” – aquele que parece, mas não é. Mas deixo claro que não está aqui em pauta a discussão se é melhor que Manoel Bosta deixe de se chamar assim para passar a se chamar Joaquim Bosta (aliás nomes portugueses e japoneses são pródigos no oferecimento no enriquecimento do anedotário e do folclore).

O que trago à discussão são absurdos como a daquela senhorinha que tem elegante nome espanhol e que, à hora do casório, diante do juiz “de paz”, descobre que será acrescentado ao seu nome catalão um “Pereira” meio desengonçado, e arma desde aquele momento uma batalha campal que não poderia dar em outra coisa que num casamento de pouquíssima duração. Pois é. Mas a lei já vem de há muito de permitir isso: cabe à mulher decidir à hora do casório se quer ou não ter acrescentado ao seu nome o nome de seu marido, podendo inclusive decidir pela supressão de seu nome de solteira (vejam bem: estou falando de nome, e não de prenome!).

Imaginemos a Joana da Silva se casando com o João dos Santos. A lei permite que ela, ao se casar, passe a se chamar Joana da Silva dos Santos, ou só Joana dos Santos (suprimindo o nome paterno “da Silva”), ou até mesmo que permaneça só com o nome de solteira: Joana da Silva. Mais curioso é uma mais recente reforma na lei dos registros cíveis que permite também o contrário: João dos Santos, ao se casar com Joana da Silva, pode escolher permanecer com seu nome de solteiro, ou acrescentar o nome da esposa ao seu, ficando então João dos Santos da Silva, ou ainda suprimir o nome de seu pai (“dos Santos”), passando a se chamar somente João da Silva.

Parece complexo, mas não é. Sim. Não é. A crescente campanha de aniquilamento dos valores morais e das tradições familiares, trazendo para o mesmo nível de irresponsabilidade ética e social as figuras do pai, da mãe e dos filhos faz que as pessoas tenham este assunto como de somenos importância. “É irrelevante”, diriam alguns. “Não tem nada a ver”, acrescentariam outros. E outros ainda invocam o mais nobre dos sentimentos para defender a mesquinharia social reinante: “O que importa é o amor”, dizem. Infelizmente a realidade é dura, nua e crua: há muita gente se vingando de seus pais e de seus familiares neste importante momento de mudança de sua própria história, mal sabendo que esta armadilha pode pegar a caça, sim, mas, de modo geral, tem é pego o caçador!

Por retrógado que eu possa parecer aos meus leitores, repudio tais preceitos. Acho que é mais que um dever meu preservar a integridade dos nomes da minha família, e da família de minha esposa – é uma obrigação. A “simples” inserção dos nomes “de Paula” e “Toledo” no nome de meus filhos promove uma satisfação à sociedade do quanto eu e minha esposa somos gratos aos nossos pais, senão pelos que eles foram ou deixaram de ser, ao menos por nos terem concedido o dom mais precioso que é o dom da vida! Minha esposa, quando se casou comigo, este ano fazendo 35 anos já, fiz questão que preservasse o nome de seu pai, e acrescentasse ao seu nome o meu: Neide Toledo de Paula é o nome dela. Os meus filhos – todos os três – trazem também ambos os nomes, sendo que os três carregam também o prenome do avô paterno: George Washington LUIZ Toledo de Paula, Gabriel Felipe LUIZ Toledo de Paula e Guilherme EUCLIDES LUIZ Toledo de Paula, sendo Euclides o prenome do avô materno.

Os nomes ficaram grandes? Que importa? Importa mesmo é o privilégio de carregar em sua carteira de identidade a lembrança de suas origens. Faço outra digressão para uma aulinha modesta de história: Dom Pedro I, aquele que proclamou nossa Independência de Portugal ostentava “modestos” 18 nomes em sua certidão de nascimento: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Por tradição seu filho D. Pedro II não fugiria à regra, com 17 nomes: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon. (Se você teve paciência de ler ambos os nomes, percebeu um “de Paula” escondidinho entre seus nomes, não?).

A acusação por certo é fatal, porém não certeira: ah, isso é vaidade! Não diria. Orgulho? Também não. Tradição? Sim. Respeito? Igualmente sim!

Fico estupefato quando vejo alguém negar vincular o nome de seu pai ao seu. Há muitos pais e muitas mães na cadeia hoje em dia. São ladrões, traficantes, assassinos, criminosos de toda ordem. Outros estão fora da cadeia, mas envergonham de igual modo a família e a sociedade. Mas, se você buscar com cuidado, amor, atenção e gratidão, verá que há um quê de bondade no pior dos facínoras sociais. E eu acrescentaria: Você não tem o direito de vilipendiar, jogar no ostracismo, sepultar o nome de sua família só por carregar no peito um coração eivado de mágoas e questões mal resolvidas com seus entes mais próximos. Se seu pai foi assim e assado, será que seu avô também foi assim? Ou será ainda que não nenhuma viva ou morta alma dentre os nomes que você pretende perpetuar de agora para diante que também não tenha lá suas mazelas? Claro que há! Em toda família há alguém que por qualquer motivo envergonha ou já envergonhou seus parentes.

A desculpa para este negócio de não querer mais o nome de seu pai pode até se amparar na lei que, como dito acima, traz escondida em seu bojo uma intenção malévola de desarticular a família como ente perfeito criado por Deus. A família, prevista constitucionalmente como o “esteio da sociedade” já vem de perder o seu valor, o seu objetivo, a sua intenção maior que é a de formar homens e mulheres responsáveis e capazes de conviver em sociedade, de estudar para o aprendizado que traz o conhecimento e a capacidade ao desenvolvimento, de trabalhar para a promoção do bem comum.

Sei que estas são letras mortas para muitos. E eu não penso só em mim não. Tenho uma neta que traz só o meu nome, tendo deixado de receber o nome de seu avô materno. E posso dizer que, porquanto esta minha neta seja a coisa mais linda que o bom Deus já me deu até aqui, chama-la por prenome e nome me soa estranho: falta alguma coisa, falta o nome que, tenho certeza, encheria de alegria o coração do avô que mora lá para as bandas do interior.

A escolha dos prenomes, sobrenomes e nomes, por evidente, deve ser sempre prerrogativa dos pais. Foi assim comigo. E deve ser assim com meus filhos e noras, assim como com você que teve paciência de me ler até aqui. Mas lá, naquela horinha preciosa em que se vai definir o destino nominal daquela nova criatura que Deus nos dá, será que não vale refletir ao menos um pouquinho neste sentimento de gratidão que deve permear nossos corações, gratidão a Deus em primeiro lugar, e a nossos pais por terem feito o que podiam (e alguns até o que não podiam) para nos criar?

Neste momento em que me preparo para ser avô novamente, faço esta reflexão, por entender oportuna, e que tenho certeza poderá nortear caminhos e procedimentos diferentes que, por si só, podem servir de remédio que faça dissipar de todos os meus leitores toda mágoa, rancor e ódio que eventualmente temos ou que um dia porventura tivemos de nossos pais.

Deus nos abençoe! Sempre.

Washington Luiz de Paula

A cultura das batatas e o ensopado das letras, em ré bemol menor

Padre Marcos fala no final da apresentação do tenor Washington Luiz de Paula (camisa branca), tendo ao lado Celso Vernizzi e o vereador Sussumu
Foi lindo!

Esta talvez tenha sido a manifestação mais sincera do que se pode deduzir do meu recital de ontem, na Paróquia de São João Batista (Igreja Matriz). O panegírico veio de uma pessoa ainda pouco conhecida de mim, ou mesmo quase desconhecida, mas que, por isso mesmo, merece o registro que se faz agora.

Evidente que sei que elogio em boca própria é vitupério. De igual modo fica claro que elogios vindos de minha esposa D. Neide, e de minha irmã Waldicéia e de meu irmão Welyton devem ficar reservados aos suspeitos. Mas o fato é que o meu recital sim atendeu às minhas expectativas pessoais enquanto cantor erudito e sacro, assim como também no que diz respeito aos acompanhamentos, ao piano da professora Regina Galetti, e na flauta transversa do maestro Nelson Gomes, aos quais reitero aqui agradecimentos sinceros por me darem a honra de ilustrarem minha voz, e até cobrirem, com seus talentos musicais, os defeitos que aqui e ali surgiram durante a apresentação.

Mas eu não posso perder nem o pelo e nem o vício. E, consoante isso, aproveito para discutir a ausência de uma política pública de cultura ao menos um pouco mais interessada no que tange às manifestações artísticas daqueles que fazem arte em nossa cidade, seja em que campo for, isto é, seja na música, sejam nas artes plásticas ou cênicas, seja na dança, no cinema, na literatura, e por aí vai. Digo isto porque, ainda que a chuva tenha prejudicado um pouco, você receber uma apresentação de um nível técnico-musical como esse era de se pressupor ter uma dedicação, um empenho um pouco mais acurado dos agentes públicos, notadamente nas áreas de cultura e educação, não tanto de prestígio, que talvez nem o cantor merecesse tanto, mas ao menos de abertura de oportunidade a que os alunos das escolas de músicas e artes da cidade, assim como as crianças e adolescentes e jovens da rede pública municipal de ensino, viessem a conhecer um elemento cultural diferente, que talvez nunca tenham visto, e que talvez nunca terão oportunidade outra para ver.

A mim não me estranha isso. O registro da indignação é apenas para reiterar o que venho dizendo há anos, de que há pouco ou nenhum interesse dos agentes públicos de abrir portas a que as mentes de nossas crianças e jovens consigam enxergar que há muito mais que mistério além das divisas do parco conhecimento que têm dentro das parcas possibilidades que o município oferece como prontas para eles.

Ver, num espaço que caberiam ao menos 300 pessoas sentadas, não mais que 30 pessoas prestigiando meu recital dá aquela sensação a qualquer artista em que se fica perguntando se vale mesmo a pena persistir, continuar, teimar. Mas, muito mais que o público ausente, pude sentir a ausência, então, dos alunos da escola municipal de música, que deveriam ter como elemento curricular a ida a eventos deste nível. E muito mais ainda pude sentir a ausência das autoridades constituídas, ausências essas que refletem o latente descaso com que se trata a disposição de alguém que, como eu, procurou apresentar algo sui generis na cidade, sem que dano algum tivesse dado aos cofres públicos (aliás, muito mais custo teve a própria paróquia que dispôs do espaço, da luz, do som, do pessoal de apoio etc). A próprio diretora de Cultura, professora Cynthia Riggo não se fez presente! Desta minha indignação salvaram-se o vice-prefeito André de Paula (que sigamos lembrando: não é meu parente!), que se fez presente ao lado de sua esposa Márcia Sodré, o diretor de Comunicação Celso Vernizzi (que abriu o evento), e Eduardo Ribas, Secretário de Turismo, Cultura e Esportes, este um tanto suspeito por ser amigo de infância, ou por ter tido oportunidade anterior de conhecer meu potencial vocal, além do vereador Sussumu que trabalha na administração da paróquia.

Não. É mais que certo que ninguém tinha obrigação implícita de ir me ouvir em meu recital. Mais certo ainda que este e aquele – autoridade ou não – haverá de lamentar não ter ido, buscando desculpa em outros compromissos assumidos anteriormente, no esquecimento, ou mesmo da desculpa esfarrapada da chuva que caiu: “ah, começou a chover e eu pensei que iriam cancelar porque achei que era do lado fora…”, ainda que eu tivesse insistido, até com veemência, de que o encontro musical seria DENTRO da igreja!

A questão, portanto – sigo lembrando – não é o fato de ser sido eu, ou de ter sido um evento em que eu era o protagonista, o cantor. Sei das minhas limitações e talvez até mesmo não tenha mais tempo ou oportunidade para alcançar o nível de um Andrea Bocelli, e também nunca tive pretensão de ser melhor que qualquer que seja, seja em qualquer área. O descaso de ontem é só mais um dentre os tantos que a gente tem notícia e conhece, imaginando até mesmo que seja perene, um vício, diria que uma iniquidade cultural que já cauterizou a mente das pessoas, seja no seio do povo, seja em meio aos mandatários, a ponto de eles já pouco ou nada se importarem e até mesmo de não acharem que isso seja tão errado assim.

Passei por experiência semelhante quando trouxe as crianças do Instituto Baccarelli, em seus primórdios, para conhecerem o mar e para se apresentarem – coro e orquestra – na Igreja de São José Operário, no Caraguava, anos atrás. O maestro Sílvio Baccarelli, juntamente com seu pupilo Edilson Venturelli mal começavam seu projeto musical junto às crianças da favela Heliópolis – uma das maiores, senão a maior de São Paulo, mas já davam mostras do sucesso que aquela iniciativa iria resultar, fazendo com que a Orquestra Sinfônica Heliópolis viesse a ser hoje referência no Brasil e no mundo inteiro, já exportando jovens talentos para orquestras importantes nos Estados Unidos, Alemanha e Israel (para citar alguns países apenas), e eu conseguia trazê-los para se apresentarem em Peruíbe. Escolhi a Igreja de São José Operário por acreditar que a população iria se mover a se fazer presente, e, portanto, iria vir a precisar de um espaço grande. E foi grande o meu engano. Algumas dezenas de pessoas foram à apresentação, e, dentre as autoridades, apenas dois vereadores compareceram: Maria Onira Betioli Contel (professora Onira), e Carlos Luiz Rúbio (Carlito Massagista).

No que tange à esta coisa de cultura, e sempre que inquirido a respeito, não me demorava em responder que a única cultura de que nossos agentes públicos entendem é a cultura de batatas. E hoje vejo, com alguma tristeza no coração, que esta realidade sofrida não estava apenas no conceito (ou no preconceito) de políticos do passado, mas que parece teimar em reinar nos políticos de hoje também.

Quem sofre com isso é a própria cultura em si. Ou pelo menos aquela que surge de tentativas públicas um tanto quanto tímidas (muito políticas e nada sociais) de se fazer algo em favor desta importante ferramenta de fomento ao progresso de nossa cidade. O que resulta disso pode-se ver no concerto de natal deste ano da nossa banda, que era algo que vinha seguindo um roteiro de tradicionalidade ano após ano, e que era mesmo esperado no curso do ano com certa ansiedade pelos amantes da boa música. Para quem entende, e para quem conhece, passa a ser dever alertar que a qualidade técnico-musical de nossos jovens instrumentistas vem caindo a níveis alarmantes, e já até mesmo o repertório tem que passar a ser apelativamente popularesco. A começar pelos instrumentos velhos e puídos, não se vê mais tantas crianças com aquele desfile de talentos como outrora se via, e os eternais Maestro Sérgio Luiz da Silva e Maestrina Elizete da Silva têm que se virar como podem para não permitir um encontro entre a banda musical municipal e a orquestra de crianças do Instituto Relfe (por exemplo), para não fazer feio.

Pois bem. Isto posto e registrado como deve ser, e partindo da premissa de que o novel governo comandando pelo jovem prefeito Luiz Maurício tem por mote o resgate da dignidade do povo de Peruíbe, é tempo, portanto, de se perguntar o que é e como é que se pretende agir para que nossos artistas saiam do limbo, do ostracismo, para virem a lume oferecer mais e melhor luz para nossos olhos e ouvidos?

Será que fazendo permanecer velhos conhecidos, com seus evidentes comprometimentos políticos e avidez pelos cargos e pelos salários, em áreas tão nevrálgicas como a cultura e a educação trará alento de que alguma coisa ao menos comece a ser mudado na mentalidade de nossa gente ao longo dos três anos que separam este governo das próximas eleições? Ou será mesmo que, como muitos têm apostado, o prefeito Luiz Maurício decida agora, já no início deste seu segundo ano de seu governo, dar uma guinada de 180 graus em sua equipe, trocando os agentes políticos (sobre os quais tinha compromisso de campanha) por agentes técnicos, estes agora, totalmente descompromissados com a política?

Ainda que entendam por estas letras que eu fiquei despeitado por não ter tido público para meu recital, e por não ter sido prestigiado pelas autoridades, o fato é que – quer creiam ou não – o próprio recital de canto que ofereci ontem na Igreja Matriz, fi-lo não por mim, mas por Peruíbe, por minha cidade! Como dizia o poeta Giógia Júnior: “Que vaidade teria a estrela em seu poder, a flor em seu perfume?” Bem longe da pureza do perfume da flor, ou da majestade de uma estrela, quem esteve ontem na Igreja Matriz pode testemunhar de que algum mérito há sim em minha voz! Mas nem mesmo os colegas da imprensa acorreram para me prestigiar ou registrar o evento! É desanimador, convenhamos.

Não posso terminar este desabafo sem deixar marcado aqui o meu agradecimento ao padre Marco Antonio Rossi e ao vereador Hélio Sussumu por terem aberto da igreja para meu recital. Agradecer também aos colaboradores, a começar pelo prefeito Luiz Maurício, e seguindo com a De Paula Corretora de Seguros, De Paula Topografia, AW Matos/Terraloc/Alex Matos, TV+/Socorro Mendonça, Maranatha Jóias/Diácono Zeca, Peruíbe Suíte Flat Hotel, Pão de Maçã, Pamplona Imóveis e Cheff Grill; e agradecer também à professora Regina Galetti e ao maestro Nelson Gomes que gentilmente me acompanharam ao piano e na flauta respectivamente.

Teremos outro? Não sei. Sinceramente não sei. Este primeiro eu não esperei ser convidado. Corri atrás e consegui realiza-lo. O próximo já não valerá a pena tanto empenho e desgaste meu e de familiares, principalmente de minha esposa. Isto significa que esperarei ser convidado? Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não ouso pretender tal; mas estarei sempre à disposição. Para isto e para aquilo. Se não haverei de esperar cachês ou louros, ao menos quero garantias de que realmente mudou a mente dos direcionadores da cultura no município. E para melhor!

Washington Luiz de Paula

Carrapicho – O grude desgrudou

A agonia física, biológica, natural, de um corpo por fome, sede ou frio, dura pouco, muito pouco, mas a agonia de uma alma insatisfeita dura toda a vida
Federico Garcia Lorca

Perdi um amigo hoje. Perdemos um amigo hoje. Perdemos Mauro Sérgio de Araújo, o querido por todos Carrapicho. Sim. Por todos! Assim, eis que se vai um homem que conseguia reunir, dentre outros, este predicado singular: o de ser querido pelos que lhe eram amigos, mas também pelos que não tanto.

Ultimamente eu e ele estávamos ali no liame tênue que une a amizade que já foi muito próxima outrora, para aquela que, por conta dos revezes e diferenças no campo das ideologias – notadamente as políticas – nos mantiveram equidistantes. Mesmo assim, o considerava querido amigo. Amigo daqueles que preferia não ver perdendo para a inexorabilidade da morte.

Há os que estão calcinados pela frieza destes tempos hodiernos e podem até dizer, com evidente desprezo que “antes ele que eu”. Eu, contudo, despeitado me revelo para dizer que preferia que fosse antes eu que ele. Ora, se a morte assim é tão líquida e certa, e há de nos arrebatar uma hora ou outra, vejo que melhor seria que ela já tivesse me arrebatado antes mesmo de ter visto meu pai partir, ou de começar a ver como venho vendo há bons pares de anos meus amigos de infância partirem. Não. Recuso-me a ver meus irmãos partirem antes que eu me vá! Mas tenho que entender também que este desígnio não está no plano de minha vontade, muito embora custe também a crer, como mal cristão que sou, que Deus tenha mesmo alguma coisa a ver com essa coisa de morrer, notadamente quando se morre de morte violenta ou provocada por descaso profissional dos cuidadores da saúde, ou mesmo por descuido com a própria saúde…

Sendo assim me parece mais que Carrapicho foi apenas mais uma vítima desta política injusta, cruel, desumana, insana que envolve toda a saúde pública neste país de larápios do dinheiro que deveria ir para os hospitais e que, por mais não terem como justificar tantos e tais desvios, criam uma tal de “regulação de vagas”, que ao mesmo tempo que não regula nada, regula as vagas existentes – porque elas existem! – para apadrinhados e apaniguados daqueles que comandam o status quo.

Com efeito, portanto, não adianta se ter um atendimento competente no pronto socorro, se se tem que esperar horas, e às vezes até dias (como aconteceu com o Carrapicho) até que algum iluminado desgrude a bunda de sua confortável cadeira, desligue o jogo de paciência do computador, para cuidar de prestar assistência àquele que não pode esperar mais um minuto sequer, que dirá dias! (Isso sem contar que, se você chega com alguma emergência em qualquer hospital deste país, você é prontamente atendido e avaliado o grau de emergência, cuidando do devido encaminhamento dentro do próprio hospital).

Sendo assim, recuso-me aceitar que Carrapicho morreu porque chegou sua hora, ou porque essa era a vontade de Deus! Acreditar nisso é o mesmo que dizer que essa casta de bandidos que governa (sic) nosso país, desviando dinheiro que deveria ir para a saúde, não são mais que meros colaboradores de Deus, promotores da vontade de Deus para que este morra hoje, e amanhã morra eu ou você!

Vejam os senhores que esta “homenagem” que deveria estar prestando apenas e tão somente ao dileto Mauro Sérgio Araújo – o Carrapicho, segue o mesmo viés que norteou a vida dele próprio, que foi o da indignação com duas coisas que ele conseguia, como poucos, ver muitíssimo bem: por um lado, a crueldade com que os mandatários do município, do estado e da nação conduzem o destino do povo, se contrapondo, na outra ponta, com a mediocridade desde mesmo povo que sabe pouco escrever ou se expressar, que sabe nada interpretar o que se fala, se escreve e se demonstra, que não lê um livro sequer ao longo de toda a vida, que não quer saber de estudar, que é pouco dado ao trabalho, mas que é muito dado à malandragem.

Como todos os poetas, Carrapicho era um indignado. Sofria o revés de se ver tolhido de mais poder fazer para que o lamentável estado de penúria intelectual que tomou conta do consciente coletivo tivesse ao menos um desvio para que as pessoas, de modo especial os seus próximos, melhorassem um pouquinho que fosse.

A pergunta que faço agora para este instante de transe em que nos despedimos do Carrapicho, é a mesma que um dia quem sabe alguém fará quando eu também me for deste plano: Se todos o tínhamos como amigo, será que ele mesmo considerava que nós outros éramos de fato seus amigos? Deveras, tinha Carrapicho amigos? Pois é, chego a recear que não tivesse tido amigos de verdade, a começar de mim que poderia ter sido mais e melhor amigo dele. E arrisco a dizer que muito mais amigo que todos os seus amigos era o cigarro, que foi seu companheiro de mais de quatro décadas, mas que, também ele – o cigarro – o acabou traindo, a ponto de vitimá-lo à morte.

Carrapicho se vai num momento em que eu e o não menos querido José Antonio Pereira – o Zé Capacete, nos preparávamos para reunir nossa turma de formandos do antigo Colégio (hoje 2º Grau), para um almoço de confraternização em que memoraríamos nossos 40 anos de formatura; e agora já nem sei se levamos à frente este projeto, principalmente depois desde dia de hoje em que Carrapicho foi se encontrar com Luiz Lucas do Santos, Virgílio Dias de Oliveira, Gerti Rose Marie Ubrig, Aparecida Andrade, Luiz Elias Pacheco, e algum outro daquela alegre turma de 1977 que talvez também tenha morrido, cujo fato não tenha me chegado ao conhecimento.

A forma como Carrapicho encarou a vida de veia e alma de poeta, foi a de fazê-la inusitada, incorporando na irreverência com que trajava a barba sempre por aparar a própria poesia que sempre o sustentou. Carrapicho, portanto, era um poeta completo. Mas, e daí? Quem se importa? Você que tem tido paciência de ler meus longos textos, e me que lê agora, conhece alguém que tenha lido uma poesia sequer no curso deste 2017 que termina, ou mesmo de toda vida? Pois é. É muito provável que Carrapicho já tivesse perdido a vontade de escrever, ainda que soubesse que muitas das revoluções que moveram o mundo nos séculos passados começaram por versos de poetas como ele. Diferente dos poetas fabricados nas escolas de Letras, compreendia Carrapicho o que Garcia Lorca outrora escrevera: “A poesia não quer adeptos; quer amantes”. E é justamente neste diapasão que eu e ele nos entendíamos, pelo que ouso afirmar que nossas almas estiveram desde sempre unidas pelos laços dos versos e da prosa.

Por esta união transcendente que invoco agora é que presto esta derradeira homenagem em vida ao estimado Carrapicho, na certeza de que, com a morte dele morreu também um pouco de mim mesmo. Vá em paz! Ainda que eu saiba que não demora para que você seja relegado ao ostracismo das lembranças, saiba você que ao menos para mim você fará falta; muita falta! Falta até mesmo do tempo em que estudamos juntos em todos aqueles bons anos do “ginásio” e do “colégio” (estivemos sentados lado a lado ali no “Kalil” e “Jardim Brasil” desde 1971 até 1977). E não adianta perguntarem: não sei exatamente porque do apelido “Carrapicho”. Posso supor, mas não afirmo. É possível que de tanto amigo, podia ser considerado um “grude” tal e qual um carrapicho agarrando em nossas pernas juvenis. Se assim foi ou era, eis que agora o nosso Carrapicho desgrudou de nossas pernas e calças. Pois que desgrude! Mas que jamais desgrude de nossos corações que hoje está ferido por este espinho a nos espetar a alma.

Termino este tributo lembrando ainda outra vez Federico Garcia Lorca (1898-1936), o revolucionário poeta e dramaturgo espanhol, justamente ele que foi fuzilado em muito por conta de sua verve, em frase que parece resumir o pensamento de Carrapicho: “Como não me preocupei de nascer, não me preocuparei de morrer”.

Que o bom Deus o tenha.

Washington Luiz de Paula

Eu, o sexagenário

Comemoro hoje 60 anos. Meio século mais 10 anos que o bom Deus me confere, pelo que tenho que agradecer ao Autor da vida. Não fosse Ele, sequer teria nascido. Não fosse Ele, o milagre do surgimento da vida que tantos hodiernamente tentam violentar assassinando crianças indefesas ainda no ventre da mãe não teria acontecido. Não fosse Ele, o milagre da preservação da vida não teria permanecido em mim, em dias, meses e anos em que grassa a violência gratuita, fútil, despropositada, que tem ceifado tanta gente inocente Brasil e mundo afora.

Por tudo isso, eu agradeço ao meu Deus.

É curioso, entanto, que não me sinta assim entrando na terceira idade. Muito embora seja sedentário convicto, ainda assim sinto a vida fluir dentro de mim como se ainda eu estivesse no auge dos meus 30 anos. E talvez seja por isso que rejeite as benesses de algumas leis segregacionistas implantadas nos últimos anos no Brasil que confere privilégios a “velhos”, exatamente porque não me sinto velho. E olha que eu até acho que o “velho” deveria ter preferência em filas e atendimentos gerais, mas desde que ele fosse (ou estivesse) efetivamente velho; e, neste sentido, continuo achando que não deveria ser o Estado a interferir na vida do cidadão para obrigar-lhe a ter aquilo que nele deveria ser inato, que é a educação.

Mas isso lá são outros “quinhentos”, ou, no caso, talvez melhor se disséssemos que são outros “sessenta”. O importante é que a vida segue.

Evidente que, pelo curso natural da vida, e considerando o padrão da idade média de vida do brasileiro, já acelero os passos para encontrar-me com o Criador. Se, 30 anos atrás, tinha expectativa de viver pelo menos mais 40 anos, hoje a expectativa se reduziu a um quarto. Em tese, teria, portanto, mais 10, quando muito 20 anos de vida pela frente. Não! Mas isto não me aflige. Embora não possa dizer que tenha vivido bons anos durante estas seis décadas que agora ficam para trás, ao menos trouxe destes anos o meu casamento e o fruto deles: meus três filhos que agora já vêm de me dar netos e netas. Lamentavelmente, para outras facetas da vida pregressa, não me agradam muito as lembranças.

Agora, ao refletir sobre os tantos erros cometidos, e começando a me desesperar por tentar querer fazer em 10 anos o que não fiz em 40, não posso chegar a outra conclusão que a de oferecer para mim mesmo um solene “mea culpa, mea máxima culpa”. Sim! Atribuir culpa a terceiros por nossas mazelas do passado é não ter a dignidade que a entrada para a velhice vem de requerer da gente. Fui o que fui, fiz o que fiz, deixei de ser o que gostaria de ter sido, deixei de fazer o que gostaria de ter feito por obra exclusiva de minha histórica teimosia se contrapondo à vontade principalmente de meu pai, e não aceitando convites de oportunidades que amigos distantes de Peruíbe me ofereceram.

Lembro-me de quando ingressei na faculdade em 1978. Naquele tempo – 39 anos atrás, e eu com 20 anos de idade, portanto! – eu sonhava que chegaria aos 30 com bacharelado e mestrado em Teologia, e tendo feito pelo menos um ou outro curso paralelo (talvez Sociologia, Filosofia ou Psicologia). Não me demorei mais que três anos e, em 1981, aos 24 anos, ingressava para a política, hipnotizado pelo canto de duas desajeitadas sereias, travestidas nas pessoas de dois amigos que me tiraram da faculdade e fizeram retornar para Peruíbe. E olha que eu bem que consultei o deão na faculdade, o glorioso, calmo, sereno e tranquilo professor Bertoldo Gatz, ao que ele me disse, em tom grave e forte sotaque alemão: “Washington, você vai deixar o faculdade, vai entrar para o política, depois você vai se casar, virão os filhos, e você nunca mais voltará para cá!”. Fora um vaticínio! Nunca mais voltei!

Ah, a política. Você conhece ciência mais ingrata que essa? Ou conhece alguém que tenha ascendido e sido bem-sucedido na política sem que tenha uma história para NÃO contar? É, meus queridos, fui vítima dessa engrenagem, desse redil cheio do visgo da desonestidade, da corrupção, do levar vantagem, do passar por cima dos outros, o pisar impiedosamente sobre a plebe.

Lembro bem a inauguração do estigma que me persegue até hoje nesta cidade. Era mês de setembro e o governo do estado fizera um concurso sobre o “Dia da Árvore”. Eu tinha talvez 16 anos. O casal querido de professores, Carlos Alfredo Ubrig e Jacira Marques Correa Ubrig (de inglês e português respectivamente) já conheciam meu talento para as letras, e me incentivaram a participar do certame, e eu sagrei-me vitorioso no município. Por iniciativa do médico e poeta Dalmar Americano da Costa, então vereador, a Câmara me conferiu uma moção, e, para entrega da homenagem, foi designada uma sessão solene. Dois terços dos nove vereadores da época torciam o nariz para a novidade, e foi assim que o então presidente Oswaldo Linardi pedia que aquele que me homenageara lesse meu trabalho da Tribuna, quando a expectativa de meus professores e colegas que enchiam o plenário da antiga sede do Legislativo. Dr. Dalmar, pressionado pelos colegas, alegou ter esquecido os óculos em casa, e a leitura coube propositadamente ao vereador Ildo Inocêncio, sabidamente semianalfabeto. Ildo, que era um sujeito metido a “facão sem cabo” (como diziam os antigos caiçaras), matou o meu trabalho, e o professor Carlão puxou uma vaia de seus alunos que reverbera até hoje sobre minha história, mesmo passado 44 anos!

Dias depois, quando o governo estadual chamava os representantes das cidades para o fase regional daquele concurso, e eu sem dinheiro, e meus pais sem recursos para me ajudarem a ir até Santos (e olha que naquela época ir a Santos era como ir para um outro país hoje!), me indicaram o também então vereador e advogado Eduardo Monteiro da Silva, representante do espólio das terras de Leão Novaes e, portanto, tido como “abastado” a que me ajudasse, e sua resposta foi das mais desmotivadoras para o pleito que fora lhe levar, embora naquele momento eu começasse a me sentir impelido a seguir a saga que me estava reservada pela vida e pela história, que era a de fazer jornalismo, embora desde sempre informal.

Mas este transe marcou uma sina: Nunca mais eu haveria de ser lembrado com alguma lembrança em termos de oportunidade, apoio ou incentivo ao meu trabalho que se seguiu àquele momento. Até mesmo aquele que me fora retirar de meu sonho na Capital, quando esteve em cargo de relevo junto ao governo do Estado, e, depois, quando se viu prefeito, sequer se lembrou de mim.

Nestes 60 anos de vida, dos quais 50 anos em Peruíbe, e 44 anos escrevendo a história e a política de Peruíbe, posso dizer que já vi muita coisa. Sou, como se poderia dizer, um registro ainda vivo de centenas de desmandos e mazelas colecionados junto à classe política municipal, notadamente de 1976 para cá, quando debutei nos bastidores de uma campanha eleitoral em Peruíbe. Mas, muito mais do que ter visto e registrado, soube pensar sobre o que fizeram e sobre o que deixaram de fazer por Peruíbe. E isso de “pensar” é o que aborrece esta casta acostumada a conduzir o povo com arreio curto e freio de fel.

Não quero me delongar nestes devaneios que a nada levam. Eu quero é mais – e que se rale o povo que gosta de ser gado marcado, e que sigam para o inferno no qual não acreditam todos aqueles que enfiaram no bolso qualquer tostão que tenha sido desviado na merenda de nossas crianças, ou de remédios e insumos da saúde municipal.

O que eu quero dizer é que, se eu vier a morrer hoje, em pleno dia de meu aniversário de 60 anos, eu, embora (como já dito) não possa dizer que fui necessária e efetivamente feliz, mas ao menos eu vivi com a dignidade daqueles que podem dormir – e morrer – em paz. Nem mesmo a dezena de processos da qual fui vítima nestes anos todos, nem mesmo os 17 dias que passei encarcerado por obra de uma acusação injusta, mas arquitetada por algumas pessoas que meu coração ainda permite receber hoje em minha casa como se nada eu soubesse, ou como se nada tivesse acontecido, podem ser maiores do que eu mesmo e do orgulho que carrego no peito de ter aprendido algumas regrinhas básicas de nossa língua pátria com minha saudosa professora Jacira, tornando-me hoje neste elogiado escritor – ainda que não reconhecido como devesse.

Se tributo honra aos meus professores, estendo glória a meu Deus, para seguir repetindo Gióia Júnior quando disse: “Para a glória de Deus é que em noites frias e longas madrugadas meus versos tenho escrito! Eis a grande verdade: Que vaidade teria a estrela em seu poder, a flôr em seu perfume?” Pois é. Sigo o exemplo registrado pelo Mestre em seu Sermão da Montanha para quem se nem mesmo Salomão, com todo seu esplendor e riquezas, se vestiu mais formosamente que um lírio do campo, quem seria eu agora para me ufanar por esta facilidade que os Céus me conferem?

Um dia, ainda no ano passado, quando registrei em meu blogue a passagem de André Santana pelo Gabinete, lembrando-lhe de suas constantes viagens de Turismo, e seguindo na lembrança de que “viajar ganhando R$ 10 mil por mês” é fácil, o insigne cerimonialista não demorou em destilar o veneno do qual tenho sido vítima anos a fio: “Pelo menos eu não tenho uma história triste para contar!”. Ele tinha razão. Minha história é triste. Mas história menos triste eu teria para contar se ele, seu compadre e protetor-mor Paulo Henrique Siqueira (Paulão), e a então prefeita Ana Preto et caterva tivessem honrado o compromisso comigo que se arrastava desde a campanha dela em 2012 que, se contabilizado hoje, daria mais de duas centenas de mil reais! Ah! Esteja certo, compadre André: Se eu tivesse dinheiro hoje, neste meu dia de aniversário, estaria com meus netos no colo, contando-lhes histórias boas e felizes neste meu dia, mas muito longe daqui, preferencialmente lá para as bandas das Minas Gerais, em cujo solo já sigo pretendendo ser sepultado um dia! E para isso não precisaria muito: bastariam os poucos meses que você ficou na chefia de Gabinete, ganhando estimados R$ 10 mil por mês!

Em família o momento não é lá para grandes comemorações. A enfermidade de meu irmão, e os revezes que se seguem a ela, não nos permitem brinde algum que o de continuar rogando a Deus que se apiede de nós, e nos conceda paz, ao menos paz, já que dinheiro, convenhamos, está difícil. Muito difícil.

Deus nos abençoe a todos. Sempre.

Washington Luiz de Paula

O que há de certo (e de errado) nesta traição

A exposição pública a que meu irmão Wanderlei Abrahão de Paula se expôs dia desses, através de seu perfil no Facebook, suscitou uma polêmica que, em dois dias, colecionou 300 curtidas e 144 manifestações de seus (a maioria) amigos e amigas.

Não venho aqui usar este meu espaço para estender julgamentos ou pré-julgamentos. Consoante à infidelidade conjugal tenho pensamento que fere alguns princípios mais radicais e ortodoxos, ao mesmo tempo em que sigo sendo ortodoxo no pensamento cristão de ser contra o divórcio, seja em que circunstância for. Para mim, a prevalência deve ser do perdão. Sempre.

Claro que há casos e há casos. O próprio Jesus, ao tentar mostrar que não tinha intenção de mudar a lei que permitia o oferecimento de carta de divórcio por parte do cônjuge somente em caso de adultério, mas sim de oferecer uma interpretação, digamos, mais justa, adequada e contemporânea ao tema, trouxe a lição de que não há limite para o perdão, que deve exceder à conta dos “setenta vezes sete”.

Mas, se errar é humano e o perdoar é divino, convenhamos: é mais fácil errar do que perdoar. Perdoar, por suposto, é horrivelmente difícil. É uma luta que se trava contra o ego, contra o amor próprio, o orgulho, a vaidade, os costumes, as tradições, as culturas, os preconceitos, a ponto de eu afirmar que somente aquele que experimenta o receber e dar perdão sincero e verdadeiro pode sentir a plenitude da paz e do amor também verdadeiro, que só Deus nos oferece e dá.

Como eu sou humano, confesso que, para o caso em tela, estou com pedras na mão! Mas, não para atirar sobre aquela que agora recebe a acusação de adultério, até porque torço que isso tenha sido um caso sazonal, esporádico, fruto de um momento de desespero que se estendeu ao transe cruel e triste pelo qual passa meu irmão; logo, se assim for, não podemos imputar-lhe pecha de “adúltera”, porque não useira e vezeira na lide. A pedra, se a fosse lançar, se a pudesse lançar, seria contra aquele que desgraçadamente se aproveita de um momento de fragilidade para se aproximar de um objeto de desejo puramente sexual e aventuresco, para quem imputo, com o perdão dos meus muitos pecados, mas com a boca empostada e as pregas vocais vibrando, e o ar apoiado no diafragma, o mais solene epíteto de CANALHA!

Não pensem que estou só nesta indignação. Como gosto de estatística, colhi as opiniões das manifestações apostas no desabafo de meu irmão, e vejam que curioso:

  • 59,72% dos que se manifestaram lá são homens, contra 40,28% de mulheres.
  • Dos homens que se manifestaram, 89,53% aprovaram a atitude do Wanderlei, e apenas 10,47% desaprovaram a exposição pública de sua vergonha familiar.
  • Já entre as mulheres, 84,48% se solidarizaram com o Wanderlei, e apenas 15,52% buscaram justificar razão para desaprovação do post publicado

Na regra geral 87,50% mostraram indignação contra a atitude da mulher, e se solidarizando com o Wanderlei. 12,50% ou esbravejaram pela acusação pública, ou simplesmente rogaram para o post fosse retirado do ar.

O que nos mostra e ensina isso? Em primeiro lugar expõe uma hipocrisia latente que aflora em momentos de descobrimentos como esse que não têm nada de inusitado, e que acontecem diariamente, estando a acontecer em algum canto desta cidade neste exato momento em que escrevo ou que você me lê. A traição conjugal é, inclusive, motivo de pilhéria, de piadas, e já entrou para o folclore. Em segundo lugar, que, principalmente numa cidade ainda pequena como Peruíbe, prevalece sempre o provincianismo.

Não se trata aqui de discutir que a mulher é sempre a culpada, até porque, como vemos nos números acima, são as próprias mulheres aquelas que mais condenam atitudes como a da esposa de meu irmão, e isto por uma razão simples: são elas as maiores intolerantes quando o assunto diz respeito à traição. A nomeação dos homens pelo expurgo da mulher pega em adultério é, digamos compreensível, e crédito seja dado ao corporativismo masculino.

Lógico que não estou dentre os 10,47% dos homens que desaprovaram a atitude do meu irmão. Eu a aprovo porque, conforme testificamos ontem à noite na casa de minha, isto “lavou sua alma”, e ele até que estava se sentindo bem mais leve – a ponto, inclusive, de pôr-se em pé por alguns segundos (e por pelo menos três vezes) – e sozinho! – o que é um feito memorável para alguém que a Medicina já condenou à cadeira de rodas para sempre! E mais: sorrindo (acho que de nós todos, o Wanderlei é aquele que tem o rosto e o sorriso mais bonito), ele me chamou a atenção para mostrar que conseguira balbuciar um “a – e – i – o – u”, que já valeriam toda comemoração do mundo, e compensariam toda amargura sofrida e passada até aqui.

Bem, mas entendo que merecemos respeito. Fazemos parte da história dessa cidade. Minha família é aquela que se pode chamar de “quatrocentona”, embora Peruíbe venha comemorar os 60 anos que amanhã comemoro somente daqui dois anos. Esse sujeito que resolveu interferir no curso da história de minha família, entendo que deixa de merecer o crédito, a consideração, a preferência, por parte de todos aqueles que, nesta cidade, nos conhecem, e conhecem cada um dos “de Paula”. Fosse ao tempo de minha avó Colutorina – a desteminha Nhá Coluta! – lá para as bandas de Rebouças, no sertão do Paraná, nos idos dos anos 50 (não muito longe, portanto), este sujeito seria amarrado a uma carroça, com uma canga ao pescoço, e atravessaria a cidade gritando: SOU ADÚLTERO! SOU ADÚLTERO! E se o grito não fosse convincente e alto, o chicote de três pontas comeria solto no lombo!

Os tempos são outros, e minha avó já morreu. Meu pai, com seu Schmidt à cinta também já morreu. E nós todos, porque sofrendo como estamos, também estamos sucumbindo face a inexorabilidade das coisas que acontecem ao nosso derredor e que não deveriam mais nos surpreender, mas que continuam nos surpreendendo.

A vergonha? Não! Esta não morre nunca! Continua por ai desfilando como se estivesse numa passarela da moda, certos que cada vez mais ficam da impunidade que para estes e outros casos se pereniza.

Que o bom Deus me faça sábio e forte o suficiente para dar o outro lado do rosto a este que nos bateu violentamente em uma de nossas faces – e que nos faça dignos de darmos também a túnica a este que nos roubou a capa.

Washington Luiz de Paula

O “déjà vu” antigo do Plínio, o Velho

Plínio, o Velho
Há dias venho buscando recursos de vontade para escrever sobre minha indignação ao ver mais uma vez os prosélitos que buscam engendrar no consciente coletivo a ideia de que tudo vale a pena, desde que seja para demonstrar que as coisas quanto piores elas estejam, tanto melhores estarão. Sim, tanto melhor! Evidente que melhor, não obstante, apenas e tão-somente para eles e para seus interesses nunca confessáveis.

Esperei, portanto, passar a feliz “bagunça” desse quase “carnaval fora de época” em Peruíbe para declinar, como não poderia deixar de ser diferente, minha verve contra estes e aqueles que são useiros e vezeiros os apóstolos do quanto pior, melhor.

Felizmente estes são dois ou três apenas. E todos já de sobejo conhecidos pela sociedade pelo quanto de folclóricos se tornaram pelo tanto que esperneiam, e também pelo nada que produzem de concreto em benefício do progresso (ou ao menos em prol de uma convivência saudável) de nossa urbe. Para estes não interessa quem está de plantão no governo; basta que haja governo; e, se o há, então são contra! Não fazem, portanto, uma oposição propositiva, já que esta, se fizessem – e propostas tivessem, até que seria saudável. Mas isto de propor alternativas não lhes interessa!

No caso presente que envolveu um evento há décadas não visto em Peruíbe, buscaram argumentos em quero-queros e em corujas buraqueiras que haveriam de serem perturbadas em seus ninhos terrenais com a instalação do sítio onde haveria de se realizar o Arena Peruibe Jureia Fest. Não logrando êxitos em seus reclamos em favor destes pequenos animais que certamente sabem se defender muito mais e melhor que qualquer humano, procuraram levantar o clamor dos ambulantes que vivem de vender bebidas e quitutes na orla da praia, vez que estes foram impedidos de concorrer com os “food-trucks” que os organizadores trouxeram para dentro da Arena.

Eu já vi esta história de perto quando Mário Omuro foi prefeito e praticamente inaugurou este tipo de evento na cidade ali pelos anos 1989-1992. Seus então famosos “festivais de inverno” mudaram de lugar por três vezes: uma vez foi na orla da praia, outra vez foi no Oásis (defronte da avenida Padre Anchieta), e, finalmente, no eixo onde hoje está o calçadão, desde a confluência das avenidas São João e Padre Anchieta, até a praia, passando pela “praça redonda”. As mudanças se deram pelos reclamos generalizados. E eram sempre os mesmos que reclamavam. Pensavam em seus próprios interesses e olhavam apenas para seus umbigos, mas nunca no bem comum, jamais em favor da cidade. Então, este assunto de ver e ouvir dois ou três querendo se contrapor aos milhares que prestigiaram o Arena Peruíbe Jureia Fest, é assunto que sequer estas linhas mereceriam, senão para que elas nos sirvam de lição e alerta para que, nós os homens e mulheres de bons costumes de Peruíbe, ofereçamos crédito nenhum a tais sabotadores da ordem e do progresso de nosso município.

Aos homens é oferecido ser ensinado para que aprendam. Plínio, chamado “O Velho”, naturalista romano que viveu entre os anos de 23 e 79 de nossa era, legou-nos um aforismo que vem bem a calhar para o momento: “O homem é o único animal que não aprende nada sem ser ensinado: não sabe falar, nem caminhar, nem comer, enfim, não sabe fazer nada no estado natural, a não ser chorar”. Mas o antigo ecologista romano parece não ter se apercebido que há homens que nunca aprendem, e há homens que até aprendem, mas que não usam o que aprenderam porque não atende aos seus interesses mesquinhos e pessoais. Diante disso, permanecem no estado natural, fazendo aquilo para o qual não precisaram de lição nem de escola para aprender, que é chorar. Chorar e reclamar. Por suposto, não encare qualquer semelhança da Roma antiga com a Peruíbe de hoje como sendo mera coincidência. Não é.

O fato é que todo governo incomoda a estes na medida em que conseguem estes medir quando o governo está sendo bem visto pela ampla maioria da população. Não é novidade. Foi o mesmo Plínio, O Velho, quem lembrou isso ao dizer que “nenhum governo é tão detestado como aquele que mais convém ao povo”. No caso de Peruíbe, ainda bem que detestado por poucos, por pouquíssimos.

A mim, que sou crédulo, faço menção ao bom Deus para agradecer pela oportunidade de estar vivendo em Peruíbe estes dias que se prenunciam alvissareiros. Claro que ainda falta muita coisa para ser resolvida, mas é de se notar que o prefeito Luiz Maurício está se empenhando, assim como toda sua equipe, para devolver a prometida dignidade ao povo de Peruíbe outrora e recentemente vilipendiada, roubada, assaltada, assassinada pelos políticos que em nada souberam amar Peruíbe e sua gente.

O termômetro para o sucesso de Luiz Maurício, portanto, é a insatisfação destes dois ou três de sempre. Um dos quais ficou mal-acostumados a ser calado em dois ou três governos passados com uma portaria para não fazer outra coisa que desviar recursos públicos para seu próprio benefício. Mas o prefeito Luiz Maurício jamais cederia a chantagem qualquer – nisso podem apostar! E outro não consegue responder a perguntas simples como quando se procura saber o que faz, qual sua profissão, o que produz e assim por diante.

Neste diapasão, portanto, que continuem reclamando! Afinal, governar de um jeito assim que tudo dá tão certinho que nada tem para se reclamar, ainda que injustamente, deve ser para lá de chato!

Por derradeiro, ainda que o prefeito Luiz Maurício já tenha se apercebido disso não de agora, vale registrar aqui a vociferada lembrança do pensador carioca Adalberto J. Gazio: “Os safados estão em toda parte!”. E estão mesmo!

Parodio aqui meu editorial de abril “Enquanto os cachorros latem, Luiz Maurício passa”, para dizer: “Enquanto a oposição chora e esperneia, Luiz Maurício governa”.

Washington Luiz de Paula

Ao mestre Joaquim Paulo, com carinho e saudade

Maestro Joaquim Paulo do Espírito Santo (esq.) e o discípulo Washington Luiz de Paula
Aquele que carregava “Espírito Santo” em seu nome só poderia mesmo ter sido dotado do dom que o notabilizou como exímio pianista. Dotado, não; superdotado! A mais singela expressão da quase simbiose que havia entre Joaquim Paulo do Espírito Santo com o piano eu ouvi numa das aulas de canto que tomava da professora Inês Stockler: “parece que o piano fala com ele, e ele com o piano”, disse ela certa vez, tal a leveza com que tocava. E era assim mesmo: fosse possível, Joaquim Paulo levaria seu indefectível piano, a tiracolo, por onde quer que fosse.

Desta sorte o piano talvez tenha lhe sido seu mais fiel companheiro. Era o seu cão amigo. Nenhuma outra pessoa talvez tenha dedicado o carinho e atenção que Joaquim Paulo merecia, não só por seu incomensurável talento, mas também por ser um homem simples que mal chegou a experimentar os píncaros da glória como músico, mas que, justamente por ser simples, sofreu agruras tantas, das quais a que mais lhe doía na alma, muito certamente, era o abandono de parentes, amigos e irmãos de fé.

Para quem viu Joaquim Paulo derramando lágrimas amargas do desespero de saber-se totalmente dependente dos poucos que ainda restaram próximos de seu convívio como eu vi, posso dizer com tristeza perene que tanto mais gostaria de fazer por ele quanto menos poderia fazer. Estive ao seu lado até que, mesmo involuntariamente, o bastão do cuidado foi passado para um ex-aluno – o cantor erudito Carlos Mader – quem foi seu anjo da guarda aqui na terra, até que, por sua vez, agora passasse o bastão do cuidado terreal para os anjos cuidarem dele lá na eternidade.

Mas, quem era Joaquim Paulo do Espírito Santo? Ele era meu amigo, professor de canto e regência, acompanhante de piano nos solos que cheguei a fazer pelas igrejas da região de Santo Amaro, e, sobretudo, grande incentivador de meus modestos dotes musicais. Lembro com que orgulho regi o coro da Igreja Batista Central de Santo Amaro em encontro de corais sacros na cidade de São Roque tendo ao piano o maestro Joaquim. Ele, que era um perfeccionista, chegou a ceder à minha imperfeição como regente; e, depois, quando vinha a bronca e a crítica, eram elas sempre acompanhadas de um largo e incentivador sorriso.

Seu currículo (veja aqui) ia muito além de acompanhar a mim e a seus ex-alunos em cultos religiosos ou em saraus em casas de amigos. Ele, cuja extensão musical atravessou fronteiras, chegando à Europa e Estados Unidos, acabou seus dias num cômodo e banheiro na periferia da capital, de onde só viria a sair para a peregrinação que se seguiu de estar internado em vários hospitais. Mas não conseguia disfarçar que gostava mesmo era de estar entre seus ex-alunos, e de tocar graciosamente para eles!

A tristeza que toma conta de mim neste momento não é tanto a do seu passamento, já que sua passagem é um descanso do tanto que sofreu nos últimos meses. Como disse ao amigo comum e também maestro Sebastião Soares Teixeira, tristeza maior é a de saber que Joaquim Paulo do Espírito Santo foi vilipendiado e expulso de uma comunidade cristã, acusado de um assédio que fizera a uma distinta senhora, o que mais tarde viria a confessar e a tentar se desculpar com a “vítima” que não era outra que uma “namorada”, embora esta não tivesse aparecido no encontro que o conselho pastoral convocara para este fim. Do episódio restou a lição dada por Jesus ao advertir os fariseus sobre a “trave” que ofuscava a vista do que somente conseguiam enxergar o defeito nos outros, vez que sua acusadora acabou excluída por estar – quem diria? – assediando alguns homens casados dentro da própria membresia.

Não foi bastante a utilidade do talento de Joaquim Paulo para o serviço da igreja local e, quiçá, para o Reino. Não foi levada em conta o primoroso trabalho que Joaquim Paulo conseguiu encetar com os músicos da igreja. Não foi levada em conta a humildade da qual devemos nos revestir. O Sermão da Montanha foi jogado no lixo!

Eis aí a mágoa que Joaquim Paulo do Espírito Santo carrega agora para o túmulo. Eis aqui o sofrimento que carrego no peito de não ter tido, a seu tempo, a coragem necessária para acolhê-lo em minha casa, mesmo morando num apartamento de três dormitórios onde existiam dois quatros inúteis. Eis o lamento de mais não ter podido fazer por ele por absoluta falta de condição financeira, mas, sobretudo, de não ter feito por ele o que poderia ter feito, ainda que com pouco dinheiro.

Vá em paz, Joaquim. Descanse, maestro. Aproveite, porque agora você pode descansar e não mais sentir dor. O céu é um lugar maravilhoso onde não há discriminação de qualquer espécie.

Deus esteja consigo. Deus permaneça conosco. Amém.

Washington Luiz de Paula

No vídeo abaixo, o maestro Joaquim Paulo interpreta ao piano “Clair de Lune”, de Debussy

Editorial – Termoelétrica – Por que (não) querê-la?

No Brasil existem cerca de 384 usinas termoelétricas em operação que representam 1/4 da energia produzida em todo o país
Quem dos senhores e das senhoras conheceu Ernesto Zwarg? Receio que poucos. Zwarg carregava sobre si, quase que numa simbiose, o estandarte da ecologia e do meio ambiente. Era um ecologista! Mas não chegava a ser chato. Antes, eu diria que era um ecologista romântico. Preferia usar das artes – notadamente da música – para tentar fazer reverberar sua luta, seus anseios, suas frustrações e – por que não dizer? – suas conquistas.

Vivendo na vizinha cidade-mãe, Itanhaém, Zwarg, antes, era um cidadão do litoral. Consoante ao seu tema predileto – a ecologia – Zwarg era também cidadão brasileiro e cidadão do mundo!

O diferencial deste saudoso amigo de todos os que, como eu, são saudosistas e sentem falta das lutas com efetiva causa que encetamos no passado, para os ecologistas raivosos e intolerantes de hoje, os quais vemos pichando bens públicos e privados numa tentativa egoísta de defender aquilo que acreditam ser o certo e a única verdade, o diferencial está no fato de que Ernesto Zwarg não olhava apenas e tão-somente para o seu umbigo. Antes, sua voz rouca invocava, ao som da rabeca, tanto que dançássemos o fandango em Una do Prelado, aqui bem perto, na Juréia, quando que entoássemos a canção triste pelo Salto de Sete Quedas que desaparecera engolido pela Usina Hidroelétrica de Itaipu, na tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai.

Zwarg e seus irmãos, filhos e sobrinhos, cantaram em dezenas de canções o descaso, o desencontro e o desencanto de ver desmatamentos desmedidos na Amazônia, lá no Norte, onde talvez nunca ou pouquíssimas vezes tenha estado, e entoou o cântico dos gnomos das cavernas de Eldorado, aqui no Vale do Ribeira – os gnomos… os guardiões da floresta!

A mim me vem a impressão de que Zwarg morreu triste. Ele que tanto lutara contra a instalação das usinas nucleares no Juquiazinho – uma das mais belas praias do complexo Jureia-Itatins, assim como contra o erguimento de uma cidade planejada para 70.000 pessoas em outras das praias que estão entre o Guaraú e o Uma, ambas as lutas revestidas de sucesso, não queria outra coisa que ter a alegria de continuar cultivando a cultura e a religiosidade do lugar, e que tinha seu ápice nas romarias a pé que fazia anualmente, desde Itanhaém a Iguape, para reverenciar o Bom Jesus de Iguape, cuja imagem nascera em um dos rios que serpenteiam a Jureia.

Quando foi impedido de continuar com essa peregrinação anual, descobriu que a Jureia que ajudara a conquistar como reserva de preservação ambiental não era mais para si, nem tão pouco para o povo do lugar, para o nativo caiçara. A Jureia estava circunscrita à meia dúzia de privilegiados que dela se apropriaram para fumarem sua maconha e se deleitarem em suas orgias sexuais, bem longe dos olhos de tudo e de todos.

O tema me vem à mente neste momento em que Peruíbe e a região discute a instalação de uma termoelétrica em área praticamente urbana da cidade. Vivo estivesse é bem certo que Ernesto Zwarg estaria a postos para expor seus argumentos e arregaçar as mangas para a luta da qual nunca fugiu – e não duvido que estes seriam contrários ao empreendimento. Não o faria, contudo, incentivando o desrespeito às pessoas e aos argumentos contrários; afinal, não era de seu feito se contrapor à democracia e ao contraditório. Talvez compusesse uma música, ou cantasse novamente “a saudade, Peruíbe, me maltrata o coração…”

Mas o que pensaria Zwarg de Belo Monte, cuja usina em construção haverá de fazer desaparecer vilarejos, florestas, habitats naturais de aves e animais, a flora e a fauna, aldeias indígenas, em extensão e número muito maior do dano ao meio ambiente que a que Itaipu provocou?

Sim, meus diletos leitores. Estamos diante do progresso e do preço caro e implacável que ele nos cobra de todos nós. Zwarg sabia disso. Lutava, é bem verdade. Mas sabia que a luta tinha um opositor feroz que, em nome do progresso e do bem-estar que este progresso visa proporcionar ao conforto da sociedade, cobrava, porém, o preço de privar-nos das coisas belas que Deus nos deu, e que um dia pudemos ver, e que ainda podemos ver, através da natureza.

O progresso nos cobra o preço caro inclusive da saúde. Mas, diante de tantas evidências de que o cigarro, por exemplo, é prejudicial à saúde, qual fumante consegue dele se privar? O maior agente poluidor responsável em grande parte pera degeneração da camada de ozônio da atmosfera que nos protege dos raios solares mortíferos continua sendo a queima de combustível fóssil como o petróleo, através dos combustíveis – gasolina e diesel – em nossos carros… Mas, quem está disposto a se privar desta comodidade e conforto? E assim seguimos, todos assustados com a menor possibilidade de se ocorrer um apagão em razão de crise energética no Brasil. Meu Deus! Como pensar a vida sem um banho quente, sem o gás para a cozinha, sem a energia para nossos televisores e eletrodomésticos. Como viver hoje sem celulares, cujas baterias trazem quantidade de metais pesados em quantidade suficiente para matar uma pessoa?

Neste sentido, concordamos todos que já estamos há muito escravizados pelo sistema. Se ameaça nos faltar energia em nossas casas aqui em Peruíbe porque não chove no reservatório que faz virar as turbinas de uma usina hidroelétrica, e o governo manda ligar uma termoelétrica lá bem longe, ficamos todos contentes. Afinal, a usina está lá, bem longe! Sua energia é bem-vinda, mas queremo-la bem longe. Quanto mais longe melhor. Aquela árvore gigantesca que dá sombra aos casais, abrigo e fruto aos pássaros, é muito linda e deve ser preservada! Mas, aqui na frente da minha casa, não. Caem muitas folhas no outono, seus frutos caem sobre o capô de meu carro e mancha a pintura. Aqui, não! Podem cortá-la!

A incompreensão sofrida por Zwarg estava exatamente nisto: ele não era egoísta. O que ele não queria para si, não queria para os outros. Acho incríveis as aventuras empreendidas pelos desbravadores do Greenpeace. Eles estão em toda parte. Se eles se importam com a causa das baleias e dos tubarões, caçados impiedosamente no mar do Japão, eles não comem carne de baleia, nem tomam a famosa sopa de barbatana de tubarão. E assim seguem arriscando suas vidas, seja para proteger as baleias lá na Ásia, seja para tentar preservar os corais no litoral do norte e nordeste brasileiro. São destemidos. Não têm medo. Mas são, sobretudo, coerentes com seus princípios, agindo e vivendo de acordo com o que pensam e pelo quê lutam.

Sendo assim, eu diria para você que, em razão do empreendimento bilionário que, em sendo levado a efeito, mudará a história de Peruíbe como que da água para o vinho, se tem que ser feito, em nome do progresso e da visível necessidade que a crescente demanda de energia reclama não só em nossa região como Brasil afora, por que não em Peruíbe? Por que seria melhor que fosse em Itariri ou Miracatu? Por que acham que somos melhores por não suportamos esse “ônus” que o progresso nos impõe que nossos irmãos que moram em cidades onde já funcionam usinas termoelétricas, algumas construídas até muito próximas de paraísos naturais?

Se me replicassem diretamente quanto ao assunto, eu repetiria Benedito Valadares Ribeiro, em seu mineirês: não sou a favor, nem contra, muito pelo contrário. Mas eu tenho que ser responsável e pensar no macro. O mundo não está circunscrito ao que meus olhos alcançam, que não passa de meu umbigo, já que o mais a barriga não permite mais enxergar. E eu posso asseverar que há centenas, talvez milhares de usinas nucleares e usinas termoelétricas em funcionando nos quatro cantos no planeta, e apegar-se a dois acidentes isolados como os de Fukushima e Chernobyl, é o mesmo que dizer que nunca mais haveremos de viajar de avião porque o avião que carregava os jogadores da chapecoense caiu.

É claro que nos assustamos bem mais com um acidente de avião que com um acidente de carro. No caso do automóvel morrem-se dois, três, talvez quatro; já, quando um avião se acidenta, perdem-se 100, 200 pessoas. Mas é sabido que o avião é bem mais seguro que um automóvel. Dados de março de 2015 indicavam um tráfego diário de mais de 100.000 aviões voando simultaneamente no mundo – por dia! Se somamos os números de mortos em acidentes de trânsito terrestre é em número muito maior e impressionante que os vitimados por acidentes aéreos, cada vez mais difíceis de acontecer.

Que a tecnologia avança a cada momento, disso não temos dúvidas. Por isso é para se acreditar que o padrão de segurança de uma usina nuclear (ou termoelétrica) hoje está para o risco quase zero de você se cortar hoje ao fazer a barba com um aparelho de barbear inteligente do que quando fazia a barba com a navalha, décadas atrás.

Com relação às fontes de energia alternativas, como a solar, eólica (proporcionada peça ação dos ventos que a Dilma saiu do governo e não conseguiu encontrar uma maneira de estocar), ou usando a força das marés, como já usada em alguns lugares do mundo, todas elas têm seus prós e os seus contras. Imagine pensar-se em construir uma usina para aproveitamento da força das ondas que batem no costão da prainha, no falatório que isso provocaria para um lugar onde sequer uma marina se pode construir.

Por outro lado, tem a questão do domínio desta ou daquela tecnologia. Se a JBS (que se descobriu agora também ter uma termoelétrica) resolvesse construir um frigorífico (antigamente chamávamos de matadouro) em nossa cidade, se isso também não promoveria poluição desta ou daquela natureza. Mas é do que eles entendem. É o que eles dominam. Do mesmo modo, a Gastrading entende de gás, e, a mim me parece que é privilégio para Peruíbe ter sido escolhida para um investimento bilionário como esse.

Não adianta reclamar ou simplesmente se opor. Tem que oferecer sugestão factível, coisa concreta, mas que, sobretudo, venha de quem tem recursos para implementá-la. Essa coisa de cantar o desencanto da tal “vocação turística” é moda de rabeca que já saiu de moda. Eu estou literalmente careca de tanto ouvir que a lama negra seria a redenção para Peruíbe, que a Jureia seria a redenção para Peruíbe, que nossas praias seriam a redenção para nosso povo, mas hoje, depois de passados meio século perambulando pelas ruas desde quando nelas se patinava pisando no areão fervente, vejo que tudo não passou de fantasia da qual se aproveitaram meia dúzia que ainda hoje continuam sendo donos de boa parte dos imóveis da cidade, os quais usam apenas e tão somente para especulação.

Nosso povo está cansado. Quer oportunidade de emprego, quer ver dinheiro circulando e fazendo girar o comércio e a economia local, quer acesso ao lazer e ao entretenimento. Quer, hoje em dia e sobretudo, segurança, porque do jeito que está talvez somente a energia de uma termoelétrica bem pertinho pode dar conta para afastar o ócio e, com ele, a criminalidade que grassa, livre e solta, por onde quer que se ande na cidade.

Medite aí. Pense. Por que não querer a termoelétrica? Ou, por quê querê-la? Que o seu querer ou não querer não seja porque um abastado aposentado, que sequer sabe ou tem onde gastar o dinheiro que ganha de aposentadoria tem medo de ver você também feliz como hoje ele mesmo pensa estar. Antes, pesquise. O tio Google está ai para isso. Sua opinião, desde que seja sua própria opinião, é deveras importante para ajudar na elucidação da dúvida que sobrevoa as cabeças de muitos daqueles e daquelas que você conhece.

Termoelétrica em Itariri ou em Miracatu? Não! Sou contra!

Washington Luiz de Paula

Editorial – Encômio para mim mesmo: um vagabundo escritor

Nada melhor que dedicar este “Dia do Trabalho” – no qual, aliás, pouquíssimos trabalham, para reservar uma singela e imorredoira homenagem a este vagabundo de plantão, de quem poucos se lembram senão para lembrar o epíteto cravado neste peito eivado de mágoas e nesta cabeça mais que pensante, cravado, como dizia, pelos algozes da inteligência humana, desde os meus 16 anos, quando passei a incomodar o establishment peruibano.

Dizer que elogio em boca própria é vitupério é repetir chavão pouco adequado à arte redatorial jornalística. Mas sou obrigado a cometer este “crime” diante dos mais sérios manuais de redação e estilo. Cometo-o e o confesso: Não há em Peruíbe, ainda hoje, mais que meia dúzia, ao menos do que são ou se fazem conhecidos, que podem se equiparar ao plumitivo que escreve estas linhas no que tange à facilidade de tecer linhas com as palavras, e de reduzir fatos a três ou quatro parágrafos, dando assim nascedouro à notícia. E menor número ainda há dos que, além de saberem escrever com a mesma maestria com que escrevo, conhecem como conheço a história político-administrativa de Peruíbe de cinquenta anos para cá.

Brinco com essa facilidade. Atribuo isso a um dom divino. E, quando me cobram algumas linhas sobre determinado tema, logo pergunto: você quer em prosa ou em versos? Aquém e além do donativo que me foi dado pelo bom Deus, há o talento. O talento se diferencia do dom na medida em que, enquanto este é inato, aquele – o talento – ainda que também oferta de Deus – requere dedicação e empenho para que ele cresça e se reproduza. Você pode não ter um talento para escrever, mas tem talento para a leitura; logo, se você dedicar este talento à leitura perene de bons livros, é mais que certo que um dia terá acrescentando ao seu vocabulário natural tantas palavras, que não terá dificuldades para o discurso, para a oratória, para o expressar-se – inclusive em público; e, de resto, poderá até mesmo vir a saber escrever.

Consoante isso posso afirmar para cada dos que – como costumo repetir – têm paciência para me ler – que jamais relaxei para com estes meus talentos inatos, quais sejam os de pensar, ler, perscrutar, duvidar, pesquisar, interpretar e, por consequência direta, escrever. Meus talentos assim estão a serviço do meu dom, e meu dom procura recompensar o esforço de dedicação de meus talentos escrevendo. Se leio até bula de remédio e dicionários de línguas que dificilmente virei a dominar, poderia dissertar, senão com domínio científico, ao menos com calor da narração romanceada, até mesmo uma tese de doutorado em física quântica. Exagero? Não! Não duvidem, pois, os que me conhecem e sabem o quanto gosto de desafios.

Desafiar-me ao duelo das palavras, notadamente a escrita, já é de sobejo sabido por todos nesta terra que já foi de Pero Correa, de Sodré, e que hoje é de todos e de ninguém ao mesmo tempo, não valer a pena. Se para René Descartes havia sentido em descobrir a existência no pensar (“Cogito, Ergo Sum”), eu estenderia a lógica cartesiana para o também seu “Dubito, Ergo Cogito, Ergo Sum” – Eu duvido, logo penso, logo existo. Muito além de duvidar e pensar, para mim, escrever é a razão da vida. Sendo assim, seria razoável a paródia: “Escrevo, logo existo”.

A dificuldade latente está na conciliação que a sociedade tem que ter – ou que deveria ter que ter – entre a arte e o trabalho. Não é de hoje que o artista que vive de sua arte, transformando-a, portanto, em seu modo de vida, e, por relação, em seu trabalho, em sua fonte de subsistência, é tido como vagabundo.

O épico “14 anos”, de Paulinho da Viola, definiu este sentimento que persegue aqueles que teimam viver ou sobreviver das artes. Afinal, qual o pai que não quer ver um filho “estudar filosofia, medicina ou engenharia”? Sim, para a sociedade contemporânea e capitalista, é preciso que das proles ressurjam doutores!

Paulinho da Viola descobriu que, afinal, seu pai tinha razão quando via “um samba esquecido, o sambista esquecido – o seu verdadeiro autor”, e lamenta: “eu estou necessitado”, para concluir: “mas meu samba encabulado, eu não vendo, não, senhor.”.

O famoso músico carioca pintou com a maestria de um da Vinci o quadro deste misto de mágoa dos sentimentos e da satisfação da alma que nutrem e consomem ao mesmo tempo centenas – com certeza milhares – de artistas de todas as artes, desde as plásticas à música, do cinema ao teatro, da dança à literatura.

O agravo está em saber que, no Brasil, de modo muito especial, ousar ser artista e relegar-se a correr o risco da sina do anonimato e, mais cruel ainda, do ostracismo.

Ainda que me sentindo igualmente artista, e bem mais escritor que jornalista propriamente dito, e ainda que prefira recolher-me aos degraus mais baixos da escada de uma fama que não é outra que aquela do temor que os usurpadores da coisa pública têm de mim, ainda assim ressinto-me bastante pela ausência do reconhecimento pelo que fui, pelo que sou, pelo que represento para Peruíbe, para sua Cultura e para sua História.

Não reclamo por estas linhas louros e troféus. Reclamo o respeito e a dignidade que todos deveriam ter pela minha arte que, como entendo, é o meu trabalho. Se é respeitado e digno aquele bate seu cartão de ponto diariamente numa empresa pública ou privada, se é digno e respeitado aquele que empreende, que comercia, que presta serviços como profissional liberal, por que não o ser eu? Só por que “só” escrevo?

Somente terão ideia da angústia que inspira este editorial aquelas pouquíssimas pessoas que, ainda que não podendo me ajudar financeiramente com um patrocínio, me param na rua para elogiar-me pelo que escrevi. Afinal, estes sabem que o que escrevi, escrevi. E escrevi, repetindo, como pouquíssimos por estas plagas escrevem.

Há os que acham que porque escrevo com a facilidade de um pescador caiçara a lançar a tarrafa em águas profusas de peixes, que tenho que vender o meu peixe barato, ou mesmo dá-lo de presente. Não faz muito tempo que um conhecido político de Peruíbe me pediu para escrever um texto para seu vídeo em homenagem ao aniversário da cidade. Fi-lo com rapidez e intrepidez, com a alegria de quem, afinal, fora lembrado. Cobrei um preço irrisório – e bem mais irrisório ainda para as posses do contratante, mas estou esperando a receber “até ontem”, como dizia meu falecido pai. E querem saber por que ainda não me pagou? Não é por falta de dinheiro ou de oportunidade. É porque ele também faz coro a todos os que nessa cidade se juntam para impor a pecha de vagabundo não só em mim, mas em todos os demais colegas jornalistas da cidade.

Farta-me tudo isto. Completo meio século de Peruíbe em julho próximo. 43 dos quais escrevo a história e a política de Peruíbe. Sou um pensador político que, somente por isso, já deveria ser pesado a peso de ouro por políticos ou empresários que têm aspirações públicas. Mas não sou. Aqui em Peruíbe as pessoas olham só seus próprios umbigos. Os empresários têm verbas para suas orgias, mas não investem na publicidade de seus próprios empreendimentos; e o políticos preferem manter-se equidistantes da Imprensa já que se lançam a serem useiros e vezeiros em fazerem na vida pública o que fazem na privada.

Há uns 10 anos atrás perguntei a um então presidente da Associação Comercial de Peruíbe quando ele gastava por mês com suas despesas pessoais (cigarro, cerveja, combustível queimando pneu entre um boteco e outro). Respondeu-me ele à época que bem mais de mil reais. Ao que perguntei: e você não tem coragem de investir cinquenta reais por mês divulgando seu negócio em meu jornal? A verdade é que ele pouco estava se lixando para o sucesso de sua empresa como soe acontecer com nove entre 10 empresários locais.

Dos políticos poderia eu esperar alguma coisa? Ledo engano. Se Mário Omuro, meu amigo de infância, a quem ajudei a tornar-se prefeito, por quem abandonei minha carreira como teólogo, para cuja faculdade nunca mais consegui retornar, mesmo depois de quase quatro décadas, se este mui amigo quando prefeito não se lembrou de mim, quem mais se lembraria? Não. Ninguém! Afinal, quem teria obrigação de fazê-lo? Ninguém, evidente!

Ora, se a não obrigação pelo sustento de um vagabundo escritor da cidade somente se sustentaria se fosse o caso de estarmos tratando de um escritor vagabundo, ainda assim, reclamo repensarmos todos na busca por extirparmos de nossas mentes e corações este preconceito que todos têm por aqueles que escrevem, cantam, pintam, dançam, tocam, fazem arte de qualquer gênero e cor, fazem circo de qualquer palco e dor.

Quando a mim, se lembrança externa ou de outrem não me vem, prefiro o vitupério. Antes o vitupério que o narcisismo. Afinal, eu até posso mesmo ser feio, mas escrever eu escrevo. E como escrevo! Vocês sabem disso. Não sabem? E, se escrevo, logo também sou um trabalhador que merece ser lembrado neste importante dia em que todos param de trabalhar quase que como um anseio à vagabundagem perenal.

Viva eu! Vagabundo escritor, sempre! Escritor vagabundo, jamais!

Washington Luiz de Paula

Enquanto os cachorros latem, Luiz Maurício passa

Não passam de três ou quatros os cachorros que desesperadamente latem, bem-acostumados que estão a latir sempre que seus anseios já de sobejo conhecidos, e no mais das vezes bem particulares, não são atendidos. Latem por isso, e também quando correm atrás da cadela, aquela que parece ser portadora do cio perene, ao que parece nada ou nunca satisfeito no quintal de sua casa.

Perto do universo de tantos cidadãos e cidadãs de bem de Peruíbe, os cachorros e cadelas, porque são não mais que o que se pode contar nos dedos de uma das mãos, não merecem maior crédito pelo tanto que latem, até porque é sabido o que eles tanto aspiram, desejam e querem. A história recente nô-lo conta; conta e dá testemunho de que desde o governo de Gilson Bargieri que um desses esbravejados cães não demoram a ficarem milagrosamente mansos quando uma portaria para um cargo qualquer no governo é publicada no boletim oficial do município. E foi assim com todos os governos posteriores: começou latindo, terminou lambendo.

Mas, ao que parece, pelo menos até aqui, que os cachorros finalmente encontraram um osso duro de roer na pessoa do prefeito atual, o ilustre advogado Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira. Hoje, passados já o primeiro trimestre de seu governo, Luiz Maurício parece mesmo disposto a carregar consigo a pecha de um prefeito que veio aqui, não só para cumprir e fazer cumprir a lei, como costuma dizer, como para fazer a diferença – para ser diferente, enfim.

Advogado como é, sabe que as leis não são instrumentos exatos a serviço de uma ciência que bem poderia ser exata também. Costumo dizer que se o Direito fosse uma ciência exata, não haveria necessidade de promotores, juízes, e muito menos de advogados. Para um povo tão mal-acostumado a levar vantagem em tudo, mesmo a despeito e em detrimento das leis, é que os criminosos de toda jaez se servem de advogados inescrupulosos que, porque formados para a operação do Direito, sabem muito bem como e por onde encontrar subterfúgios, caminhos, descaminhos e atalhos nas leis, para fazerem perpetuar a sem-vergonhice nacional, e de modo muito especial no seio da política.

Por este diapasão, pelo menos até aqui, Luiz Maurício tem dado provas de que é diferente. E a prova indelével desta “diferença” está no fato de que desde quando começaram as tratativas para a formação de seu governo fez questão de deixar muito bem claro que em seu governo não haveria lugar para conchavos, apadrinhamentos, desvios de conduta e muito menos de dinheiro público, e que seu governo haveria de ser pautado por trabalho. Muito trabalho.

Num momento em que estive com ele, em conversa informal, longe dos gabinetes e das poltronas palacianas, perguntei se ele pretendia ou poderia ser comparado com seu colega de partido, o prefeito de São Paulo, João Dória Júnior, que vem surpreendendo o povo paulistano por encetar um modus operandi no governo que aponta mesmo para um empresário no governo, e não um político. Doria é um empresário bem-sucedido, e é mais que certo que não pretende manchar sua fama de homem de reputação empresarial e pessoal ilibada com os desvios que tanto marcaram a vida de seus antecessores.

Surpreendentemente Luiz Maurício não concorda com seu colega tucano, pelo menos no que tange ao aparato de publicidade que, no ver no prefeito de Peruíbe, é exagerado e, embora não confesse, deixa transparecer entender desnecessário.

Por este prisma, não obstante entenda ser importante que a divulgação de atos governamentais seja importante para que a população saiba e entenda o que e por quê está-se fazendo isso e aquilo, Luiz Maurício prefere dedicar seu tempo a recursos à tarefa para a qual foi designada pelo povo de Peruíbe – a de governar! E, por governo entende Luiz Maurício o sentido lato da palavra que é que remete a comando. Por conseguinte, Luiz Maurício foi designado comandante dos destinos de Peruíbe pelo sufrágio de seu próprio povo, e, pensando no coletivo, parece nada disposto a não pensar no individual, ainda que em prejuízo de seu próprio e individual interesse ou vontade.

Sendo assim, o latido dos cães não o incomodam. E tem razão. Quando se tem a consciência tranquila, pode-se encostar a cabeça ao travesseiro e dormir, nada incomodando o sono, por mais que os cães ladrem e uivem noite adentro e afora.

Bem verdade que o advento das redes sociais às vezes parece tomar a forma de mil elefantes a incomodar tanta gente. Mas muito mais incomodados ficam os ratos que, diferente da história, têm medo dos elefantes, que estes daqueles. Entrementes, o caso em tela, se remetido ao reino animal, tem a nos falar muito mais de tucanos que de ratos, elefantes ou mesmos cães. Por conseguinte, não creio que preocupe tanto ao tucano-mor municipal os latidos da matilha.

Neste ponto é preciso lembrar o caso da “primeira pedra” que Jesus propôs aos acusadores da mulher adúltera jogarem contra a acusada. A primeira pedra em tela traz aquela questão crucial de que, em qualquer circunstância, é preciso sempre que alguém que arvore no direito de atirar a “primeira pedra”, porque, é muito provável que atrás dela venham todas as demais, muito mais pela ansiedade de copiar um gesto primeiramente cometido por outrem, do que de parar para fazer uma introspecção sobre os reais motivos pelos quais se deva ou não se deva atirar a pedra.

É indubitável, portanto, que a primeira pedra, lançada de uma mão irresponsável, há de fazer perenizar a injustiça que costuma ser de difícil reparação, quando não irreparável.

Lanço mão desta comparação para lembrar que age com uma covardia sem precedentes todo aquele se usa de uma ferramenta como a que as redes sociais propiciam para “atirar a primeira pedra” sem permitir chance de defesa ou ainda que singela explicação para o ato que se pretende acusar. Senão, vejamos o caso de um eventual mal atendimento tido e havido nua unidade de saúde, por exemplo. Basta que um deslize aconteça em meio a centenas e às vezes milhares de atendimentos por um agente de saúde que o caos se generalize, como se toda a estrutura de saúde do município estivesse em colapso.

Todos sabemos que é bem mais fácil fazer viralizar um discurso destemperado que um agradecimento ou elogio. Assim, em meio a mil atendimentos de onde 999 saem satisfeitos, e onde apenas um encontrou obstáculos à sua expectativa e ao seu agrado, é irrelevante o esforço e o empenho que se fez para que o serviço público esteja próximo da perfeição.

Agora imagine o mesmo covarde que age sob o manto de milhares de usuários de uma rede social, muitos dos quais sem o menor senso crítico para procurar apurar se a acusação tem procedência, imagine quando este mesmo covarde não gosta de ter seus argumentos contrapostos por quem, se não defenda a administração, ao menos tenha lucidez para aferir que a coisa não é bem assim, e que o buraco, afinal, é um pouquinho mais embaixo.

Quando isto acontece, o epíteto é fulminante: chapa branca, puxa-saco, lambe-botas, dentre outros adjetivos, muitos dos quais pouco airosos. E o agravante vem com o bloqueio dos contrários. Se você não pensa – ou late – na mesma tonalidade dissonante, seus argumentos são logo excluídos, você é expulso do grupo onde as críticas severas ao governo acontecem.

Não conhecem estes os limites que a boa convivência define como fazendo parte do arrazoado popular, ou do estado de direito, que se não é, ao menos deveria ser, democrático em seu sentido pleno.

Luiz Maurício parece seguir à margem destas discussões tolas e vãs. Enquanto – como já dito acima – a matilha entoa os uivos dos cães desesperados, esfomeados e sedentos do poder, ainda que de uma parcela ínfima, uma migalha, deste poder, o seu trabalho na busca de uma cidade melhor tem seus passos alargados dia após dia.

Por muito anos – e muitas gestões passadas – que não ouvi dizer, para usar dois exemplos bastante simplórios, de que servidores municipais saíssem à rua, à meia noite, para refazer as sinalizações de trânsito em nossas vias tão carentes de ordem e de segurança, como o que podemos testemunhar agora. Outra ação deveras simples é a roçada do mato e poda das árvores crescidas junto à antiga estrada de ferro (linha do trem) ao longo das avenidas Luciano de Bona e Gheorghe Popescu (antiga Riachuelo), evento que certamente encheria de orgulho Popescu (ex-prefeito de Peruíbe por três oportunidades), e seu amigo e sócio Luciano de Bona.

Ainda que estas ações não demandassem mais que umas latas de tintas, e alguns litros de combustíveis para as máquinas roçadeiras, mas, sobretudo – e mais importante! – algumas ordens e determinações, parece mesmo que os mandatários que antecederam Luiz Maurício estavam muito mais preocupados com a maquininha de somar do que com governar propriamente dito.

E por incrível que isto possa parecer, resta evidente que elogios e incentivos não estão dentre as palavras de ordens daqueles que apenas e tão somente gostam de vociferar impropérios nas redes sociais contra os governos de plantão; alguns com objetivos para lá de inconfessáveis, mas para cá de suspeitos.

É uma pena mesmo que aqueles que ladram não ofereçam oportunidade para o contraditório. E é uma pena também que muito certamente haverão de continuar com suas imprecações, já que, se há alguma certa nesta história, é a de que o prefeito Luiz Maurício não está mesmo disposto a negociar com quem não tem propostas, ou com quem pretende levar seus anseios particulares para o octógono das acusações, mas nunca para o campo das ideias.

Convoco aqui os homens de bem, e às mulheres tantas que, mesmo sabendo que há ainda um caminho longo e árduo a percorrer rumo à proximidade da perfeição, ainda assim podem se declarar satisfeitos com as evidentes e visível melhora na cidade como um todo, graças a firme intervenção do novo governo, a que não deem azo àqueles que, desocupados, outra coisa não fazem que pinçar aqui e ali um fato deslocado de seu contexto, e usarem isso como arrazoado para difamação de quem pouca oportunidade ainda teve de mostrar para todos a que veio, afinal.

E convoco ainda a todos os cidadãos e cidadãs de Peruíbe a que unam esforços para acreditar sim ser possível que, mesmo passado quase seis décadas, é possível sim – e afinal – que nos tenha aparecido uma pessoa de bem, séria, honesta, trabalhadora, disposta a se dar e a se dedicar em favor da missão que recebeu pela força do voto, do voto que, agora, já não é mais somente daqueles que votaram nominalmente em Luiz Maurício, mas que é de todos nós.

Enquanto os cachorros latem – e a cadela uiva – que a caravana de Luiz Maurício passe, célere, impassível, resignada, determinada, e que, honra a tradição e o nome que carrega, resgate por fim Peruíbe do limbo onde aqueles que a solaparam no passado a jogaram.

Que o bom Deus o proteja, prefeito Luiz Maurício. E não se preocupe com os cães. Lembro aqui o primeiro missionário e pastor da I Igreja Batista de Peruíbe, o saudoso Manoel Eustáquio Damasceno, que hoje empresta seu nome a uma das escolas da zona rural de Peruíbe, que dizia sempre, quando perguntado se em suas peregrinações de catequese e evangelização não tinha medo dos cães bravios que andavam soltos pelas ruas: “se um cachorro destes morder um servo ungido de Deus, certamente seus dentes todos cairão”.

Se nestes desatinos que se pode observar aqui e ali nas redes sociais o prefeito Luiz Maurício se sentir sofrendo como que mordido por um desses cachorros, não se assuste se virmos tal cachorro amanhã, andando pelas ruas, porém banguelo.

Washington Luiz de Paula

O Geleia do prefeito Luiz Maurício

A anunciada nomeação de Vasni Anunciada para compor um importante cargo no segundo escalão do novel governo municipal causou frenesi nas hostes palacianas de Peruíbe e, de resto, ecoou pelas ruas e esquinas das bocas malditas da cidade como um grito que mais parecia desespero, mas que, no fundo, no fundo, não passava ser de despeito, mero despeito.

A indignação, não obstante, não é sem razão. Vasni, ou Geleia, como queremos nós os que o queremos bem, e como o querem também aqueles que não o querem tão bem afinal, é um desses personagens emblemáticos que se infiltraram pelos veios da política, e que, se perguntado a ele próprio, é bem capaz de sequer saber como, por quê ou por onde debutou enveredar no seio do poder. Por conseguinte, foi talvez o único dentre aqueles que compuseram o governo anterior – e também o anterior ao anterior – e que, mal foi exonerado por Ana Preto, findo seu governo, recebeu a graça de ser nomeado – e alçando degrau bem acima do que ocupara anteriormente – pelo agora prefeito Luiz Maurício.

Claro que ele não está só nesta coisa misteriosa de se perpetuar no poder, deixa governo, entra governo. Há outros nomes que conseguem, sabe-se lá à custa de que sacrifício – ou quiçá competência – se manterem na linha de frente, e bem próximos aos gabinetes dos governadores municipais. Para alguns destes seres enigmáticos, gosto de lembrar meu velho pai: “ah, se eu tivesse o que ela tem!…”. No entanto, e mesmo assim, se mantém na discrição ou quase no obscurantismo – embora nunca no ostracismo! Não é o que acontece com o nosso Geleia que, porque é o que é, acaba se tornando vítima de si mesmo, e também vítima dos vilipendiadores costumeiros que, por falta do que fazer, não se cansam de diminuir valor de quem tem valor.

Por conta disso parece mesmo que a primeira preocupação dos governantes talvez não seja a de buscar conhecimento técnico, competência, paixão pela cidade e pela res publicae, vontade de trabalhar em seus auxiliares diretos. Eles podem até terem vontades por este ou por aquele nome, mas sempre esbarram na dúvida e na certeza de que serão malhados como com a impiedade daqueles que malham em ferro frio, para fazer doer mesmo! Foi assim até aqui, ao que parece. E Luiz Maurício ao nomear Eduardo Ribas para compor três de suas secretarias – Esportes, Cultura e Turismo – fê-lo com essa consciência de que trazia para junto de si aquele que sofre sistemática oposição sem causa desde o tempo em que era responsável pela pasta do Turismo na gestão do então prefeito Dr. Alberto Sanches Gomes. De lá para cá, Ribas tornou-se, mesmo sem ser iniciado, um bode. Um bode expiatório.

Ribas não está só neste redil dos bodes expiatórios. Ali também está o nosso querido Geleia, além de outros que não convém nominar agora, mas lá estou também eu, este simplório escriba de muitas letras, porém de poucos resultados.

Vez ou outra concorre a este redil um pastor (ou pastora) e resgata das cercas que separam o duro estigma das acusações injustas e infundadas que tanto fazem sofrer este ou aquele bode expiatório, fazendo sofrer também, por extensão menos justa ainda, pais, filhos, irmãos, esposas e esposos. Foi assim que a “pastora” e ex-prefeita Ana Preto resgatou da insidiosa perseguição política ao menos dois dos que tanto sofreram com esse estigma anos a fio, a saber Alexkessander Veiga Mingroni e o próprio Paulo Henrique Siqueira. Ambos – se queira ou não se queira – e também sem se discutir o modus operandi de um e outro para galgar pular a cerca do redil rumo à liberdade – passaram a serem considerados gente, afinal.

A questão que envolve a nomeação de Vasni Anunciada para compor o quadro jurídico do gabinete capitaneado pelo Dr. Luiz Maurício apenas revolve histórias, algumas recentes, outras que já se perderam no tempo, mas que chegam ao mestre JC, dois mil anos atrás. Sim. O vaticínio de que “não há profeta em sua própria terra” nasceu das palavras do próprio Jesus Cristo, indignado e frustrado com sua tentativa de começar seu ministério terreal por Nazaré, cidade onde cresceu – e onde muitos dos que ali estavam viram-no crescer.

O evento bíblico se reveste de tal importância que não só os evangelistas sinóticos o registraram, como também João, chamado “apóstolo do amor”, e que parece indicar a indignação a que o acontecido concorreu, não só para o próprio Mestre, como também para todos os seus apóstolos, e, muito certamente, de sobra, para os pais e irmãos e irmãs de Jesus.

Jesus pretendia ensinar e realizar os seus milagres e prodígios também em sua própria terra. Ele, que nascera em Belém, veio a crescer e a se tornar adulto em Nazaré, cidade de seus pais José e Maria. Ali, aprendeu o ofício de carpinteiro com o pai, e, embora o relato bíblico não explicite, é muito certo que Jesus foi uma criança como qualquer criança de seu tempo, a ponto de todos os seus vizinhos e amigos de seus pais o conhecerem.

Sentindo-se preparado (hoje diríamos, formado) para o cumprimento da missão para a qual veio ao mundo, parecia a Jesus ser importante que começasse, ou, no caso, continuasse sua pregação e realização de feitos milagrosos também em Nazaré. Contudo, qual não foi sua surpresa ao ver-se rechaçado e até ridicularizado. Mateus narra que a indignação de Jesus atingiu também sua casa, sugerindo um certo descrédito por parte de seus irmãos, e, possivelmente, de seu pai: ““Não há profeta sem honra, a não ser em sua própria terra, e em sua própria casa”, disse Jesus (Mt 13.57). Lucas (Lc 4.24), traduz assim as palavras de Jesus: “Realmente vos afirmo: Nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra”. João deixa de lado os detalhes daquele entrevero, não sem antes deixar registrado, no capítulo 4, versículo 44 de seu Evangelho: “O próprio Jesus havia testemunhado que um profeta não tem honra em sua própria terra”.

A transcrição de Marcos, contudo, me parece mais interessante, pela riqueza dos detalhes: “Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. ‘De onde lhe vêm estas coisas?’, perguntavam eles. ‘Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz? Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs?’”. Depois de lembrar que todos estavam “escandalizados” por causa de Jesus, Marcos relata o quanto Jesus teria ficado aborrecido com o episódio: “Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra” (Cf Mc 6.1-6).

Esta coisa de não se ter “honra em própria terra” não é novidade, portanto. Eu já não me importo mais, acredito que muitos daqueles que sofrem desta mesma injustiça já também não se incomodam; e, portanto, não deve Vasni Anunciada, o nosso popular e querido Geleia, alimentar maiores preocupações com relação às oposições que lhe fazem agora que é assunto novamente a estar perto do poder.

É preciso lembrar aqui, contudo, que estas linhas não devem ser entendidas como uma apologia a este fato isolado assinado e assumido pelo prefeito Luiz Maurício. Nem tão pouco para oferecer crédito exagerado a Vasni Anunciada, vez que a competência para o cumprimento das funções que seu novo cargo exige cabe só a ele demonstrar, e a devida resposta e contrapartida ao gesto de confiança que a mão do prefeito – lembremos, seu amigo – lhe estendeu, tem que encontrar séria e responsável ressonância por parte do operador do Direito, ontem criminal e eleitoral, hoje público. Com o perdão do trocadilho, não é hora para o Geleia amolecer!

Os pontos a serem ponderados têm norte e divisor: O Norte está no currículo de Vasni Anunciada e na sua história de vida. O divisor está na separação que se deve fazer entre os que lhe querem bem, e têm muito motivos para bem querê-lo, e aqueles que sequer sabem por que lhe querem mal.

Geleia faz parte de uma geração que não se envergonhou de arregaçar as mangas para correr atrás de seus ideais. Quem conhece Peruíbe de décadas atrás vai lembrar de Geleia garçom no Restaurante Beira Mar, assim como há de se lembrar de Ferreirinha garçom na Pizzaria Firenze. Sim, foi com um parco salário de garçom, e das escassas gorjetas que seus amigos e clientes deixavam às mesas que serviam que tanto Geleia quanto Ferreirinha se formaram advogados. Tempos depois, Ferreirinha ingressava no serviço público, enquanto Geleia permanecia teimando em estudar e se aperfeiçoar.

O testemunho que me foi dado por Sérgio Martins Guerreiro, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Peruíbe dá conta de que Vasni Anunciada não só se esmerou em fazer uma série de cursos sobre legislação eleitoral, como também é tido entre seus colegas advogados como operador com importante dedicação às lides jurídico-criminais. Estes muito certamente são apenas dois fatos dos quais nem sequer eu tinha conhecimento, pelo que quase que corroborava a crítica que lhe fazem quem lha fazem: “Não é este aquele garçom que até poucos dias atrás servia mesas num restaurante da cidade?”.

Se é assim, por que, então acontece de não mais que uma dúzia de desocupados não encontrarem outra ocupação que levantar maledicências contra quem sequer conhecem? Receio que tenha a resposta. Eu, que embora não nascido em Peruíbe, para cá concorri com minha família há 50 anos, e que, portanto, posso me sentir com raízes sólidas nesta terra, dentre as certezas que tenho, a maior delas possivelmente seja a de que, lamentavelmente já há mais que uma dúzia de famílias tradicionais na cidade. O que passa disso, são novatos que não conhecem a história da cidade, não têm compromisso com a cidade, não amam a cidade. E, porque não amam a cidade, não amam seu povo, e não fazem nem fariam qualquer esforço para apoiar e privilegiar as “pratas da casa” que tanto orgulho trazem para tantas cidades interior afora, quando descobertas. E é assim não só na política, como também na cultura, nos esportes, no comércio, e assim por diante. Exemplo recente? Nas Olimpíadas do ano passado, a judoca Mariana Silva, de Peruíbe, quase trouxe mais uma medalha para o Brasil. Com apoio da cidade? Não! Para chegar onde chegou teve que sair daqui…

Em novembro último, outra jovem de Peruíbe se destacou no cenário nacional. Advogada da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) compôs a Mesa de uma Comissão na Câmara dos Deputados, em Brasília, que debateu direitos devidos aos doentes e deficientes em razão de doenças neurológicas. Seu nome: Sumaya Caldas Afif. Quem é Sumaya? É claro que sete dentre dez que me leem agora não sabem quem é ela, nem sequer sabem que ela é a menina que vimos crescer em Peruíbe, filha de nosso querido Badu, e neta do saudoso Farid. Agora ponderemos: eles tiveram que sair de Peruíbe para se serem vistos e reconhecidos. Badu hoje é cidadão honorário de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Faridinho é empresário bem-sucedido e vereador naquela cidade. Todos os demais estão resolvidos. Mas, e se tivessem ficado em Peruíbe? O que teria sido deles?

E o que dizer de Gesival Gomes de Souza, que cresceu junto a sua humilde família no Jardim Brasil e Jardim Valéria, e que chegou a ser cotado em lista tríplice para assumir a superintendência da Polícia Federal? Pois é. Até “ontem” ele estava surfando e jogando bola na praia com seus amigos de infância, e hoje é uma personalidade pública de destaque e respeito no Brasil, que vai, inclusive, também compor o novo governo municipal.

Estes são apenas alguns poucos exemplos de tantos peruibenses de valor fazendo carreira bem longe de Peruíbe – mas nunca se esquecendo de Peruíbe!

Quero sinceramente crer que o jovem prefeito Luiz Maurício vem mostrando, com estes desafios aos costumes, e enfrentando a crítica daqueles que nada constroem, que é possível sim haver mudança também na forma de se aproveitar quem mereça ser aproveitado. Com isso, o prefeito vem aproveitando aqueles que não são só seus amigos, mas que são sobretudo “a prata da casa”. Afinal, como lembrou o Apóstolo Paulo, aos Romanos (13.7): cui honorem honorem (“A quem honra, honra”).

Mas, não é esse Vasni aquele sujeito que era garçom até estes dias, que vive dando risada de orelha a orelha, e que gosta de uma boa conversa de boteco regada a uns petiscos e a uma cerveja bem gelada? Sim. É ele mesmo! E que ele continue assim. Agora, na continuidade deste seu momento de honra, louvor e fama (já que fazem-no tão “famoso” aqueles que não lhe querem bem), faça a sua parte. O prefeito Luiz Maurício conta com você. Peruíbe precisa de você!

Quanto ao mais, não se importe, já que, enquanto dentro da prefeitura você trabalha, lá fora os cachorros latem. As cadelas também.

Washington Luiz de Paula

O “chapa-branca” que todos precisamos ser

eu apoioTenho recebido críticas – algumas vindas (pasmem!) até de políticos do próprio partido do prefeito Luiz Maurício – por conta de minhas recentes manifestações neste meu blogue que são favoráveis à esperança de que realmente prevaleça sobre os novos homens e mulheres que comandarão a cidade – na Prefeitura e na Câmara – a seriedade, o bom senso, o altruísmo, e a intensa colaboração para que a cidade se livre o quanto antes do caos, e volte a crescer, com a dignidade das grandes urbes, cujos exemplos existem Brasil afora.

Consoante isto é preciso que eu deixe bem claro alguns pontos importantes que devem remeter a todos – amigos e não tanto amigos; porém todos admiradores de meu trabalho, embora alguns não confessem – à ponderação e à conclusão (creiam ou não) de que se faço o que faço, faço-o, primeiro por ser livre para elogiar ou criticar quem quer que seja; segundo, porque, não obstante todos os reveses a que sou submetido pela casta política desta cidade, ainda amo Peruíbe que, mesmo não sendo minha cidade de nascimento, acolheu a mim e a minha família há 50 anos completados em julho do corrente ano.

Nestas horas de início de governo em que – repito – a esperança deve sempre prevalecer sobre as diferenças político-partidárias e aos interesses no mais das vezes inconfessáveis, é preciso que todos nós – homens e mulheres de bem e de bons costumes – unamo-nos, somando forças para ajudar quem ao menos começa um governo com as melhores das intenções.

Sempre desconfio daquele político que a cada início de uma nova gestão administrativa e política da cidade, faz pose de papagaio de pirata ao lado do mandante-mor (no caso o prefeito), mas que, basta que o primeiro de seus interesses pessoais não sejam supridos, logo rasgam a fotografia ao meio, jogando fora a metade onde aparecia o prefeito. Foi assim com Ana Preto, com Gilson Bargieri, com Milena Bargieri, com Dr. Alberto, com Mário Omuro, com Sodré… Político ruim é aquele que só sabe navegar em mar de remanso; quando ameaça vir a tempestade, é o primeiro a pular do barco, levando a boia e o que mais puder consigo!

Desconfio de igual modo daqueles que se manifestam despeitados assim que terminam as eleições, porque perderam – e porque não sabem perder! Vê-se que nem bem passou uma semana da posse do novo prefeito, e ajudantes-de-ordens da antiga administração têm se apressado a criticar problemas pontuados aqui e ali, como se estes mesmos problemas não tivessem tido como causa a má gestão passada e a herança falida herdada pelo novel governo. E antes que se antecipem em dizer que cuspo no prato que comi (a bem da verdade, comi, mas o bife era de terceira!), lembro aqui que eu mesmo fui um dos que torci para o governo administrado por Ana Preto tivesse dado certo, e ainda hoje não me convenço de que o governo que deixou a administração em 31 de dezembro último tenha sido pior do que os antecessores. A crítica a Ana Preto e a seu primeiro ministro, Paulo Henrique Siqueira, no entanto, merece outras linhas que não essas.

Tenho para mim que o dia em que todos deixarem de pensar logo em projeto para as próximas eleições, e buscarem soluções para o agora, a cidade então melhorará.

F. Kennedy deixou registrada a célebre afirmação que tomo-a para mim agora, parafraseando-a ao molde municipal: “Não pergunte o que sua cidade pode fazer por você; mas, sim, pergunte o que você pode fazer por sua cidade!”. Por este prisma, elenco algumas ações simples que cada cidadão pode fazer para e por sua cidade:

  1. Guarde o nome do prefeito e do vereador em quem votou, e passe a acompanhar seu mandato, preferencialmente prestigiando-o nas sessões da Câmara, visitando-os em seus gabinetes, levando sugestões e cobrando soluções para as sugestões propostas.
  2. Procure participar das ações de governo participativo, integrando grupos, associações de bairro e de classe, conselhos municipais, sindicatos, sempre levando sugestões e arregaçando as mangas para o trabalho comunitário.
  3. Se você tem um veículo e ainda não está com placas de sua cidade, procure transferi-lo. Saiba que metade do IPVA de cada veiculo registrado na cidade volta para o município, convertendo em benefício para a população.
  4. Se você é servidor municipal, saiba que 100% do Imposto de Renda retido em seu pagamento fica com o município. O mesmo vale – ou deveria valer – para recebimentos extraordinários, como sucumbência devida aos procuradores municipais, que deve ser declarada ao Fisco, e retido o percentual do Leão, que fica também para a municipalidade, devendo ser convertido em obras e ações de interesse do povo.
  5. Procure prestigiar o comércio local, não buscando fazer suas compras fora da cidade, ou mesmo em grandes redes de supermercados ou magazines, por exemplo. Às vezes uma pequena diferença de preço a mais em um produto pode acabar beneficiando você e sua família em outra ponta, já que é o comércio local que emprega na cidade, que paga o imposto na cidade, e que até o dinheiro arrecadado em sua jornada comercial é depositado na cidade, girando a economia da própria cidade.
  6. Pague seus impostos, taxas e tributos municipais em dia. Se estiver passando por alguma dificuldade, procure a prefeitura e veja se há algum programa de refinanciamento. Mas não deixe de ajudar sua cidade. Lembre-se que você só terá direito a reclamar se estiver em dia com suas obrigações fiscais.
  7. Por último, não reclame. Busque sempre seus direitos, mas procure ajudar na busca das soluções. É preciso lembrar aqui que, em qualquer governo, se 100 pacientes forem bem atendidos no Pronto Socorro Municipal, você pode agradecer o quanto quiser nas redes sociais, que isso não vai adiantar nada, porque ninguém vai ler ou compartilhar. Agora, se apenas um for mal atendido, e colocar nas redes sociais, pronto: é igual rastilho de pólvora que encontra na ponta um barril pronto a explodir! Seja, portanto, justo e consciente.

Apontadas as sete ações básicas acima – veja que não chegou sequer a um decálogo! – é importante deixar claro aqui, agora e já o que segue:

  1. Eu não apoiei Luiz Maurício em seu projeto de eleição, nem qualquer candidato de seu partido ou coligação, razão porque não lhe pedi nada, e não teria nem porque pedir-lhe alguma coisa tipo “uma portaria”, como soe acontecer alhures.
  2. Impressionado com a repercussão que a matéria da convocação do delegado da polícia federal Gesival Gomes de Souza ofereceu, com suas quase 3.000 leituras até aqui, o prefeito eleito Luiz Maurício me chamou ao seu então gabinete na Câmara para agradecer o apoio na divulgação, oportunidade em que foi honesto e sincero ao deixar claro que gostaria de me ver na equipe dele, mas que, neste primeiro momento de anunciadas contenções de despesas e cortes de pessoal comissionados, nada poderia fazer por mim, o que entendi perfeitamente, e agradeci.

O que acontece com este velho lobo do mar das letras e palavras é que cansei de tanto bater – e de tanto apanhar. Hoje, passados 43 anos de militância nas lides jornalísticas percebo, receio que tardiamente, que, se o que escrevi, escrevi, o que bati, bati como quando se bate no bronze que logo ressoa, reverbera, e volta para si mesmo. E deduzi: não vale a pena!

Da poesia infanto-juvenil de meus primórdios anos sempre lembrados por Roosevel de Almeida Santos, Jairo Costa e Mauro Sérgio Araújo, ao “humor macabro” como me epitetou Claudete Andreotti (Boca de Rua), talvez a minha principal fã hodierna, restou um Washington mais, digamos, comedido. Comedido; medroso, nunca! E justo. Justo; perfeito, nunca! Mas – garanto –, de bom coração e de bom costume.

Que Peruíbe cresça com o vigor que promete ensejar a este jovem Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira o melhor dos presságios, que é o de vir se tornar orgulho para nossa cidade como Governador do Estado, quando Alberto Mourão, Márcio França e Samuel Moreira já estiverem velhinhos e aposentados.

Deus o abençoe, prefeito. Deus proteja Peruíbe e seu povo!

Washington Luiz de Paula

59, noves fora…

Resultado de imagem para 59 anosCompleto hoje 59 anos de idade com aquela sensação perene de que algo andou errado em meus caminhos no curso destes mais de meio século de existência.

Não. Não chego a este ponto com o senso do dever cumprido, me sentindo realizado ou feliz, no sentido que as pessoas entendem por aí sobre o que venha a ser felicidade e realização de vida. Contudo, tenho plena consciência de duas coisas muito importantes, e que devem ser ditas aqui para que não digam que este pequeno tratado seja esforço de autocomiseração, senão de vitupério: a oportunidade que a vida me deu, no dizer de um irmão de sangue certa vez em que tentei me socorrer de seus préstimos financeiros, é a mesma que deu para ele, meu irmão, assim como deu a Eiki Batista, Naji Nahas ou Sílvio Santos, para ficar nos três apenas; e, segundo, sou o que sou, vivo o que vivo, passo pelo que passo, sofro o que sofro, porque sou vítima de mim mesmo, de minhas próprias escolhas.

Assim como quem se envereda pelo mundo do crime prefere o atalho no mais das vezes mais curto para se alcançar o objetivo vistoso do gáudio e da vida sem penúrias financeiras ou econômicas, é muito certo que, se eu não escolhi este atalho que muito envergonharia minha mãe que chega ao exato dobro de minha idade no ano que vem, e também a memória de meu saudoso pai, escolhi caminhos – e hoje tenho plena convicção disso – que não eram aqueles que Deus tinha preparado para mim. Logo, se vítima sou, sou sim, mas – repito – de minhas próprias escolhas.

Um rápido passeio por meus escritos haverá de me denunciar do quanto carrego de rancor, mágoa, tristeza infinda, e muita culpa, por ter feito a escolha que fiz, contrariando meu pai, quando, dos 16 aos 18 anos, resolvi afrontar o governo militar que pretendia trazer duas usinas nucleares para a praia do Juquiazinho, no eixo Peruíbe-Iguape. Não que o ideal não tenha sido nobre, mas, como todo ideal em sua nobreza, fez muito bem a tantos e a outros, e mim nada ou nenhum bem fez. Detenho-me neste ponto inicial porque teria sido neste exato momento, ou quem sabe um pouquinho antes, quando comecei a escrever em jornais locais criticando os políticos de Peruíbe da época, em que começava a florescer em mim o “homo politicus”.

Meu pai preferira sempre que eu tivesse entrado para o serviço público, sendo funcionário do estado como ele mesmo era. A seu modo sempre dizia: “o que a gente ganha é pouco, mas é coisa certa; não tem como errar”. E dizia ele isto mesmo ganhando um salário mínimo e meio de ordenado, pagando aluguel equivalente à metade do seu ganho, e sustentando nada menos que seis filhos!

Ele estava certo. Ainda que pouco, se tivesse seguido seu conselho, estaria hoje aposentado, ganhando talvez mil-e-poucos por mês, mas ganhando, sem que fosse preciso fazer o exercício diário que faço – pouco saudável para a saúde física, mental e emocional – do rebaixamento para esta casta nada confiável que são os políticos, como me vejo na contingência de fazer ontem, hoje e, ao que vislumbro, sempre.

Queria o destino, entrementes, que eu fosse um fraco. Nunca soube, a bem da verdade, dizer não, senão para os meus filhos, para os quais não pude dar sequer atenção e carinho de pai, quanto mais presentes caros e a tão sonhada por toda criança viagem à Disneylândia ou ao Beto Carrero World. Por conseguinte, fui sendo usado o quanto puderam me usar. Se tivesse ganho uma moeda cada vez que citei o nome dos políticos de Peruíbe nos louvores que escrevi – e mesmo nas críticas para este as quais sempre beneficiaram aquele – estaria por certo, senão rico, ao menos com a vida estável e segura.

Deus, em sua suprema bondade e paciência, bem que tentou fazer-me retomar o rumo alinhavado para mim, levando-me para São Paulo, em 1978, para a faculdade, estudar Teologia, para tentar seguir o ritmo da vida simples e de não menos sacrifícios que levavam meu quase avô pastor Jorge Grec lá em Jacupiranga, e Olímpio Rudinin Leite, meu primeiro pastor, lá em Pariqüera-Açú. Os tempos eram outros, a insidiosa teologia da prosperidade ainda não vira seu advento, e eu queria mesmo era ser um pastor do interior, lá bem no fundo do Brasil, onde o dízimo seria traduzido pelas ofertas dos frutos da terra trazidos pela membresia para o domingo pastoral. A riqueza e o luxo estaria presente apenas no conforto da presença e da provisão de Deus na vida da gente, sempre agradecidos e reconhecidos de que a previdência e a providência de Deus vêm sempre na medida exata de nossa necessidade e de nosso merecimento.

O entusiasmo teológico durou pouco, porém. Sequer deu tempo de terminar a faculdade; e, quando me dei por mim, estava novamente envolvido até o pescoço com a política. Desse envolvimento contrário à vontade suprema – e da senhora minha mãe, vieram, como intercorrentes, as dívidas, os processos nas mais diversas esferas, as prisões, as ameaças até de morte, as lágrimas, o suor e, mais um pouco, o sangue derramado. Um apanhado do resultado desta minha teimosia de mais de oito lustros pôr-me-ia em déficit para com a vida, mesmo se somados meu casamento e o presente do nascimento de meus três filhos.

Nestes quase 38 anos contados a partir do primeiro momento em que pisava solo da capital, foram tantas idas e vindas entre o eixo Peruíbe-São Paulo que já me perdi nas contas, e já sequer consigo me lembrar onde morei – aqui ou em São Paulo – e por quanto tempo morei em cada lugar.

A vida destinou-me, portanto, a instabilidade.

Dias desses, em colóquio com o prefeito eleito de Peruíbe, dizia eu a ele que do que precisava mesmo era de um mecenas, posto que a única estabilidade que me reservou o destino foi mesmo a de escrever. Se bem ou mal, não sei; se do agrado ou não, tão pouco sei. Não seria surpresa, e bem sei não ser eu o único, o primeiro, tão pouco o último, se o produto de minha lavra só viesse a ter sucesso ou reconhecimento póstumo. Mas, conhecendo Peruíbe, seu povo e castas, não seria surpresa que mal tivesse passado uma semana de minha morte, e tivesse eu sido esquecido, quem sabe lembrado apenas com um nome de rua em algum bairro distante, na periferia, mas que ninguém nunca virá a saber quem foi aquele que tem o nome na placa da rua. Dalmar Americano, nosso poeta maior, que o diga lá do boteco celestial, onde agora não deve se cansar de repetir os tercetos finais de seu soneto “Crepúsculo”, que por si só deveriam eternizá-lo:

Hoje, cansado, o coração deserto,
vendo a morte a acenar-me assim tão perto,
sinto no peito um dissabor profundo:

O nada de morrer sem ter vivido
e terminar num túmulo esquecido
como um pária, entre os párias deste mundo.

Bem isso mesmo.

Mas, voltando à ladainha, que um mecenas me faria bem, isso me faria. Poderia escrever com mais tranquilidade, com mais vigor, e produzir escritos ao ritmo da própria respiração, sejam eles em prosa ou em versos. Considerando, porém, estamos no Brasil, onde esta cultura do mecenato não existe senão no coração e na vontade de alguns pouquíssimos abastados, afasto de pronto esta esperança, não obstante tenha ouvido do futuro prefeito um “quem sabe” até que alvissareiro…

Não consigo medir aqui com meus neurônios se, afinal, se tirados dos meus 59 anos de hoje, teriam valido a pena os 50 anos dedicados à “terra do meu amor”, para lembrar Gonçalves Dias. Para mim e para Peruíbe. Há seres que, senão são especiais no que tange a serem melhores que qualquer semelhante, são ao menos diferentes; e, porque diferentes, podem passar mesmo pela vida sem terem estado apenas e tão-somente “em brancas nuvens”, e nem terem só em “plácidos repousos” adormecidos, para relembrar Francisco Otaviano.

Sou desta alma inquieta que chora a ingratidão dos que nunca souberam reconhecer que a caligrafia de um tempo passado, a datilografia de um tempo há não muito tempo ido, e a digitação de hoje são ferramentas de trabalho que deveriam enobrecer o homem tal e qual a enxada, a foice, o martelo, o compasso ou o esquadro. Inquieta-me o espírito a falta de reconhecimento e a incompreensão de todos aqueles – alguns até bem próximos, que insistem em entender que trabalho e meio de vida não é bem essa coisa de ler, estudar, pensar e escrever.

E, se há conforto nesta inquietude, talvez fique para a necessária ausência de achar que estou só neste mundo dos escravos das letras. Não estou só; bem sei. Por curioso, entanto, os que sofrem as mazelas do ostracismo são ermitões, eremitas mentais que vivem isolados em seus próprios mundos, alguns até mesmo parecendo se procriar apenas como as ostras e mariscos se procriam. Logo a ideia de uma associação dos anônimos e esquecidos é pouco provável que floresça ou prospere.

Bem ou mal, estou eu aqui. 59 anos completos de vida, e quase 50 anos de Peruíbe. Chega a ser engraçado que muitos pela rua me reconheçam pela caricatura que estampa minhas postagens em meu blogue ou nos meus perfis nas redes sociais. É bem certo que, além do que se vê pelos traços do caricaturista, há muito mais a ser visto neste humilde escriba e rábula entre os plumitivos. Mas é mais certo ainda que poucos se interessem por esta visão além e por detrás do que apenas se vê pelos olhos do corpo.

Não. Repito: não sou melhor que ninguém, nem tenho valor que seja maior que o de qualquer pessoa que eu conheça ou que me conheça. Mas, se há diferença em mim, é a de procurar sempre ver as pessoas, antes de vê-las com os olhos carnais, vê-las com os olhos da alma. E podem ter certeza de que 50 anos é tempo mais que suficiente para conhecer e saber onde estão e quem são todos aqueles que nunca e nada quiseram o bem de Peruíbe, no mesmo diapasão em que consigo vislumbrar os poucos que querem esta urbe bem, e muito bem!

A tristeza relatada no princípio destas linhas fica talvez para o fato de eu mesmo nunca ter conseguido vencer a dificuldade de mostrar a nossa gente a necessidade de termos uma sociedade organizada que seja, senão quatrocentona, ao menos cinquentona, posto que Peruíbe, afinal, não tem mesmo 400 anos de história como cidade organizada e independente. Antes, pelo contrário, o que vejo e vemos é uma cidade diluída e entregue às mãos de gente que pouca afinidade tem com nosso povo, nossa bandeira, nosso hino, nossas divisas, nosso patrimônio cultural, histórico e natural. Conseguisse este feito, dar-me-ia por realizado. Realizado e feliz.

Enganam-se todos aqueles que intentam me convencer de que esta sina que me persegue é inglória demais. Teimo, como Arquimedes, de que é bem possível mover o mundo, bastando apenas a alavanca certa. Deem-me – suplico – esta alavanca, e eu também moverei céus e terra, mostrando assim ser possível fazer a diferença em meio a um povo tão passivo e compassivo como este nosso.

Querem, pois, me dar um presente neste meu dia festivo? Peço dois: Ajudem-me a ajudar; e me deixem, a meu modo, ajudar. Só assim poderá chegar o dia em que poderei dizer que valeu bastante a pena ter dedicado 50 anos dos meus 59 a esta sempre querida Terra da Eterna Juventude.

Washington Luiz de Paula

Projeto “A volta de quem nem bem veio”

O que não foi vivido totalmente, volta. (Fabrício Carpinejar)Pois é. A contingência obrigou-me a retornar para Peruíbe; a contingência obriga-me a voltar para São Paulo, de onde, percebo, teria que ter lutado um pouco mais, e não ter voltado.

Digamos que tentei por tentar. Quando se vai chegando aos 60 essa coisa de tentar parece estranho, já que o tempo começa a ficar exíguo e o medo de não vencer os obstáculos é maior.

Bem que poderia estar bem em Peruíbe; afinal, é quase minha terra de berço, vez que vim para cá com nove anos de idade, começando a contar meio século de presença por estas bandas. Mas um estigma me persegue desde quando tinha apenas 16 anos e ousei enfrentar os poderosos da política local. Marcado como o gado que nem para o matadouro serve, parece mesmo que não virei a ter vez e voz em Peruíbe. Mais uma vez.

O candidato que eu não tinha perdeu e o candidato que eu tinha não ganhou. Poucos haverão de compreender esta frase cheia de enigmas, mas é para poucos que ela é escrita mesmo.

O fato é que agora não importa. Não vou lutar, mais uma vez não vou lutar como os que se rebaixam ao nível da indecência e da imoralidade para pedir emprego de cabide no imenso varal da administração pública. E como sei ser difícil que a porta se me abra para lugar onde sei que posso oferecer um pouco do que conheço para o empenho de ajudar a melhorar essa cidade, prefiro voltar. Melhor volta, mesmo.

Tentei, sem sucesso algum, empreender um empenho coletivo para voltar. Não houve uma só alma que ajudasse, nem de parentes, nem de amigos, e muito menos dos políticos que tanto se assanharam por me quererem bem perto deles, mas que acabaram sumindo em meio à fumaça das promessas que fizeram e não cumpriram. Para mim e para muitos, aqui, ali e acolá.

Sendo assim, não me olvido em pedir que, se puderem ajudar nesse intento de retornar para São Paulo, que o façam. Afinal, quem sabe haja quem ou quantos em São Paulo que tenham se ressentido de minha ausência, até pela modesta participação nossa – minha e de minha esposa – na administração da igreja que frequentávamos, por exemplo, e possam estes acenar com sempre benfazeja contribuição.

Começo assim mais esta “vaquinha”. Ela tem um valor que considero integral para o processo de locação de imóvel, acerto de pendências, montagem de pequeno empreendimento, mudança e acomodação. Mas você pode contribuir com qualquer valor que entender suficiente para compor esta solicitação cooperativista.

Agradeço, desde já, no que e com o que puder ajudar. Não pode ajudar financeiramente? Ore. Sua oração fará bem a nós, e alimentará nossa confiança no bom Deus de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que O amam, em espírito e em verdade”.

Acesse já, e contribua: http://bit.ly/2e7v006

Deus abençoe.

Washington Luiz de Paula

Quem são os que temem os paraquedistas

Começo estas considerações lembrando o folclórico JP Melo que costumava dizer que “filho da terra é minhoca”. Dizia ele isto, na campanha de 2000, para rebater as acusações que recebia de ser “paraquedista”, e de que o eleitor de Peruíbe deveria mesmo era votar num “filho da terra”. Aquele era um tempo em que ele – Dr. Melo – ousava invocar para si o direito de vir a ser candidato a prefeito de Peruíbe, direito esse que é dado a qualquer cidadão e eleitor, independente de morar na cidade há muito ou pouco tempo.

Não foi a primeira vez que isto aconteceu. Em 1988 – lamento que poucos se lembrem – o empresário Francisco Pereira da Rocha (Dr. Rocha), depois de indignar-se por ver uma cidade tão bela como Peruíbe arrastar anos a fio de descaso por obra e arte de seus mandatários, “intromete-se” na política como candidato a prefeito nas eleições daquele ano, e não demorou para que o acusassem também de paraquedista, justamente ele que, quando veio para a cidade, não buscou morar em condomínios fechados e em casas luxuosas, mas foi se instalar no coração do Caraguava, numa chácara em meio a maior bolsão de miséria de Peruíbe como era aquele bairro àquela época, não porque era demagogo, mas sim porque não temia ele o cheiro do povo, como fazem alguns candidatos hoje que mal pegam nas mãos dos eleitores, e, quando pegam, correm a lavar as mãos com álcool.

Infelizmente um e outro – Dr. Rocha e Dr. Melo – não tiveram oportunidade de mostrar a que vieram, e se suas propagandeadas boas intenções de mudança para a cidade eram verdadeiras, se seriam implementadas caso viessem a ganhar as eleições, vez que sabido que o que pretendiam de melhor para Peruíbe era factível, possível de se realizar. Enquanto Dr. Melo perdeu-se nos descaminhos de asseclas mal-intencionados e de seus próprios medos, Dr. Rocha teve a vida ceifada meses antes das eleições em fatal e até hoje mal explicado acidente automobilístico à entrada da cidade.

A curiosidade ficou sem que a conferíssemos, afinal. Levadas, uma e outra candidatura, até as urnas, o povo os elegeria como pleito de uma necessária e urgente mudança da rota em que teimavam sempre os mesmos seguir, tendo como rumo interesses de meia dúzia em detrimento de toda uma população carente das necessidades as mais básicas possíveis? Ou será que este mesmo povo assentiria no discurso dos que apontam o dedo para o “aventureiro”, para o “paraquedista”, para “o que chegou ontem na cidade”, ao mesmo tempo em que escondem a mão do gato que usurpa os cofres públicos em seus próprios benefícios, e que o povo nunca viu, não vê, e parece mesmo não ver, ou não querer ver?

Infelizmente a história política conta para nós este enredo triste repetido e cantarolado toda eleição de que o anterior fora melhor que o atual. O conceito do “ah, eu era feliz e não sabia”, parece ofuscar olhos, ouvidos, bocas e mentes do povo sofrido e esquecido de situações desastrosas acontecidas há apenas quatro ou cinco anos atrás, as quais justamente foram os motivos que fizeram a revolta se instalar para eleger a atual mandatária, em detrimento daquela que o próprio povo julgara ter sido “a pior prefeita que Peruíbe já teve”.

Este estado instável da vontade do povo tem raiz na sua letargia política, no cabresto mental que nossa gente carrega por falta de oportunidade de acesso a uma educação sóbria e digna, e às manifestações culturais. É notório que o livre pensar não faz parte do interesse daqueles que têm no cabresto a sua principal arma de perpetuação no poder.

Exemplo recente disso vem das eleições de 2004 para cá. Naquele ano, José Roberto Preto encetou uma corajosa campanha para derrubar o estigma de poder criado pelo ufanista Gilson Carlos Bargieri. A campanha milionária de JR Preto tinha dinheiro suficiente para desmascarar os escândalos perpetrados durante o governo de Bargieri e leva-los à TV, em rede nacional. O povo teve um despertar ligeiro de seu sono hipnótico, e derrubou o então prefeito, elegendo seu opositor e denunciante.

Quatro anos parecem terem sidos mais que suficientes para o povo esquecer tudo aquilo e adormecer novamente. Em 2008, Gilson Bargieri voltou ao palanque, denunciou o que passou a chamar de “trama eleitoral”, invocou sua inocência em discursos inflamados que só não convenceram a Justiça Eleitoral, e, impedido de ser candidato, apontou ao eleitor sua filha Milena, às vésperas do pleito, quando sequer tempo deu de trocar a foto de um pela outra nas urnas, e o povo, não convencido dos argumentos da oposição – e da Justiça –, e apenas se lembrando do desastroso último ano daquele mandato, logo pretendeu entender que Gilson, afinal, fora bem melhor que a dupla José/Julieta, e elegeu então Milena Bargieri como prefeita para o mandato de 2009-2012.

Passional aos extremos, em 2012 o povo se arrependeu novamente. Não! Não era um Bargieri que representaria a salvação municipal, mas sim uma descendente de José Roberto Preto, porque parecia restar provado que as administrações encetadas pela “famiglia” não eram dignas de merecer nota e respeito, ou mesmo lembrança. E lá correram os eleitores para as urnas quais ovelhas rumando céleres e inocentes para o matadouro daquela que hoje vemos ter sido a mais perigosa loba que os anais da história político-administrativa de Peruíbe já registrou. Pensavam os eleitores estarem seguindo o caminho do aprisco. O engano foi geral, e o destino desta desastrosa caminhada está ai, representado pelo cadafalso da guilhotina eleitoral que a própria prefeita Ana Preto criou para si e para os seus mentores.

O desastre da atual administração, se não fez acordar o povo de vez da necessidade de ousar experimentar o novo, parece ter tido o efeito corriqueiro e já conhecido: Gilson Bargieri e Milena foram melhores prefeitos que Ana Preto, por isso merecem voltar a governar a cidade, e isto explica o porquê de ambos os Bargieri estarem sendo apontados em lugares de destaques nas pesquisas feitas aqui e ali, alhures e algures.

Em que pese que até mesmo Robalinho, o extinto guardião da praia do Costão, teria gerido melhor a cidade que a atual mandatária, pretender trazer luz para a futuro da cidade acendendo a vela já gasta de que “o anterior foi melhor que o atual”, é um perigo a ser combatido por todos os homens e mulheres de bem e de bons costumes da cidade. Não podemos mais repetir este discurso falido, que já era de ter caído em desuso desde muito tempo, sob pena de a cidade continuar se arrastando por mais décadas a fio, sem sair da mesmice, do lugar comum em que tem se encontrado desde sempre. Ou será que alguém duvida de que, se eleito este ano, Gilson Bargieri ou Milena Bargieri, por mais esforço que venha a fazer em seu futuro e eventual governo, não conseguirá evitar que Ana Preto volte à carga em 2020, correndo nós o risco de a elegermos porque não ficamos de todos contentes com o governo de Bargieri, quando descobrimos que, com Ana Preto, “éramos felizes e não sabíamos”?

É, senhores e senhoras. Votar é fácil; pensar é necessário. Necessário, mas difícil.

A proposta que faço é pelo novo. Sempre pelo novo. Eu não tenho medo do chamado paraquedista. Durante a II Guerra Mundial eram os alemães – os bandidos daquela vez – quem tinham medo das brigadas paraquedistas dos aliados. E eu não sou bandido, e sei que o povo de Peruíbe não é bandido. Por conseguinte, só temem os paraquedistas aqueles que têm interesses inconfessáveis, ou os que costumam fazer na vida pública o que fazem na privada!

A lógica da escolha pelo novo é simples e pode encontrar espelho em muita gente que veio para a cidade trazendo todas suas economias para investir aqui, criando negócios, estabelecendo empresas, gerando empregos, trazendo novidades, quando poderiam estar fazendo tudo isso em lugares onde o retorno lhes seria muito mais confiável e seguro. Trago a lume, com a devida vênia, o exemplo de Antônio Carlos Caruso. Dr. Caruso (ou “Carusão”, como é carinhosamente conhecido entre nós) ousou empreender negócios através de uma pequena cadeia de hotéis e pousadas, um centro de convenções e eventos de primeiro mundo, um cinema digno de uma capital, e, embora reconhecido como “cidadão honorário de Peruíbe” não logrou ainda o reconhecimento merecido para vir a se tornar – também ele – mandatário municipal.

Tenho para mim, e creio firmemente que Dr. Caruso seria um ótimo prefeito para Peruíbe. Seria o nosso redentor, a ponto de estabelecer um hiato, um abismo a ser esquecido, entre ele e Geraldo Russomanno, nosso emancipador de seis décadas atrás. Mas Dr. Caruso não é candidato. Infelizmente, não é.

Não há outra novidade no cenário dos candidatos a prefeito neste 2016, senão o empresário Carlos Barros, que eu não conheço pessoalmente, e que sequer sentei à mesa do seu “Altas Horas” para medir a qualidade de seu empreendimento. Mas tenho ouvido dele, e o tenho ouvido nas redes sociais. Descontadas as acusações de praxe, pouco dignas de nota e crédito, porque oriundas de seus desafetos políticos, a mim me parece que Carlos Barros parece ser a bola da vez. É uma pena que a classe política de Peruíbe prefira manter-se próxima do poder, buscando a manutenção dos mesmos de sempre. Não os culpo, embora os julgue; afinal, têm eles seus interesses, como já ditos, no mais das vezes inconfessáveis.

Dos candidatos que se apresentam no palco da eleição para prefeito, me parece que todos, à exceção do próprio Carlos Barros, tiveram ou têm alguma participação no tabuleiro da história política da cidade. Alguns fizeram alguma coisa pela cidade, outros nenhuma. Mas todos deram um jeitinho de se manterem vivos – e bem vivos! – com o que ganhavam, direta ou indiretamente, do dinheiro oriundo dos cofres públicos. As fortunas não explicadas – ou mal explicadas – de alguns destes dão atestado de onde é que reside essa disposição tamanha e desmedida que eles têm de gastar milhões de reais numa campanha eleitoral para um mandato cuja renda oficial não faria retornar nem um terço do que gastam em algumas semanas de campanha.

Não é preciso dar “nome aos bois”. Basta acessar as informações dos candidatos dispostas nos sites da Justiça Eleitoral para saber e conhecer que tem candidato morando em casa que vale mais de um milhão de reais, mas que declarou à justiça nem um quarto de seu real patrimônio. Por consoante e por me parecerem serem todos suspeitos em seus interesses escusos somente a partir deste quesito, é que reitero aqui que, se temos que escolher alguém, se somos impelidos e compelidos a escolher senão o melhor, ao menos o “menos pior”, é bem preferível que ousemos nos aventurar pela escolha de um “paraquedista”. Tentar, assim, é bem melhor que incorrer no erro segunda ou terceira vez, o que nos daria atestado perene de burrice.

Como cidadão, como munícipe, como membro de uma família que está há 49 anos nesta cidade, e que acompanha eleições municipais bem de perto desde a eleição de 1976, acho que o eleitor de Peruíbe teve seus momentos de ousadia quando elegeu Mário Omuro prefeito em 1988, quebrando uma hegemonia Sodré-Popescu-Sodré-Popescu no poder de 30 anos; mas também avançou quando elegeu Dr. Alberto Sanches Gomes em 1996, desconsiderando os antigos coronéis que ainda teimavam retornar ao poder; e avançou mesmo quando elegeu Gilson Bargieri em 2000; e depois José Roberto Preto em 2004. Se as “novidades” não atenderam de todo as expectativas do povo de Peruíbe, ao menos podemos dizer que tentamos.

A hora agora é novamente pelo novo. Temos que continuar tentando! Urge tentarmos, até porque tudo que temos visto e ouvido por ai – e hoje nada e ninguém se esconde por muito tempo, graças à internet e às redes sociais – parece não merecer mesmo qualquer crédito de nossa parte.

Portanto, é momento de darmos um basta às mentiras, às promessas, ao descaso, à briga do poder pelo poder, aos interesses escusos.

Se você quer tentar um governo nota 10 para Peruíbe, se você não é o bandido que tem medo de paraquedista nem de ousar, nem do novo, já sabe: Barros é o cara! Barros é a novidade! Barros é 10!

Washington Luiz de Paula