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Blogue “O Que Escrevi, Escrevi” – 10 anos!

"O Que Escrevi, Escrevi."

Neste dia 13 de setembro este bloque completará 10 anos de atividades. Nascido oficialmente em 13 de setembro de 2010, num misto de brincadeira e provocação entre uma bebida e outra servida no boteco improvisado na varanda da casa do amigo “Dib” (Antonio Carlos Marques Dib), provocação esta que partira do corretor de imóveis Mário do Carmo – o maior dos mineiros entre os “peruibanos”, o blogue que já nascia com o epíteto que ainda hoje sustenta (“O Que Escrevi, Escrevi”), reina ainda hoje, soberano enquanto ideal dentre os tantos ideais que sustentei e ainda sustento nestes meus 48 anos de militância política, dos quais pelo menos 40 na lide como operário da notícia.

Não obstante hoje vivendo em meio ao Campo das Vertentes das Minas Gerais, na aprazível Prados (encrustada ao pé do maciço de São José, entre São João Del Rey e Tiradentes), segue intenso o vínculo com Peruíbe deste plumitivo que é responsável por este blogue. Há muito da história da outrora Terra da Eterna Juventude, e dos registros de por onde correu o andor da política peruibense desde 1976 (ano em que debutei na política local), que ficaram gravados nas centenas de páginas dos jornais impressos dos quais fui proprietário – “A Notícia”, “Jornal das Estâncias” e “Acontece” (este último por mais de 20 anos!) e, agora, nas mais de 12.000 postagens aqui publicadas.

Os 675 quilômetros que hoje me separam fisicamente de Peruíbe não distanciam meu coração da cidade que acolheu minha família nos idos de 1967, e faz permanecer a vontade ainda não plenamente satisfeita de ver Peruíbe dirigida por senhores e/ou senhoras que amem efetivamente a cidade e seu povo, muito mais do que têm demonstrado ao longo dos anos amarem a si mesmos, os seus familiares e seus amigos próximos. Posto isso, o tempo que completamos 10 anos de lutas, onde não faltaram lágrimas, suor e quase sangue pela manutenção deste intento, é o mesmo tempo em que o povo é conclamado à reflexão por mais quatro anos de destino que deve estar – tem que estar! – em mãos e mentes acertadas.

Neste quesito, seja em Peruíbe, sem em Prados, é sempre bom fazer lembrar ao meu público leitor (sempre muito paciente e amigo, lembrando), que o melhor presente que você eleitor poderia me dar seria o de escolher, em novembro próximo, não o menos pior, nem o menos feio ou o mais bonito, tão pouco aquele que tem currículo acadêmico invejável, mas eu digo que a escolha deve se concentrar primordialmente naquele que não sofre a mácula tão comum no seio da política Brasil afora de ter sua “ficha suja” perante a justiça comum, sobremodo perante a eleitoral.

Com o postulado do candidato “ficha limpa” em mãos, a escolha se torna muito mais fácil, até porque, como dito no parágrafo anterior, sobram poucos – pouquíssimos – dentre os que intentam um lugar sob o manto de quatro anos ganhando muito em prol de poucos.

É isso.

Para os que acham que se ganha dinheiro com um trabalho como este meu, eu digo que é ledo o engano. No geral tiro dinheiro daqui e dali para bancar a manutenção do blogue no ar. A tarefa não é fácil, creiam. A sina de dominar a arte de escrever – e escrever bem e com qualidade – é para poucos, e é terrivelmente ingrata. São poucos os que reconhecem o talento de um bom escritor, e daquele que consegue reduzir em dois ou três parágrafos um fato, transformando-o em notícia.

Há mesmo quem ache que como “não custa nada” escrever para atender este desejo ou aquela vontade, colaborar financeiramente com meu trabalho torna-se um peso. E dar o braço a torcer de que pode valer a pena investir na publicidade em meu blogue é luta da qual – acreditem! – saio sempre perdedor.

Seja como for, sigo adiante. Lembro aqui quando completei cinco anos, em que recebi homenagem na Câmara do então vereador Ricardo Corrêa que, vale também o registro, foi o único vereador de toda a história política de Peruíbe que contribuiu com um pouco de seu soldo para a manutenção deste meu blogue, não falhando um mês sequer de seus 48 meses de mandato. Parece mesmo que ele tinha razão quando afirmava que “o resto é o resto…”.

Em tempo, registro ainda os nomes que marcaram presença, colaborando comigo no curso destes 10 anos, os quais infelizmente contamos nos dedos de uma das mãos apenas, a saber do atual prefeito Luiz Maurício, e os ex-prefeitos Alberto Sanches Gomes e José Roberto Preto (estes dois últimos quando ainda meu trabalho se resumia ao jornal impresso), e, de modo especial, o ex-vereador e maioral dentre as eminências pardas de Peruíbe, Alex Matos.

Considerando que a penitência deve ser própria dos humildes de espírito, deixo aqui uma oportunidade a que você colabore comigo, senão enquanto investimento em sua publicidade (seja política ou empresarial), ao menos para marcar a passagem deste registro que reputo histórico, seja para Peruíbe, seja para Prados.

São duas as opções.

Na primeira, você colabora com R$ 50,00 (pagamento único), e ganha uma página específica com sua mensagem pela passagem dos 10 anos do blogue, e mais dois (2) banners rodando aleatoriamente pelo período de um ano no blogue. Clique no link abaixo, e pague com cartão de crédito ou débito, transferência bancária ou boleto:

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Na segunda, você colabora com R$ 100,00 (pagamento único), e ganha uma página específica com sua mensagem pela passagem dos 10 anos do blogue, e mais cinco (5) banners rodando aleatoriamente pelo período de um ano no blogue. Clique no link abaixo, e pague com cartão de crédito ou débito, transferência bancária ou boleto:

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Caso queira colaborar com valor diferente – maior ou menor – é só me chamar no (32) 99832-5385 ou (13) 99796-0585 (ambos WhatsApp).

Após feito o pagamento me chame nos números acima para eu providenciar sua mensagem (se for o caso) e os banners (sem custo adicional).

No que me sobra, agradeço a todos quantos têm acompanhado a minha própria história e a história deste meu blogue. Você faz parte de mais de 1.000.000 de visitantes únicos que marcaram passagem para se ater a alguma coisa que eu tenha publicado no blogue, e permitiu tornar meu blogue o site mais visitado dentre os sites de Peruíbe e, agora, de Prados, conforme a Alexa (confira aqui).

Deus! Sim, Deus acima de tudo e de todos! A Ele, minha gratidão sempre eterna!

Washington Luiz de Paula

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Blogue fecha parceria com empresa de apoio a concurseiros

ApostilasOpçãoDa Redação

Com um invejado histórico de “22 anos participando da sua aprovação” que, aliás, é seu slogan, a Apostilas Opção passa a fazer parte do rol de empresas parceiras deste blogue, levando um leque de ofertas em apostilas para ajudar concurseiros de todo o Brasil a alcançar o objetivo da aprovação nos concursos públicos dos quais venha a participar.

A Apostilas Opção é uma das editoras mais conceituadas no ramo de apostilas do mercado, e tem por mote visar a melhor informação possível a candidatos e candidatas ávidos por um lugar seguro e estável junto ao serviço público.

Todo nosso material distribuído pelas Apostilas Opção é rigorosamente elaborado mediante os Editais de Abertura dos Concursos, dando assim maior credibilidade aos estudos daqueles que adquiriram as apostilas, que são disponíveis no site da empresa tanto no formato impresso, que segue pelos Correios até o endereço do concursando, como também no formato digital, para ser baixado imediatamente, facilitando assim o acesso ao estudo da apostila.

“Disponibilizamos o que há de melhor em material para concursos públicos”, alertam os diretores da Apostilas Opção, que, além das dúvidas que podem ser dirimidas pelo próprio site, também mantém um telefone para atendimento dos usuários.

Para conhecer mais sobre a Apostilas Opção clique aqui.

Para saber quais as apostilas estão disponíveis e seus respectivos concursos, acesse este link.

Liso, leso e louco. É como termino o ano.

Procuro aqui esta expressão antiga que, de tão antiga, ouço desde criança, há mais de meio século, portanto. O Tio Google ma mostra assim, como enunciado no título em epígrafe; mas eu a tinha por diferente: duro, leso e louco, o que é, no sentido amplo, a mesma coisa, a mesma coisa que pretende enunciar, ou que pretendo enunciar eu, que termino 2015 como venho terminando os últimos anos nas últimas décadas exatamente assim: duro, sem um puto no bolso, ou, como querem os mais politicamente corretos, sem dinheiro algum; mas também leso, por não ter aprendido fazer com que meu raciocínio acompanhe com celeridade aquilo que meus sentidos já sabem serem não menos putos (não obstante, abastados), a horda de políticos a que venho servindo sistematicamente ano após ano; mas também louco, por me adiantar na intempestividade de cometer os desvarios pelas letras que escrevo, algures e alhures, quando quero atingir alguém ou alguma coisa.

Mas não é só a classe política que me aborrece, não. Antes, me aborrece todo aquele e aquela que acha e que continua achando que escrever, por suposto ser fácil e “mole”, não é digno de seu auspício pecuniário.

Por conseguinte, sinto-me cansado neste ocaso de mais um ano que se finda, e nada esperançoso de que o ano que começa melhore a cabeça de todos quantos não se cansam de elogiar minha lavra, mas não são capazes de meter a mão à bolsa para colaborar para que eu e meu trabalho não sofra solução de continuidade. Aliás, até parece que não o fazem porque torcem mesmo pelo meu fim, seja pela desistência de teimar no entendimento de que, afinal, em alguma coisa tenho sido útil à cidade que, embora não seja a minha cidade natalina, ainda assim é a de meu coração; seja porque morro mesmo.

Tenho escrito destas lamúrias há muito, e elas não reverberam em lugar nenhum. Não há caixa de retorno em qualquer político, empresário, familiar ou amigo, senão em escassas e muito esporádicas contribuições que receio confessar que mais atrapalham que ajudam. São como aquela cenoura amarrada dois palmos à frente do nariz do burro que, achando que vai alcança-la uma hora, corre e mil – e puxa a carga! – sem que nunca a alcance, senão quando termina o dia em que, por fim, a ganha para poder comê-la igual prêmio de consolação.

Está aqui um burro, portanto. Meu pai já dizia deste seu primogênito filho que “inteligente ele é; só não sabe ganhar dinheiro”. E é verdade. Triste verdade. Mas, muito mais triste que a verdade que esta assertiva paterna encerra, é a sina de um dia ter me visto preso ao visgo da política, embrenhado na teia de um lugar onde mais nunca pude sentir senão ver que grande parte dos políticos são como os bagres ensaboados, difíceis de se segurar, que vivem na lama, mas que são gordos, muito gordos pelo que comem dos despojos usurpados à coisa pública.

A grande questão agora, posto que a penúria financeira parece mesmo perene, é saber se, afinal, posso ter alta depois da terapia que estes anos todos me impuseram, curado, portanto, do ser leso. Oxalá possa. Mas me permito ser louco ainda por um pouco, o bastante para apagar de meu trabalho toda e qualquer menção aos políticos de Peruíbe que ultrapasse a linha daquilo que fizeram para o bem ou para o mal público, desde que tenham sido por minha iniciativa. E as enquetes que levei ao ar no blogue até aqui são um exemplo desta minha iniciativa que tanto trabalho e dor de cabeça me causou, mas que, não obstante a grande expectativa que gerou nos mais de 6.000 votos que alcançaram até aqui, em nenhum momento provocou sequer a curiosidade em quem quer que fosse para perguntar quem estaria patrocinando este delicado e árduo trabalho, ou mesmo para se manifestar em favor de alguma ajuda que fosse para que elas lograssem continuar sendo publicadas e tabuladas.

Estou aqui pensando se não seria interessante começar meu ataque de fúria, raiva e rancor, por elas. Quem sabe as apagando todas, deletando-as todas, sem deixar vestígio algum. Não creio, ademais, que alguém até por isso se importasse, ou desse o braço a torcer para dizer que fez falta. Experimentei isso quando cheguei a ficar duas semanas inteiras com meu blogue fora do ar por estar sem dinheiro para pagar o provedor de hospedagem, período em que não recebi um telefonema, um e-mail ou uma manifestação nas redes sociais indagando sobre o que teria acontecido comigo e/ou com meu trabalho.

É isso. E querem saber? Vão todos à merda! Cansei. E o que mais desejo de mim para mim mesmo é que 2016 me seja o ano da minha redenção, mas sobretudo o ano de minha alforria dessa coisa nojenta chamada política, feita de homens e mulheres não menos nojentos.

Que eu continue liso. Que eu continue louco “por eu ser assim”, para repetir Raul Seixas. O dinheiro pouco ou nada importa; a loucura produzida pela lucidez de se encontrar autêntico naquilo que faz, e no modo como vive, importa, e importa bastante. Afinal, “mais louco é quem me diz, e não é feliz; não é feliz”. E ser feliz é poder, sem maldade ou malícia, e mesmo sem hipocrisia, mandar um estalado beijo na bunda (com a devida licença de “Gordo Dib”, meu querido amigo) de todos aqueles que ainda me querem bem, ainda que só um pouquinho. A estes, sejam felizes em 2016! E sempre.

Washington Luiz de Paula

Só mesmo a piedade divina aos imbecis e/ou caloteiros que me devem

Tem pelo menos três “colegas” jornalistas (ou metidos a), e um vereador que me devem em Peruíbe. Curiosamente, os quatro me devem mesmo valor cada um (R$ 50,00), alguns desde muito tempo, outros mais recentes.

Pelo ínfimo do valor, não obstante ter momentos que mesmo R$ 50,00 me fazem uma falta tremenda, e por não terem me pago (“até ontem”, como dizia meu falecido pai), deduzo o que segue:

  1. Se não têm dinheiro (o que é bem possível, por que não?), não passam de quatro imbecis, idiotas e boçais, pelo que todos eles exteriorizam que estão bem e de que nada lhes falta, senão a vergonha na cara em confessarem que comem mortadela de terceira, ainda que continuem arrotando caviar.
  2. Se têm dinheiro (ou os que têm) e não me pagam, são todos caloteiros sem-vergonhas!

Tenho por hábito dizer que não tenho medo ou vergonha de “mostrar a minha bunda peluda” para quem quer que seja. A expressão revela que nunca exercitei meus neurônios na busca frenética de mostrar aquilo que eu não sou e, sobretudo, aquilo que eu não tenho!

Em tempo, este meu desabafo dá azo ao antigo ditado que diz “dever para pobre é a pior besteira”. E é mesmo! É quase pior que dever para aquele agiota peçonhento que mora lá pelas bandas do Jardim Veneza!

Pois bem. Vivo eu uma vida regrada pela necessidade premente de administrar o pouco dinheiro que eu ganho contra as despesas que teimam em continuarem muitas. Não tenho vícios (se não o de escrever). Não bebo, não fumo, não jogo, não frequento barzinhos até altas horas, não como, bebo ou exerço nada que me seja supérfluo. Quase como um clérigo, minha vida hoje é de casa para a igreja, da igreja para casa. E só.

Repito também, à exaustão, que se tivesse sido (ou fosse) bandido, “puxa-saco” (do que tanto me acusam, aliás), corrupto, chantagista (como alguns e algumas que se acham paladinos da verdade em Peruíbe), se me imiscuísse dentre aqueles que há muitos anos vêm lesando a coisa pública no município, eu estaria hoje, ou milionário, ou morto.

Também nunca tive medo de confessar que devo, quando devo e a quem devo. E passo as agruras que passa todo aquele que se vê, vez ou outra, em momento em que R$ 10,00 fazem falta, quanto mais R$ 50,00! Logo, não sou um imbecil que expõe a público que come lagosta nos melhores restaurantes de Guarujá, ou que bate na mesa com um cassetete enorme fazendo crer que só os outros é que merecem o “pau na lomba”, ou que se empluma por fazer parte dos quadros daqueles que servem aos prebostes, ou que se acha melhor que seus pares na Câmara só porque oriundo da boa terra de Jorge Amado e de Caymmi.

Pelo que se vê e nota, o cancro de Peruíbe não tomou conta só dos prepúcios e gretas dos poderosos e poderosas de plantão. Está também na plebe, nos plumitivos, e nos bobos-da-corte. Da corte de ontem e de hoje.

Mas bobo por bobo, bobo também sou eu. Sim, porque, ainda que meus dedos teimem em atender a revolta de meus sentimentos interiores em momentos de aflição financeira, o meu coração continua bonachão, tão grande quanto minha barriga. E, consoante isto, sofro o saber que tem muita gente que, sabendo dessa minha bondade perenal, vai continuar querendo ficar contemplando meu traseiro peludo, e alguns até, sem a menor cerimônia, haverão de querer também passar a mão! E por ser assim é que não consigo guardar rancor ou mágoa de ninguém. Muito menos ódio ou ranço. E isto vale também para aqueles pelas mãos dos quais cheguei a ser metido em prisão, ou mesmo daquele que, abusando de sua autoridade policial, me agrediu fisicamente dentro da delegacia em tempos há muito já ido (“Quem bate esquece…”).

Sei que tem muita gente que me odeia em Peruíbe. Mas folgo porque em Peruíbe tem minha mãe que gosta de mim. Ela e meus irmãos. Eles e meus filhos. Estes e não mais que meia dúzia de amigos. Estou contente por estes. Estes me bastam! Deus os preserve e guarde. Mas, como ensinou Jesus Cristo, rogar a Deus por estes meus amigos é fácil. Rogar por aqueles, pelos inimigos, pelos que não gostam de mim, é complicado, deveras. Mas eu aprendi a amá-los também. E, na sinceridade do meu coração é que eu peço a Deus também por aqueles que me odeiam, e também pelos que me devem e não me pagam, por querer ou não querer.

Que este mesmo Deus tenha piedade de Peruíbe e do seu povo. Até porque o antibiótico capaz de debelar a peste que já tomou conta de mentes e corações de muitos em Peruíbe, só mesmo o Farmacêutico Supremo para ministrar! Kyrie Eleison!

Washington Luiz de Paula

O múnus público de André Santana e as minhas nádegas flácidas

Dia destes o emblemático André Santana, ao que parece agora chefe de gabinete do chefe de gabinete da prefeitura de Peruíbe, pediu-me que retirasse uma anotação que eu fiz como comentário a um post assinado pelo vice-prefeito Nelson do Posto, sob a alegação de que o que escrevi poderia levar as pessoas que o lessem a erro de julgamento sobre suas vistas viagens mundo afora Facebook adentro.

Invocando o pressuposto da “vida privada”, disse-me ele: “Da minha vida privada eu cuido. Você me acompanha há tempos e sabe que não tenho uma história triste para contar e sabe que viajo há tempos e muito. Aliás, as melhores e maiores viagens que fiz não foram recentes”.

E continuou, para rebater informação anotada por Nelsinho em seu perfil no Facebook que seu salário poderia estar chegando à casa dos R$ 9.108,81 mensais: “Escrever o que escreveu pode induzir as pessoas a erro. Até porque o vice-prefeito está mal informado. O salário de chefe de gabinete ou diretor LOM não chega a metade disso”.

Bem, como não sou jornalista nos mesmos moldes que André Santana, que tem em seu currículo a formação acadêmica – que eu não tenho, vejo que é hora de ensinar-lhe alguma coisa sobre investigação de mérito, o que o fiz agora, descobrindo que o tal Padrão 22 para o qual a prefeita Ana Preto o nomeou, de acordo com a Lei Complementar nº 176, de 19 de dezembro de 2011 (fls. 27), que trata do Plano de Carreira dos Servidores Públicos de Peruíbe, aponta vencimento de R$ 7.576,96 à época, o que bem pode mesmo estar chegando ao número indicado por Nelsinho em sua matéria.

Pressupor que André Santana receberia surpreso tal salário no final do mês, quando imaginava ser “nem metade disso”, é o mesmo que dar-lhe rima ao nome – Não! A mim ele não engana!

Aproveito aqui para distinguir o que seja, afinal, “público” e “privado”, o que se torna preciso num Brasil em que todos de sobejo sabemos que os políticos têm prazer em fazer na vida pública aquilo que costumeiramente fazem na privada, o que não é o caso – evidente – de nosso protagonista que, embora não político diretamente falando, é homem público, porque serve no múnus público, e se serve do erário público para receber seus proventos.

Consoante isso, suas viagens de recreio – para onde vai, quanto gasta, com o que gasta, de fato tem a ver com sua vida privada; quanto ganha, o que faz durante o expediente, se trabalha ou não, tem só a ver com sua vida pública, já que seu salário é proveniente de impostos pagos pelo povo, razão porque não haveria de achar-se assim tão sobressaltado com a crítica interposta justamente por alguém que há 40 anos exerce o mesmo ofício, embora “de orelhada”, que ele exerce, no seu caso, de direito.

Sim. É preciso que se repita aqui aquilo que eu já sei, até porque tudo que sei que sei é que o que comentam nos bastidores acadêmicos é que eu posso até escrever bem, no que tenho sido admirado por alguns e odiado por tantos, mas não sou mais do que isso: “jornalista de orelhada”!

A parte disso, neste episódio não perdi oportunidade de colecionar mais uma “história triste” para contar, que é a do arrependimento de ter atendido o amigo André Santana em seu pleito, e retirado o comentário que tanto o incomodou. Fi-lo sim, por saber – como poucos – diferenciar a amizade daquilo que poderíamos de repente chamar de “dever de ofício”, ou de, ao menos, “dever de cidadão”. E a história triste colecionada e a ser contada para meus pósteros é mesmo a do arrependimento, e a do medo de vir a me arrepender do meu arrependimento por mais uma vez ter que mudar o epíteto pelo qual sou conhecido para “O Que Escrevi, Escondi”.

Não é, portanto, a primeira vez que isso acontece, em que sou acordado de madrugada para mudar uma vírgula, um parágrafo ou um texto inteiro daquilo que minha consciência mandou-me escrever; não é a primeira vez, por consequência, que me entristeço com o assentimento no pedido de clemência de amigos e de alguns nem tantos amigos, pelo que já venho deduzindo que a pecha impetrada por Eduardo Bastos, o enigmático B. da Veiga de 20 anos atrás, contra Marcos Wizentier – o querido Marquinhos Ensel, acabou sendo herdada por mim, depois dos dois já falecidos: Não passo hoje, já vizinho da terceira idade, de um “nádegas flácidas”.

É isso o que sou: um jornalista de orelhada, um jornalista decadente, conforme a “jornalista” Claudete Andreotti, e agora, um nádegas flácidas para ser elegante em não ter que dizer “bunda mole”, já que isso soaria feio e chulo.

Preciso urgente de uma academia. E de uma Sputnik.

Washington Luiz de Paula

Décadence avec élégance

“WASHINGTON LUIZ DE PAULA – Jornalista em franca decadência, foi para o lado de lá e foi efêmera a estada dele como jornalista a serviço dos Soberanos, talvez não tenham gostado das piadinhas maldosas e ofensivas que ele se acha no direito de ofender a todos, com seu humor macabro.”, por Claudete Andreotti, in Boca de Rua

Gabriel Jorge Castellá, em seu pequeno livro “20 Formas Sadias de Responder ao Insulto” (Ed. Paulus, pp 59), lembra um fato curioso acontecido com o escritor George Bernard Shaw em que ele recebe uma correspondência e, ao abri-la, vê uma folha quase em branco, tendo escrita uma única palavra, com letras maiúsculas: IMBECIL; no que ele comenta: “Isto é um fato curioso. Ao longo de minha vida recebi muitas cartas sem assinatura, mas esta é a primeira vez que recebo uma assinatura sem carta”!

Este fato veio-me a lume depois de tanto ter mastigado sobre o que de mim escreveu a ensandecida jornalista responsável pelo site que, convenhamos, mais tem incomodado as elites políticas de Peruíbe hoje em dia, chegando ao ponto de me ver dividido se valeria mesmo a pena me preocupar em perder tempo que tenho e gastar dinheiro que não tenho em leva-la às barbas do Judiciário para fazê-la conter-se sobre o que de mim escreve, vez que não sou político, não tenho interesses políticos, não sou candidato, e mais não lhe incomodo senão pelo fato de lhe ser concorrente direto nestas hostes virtuais, ou, em última instância, não corresponder àquela mesma paixão recolhida que um dia, lá atrás, em plena embate televisivo no “Na Mira!”, o vereador Ricardo Corrêa insinuou ter ela por ele. E neste terreno não me aventuro: seja porque tanto ela quanto eu somos casados – eu, lembrando, bem casado há 32 anos! -, seja porque qualquer aproximação física entre nós dois, pode apartar, porque é briga. Com certeza!

As lições que me ensinaram Castellá através da leitura do livro acima aludido foram bastante e suficientes para me convencer do contrário. Não. No caso do pretendido insulto, prefiro toma-lo por elogio, principalmente quando vêm de mentes que, de insanas chegam a ser pueris; e tenho aqui para mim, permitindo-me o mestre JC, que poderia estender sua famosa frase acerca das crianças, acenando que da boca delas sai o perfeito louvor, para estender que perfeito louvor e honra sai também da boca dos loucos e das loucas.

É-me, portanto, um elogio e uma honra ser lembrado por Claudete Andreotti que, agora, muito certamente, depois de atentamente ler e tentar entender o que aqui escrevo, irá deveras até sonhar comigo!

O fato e o consequente comentário é oportuno agora, no exato momento em que completo cinco anos da teimosa lida deste meu blogue, fato que ocorre neste dia 13 de setembro, domingo de Nosso Senhor, e que não foi lembrando por ninguém!

Sim. Eu que nada tenho de médico, mas que um pouco tenho de poeta, e também muito acumulo de louco, sou sim aquilo que o último dos gregos que Peruíbe conheceu, Iraklis Rafail Hatziefstratiou, convencionou chamar de “rei do trocadilho” por conta dos “trocandalhos do carilho” que vivia e vivo ainda fazendo. Neste diapasão minhas piadas podem até terem esse fito de “maldosas”, eivadas de “humor macabro”, mas Claudete Andreotti falar que eu me acho “no direito de ofender a todos”, aí já é elogio demais, até porque vindo de quem vem, isto realmente expõe que caiu no canal do Ubatuba o parafuso que lhe apertava o senso de ridículo, quando até não merece que se diga “bom senso”.

A aplicação e ligação que faço entre este fato de todo esperado – vindo de quem vem – e o lustro que agora comemoro é reflexo da apatia que a sociedade peruibense – povo, políticos, comerciantes, empresários, mandantes e mandados – tem para com aqueles profissionais em Peruíbe que de alguma maneira se valem de ofícios onde as mãos que pegam na enxada são substituídas por cérebros que pensam, e a enxada substituída pela caneta.

Não tenho me olvidado nunca em dizer que Peruíbe é o que é porque não tem raízes. As que tinha foram arrancadas de suas terras pela ganância da especulação imobiliária, de sorte que quem está em Peruíbe há 48 anos como eu estou pode até ser considerado “quatrocentão”. Os poucos caiçaras que ainda perambulam pelas ruas da cidade tiveram suas consciências dissecadas pelos aventureiros que tomaram de assalto nossas terras, e sobre elas agora exercem domínio que não haverá força capaz de mudar-lhe este destino, senão a força do tempo, que nem eu nem Claudete Andreotti veremos porque só daqui a dois ou quatro séculos acontecerão.

Todavia, se me perguntarem se tenho orgulho de ter adotado Peruíbe como minha terra do coração, a minha resposta é um “sim”, ainda que carregado de tristeza. Se for inquirido sobre se o fato de estar escrevendo a história político-administrativa de Peruíbe desde os meus 16 anos de idade me agrada e me envaidece, a minha resposta também será “sim”, ainda que substanciada pela mágoa.

É certo que hoje vivo na Capital. Mas meu coração está em Peruíbe. Ainda! Sei cantar o Hino de Peruíbe de cor, e sei as cores da sua Bandeira e o significado de seu Brasão, coisas que tão pouca gente que vive em Peruíbe sabem. Mas sinto esvair-se de mim aquele sentimento que Rodolpho Pettená outrora nutria por Peruíbe, cidade que tanta alegria lhe trouxe, mas que, com peso maior na balança, maior frustração lhe causou, a ponto de morrer, assim como morreu Dalmar Americano – o maior de nossos poetas – antecipando-se ao seu esquecimento no consciente coletivo deste povo sem cultura e sem história, quando disse que “Hoje, cansado, o coração deserto, / vendo a morte a acenar-me assim tão perto, / sinto no peito um dissabor profundo: / O nada de morrer sem ter vivido, / e terminar num túmulo esquecido / como um pária, entre os párias deste mundo” (Crepúsculo, in Almas Bravias, ed. do Autor).

Um pária entre os párias de Peruíbe. Assim me sinto. Assim prefiro ser. Para o poeta Gióia Jr., “deve a poesia fugir da Torre de Marfim / e sofrer com o povo e sentir mais e mais / as negras aflições dos problemas sociais” (Para Glória de Deus, in Jesus Alegria dos Homens, JUERP). Prefiro antes, portanto, ser o que sou: apenas um poeta. Ou como se autodenominava aquele que foi o maior educador de Peruíbe, em sua simplicidade de vida, Mário Cabral Martins, de tão saudosa memória: “um pobre poeta do Guaraú”.

O reflexo de que “Peruíbe não é pior, nem melhor – é apenas diferente”, como dizia o próprio Pettená está naquilo que a história destes quase 60 anos de emancipação político-administrativa nos conta: não há sociedade organizada, clubes de servir, igrejas, ordens, entidades representativas de classe, partidos políticos e até clubes de futebol que se entendam entre seus membros. E, pelo que se vê e se nota pelas linhas que fazem a epígrafe deste texto, e pelo que por este texto exaro, nem tão pouco os plumitivos se entendem entre si também.

Ora, mas se existo, escrevo; e se escrevo é porque penso; e se penso, logo existo (“Cogito, Ergo Sum”, Descartes). Como, pois, pretender ser diferente nesta minha sina? Até quando recalcitrarei em achar-me o paladino das letras, nesta aventura quixotesca, ingrata e inglória que não reverbera nem encontra ressonância junto a quem quer que seja, senão em não mais que meia dúzia de sinceros amigos que insistem em colaborar com meu ideal? A resposta é cruel: não sei. Eu mesmo não sei!

Até lá, sigo na “franca decadência” propalada pela Cruela que tantas maldades tem feito aos “dálmatas” de Peruíbe, muito embora que, no que concerne a mim, procurando manter a cabeça erguida, com a elegância dos lordes, ainda que falidos.

Décadence avec élégance” é um dos sucessos musicais do igualmente louco Lobão, que, em meus devaneios saudosistas, me faz voltar para os idos de 1974, 1975, quando numa das aulas de francês no antigo colegial, ministrada por uma professora muito bonita, cujo nome julgo lembrar-me como sendo “Francis”, escrevia ela na lousa: “Qu’elle est la couleur de la tableau noir?”, pedindo que algum dos alunos traduzisse, ao que um dos mais engraçadinhos da classe se saiu com esta tradução sui generis: “De que cor é a colher de pau”…

É isso. Se me inspirasse neste feito estudantil do passado, eis que de repente, justamente eu que gosto tanto de trocadilhos, poderia aventurar-me no francês para “traduzir” para vocês “Décadence avec élégance” como sendo “A mim a decadência; à vaca, a elegância”.

Por analogia ao que ilustrou George Bernard Shaw, eu agora pondero em afirmar que o que de mim foi escrito pela minha colega não é carta vazia nem anônima. Tem texto. E está assinada. De igual ao ocorrido com Shaw só mesmo o adjetivo.

Washington Luiz de Paula

Saúde em Peruíbe está na base do “Upa, Upa, meu ginete!”

Dizer que é um caso pontual é subterfúgio. E subterfúgio é desculpa esfarrapada para quem não está tendo a mínima humildade para reconhecer que, como qualquer humano, erra. O problema é que quando se erra dirigindo um ônibus lotado ou pilotando um avião, ou mesmo dirigindo uma cidade, o risco de uma catástrofe é iminente!

Há 10 minutos atrás (14h10 deste dia 9 de agosto, domingo), o cidadão Wanderlei Abrahão de Paula levou a filha para atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Saúde de Peruíbe, e eis que constatou ele mesmo, pessoalmente e in loco (uso a redundância propositalmente, para enfatizar a gravidade do assunto), que não tem como se tirar um Raio X porque o aparelho está quebrado, que não tem pediatra de plantão e que o único clínico geral atendendo não está atendendo porque está em horário de almoço.

O caso acontecido com um irmão não é isolado, como todos sabemos. Deixa de ser pontual, portanto. E extrapola as dificuldades pelas quais passam centenas (talvez milhares) de prefeituras Brasil afora, assim como a crise no sistema de saúde do país que sofre de câncer agressivo e com metástase em toda a máquina da administração pública. E é justamente assim que morre uma administração: com falência múltipla de órgãos, inclusive daquele que permite que os políticos tenham senso de dignidade e honra para vestirem as sandálias da humildade em reconhecer que são ineptos e inaptos para o exercício do cargo a que se aventuraram galgar, e que acabaram galgando, mas que agora, seguem como que em um galope de um carrossel anexo ao grande circo instalado exatamente no local onde outrora não tinha outra utilidade que abrigar circos.

Não é à toa que haja tanta afinidade da prefeita Ana Preto com a presidente Dilma Rousseff, bem diferente da afinidade que havia entre seu pai José Roberto Preto e o “pai” da presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, muito embora, como vemos, também este – assim como sua filha – fazem aflorar de seu sepulcro a vergonha que ele sentiria, vivo estivesse, pelo quê de escancarado se vê cometendo, aquele e esta; o primeiro como mal ao país; a segunda, como mal a Peruíbe.

Reluta-se o quanto se pode para que a ordem institucional prevaleça. Sim! É preciso que se sobressaia o respeito à Democracia e ao voto, não importando aqui se os de Peruíbe foram comprados, ou se os do Brasil foram ceifados sob o manto da mentira. Mas, incompetência? Isso não! Renúncia já! Para ambas!

Washington Luiz de Paula

Pedrada na testa – A tênue distância entre o erro e o acerto

Aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra” – Jesus Cristo, in Evangelho de João, capítulo 8, versículo 7

Conta a anedota sacrílega de que, quando trouxeram a mulher pega em flagrante adultério para ser apedrejada, Jesus teria se surpreendido quando, ao ordenar que atirasse a primeira pedra aquele que não tivesse pecado, um fariseu com a maior cara-de-pau lançou sobre a mulher uma pedra enorme, atingindo-a bem na testa, ao que o Mestre ter-lhe-ia perguntado: “Você nunca errou?”. “Desta distância não, Mestre!”, teria respondido o atirador.

Bem, todos sabemos que a história verdadeira não é bem esta, e é mais que certo que Jesus, conhecendo o coração e as mentes de todos aqueles que tinham pedras nas mãos, ao se curvar sobre a terra e se pôr a rabiscar o chão, estaria ele ali, naquele jornal improvisado, enumerando todas as mazelas cometidas sob o manto da privacidade por aqueles fariseus.

A versão infame do primeiro parágrafo, entanto, encaixa-se bem ao que temos visto, lido e ouvido como ocorrência que, para asco meu e de todos aqueles que têm um mínimo de bom senso e boa fé em seus julgamentos, parece tornar-se perenal. Refiro-me aos ataques dos quais Tuca Fumagalli, o atual secretário de Comunicação e Imprensa da prefeitura de Peruíbe tem recebido, principalmente de seus colegas jornalistas (e jornaleiros) nas redes sociais.

Não vou discutir sua competência enquanto profissional, se ele é melhor do que este ou aquele, ou se é pior do que aquele outro. Não tenho, tão pouco, interesse de trazer a lume seus defeitos, os quais ele sabe que tem, assim como eu os tenho, assim como você que me lê e você que o acusa também tem, assim como nós temos. Mas eu pretendo sim promover uma defesa de seu posicionamento enquanto profissional que aceitou um cargo que, convenhamos, é dos mais espinhosos, primeiro por ser público (quando todo mundo entende dele ser patrão), segundo por, como dever do cargo, ter que defender uma administração que, certa ou errada, sofre cerrado fogo não apenas de um inimigo, mas de vários – e todos eles com interesses para lá de inconfessáveis.

O cargo que está sob a responsabilidade de Tuca Fumagalli foi oferecido a mim. O cargo é espinhoso, como já dissemos; mas o salário é bom, convenhamos. E eu só não o aceitei por estar tendo outras prioridades aqui na Capital, principalmente no que diz respeito aos meus estudos. Outrossim, por curioso que venha a ser, e até para dar um toque de tempero a este assunto, também declinei convite do ex-prefeito Gilson Bargieri, não só para vir a assessorá-lo desde já em sua trajetória rumo às eleições do ano que vem (na qual será candidato ele ou ainda sua filha Milena), como também transferi, sine die, a decisão por aceitar convite para vir a escrever sua biografia, como seu ghost writer.

Mas se me perguntarem se eu viria a ser assessor de imprensa de Gilson Bargieri ou mesmo de Benedito Marcondes Sodré, para citar dois nomes que têm estado na pauta de meus históricos desafetos políticos, eu responderia que tudo dependeria do que me proporiam a pagar. E se o salário for o correspondente ao cargo de secretário municipal, tanto melhor. Está aceito.

Mas, vejam bem: não se trata aqui de uma questão de ser mercenário. O trato, antes, é profissional. O próprio Tuca Fumagalli já serviu com sua verve e lavra a Gilson Bargieri. O emblemático Paulo Henrique Siqueira (Paulão) também. E outros nomes que dantes serviram ao então prefeito Gilson Bargieri hoje servem na Administração Ana Preto, e nem por isso podemos considera-los como “vendidos”. Exemplo disso é o competentíssimo xará Washington Reis que fez milagre na pasta de Esportes de Milena Bargieri, e hoje continua realizando os mesmos e eficientes milagres no atual governo que, bem em tempo, deixou de lado as picuinhas políticas, para trazer toda sua competência para dentro do governo.

O espinho do cargo talvez esteja em que aquele que está imbuído da tarefa para a qual foi contratado nem sempre ficará à vontade em defender esta ou aquela posição do governo. E assim funciona no mundo corporativo das grandes empresas. O presidente daquela multinacional decide lá de cima que todo funcionário a partir de tal data deverá usar por uniforme uma camisa amarela com bolinhas lilases e gravata borboleta azul calcinha, e a seus diretores não restará alternativas a não ser acatar e repassar a ordem para os subalternos, ou pedir demissão. Entrementes, se a crise no mercado de trabalho está instalada, e o diretor (e o funcionário) precisa daquele dinheiro a que faz jus trabalhando honestamente, não restará a ele, mesmo a contragosto, vestir o novo modelito.

Será bem difícil encontrar em Peruíbe quem não gostaria de ganhar R$ 4 mil, R$ 5 mil, ou mesmo R$ 8 mil por mês que é mais ou menos o que ganha um assessor com status de secretário em Peruíbe. O que é difícil mesmo é encontrar alguém com competência para saber pensar e colocar no papel aquilo que pensa. Digo-o eu que sou mestre nesta arte, embora o diga não para minha própria glória, mas como tributo de agradecimento a Deus por ter-me dotado deste talento incomum. Assim sendo, toda e qualquer ponderação que se possa ler nas redes sociais em razão de Tuca Fumagalli parecer estar se esquivando de um fato que venha a ser uma pedra no sapato da Administração tem raízes que não mereceriam sequer esta preocupação que estou tendo nesta quase apologia de seu mandato como responsável pela Comunicação do governo atual.

Falar do despeito dos incompetentes seria superficial, portanto.

Muito mais grave é quando a crítica parte do comportamento antiético de um colega de ofício. Muito mais preocupante é quando as observações de contrariedade contra Tuca Fumagalli têm origem no comprometimento escancarado que alguns têm com esta ou aquela corrente política, com este ou aquele político; e se estes interesses escusos fossem em favor de olharmos para a frente, para novos valores e possibilidades (que se tem por ai, com toda certeza), eles não seriam tão escusos assim; mas quando os interesses estão voltados para o passado que, embora recente, parece esquecido do consciente coletivo em tudo o que mazela se promoveu neste mesmo passado, daí então a minha preocupação é quintuplicada.

O fato é que todos quantos atiram as pedras bem no meio da testa de Tuca Fumagalli hoje não passam de fariseus, e estão, por seu turno, divididos em dois grupos também distintos, embora juntos e misturados: há os que até bem que poderiam fazer mais e melhor que Tuca Fumagalli, e se ressentem de não terem tido a oportunidade que ele teve; e há aqueles que jamais confessariam que adoram quando um dossiê secreto vem lhes parar às mãos para poder vende-los por alguns milhares de reais, a fim de se safarem de suas também não confessáveis crises financeiras.

Para eu que milito na área há quatro décadas, e já experimentei governos de déspotas, como diria o Sodré, “peruibanos”; para quem, como eu, já fui inúmeras vezes ameaçado de morte, processado e condenado um sem número de vezes, e que até já experimentei estar encarcerado numa prisão por 17 dias a mando dos meus algozes em Peruíbe; é que posso encher a boca para dizer que fazer jornal impresso, televisão ou rádio num governo como o de Ana Preto é moleza.

A independência jornalística que este ou aquele apregoa é benesse da prefeita Ana Preto. Sim, porque eu duvido que qualquer destes que se acham paladinos da justiça e da verdade, sobrevivessem duas edições de seus jornais, ou uma semana de transmissão na rádio ou na TV, em governos como os do próprio Sodré, ou mesmo mais recentemente como o de Gilson Bargieri. E não digo isso para que a Imprensa saia enaltecendo e defendendo o atual governo, o qual vejo, aqui do exílio, não ser exatamente um desastre, mas alguma coisa moldada na base do “não estou nem aí”.

Tuca Fumagalli, assim como qualquer assessor da prefeitura – ou mesmo da Câmara – não deve pagar a conta de eventuais desvios e desmandos do governo. Consoante isso, não desviem o foco daquele (ou daquela) que é realmente o seu alvo; mas sobretudo não atire pedras aquele que, para poder dizer que em seus bolsos nunca entrou dinheiro de caixa dois, tem que comprar uma calça nova primeiro.

Washington Luiz de Paula

A dengue que ainda não me pegou… ainda!

Ando um tanto quanto estupefato com essa onda de alarmismo barato, e aproveitamento político dos mais vis que estão fazendo com o sofrimento do povo de Peruíbe que, vitimado por uma crise sem precedente de acometidos pela dengue, não tem conseguido uma resposta de atendimento, internação e medicação nas unidades de atendimento médico da cidade.

Fala e escreve aqui quem ainda não experimentou passar por este mal que requer cuidado, não por estar morando em São Paulo (no prédio onde moro há pelo menos uma pessoa doente de dengue, e assim me parece estar sujeito a me ver “dengoso” de uma hora para outra também), e não quero que me digam logo o chavão de que “falar é fácil”. Não! Até porque dos meus que estão em Peruíbe, sejam parentes ou amigos, boa parte deles está ou já esteve com dengue. E todos eles, ricos ou pobres, foram atendidos, e muito bem atendidos pelos profissionais de saúde de Peruíbe que servem na mais que bendita UPA. (Ah, não fosse ela, ainda que precária!).

O sensacionalismo em cima da desgraça alheia, entanto, me enoja, a ponto de não saber o que me seria pior, se uma dengue hemorrágica, ou ter que ficar vendo a ineficácia de uma mídia tendenciosa – e de resto políticos incompetentes que nunca souberam fazer política senão se aproveitando deste frágil e nevrálgico sistema de saúde pública que, no Brasil, é de sobejo estar para lá de falido. Vejam e releiam o que eu disse: No Brasil!

Pois é. No Brasil! E a culpa não é da Dilma Rousseff, não! Assim como a falência da saúde pública em São Paulo não é culpa de Geraldo Alckmin. Assim como a culpa pela ineficiência do atendimento de saúde em Peruíbe não é culpa de Ana Preto, assim como não era de Milena Bargieri, quando seus algozes à levaram ao Fantástico para dizer do roubo que acreditavam perpetrar-se no sistema de saúde municipal em 2012.

De quem é a culpa, então? A culpa é do sistema. O sistema de saúde pública no Brasil é falido, e remonta a governos bem anteriores aos pós-adventos do PSDB e/ou PT.

Se houve um tempo em que o sistema de saúde público funcionou direitinho foi aquele em que, para você ser atendido no hospital ou pronto socorro municipal, você tinha que mostrar sua carteira profissional assinada atestando ser você um trabalhador e contribuinte do então INPS, que era a previdência que bancava os altos custos do sistema. Para o governo da época, o entendimento era de que, se você não trabalhava você não precisava do serviço público. A dedução era de que você era rico. E ponto.

Pois bem. O sistema mudou. A população aumentou. Os problemas de saúde aumentaram em razão de ausência de política de prevenção eficaz, de política de saneamento básico para todos, e por conta do elevado índice de problemas de saúde resultantes do uso indiscriminado de bebidas alcoólicas, fumo e entorpecentes, além de acidentes resultantes do incrível aumento da frota de veículos automotores entregues como verdadeiras armas nas mãos de pessoas pouco ou nada preparadas. E isso sem contar a criminalidade, esta verdadeira epidemia nacional que coloca o Brasil no quadro dos países que vivem no cotidiano uma guerra civil instalada, embora não declarada.

Logo, qualquer cidadão ou cidadã que tenha o cérebro em seu perfeito lugar dentro da cachola pode discernir entre o que seja boa intenção e aquilo que não passa de falácia e engodo por parte daqueles que já mostram não saberem fazer outra coisa que disseminar o ódio, aumentando desproporcionalmente um problema como se ele fosse único e exclusivo de Peruíbe.

Agora pouco recebo o testemunho de um ex-vereador e homem forte de pelo menos dois governos anteriores a este que, acometido de dengue das mais bravas, procurou uma clínica particular de Peruíbe, receoso de que tudo o que vociferam os algozes da administração municipal fosse realmente verdade, e lá foi informado que o tempo de espera para ele – e mais umas 120 pessoas que aguardavam desesperadas por atendimento particular – seria de uma hora e meia pelo menos. E já adiantaram: resultado de exames comprobatórios da dengue, somente em quatro horas! Não suportando as dores e o mal-estar, ele correu para a UPA, onde foi atendimento em meia hora, não esperando mais do que outra meia hora para o resultado do exame que atestava que ele estava mesmo com dengue.

Bem, dai você me dirá que isto aconteceu porque se tratava de um ex-vereador. E eu respondo que não. O mesmo atendimento satisfatório tiveram todos os meus irmãos que tiveram que ser atendidos da UPA de Peruíbe também comprovadamente com dengue. Mas ainda assim me dirão que foi porque eram meus irmãos. E eu respondo novamente: não também!

Das centenas de casos de dengue contabilizados em Peruíbe – inclusive do caso que tomou de assalto o próprio protagonista do principal programa de TV de Peruíbe –, não é possível que 100% estejam insatisfeitos com o atendimento médico-hospitalar que tiveram. E a dúvida para a crueldade com que fazem uso da imparcialidade encontra respaldo em não mais do que dois ou três rostos – alguns até que acentuadamente maquiados – que fazem questão de aparecer na telinha para esbravejar porque não foi bem atendimento, ou não foram satisfatoriamente atendimentos.

Lógico que os que lhes aconteceu e denunciam, é bem possível mesmo que tenha mesmo acontecido. Se mentissem usando de estados doentios de seus parentes ou próximos, seriam estes bem piores que aqueles que, ávidos por audiência, não são sequer capazes de confessar, diante da tela da TV, que, em que pese este ou aquele problema individual que denunciam, há também testemunhos a serem levados ao ar daqueles que foram bem atendimentos, e já se encontram curados. Inclusive ele.

A dengue é um problema crônico de saúde pública. Mas é um problema de educação. E a educação é de todos, vem de berço. Se não se a tem, o problema gerado evidente que não é do administrador público. Afinal, não estão Dilma Roussef, Geraldo Alckmin e Ana Preto naquela piscina abandonada, naquele pneu que está jogado em seu quinta, nos vasos de plantas que acumulam águas, nas caixas d’águas abertas a céu aberto, no lixo que você joga nas ruas e deixa acumular nos bueiros, valas, córregos e regos que você tem ai bem pertinho de você.

Washington Luiz de Paula

A prefeita Ana Preto e seu mais novo gesto de humildade

Vi e li agora a pouco, com confessada surpresa, que a prefeita Ana Preto começa por esta quarta-feira a atender o público em seu gabinete, inaugurando este tardio movimento (embora melhor tarde que nunca) recebendo aquela que vem sendo e tem sido a algoz-mor do atual governo.

A notícia do atendimento ao público, que há de se dar sempre às quartas-feiras, a partir das 11 horas, com promessa de atender até ao último munícipe da fila, não me é nova. Soube disso quando estive no Gabinete da prefeita, na última quinta-feira (5), para uma conversa com Paulo Henrique Siqueira que continua sendo o porta-voz do Governo Ana Preto, não obstante suas idas e vindas da administração, até porque é seu mentor. Paulão, assim, esteve, está e continuará estando para Ana Preto como Gilson Bargieri estava para Milena, sua filha, enquanto esta prefeita.

A quase que – diria – inesperada atitude de submissão ao seu eleitorado – e ao povo da cidade, só não me traz maior surpresa porque tenho aprendido que todos nós somos bons por natureza, e que, na verdade, as maldades a que nos investimos ao longo de nossas vidas não são mais do que frutos de nosso apego às coisas temporais, passageiras, e a sentimentos que, porque sentimentos, nada têm de palpável ou concreto, como vaidade, orgulho, rancor, ódio, mágoa etc.

Claro que seus críticos não perderão a oportunidade de denunciar esse seu gesto como sendo eleitoreiro, ou pré-eleitoreiro, conquanto as eleições municipais estejam programadas para um ano e meio exatos. Da mesma sorte não faltarão acusações a esse meu gesto escriturísticos, tentando os meus desafetos e os despeitados de plantão tecerem longas discussões nas redes sociais para tentarem descobrir por quanto foi, afinal, que me vendi desta vez…

Isso a mim não importa. E, me parece que à prefeita Ana Preto tão pouco. A crítica faz parte do processo democrático. As opiniões são sobremodo divergentes. E há mais gente achando que é mais fácil administrar uma cidade que escalar o time para a seleção brasileira de futebol.

Desde a eleição em que foi candidata, Ana Preto nunca conseguiu mesmo convencer que poderia um dia vir a ser humilde tanto quanto foi seu falecido pai, o ex-prefeito José Roberto Preto. Receio até que sequer tenha se esforçado para isso. Mas isso não é uma queixa pessoal. As poucas vezes que tive oportunidade de estar fitando a prefeita, e conversando com ela, na base do “olho no olho”, o que senti é que estava à minha frente uma mulher que, se não tinha jeito nem trejeitos para a política, ao menos deixava evidente que suas intenções em prol da promoção do bem do povo de Peruíbe eram verdadeiras, e, sobretudo sensatas.

Errar todos nós erramos. E alguns de nossos maiores erros são latentes e vivem nos perseguindo como um cachorro pulguento que teima em não se separar de nós. Mas nem sempre erramos porque queremos, porque temos vontade de errar, ou porque temos prazer no cometimento do erro. O apóstolo Paulo bem definiu essa dualidade ao admitir que “aquilo que eu quero fazer, isso não faço; mas aquilo que eu não quero fazer, isso eu faço!”. Não que isso justifique o aparente erro de percurso da atual administração municipal que não fez outra coisa que fazer da prefeita Ana Preto – e de igual modo de sua equipe – vítima de impiedosos ataques, seja nas redes sociais, seja na imprensa local, seja por bocas que se dizem serem as mesmas das ruas. Até mesmo porque se há muita gente descontente porque falta isso e falta aquilo neste ou naquele setor da administração pública, há, convenhamos, também, muita gente que não tem de que reclamar e que, de um modo ou de outro, está até que satisfeito com o rumo tomado por Ana Preto visando a condução de Peruíbe para dias melhores.

O exagerado Raul Seixas já teimava em uma de suas músicas que não haveria de querer ser prefeito, porque “pode ser que eu seja eleito, e alguém pode querer me assassinar”. Se o meu querido leitor me perguntasse agora se eu acredito nas boas intenções dos homens – e das mulheres – quando pleiteiam um cargo público, eu até diria que as boas intenções existem, sim, não obstante o inferno estar cheio de pessoas bem-intencionadas. Logo, coloquemos um pé atrás, por evidente, em toda e qualquer atitude tomada por qualquer agente público.

A discussão que faço, entrementes, é que no frigir dos ovos não interessa para a população se os acertos vêm tarde, ou se o rumo é modificado, ou se ele é retomado, agora, hoje ou amanhã. O que o povo quer é mesmo ser ouvido nas suas queixas, nas suas reivindicações, nas suas sugestões, e há mesmo até aqueles que se haverão contentes por terem tirados uma foto ao lado da autoridade para colocar em seu álbum particular.

Neste sentido parece que Ana Preto aprendeu que a intransigência, o ranço, a ausência do diálogo, ainda que com inimigos e algozes cruéis como aquela que hoje primeiramente se sentou junto com ela, não tem lugar, ou não devem ter lugar, no complexo campo em que se joga esta mistura de relacionamentos interpessoais, política e atividade profissional a que eu costumo chamar de sacerdócio, que é a vocação no dar-se a si mesmo em benefício da urbe.

Penitencio-me ao dizer que chego a duvidar que eu mesmo agisse do mesmo modo, principalmente recebendo uma pessoa sabidamente insana que, por sua vez, nada tem de humildade, de diálogo, ou de reconhecer que ela também, lá de vez em quanto, erra. Afinal, conversar com a dona da verdade, longe de ser um privilégio, deve mesmo ser um tremendo martírio, martírio esse que tudo indica Ana Preto tenha enfrentado com o denodo dos grandes estadistas.

Parabenizo-a, portanto. E rogo que este gesto de hoje se perenize não só como condutora de melhorias em áreas tão nevrálgicas para a administração pública, como a Saúde, como também como alimento para o desenvolvimento de uma consciência onde não há espaço para o individual, mas tão somente para o coletivo.

O que há de se dar como resultante destes encontros com o povo, mas em particular, como resultado deste encontro inaugural de hoje, apenas e tão-somente deverá trazer à tona quem é Ana Maria Preto, prefeita de Peruíbe, e quem são os seus algozes. E quais, de ambos, são suas verdadeiras e nem sempre confessadas intenções.

Ana Preto será candidata à reeleição? Se for, será ela reeleita? Oxalá seja. Oxalá tenha o dobro de votos que teve quando veio a se eleger na eleição passada, porque, em acontecendo isso, será o povo quem estará declarando que seu mandato foi bom. Demorou em pegar. Pegou no tranco. Mas foi bom. E, aqui entre nós, e que ninguém nos ouça: O que é que você quer? Não é que o governo se acerte e promova justiça social para o município? Ou será que você acha que vale a pena sofrer mais 18 meses somente porque justamente quem não precisa dos serviços públicos assim o quer? Sim. Eu garanto para você: nenhum daqueles que tanto batem na administração hoje precisam de qualquer serviço público da cidade; e, quando precisam, vão buscar fora da cidade. Então, pense nisso. Pense, e torça para que desta vez a coisa avance. Você merece que avance! Torça para isso, portanto. O beneficiado será você!

Washington Luiz de Paula

Não morra!

Caro amigo, não morra. Mas, se tiver que morrer, dê-se um tempo a si mesmo a resolver, de si e para si, os seus problemas, as suas neuras, os seus devaneios, as suas ilusões, os seus vícios, extirpando, antes de ir-se deste mundo, todas aquelas mentiras que você já se acostumou a contar para você mesmo, e lhe faz achar sentir-se bem. Resolva, antes de morrer, estes assuntos que são seus, e bem internos, mas que tanto tem magoado todos aqueles que o amam.

Caro amigo, não morra. Mas, se tiver que morrer, não queira levar consigo seus bens e patrimônio. Pode ser que eles não caibam na urna funerária que o agasalhará até a morada perenal deste seu corpo que você sabe ser pó, e que ao pó tornará. Não corra o risco de ver sua tumba violada por aqueles que acham que irão encontrar nela todas as riquezas que colecionou em vida.

Caro amigo, não morra. Se puder, ainda por um pouco, viva. Viva! Mas, viva bem; bem com você mesmo, bem com sua consorte amada, bem com sua prole linda. E, se benevolência lhe sobrar, viva um pouco bem com seus amigos, que podem ser poucos, mas são verdadeiros.

A fantasia a que a gente se entrega às vezes é como a poeira que o vento espalha. O vento… você não sabe de onde ele vem, para onde ele vai; ora ele vem desde o oriente seguindo ao ocidente; às vezes assume sentido contrário; vezes outra, para e decide traçar nova rota, rumando para o sul ou para o norte. E, em seu caminho, vai encontrando vidas; vidas como a sua que gostam de sonhar; vidas como as daqueles que se deixam dominar pelos vícios dos devaneios e das incertezas, e sofrem, porquanto isso. Sofrem e fazem sofrer.

Das fantasias que acolhemos em nossa alma, e muitas vezes alimentamos e fazemos crescer a ponto de não dominarmos mais, a paixão é uma delas. Oh, sentimento doentio esse! Oh, sentimento assassino esse! A paixão é uma ladra que vive a roubar vidas e corações, a alimentar desejos e volúpias no mais das vezes impossíveis de se fazerem reais e que… mata! Por isso, meu amigo, é que lhe peço, e repetidamente lhe imploro: não se deixe matar!

Morra se tiver que morrer, mas morra de amor, morra por amar. Mas não leve consigo o remorso de, por ter sido cruelmente morto pela paixão, antes acabar vendo quem verdadeiramente lhe ama acabar morrendo de amor.

A que estado de alienação fatal tem levado você esta paixão que você deixa crescer em sua mente, a ponto de ter-lhe tomado suas entranhas, ter-lhe roubado a saúde, ter-lhe deixado neste estado de vitupério e opróbrio? Medite você consigo mesmo: vale mesmo a pena? Não seria a musa distante mais uma dentre as milhares e milhares de musas que o campo das impossibilidades pode medir como se algumas ou todas elas pudessem um dia lhe completar ainda que por alguns minutos?

A paixão é como uma prostituta de luxo. Cobra um preço alto, muito alto, bem alto, para lhe dar prazer efêmero, passageiro, fugaz. Em contrapartida, o amor… “o amor faz sorrir; o amor faz chorar; ora faz esquecer; ora faz relembrar! Que segredo esconde o amor?”, como bem lembrou o poeta Antonio Bruno. Outro poeta, Paulo de Tarso, lembra que “o amor é paciente, o amor é bondoso, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. O amor não cobra nada de quem ama para amar, e o prazer que produz dura para sempre.

O amor não mata; mas pode-se morrer de amor. Por isso, meu caro, não morra. Temo que venha a morrer agora porque sei que se agora você morre, morre não de amor, mas morre mortificado pela paixão que teima querer antecipar-lhe em levar você de nosso convívio.

A principal evidência de minha preocupação é esta: tal e qual um viciado em drogas, em jogo, em sexo, em comida que sabe que a continuidade do vício lhe faz mal, mas continua mentindo para si mesmo dizendo que “eu tenho que parar, mas não quero parar”, você também sabe que o vício que o consome o está tirando de nosso meio a passos largos, e, mesmo você dizendo não querer morrer, ainda assim, você continua, e ainda assim afirma: eu não quero parar com isso! Não quer? Claro que quer. Você só não admite para si mesmo que quer, mas que quer parar, isso quer!

Por isso meu amigo, não morra. Antes, acorde! A manhã está linda, o tempo está propício. Este é um novo dia: o dia do recomeço. É difícil? Eu sei; não é fácil mesmo. Mas não se transpõe esta montanha se você não der o primeiro passo. E o primeiro passo eu não posso dá-lo por você.

Não morra, caro amigo!

Washington Luiz de Paula

Eu esperneio, mas não manipulo

Aos maledicentes e pouco ou nada crédulos de que as enquetes que eu tenho levado a efeito em meu blogue não são manipuladas, e sim retratam a vontade daqueles – por que não a sua também? – que as visitam e votam nelas, tenho a dizer uma coisa bem simples e lógica:

Se fosse para eu manipular, as enquetes indicariam este quadro:

  1. Wanderlei de Paula seria o pré candidato a prefeito mais votado para 2016, porque é meu irmão!
  2. Alberto Sanches Gomes estaria sendo indicado como o melhor prefeito da história de Peruíbe, porque foi o prefeito que mais colaborou com meu trabalho nestes meus 40 anos que faço política e pratico o jornalismo na cidade.
  3. Ricardo Correa e Zeca da Firenze seriam os melhores vereadores em todas as enquetes, porque são eles os dois únicos vereadores que contribuem mensalmente com meu trabalho desde o início de seus mandatos até hoje (André de Paula também faz contribuições esporádicas).

A despesa mensal de meu trabalho com o blogue – ao qual me dedico de tempo integral, começa com a locação de um servidor dedicado que me custa R$ 500 por mês. Gente, vocês não sabem (ou não querem saber), mas eu levo este meu trabalho muito a sério! Sei que ainda é uma semente que, mesmo passado quatro anos, embora já tenha germinado, está custando a crescer e a dar frutos, mas eu acredito nisto. Acredito em meu trabalho! Basta ver que, ainda que também isto incomode muita gente, o meu blogue continua sendo o mais visto – e mais polêmico – de Peruíbe, com ressonâncias naturais para o Brasil e para o mundo. Não sou eu quem diz: veja este link, e o compare com outro site popular da cidade (veja aqui).

Agora, vamos lá. Quem se importa com isso? Você que me lê e que me visita regularmente? Sim, claro! Você que me critica com exalado viés de despeito e inveja? Sim, você também! Você que não quer dar o braço a torcer de que bem pode (ou poderia) estar contribuindo com meu trabalho, recebendo o evidente retorno da publicidade em troca? Você também!

Eu não temo as críticas. Nunca temi. E também não tenho medo de ameaças, sejam elas veladas ou não. O meu único temor é o de me ver abandonado por Deus, diante da incapacidade de trabalhar, de produzir e de pensar, sobretudo de pensar, ajudando com a formatação de meu pensamento a que as pessoas tenham consciência de que devem e podem sim escolher melhor aqueles que  haverão de cuidar da cidade que dizemos que amo, mas que nem sempre demonstramos que amamos mesmo, de verdade.

Consoante isso, vocês podem continuar falando à vontade. O que me satisfaz é ver que 90% da força motriz que faz borbulhar a água que ferve nos caldeirões dos grupos que discutem a política de Peruíbe são oriundas de meu blogue, daquilo que escrevo, daquilo que crio, daquilo que publico. O que passa disso é dor-de-cotovelo. E, Telma, eu lhe garanto: eu não sou gay. Nem corno!

Washington Luiz de Paula

Enquetes – Uma explicação necessária para o Exército da ‘Brancaleone’

A série de enquetes que eu recomeço a publicar neste blogue a partir do último dia 19 está provocando algumas polêmicas e reações, notadamente advindas de fakes e de sua comandante-em-chefe – aquela que chefia o “Exército de Brancaleone peruibano”.

De plano não deveria nem dar bola, nem me incomodar. Afinal, não quero aqui me nivelar a covardes que se escondem atrás de um nome falso para atacar seus desafetos. Mas, por procurar ser justo, principalmente para com as centenas de pessoas que me prestigiam visitando meu blogue – fruto de meu trabalho regular hoje – é que registro aqui esta explicação.

Existe muito de despeito nestas intervenções criminosas e anônimas, o que, por serem anônimas e apócrifas, elevam ao cubo a natureza e a gravidade dos crimes da difamação, da calúnia e da injúria que estes fakes cometem.

Os da classe política de Peruíbe que me conhecem bem sabem que coleciono todos os defeitos deste mundo, menos o da promoção da chantagem e o de promover gravações às escondidas para depois usar isso para auferir resultados financeiros nunca – evidente – confessáveis. Tão pouco me olvido ou me escondo por detrás de um perfil falso nas redes sociais para atacar meus desafetos políticos, que eu os tenho também, como qualquer um tem. Não sem razão, portanto, que meu mote ao longo destes quase 40 anos que milito na política e nos jornalismo peruibense é este que intitula meu blogue: “O que escrevi, escrevi”.

Mas o que estes fakes e sua comandante não conseguem explicar é como é que, mesmo eu estando por quase um lustro longe de Peruíbe, e vivendo na Capital, os políticos de Peruíbe – de todos os matizes – têm prazer em subir a São Paulo para, entre um lauto almoço nos melhores restaurantes paulistanos, ouvirem aquilo que tenho para lhes dizer sobre o que e como devem se conduzir na política peruibense. E mais: pagam-me por isso. E bem!

Para estes inescrupulosos que nunca moveram uma palha para a promoção de uma cidade melhor, alguns sequer pagando seus impostos como dever de todo cidadão e cidadã, é inexplicável que o meu principal desafeto político hoje tenha me procurado para que eu fosse o “ghostwriter” do livro que ele escreve sobre a vida dele. E tenha consentido em me pagar uma pequena fortuna para que eu trouxesse a lume suas ideias sobre seu livro.

Se isto, mais o fato de que mais de meio milhão de pessoas já visitarem meu blogue ao longo destes últimos quatro anos, não é credibilidade, eu não sei o que é credibilidade.

Consoante às enquetes – retomando o tema destas linhas – o conceito central das mesmas é procurar um consenso dentre os vários nomes que têm se apresentado, direta ou indiretamente, para concorrer à prefeitura de Peruíbe em 2016.

Evidente que nem todos virão a serem candidatos. Nem todos quererão sê-lo. Mas seus nomes estão ai, correndo à boca-pequena, para vontade de alguns, desejo de outros, e bem-querência de outros ainda.

São 21 os nomes apresentados hoje, e que desfilarão pelas enquetes, a saber: Alberto Sanches Gomes (Dr. Alberto), Alex Matos (Alex Matos), Ana Maria Preto (Ana Preto), Antonio Carlos Caruso (Dr. Caruso), Antonio Claret de Góes (Toninho Góes), Benedito Marcondes Sodré (Sodré), Claudete Andreotti (Boca de Rua), Cristen Charles (Na Mira!), Damares dos Santos Oliveira (Presidente do PT), Emer Elias Abou Jaoude (Emer), Gilson Carlos Bargieri (Gilson Bargieri), José Ernesto Lessa Maragni Jr. (Zeca da Firenze), Julieta Fujinami Omuro (Dra. Julieta), Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira (Dr. Luiz Maurício), Maria Onira Betioli Contel (Onira), Mário Omuro (Mário Omuro), Milena Xisto Bargieri Migliaresi (Milena), Nelson Gonçalves Pinto (Nelsinho do Posto), Plínio Melo (Mongue), Ricardo Corrêa dos Santos (Vereador Ricardo) e Wanderlei Abrahão de Paula (Wanderlei de Paula).

Como dito, outros poderão passar a fazer parte da lista acima. O diferencial das enquetes, no entanto, está na colocação dos nomes sendo confrontados dois a dois como se fossem somente os dois candidatos. Em outras palavras, se você fosse levado a escolher dentre dois, quais dos dois escolheria? Por conseguinte, você pode votar em todas as enquetes, sempre escolhendo um dentre dois. Um complexo sistema de apuração vai somar todos os votos que cada pré-candidato obteve, e dar-lhe o percentual diante do total de votos dados em todas as enquetes, e então ter-se-á apurado aquele resultado parcial que vem sendo publicado ao longo dos últimos dias  e que, até aqui, para desespero de alguns, têm apontado o ex-vereador Alex Matos como preferido.

O gerenciamento das enquetes é feito por um poderoso plugin da plataforma WordPress, em que se baseia o meu blogue. Este plugin – o WP-Polls – permite que sejam dados apenas um voto por sessão do navegador, desde que o IP da máquina (computador) em que o voto é dado seja dinâmico. Se o IP for estático, não será possível votar mais de uma vez. Se for dinâmico, basta reiniciar a máquina, apagar os cookies, que será possível votar novamente.

Evidente que o sistema não é perfeito, e nem tem o condão de sê-lo. Como dito, as enquetes não são pesquisas e, portanto, não têm caráter científico. Mas, se por um lado mesmos as pesquisas dos mais renomados institutos vez ou outra recebem denúncia de manipulação, estas enquetes (ou seus resultados) não serão manipulados. Eu garanto!

E a garantia é esta: se tivesse que fazê-lo, fá-lo-ia em benefício de meu irmão Wanderlei de Paula, que não esconde ser pré-candidato a prefeito em 2016, e nem tão pouco colocaria nas enquetes nomes pelos quais tenho verdadeiro asco, por execráveis que são.

Sendo assim, a única maneira de você – e não eu – “manipular” as enquetes é votando nos seus preferidos, ou escolhendo o outro que se contrapõe àquele nome de quem você não gosta de jeito nenhum.

Faça como meus leitores – dentre eles todos os fakes que não resistem à tentação de dar uma passadinha por meu blogue pelo menos uma vez por dia, aumentando assim minha histórica credibilidade politica e jornalística em Peruíbe – e votem vocês também. Como votar? Basta clicar em uma ou em todas as que você pode ver neste link.

No mais, um Feliz Natal a todos os filhos de Deus que me seguem nas redes sociais, e também aos fakes – estes filhos do Diabo!

Washington Luiz de Paula

Eleição para presidente da Câmara: Independência ou poder?

Um jogo de cartas marcadas pelas ranhuras dos acertos entre os vereadores (Legislativo) e o Governo (Executivo). Este é o quadro que parece que se repetirá nas eleições para a presidência da Câmara de Peruíbe para o biênio 2015/16, como, aliás, é acontecido desde que o mundo é mundo e a venalidade humana dá lugar aos seus reais compromissos com a sociedade e com o bem comum.

Este preâmbulo eivado de vaticínio faz sentido quando é de se lamentar que os políticos, sejam os de Peruíbe, ou mesmo os de Brasília, não tenham conseguido entender direito o que é que quer dizer, afinal, essa coisa chamada “independência de poderes”.

Afinal, como temos visto e ouvido do que acontece hodiernamente em Brasília, é nestes tempos de votações importantes e que trazem no bojo o interesse dos mandatários, que as burras se abrem e fazem borbulhar o vil metal para gáudio de ávidos até então ditos “representantes do povo”.

Não seria melhor que, no caso de Peruíbe, os 15 vereadores se reunissem e decidissem por si mesmo quem melhor representá-los-ia à frente da Mesa da Câmara? Quem sabe decidissem por consenso que o melhor presidente viria mesmo a ser aquele achado decano dentre os pares, quem sabe o mais velho, o mais experiente, o que coleciona mais mandatos…

Mas, não! Esta eleição da Câmara não é decidida nos gabinetes do Legislativo como nenhuma outra no passado de Peruíbe foi, mas do outro lado da rua, no Gabinete da prefeita, ou – pior – no solar do grande condutor das rédeas político-administrativas de Peruíbe ali no Arpoador.

Os vereadores de Peruíbe que me perdoem, mas agindo como agem escancaram interesses escusos e inconfessáveis, bem diferente da transparência que o povo eleitor quer e requer daquele em quem votou.

Sendo assim, a notícia que me chega é de que o próximo presidente será mesmo aquele indicado pelo Governo (Executivo), e não pelo próprio Legislativo. Se não seria o próprio líder da prefeita na Câmara, vereador Ricardo Corrêa dos Santos (PT), parece que será mesmo o novato Rafael Vitor de Souza (PMDB), tido e achado como pupilo e a “menina dos olhos” do Governo.

A questão é amealhar a maioria para elegê-lo, ou oito votos pelo menos, o que não é problema quando se tem ou se faz de conta que tem a chave que abre portas e cofres, ainda que só para promessas que nunca virão a serem cumpridas. Infelizmente ainda há vereadores em Peruíbe que ainda não se deram conta da força que têm. Ou então, pelo contrário, alguns supervalorizam tal força, fazendo elevar a inflação aos píncaros da suficiência desde dias passados até a próxima quinta, 11, data da eleição na Câmara.

Para estes, o tempo é de colheita.

Na outra ponta há a plêiade dos contrários, dos que não encontraram vez e voz na fila dos desesperados, dos que têm interesses políticos próprios ou de terceiros (também inconfessáveis), ou que simplesmente destilam restolhos de dignidade e independência. São seis ou sete talvez. Não importa: estes são minoria. São aqueles que, por teimosos, por idealistas, por despeitados, por qualquer coisa que seja, contribuem para que a unanimidade seja não mais que uma vaga teoria nas cátedras da sociologia, da religião, da filosofia e da política, nunca alcançada em tempo algum e em qualquer área.

Quem está certo e quem está errado? Num mundo em que já se perenizou a “Lei de Gerson”, estão certos aqueles que estão errados, e errados aqueles que estão certos.

Oxalá o futuro presidente Rafael – em vindo mesmo a ser ele – em que pese sua pouca idade e também pouca experiência, tenha o escopo da independência, e o apoio de todos os seus pares, vencedores e vencidos, e não venha a se transformar num marionete daqueles que agora o guindam a tão importante cargo na hierarquia municipal.

Que o bom Deus continue protegendo o povo de Peruíbe, não obstante a luta que se trava nas hostes do mal por aqueles que já veem desde muito tempo de venderem as suas almas para o capeta.

Washington Luiz de Paula

Votar, para lembrar!

É curioso que é só passar alguns meses das eleições e a gente acaba esquecendo em quem votou. Principalmente para cargos minoritários como deputados, vereadores e senador.

Isso acontece comigo também, e porque me acho uma pessoa normal, penso que isso de esquecer em que se votou é até normal.

Eu quero, no entanto, criar um fato novo diante destas eleições. Eu quero votar para lembrar em quem votei daqui há 4 anos. E gostaria que você aceitasse esta minha indicação também, para que, por conta exatamente disto que estou escrevendo, você também se lembre em quem vai votar nas eleições de cinco de outubro de 2014 (amanhã).

Mas escolher os candidatos a deputados estadual e federal não é tarefa fácil, convenhamos. Por isso, se você está entre os que estão indecisos, ou pensando em votar naquele candidato mais bonito ou mais feio, naquele candidato que é artista ou cujo “santinho” você achou no chão, eu gostaria de, como seu amigo, parente ou conhecido, lhe pedir que dedicasse seu voto a dois grandes amigos meus, que conheço desde criança, e que tenho confiança se tratarem de pessoas sérias, honestas e capazes para nos representar e representar bem na Assembleia Legislativa de São Paulo e na Câmara dos Deputados. São eles:

Zeca

Alex Matos

Guarde seus nomes. Guarde seus números. Anote num papel e leve amanhã para as urnas para votar. Eu tenho certeza de que estes vocês vão lembrar-se sempre em que votaram, senão por outra coisa, mas porque foi um pedido pessoal meu!

Deus os abençoe e beijo no coração!

Washington Luiz de Paula

A aberração da contrapropaganda petista e as crianças

Fui à igreja hoje para o regular culto de oração das quartas-feiras. Dentre as coisas que soem acontecer em cultos de intercessão e gratidão a Deus, e que sempre me animam e alimentam o espírito, uma, no entanto, senão me aborreceu de todo, me deixou deveras pensativo por procurar entender até onde vai a criatividade – e a maldade – dos políticos em tentar fazer crer a pessoas inocentes que se este ou aquele (ou se esta ou aquela) ganhar vai acontecer isto e aquilo, e algumas destas coisas eivadas  do maior descabimento imaginável.

Perguntei a uma criança de nove anos se ela sabia em que seus pais iriam votar. Seus olhos brilharam ao dizer que sua mãe irá votar na Dilma, ao que eu disse que eu vou mesmo é na Marina. E foi só dizer o nome “Marina” que os olhos do pequeno quase que se encheram de lágrimas, mas foram porta-vozes de uma súplica: “Por favor, não vote na Marina!”, no que eu perguntei – evidente, por quê? E o menino, mais rápido que um prosélito acabado de sair das melhores escolas marxistas, rogou que não votasse na Marina porque ela iria – imaginem! – acabar com o Dia das Crianças que, casualmente este ano acontece uma semana depois do primeiro turno das eleições, no dia 12 de outubro.

Como assim?, perguntei. Quem lhe disse isso? E ele disse que teve uma palestra em sua escola em que foi dito que se Marina Silva for eleita, ela vai acabar com o Dia das Crianças! E existe coisa pior para uma criança do que isso? Marina Silva pode acabar com a Bolsa Família, pode acabar com a safadeza dos desvios da Petrobrás, pode fazer o que quiser, mas só não pode acabar com o Dia das Crianças! Isso não! Fazendo isso, seria como tirar o pirulito da boca de meninos e meninas. Seria o caos!

Claro que isso é invenção. Mas, bem pior que invenção barata, já que não é preciso ser marqueteiro político para se inventar uma sandice dessas, eu diria que isso é terrorismo! Imagine essa criança descobrir que sua mãe acabou votando na Marina ou no Aécio, ou em qualquer um dos tantos candidatos a presidente que tem por ai? Será um trauma tal e tamanho que nem a idade adulta chegando fá-la-á esquecer.

Mas a reflexão que faço é essa: até onde chega essa gente mal-intencionada? Usar as pobres crianças no auge de sua ingenuidade para tentar convencer os pais de que se Marina Silva  ganhar ela irá tirar o algodão doce do parque de diversões, ou até mesmo vai acabar com todos os parques de diversões, e também com as fábricas de brinquedos, e proibirá as crianças de jogar pião, bolinha de gude e brincar de amarelinha, é de uma desfaçatez que vou lhes dizer… só Jesus na causa mesmo!

Que Deus se apiede das pessoas simples que conseguem acreditar na fantasia que estes petistas criam no inconsciente coletivo. E que mande um severo castigo a todos quantos já enganam o povo agora, antes das eleições; imaginemos depois, caso eleitos.

Washington Luiz de Paula

Dr. Rubens pede exoneração da Saúde. “Abacaxi” fica sem descascar

Depois de ter passado alguns meses à frente da Saúde, oportunidade em que realizou o grande sonho de sua vida desde quando o então prefeito Gilson Bargieri o exonerou por abandono de seu posto de trabalho, que era assim uma espécie de “vingança”, ou quem sabe uma tentativa de provar, senão para a população, ao menos para si mesmo, de que é possível fazer alguma coisa por este departamento tão nevrálgico (sem redundância) da administração pública municipal, o vereador Rubens Rodrigues Gomes Jr (Dr. Rubens), pede exoneração do cargo.

Não se sabe bem se ele sai com aquele sentimento do “dever cumprido”, mas o fato é que há mais mistério dentro dos corredores lacrados pela Vigilância Sanitária Estadual do Hospital Municipal e quiçá da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do que pode supor toda e qualquer manifestação contra ou a favor deste ou de qualquer governo passado.

Em que pese a Saúde seja um poço sem fundo, cujo ralo vive escancarado e com uma boca enorme para onde todo e quanto recurso se destinarem ainda pouco ou nada faz para satisfazer a sanha doentia coletiva, que em muitos casos deixa evidente não ser mais do que a manifestação do ego das pessoas ao se sentir bem em estar doente, o fato é que, administração vai, administração está, administração vem, e o caos será sempre o mesmo. Têm dúvida? Perguntem para todos quantos passaram pela direção da Secretaria: Dr. Alberto Sanches Gomes, Dr. César Kabbach Prigenzi, Dr. Jaime Uehara, Dr. José Rubens Nogueira de Souza, Dra. Julieta Fujinami Omuro, Nelsinho do Posto e, agora, Dr. Rubens Rodrigues Gomes Júnior, dentre outros.

A fogueira da vaidade que impele o sujeito a assumir posto de tamanha envergadura e responsabilidade, aquecendo também o ego pela linha a mais no currículo, é a mesma fogueira que queima e deixa sequelas e traumas dos quais se é difícil se recuperar depois, principalmente quando se têm interesses e vontades políticas adjacentes. Em resumo, todos os que passaram pela secretaria de Saúde foram severamente fritados, e chamuscados permanecem e permanecerão para sempre! E, neste particular, o único que ascendeu politicamente depois de ter passado pelo “corredor polonês” da Saúde, foi mesmo Dr. Alberto Sanches Gomes, que viria a se eleger prefeito depois de ter sido diretor de Saúde do então prefeito Mário Omuro. Querem saber o milagre? O santo eu já contei; o milagre perguntem pra ele…

Evidente que falta boa vontade e falta competência e falta seriedade e, para não dizer mais, até mesmo honestidade do gestor público, seja para ser parcimonioso no trato do dinheiro que o povo pagou a título de imposto, seja para capitular, deixando claro, senão sua incompetência, ao menos a publicação de que não se tem dinheiro, ou tudo que se poderia destinar à Saúde foi destinado, e mais ou nada se pode fazer pela Saúde, e pronto!

O modelo que maquia a verdade e não a faz chegar até onde o povo está, deixa margem a que este mesmo povo entenda que há ou houve dinheiro, mas que, por que não aplicado na Saúde a ponto de atender toda expectativa tal e qual como se vê nos filmes na televisão ou no cinema, foi muito certamente surrupiado. Dai a razão de se ver com frequência nas manifestações contrárias à administração pública cartazes com inscrições como “Onde está o dinheiro da saúde”, e por ai afora.

A demagogia, portanto, tem um preço a ser pago: o de se despedir de uma gestão à frente de uma secretaria, ou mesmo da prefeitura, como ladrão (ou ladra).

Mas o abacaxi está ai. Quem tomará coragem para tentar descasca-lo se a faca é cega e enferrujada? Quem assumirá tal posto onde a autonomia não excede o gordo salário de secretário municipal a ponto de depender do aval até de quem não faz mais parte oficialmente do governo para comprar até mesmo um chumaço de algodão? Quem enfrentará com coragem suficiente para denunciar o corporativismo de médicos mal-acostumados a fazerem plantões em número de horas bem mais que as horas que o relógio marca? Quem colocará freio no também corporativismo de funcionários públicos que vêm de anos também carregados de vícios de comportamento que atravancam e impedem o bom funcionamento da Saúde?

Dizer que Dr. Rubens não cumpriu o seu papel, até mesmo como médico de longa ficha de excelentes serviços prestados à municipalidade não concorreria com a verdade. O que não se sabe, e quero crer que continue obscuro, é se ele sabia, afinal, de antemão, que não conseguiria ser o super-homem capaz do feito de dar termo a todos os problemas da saúde pública em Peruíbe, a ponto de ter 100% de aprovação popular em sua gestão. Se ele sabia disso, eu digo que ele assumiu o cargo com evidente má-fé, e usou do cargo para dar um tapão de luva de pelica nos seus algozes do passado, mormente o ex-prefeito Gilson Bargieri. Se não sabia, entretanto, eu tenho a dizer que sua investida foi quixotesca: investiu ele montado num imaginário Rocinante contra os moinhos de vento da saúde peruibense, talvez só não logrando maior êxito por ter se esquecido de convidar Paulo Henrique Siqueira – o Paulão, para ser seu Sancho Pança.

A grande questão a ser ponderada é que a Saúde pública foi, é e sempre será o grande cabo eleitoral de gente que se diz bem-intencionada, mas que segue célere para adentrar pela porta escancarada do inferno que é para onde devem ir os mentirosos. Ana Preto ganhou a eleição de Milena Bargieri no apagar das luzes da campanha eleitoral com os holofotes do Fantástico da Rede Globo sobre os evidentes desvios que eram cometidos à época na Saúde em Peruíbe. E Milena Bargieri (ou seu pai, Gilson Bargieri) ganha a eleição de 2016 por antecipação, agora e já – e sem precisar dos holofotes da grande imprensa, pelos descasos e desvios também mais que evidentes e seguidamente denunciados, sejam por vereadores ou seja pela população que já se levanta, ainda que timidamente, contra o descalabro vigente.

O que o povo não sabe – e o que nenhum desses politiqueiros tem interesse em escancarar para o povo – é que morre gente todo dia dentro de hospitais como Albert Einstein, Beneficência Portuguesa, Hospital das Clínicas, Incor, Dante Pazzanezzi, e até mesmo no mais famoso centro de cardiologia de mundo em Cleveland, nos Estados Unidos.

O que o povo não sabe – e o que nenhum desses politiqueiros tem interesse em escancarar para o povo – é que os clientes dos melhores planos de saúde, como Amil, Golden Cross, Prevent Senior, Unimed, Intermédica, Qualicorp, ou qualquer outro, alguns pagando pequenas fortunas mensais, sofrem também para marcar consultas e exames, ou para serem atendidos em hospitais, tendo que alguns até mesmo recorrerem à Justiça para poderem ver seus direitos supridos.

O povo não sabe. Mas a mim me parece que também não quer saber. É claro que o momento de dor da perda de ente querido, ou de se ver numa situação em que um atendimento adequado e rápido faz a diferença entre a vida e a morte tem que merecer relevo e atenção de todo agente público. Mas não para fazer demagogia, para usar da desgraça do povo para se promover – ou para se locupletar.

E para onde vamos, afinal? Para lugar nenhum. Tudo continuará do mesmo jeito e na mesma situação. Seja quem for que assuma a Saúde, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. Isso porque tanto o povo como um todo, como a classe política que o representa, será incapaz de se unir um pleito comum que é de, senão resgatar, ao menos minorar o estado de sucumbência em que se encontra a Saúde em Peruíbe.

Querem um exemplo? Eu lhes dou, e termino aqui esta minha desiquilibrada prédica: convidemos todos os vereadores a que destinem um mês de seu salário para a Saúde. Um mês só. Terá sido algo em torno de R$ 75.000,00 que, imagino, já daria para mandar consertar o aparelho de Raios-X e até para comprar alguns insumos como papel higiênico, sabonete, algodão, gaze, agulhas etc.

Quem será o primeiro?

Washington Luiz de Paula

Sodré completa todos os anos pensando no penta

Sodré (sentado) posa ao lado dos filhos durante almoço comemorativo de seus 86 anos no Restaurante Brisamar (Crédito: Lelo Fotógrafo)
O quatro vezes prefeito de Peruíbe, Benedito Marcondes Sodré, completou 86 anos nesta semana (23) com aparente vigor físico e confessada vontade de ainda se comparar à seleção brasileira com seu penta campeonato mundial, e vir a ser ainda prefeito de Peruíbe pela quinta vez.

Parece brincadeira, mas não é. Da penúltima visita que fui a Peruíbe pude encontra-lo cruzando a pé, pela milionésima vez em sua vida, a confluência das avenidas São João e 24 de Dezembro, em frente ao antigo Posto Três Coqueiros, quando lhe perguntei se ele seria candidato em 2016, ao que ele respondeu como fez, aliás, todas as vezes em que foi candidato prefeito – e ganhou: “Ora, se o cavalo passar encilhado… eu monto!”.

Para o filósofo Weber Laganá Pinfari, outrora desafeto político e hoje amigo de quatro costados dele, Sodré não pode ser contado em anos com os que a gente está acostumado a contar; para ele, Weber, Sodré completou TODOS os anos, talvez tentando explicar que Peruíbe está para Sodré tanto quanto ele, Sodré, está para Peruíbe: o  TODO de seus anos, portanto, é o TUDO que é Peruíbe hoje.

Aliás, desafeto por desafeto dele, eu também fui, meu pai também foi, minha família também foi, e muitos dos destemidos enfrentadores dos protegidos dos militares  – e Sodré era um destes “protegidos” – na época em que vigia o AI-5 pós Revolução de 1964, dentre os quais destaco o ex-prefeito Mário Omuro, também sempre foram desafetos de Sodré. Mas desafetos políticos. Desafeto pessoal nós nunca conseguimos ser, por mais que ele mesmo, em pessoa, tivesse nos perseguido, e até mesmo chegado em pegar em arma para me matar no ano de 1982 por conta de um panfleto apócrifo que soltaram na rua naquele ano de eleição municipal cuja autoria a mim foi atribuída. Anos depois, o emblemático e já falecido Joaquim do Val (Quinzinho), viria a me contar esta história, confessando então que não poderia ter deixado Sodré cometer aquela sandice contra minha vida porque fora ele, Quinzinho, e Nicolau Cucky Filho, e Milton Quadrado (todos já falecidos), os autores do tal panfleto que atribuía a Sodré poderes que, se relatados hoje, deixaria o Viagra e a maca peruana no mesmo padrão nutritivo da manema.

Em tese, não há como se conseguir ser desafeto pessoal de um caiçara! Por isso, podemos atribuir a essa santa ingenuidade quase inocência do caiçara o fato de podermos hoje dizer que somos amigos – eu e Sodré –, exatamente como sempre fomos, embora que por alguns momentos não ou soubéssemos: amigos! Nem eu. Nem ele.

Mas eu estou aqui, e Sodré também. Os quase 30 anos que nos separam não me diminuem em nada, mas o engrandecem em muito. Afinal, Sodré conseguiu um feito que políticos da estirpe nacional como Maluf, Orestes Quércia, Sarney e o próprio ex-presidente Lula não conseguiram, que foi o de nunca ter perdido uma eleição em sua vida, o que é notável e mereceria uma página no Livro dos Recordes. Eu mesmo perdi duas eleições como candidato a vereador (em 1982 e 1988); enquanto ele, que foi vereador emancipador (1960-1963), foi também vice-prefeito de Albano Ferreira de 1964 a 1967, tendo terminado aquele mandato como prefeito dada a renúncia de Albano, jamais viria a perder uma eleição. Em 1972 ele se elegeu para seu segundo mandato, cumprido de 1973 a 1976, tendo Aléssio Lacerda como seu vice. Em 1982 ele se elege para o terceiro mandato (1983 a 1988), com Wilma Carmen Castan como vice-prefeita. O quarto e até aqui último mandato de Sodré foi conquistado 10 anos depois, em 1992, mandato este cumprido de 1993 a 1996. José Carlos Rúbia de Barros (Carlinhos) foi seu vice durante este mandato.

Mas o que aconteceria, afinal, se Sodré viesse a se candidatar para seu quinto mandato, em 2016, mesmo aos 88 anos de idade? É uma incógnita. Evidente que seu eleitorado antigo não teve paciência de espera-lo para vê-lo enfrentar tal e qual um paladino a horda do poderio econômico que toma de assalto a cidade cada eleição. Mas, tal e qual há por este país afora um sentimento crescente de que no tempo do regime militar as coisas andavam com um pouco mais de ordem e decência por este nosso querido e amado Brasil, é muito possível que se consiga incutir no consciente coletivo – principalmente de nossos jovens – de que os quatro governos de Sodré à frente da prefeitura de Peruíbe deram certo, e dele não restaram, afinal, histórias horripilantes como estas que se ouve em cada esquina de Peruíbe dando conta de desvios, de corrupção e de demais crimes de lesa municipalidade, é bem possível que Sodré venha a causar estrago nos interesses espúrios, estranhos e no mais das vezes inconfessáveis do status quo vigente, e até venha mesmo a vencer a eleição para cumprir seu quinto mandato.

Quem acompanhou os governos de Sodré com visão crítica e oposicionista como eu fiz, sabe que Sodré exerceu mandatos centralizadores. Geria a prefeitura como se de ele mesmo fosse propriedade. E sua autoridade sobre a administração municipal chegava ao exagero de levar para casa, no bolso da calça, as chaves das ambulâncias, para não permitir que delas se fizesse uso inadequado e não autorizado.

Exageros à parte, Benedito Marcondes Sodré parece ter provado para as melhores escolas de administração que se tenha por ai, que é muito possível sim ser administrador por vocação. Seus estudos não avançaram além dos primeiros anos primários e de um curso técnico de topógrafo. Funcionário público estadual do DER – Departamento de Estradas de Rodagem, o antigo “topógrafo de orelhada”, como ele mesmo sempre fez questão de se autodenominar, usou de seu inato tino político e de seu ainda que parco conhecimento técnico para conduzir Peruíbe ao que a cidade era até quando deixou o governo pela última vez. De lá para cá… bem, ainda que o progresso de Peruíbe esteja a olhos vistos, a mim me parece hoje que Peruíbe está sim bonita, mas tal e qual um sepulcro ornado de granito, mas que tem por dentro não mais que podridão.

Faço aqui uma confissão para ficar gravada nos anais da história de Peruíbe. Eu que talvez tenha sido o maior dos seus algozes sinceramente vou me sentir balançado e bastante tendente a votar em Sodré caso ele se candidate mesmo nas próximas eleições. E se vier a votar nele será voto consciente – ainda que solitário. Mas consciente. Bem diferente, bem diferente dos votos que são dados hoje em dia aqui, ali, acolá, alhures e algures, em candidatos artistas e arteiros, ou “naquele que vai ganhar”.

Das histórias de fizeram Sodré virar personagem folclórico de Peruíbe, eu relembro aqui três e as relato, não com o condão de diminuí-lo ou “mangar” dele, mas para dar azo à minha teoria de que o caiçara, assim como o caipira, comete os atropelos verbais que comete, não por ser burro, nem por ser equivocado: mas por ser genuíno.

A mais famosa destas historietas talvez tenha sido mesmo aquela acontecida por ocasião dos 14 anos de emancipação político-administrativa de Peruíbe. Sodré era o prefeito e foi-lhe concedida uma oportunidade de estar no então mais famoso programa de televisão que era o “Almoço com as Estrelas”, apresentado pelo casal Airton e Lolita Rodrigues, na antiga TV Tupi Canal 4. Rendida as homenagens à cidade, o apresentador dá oportunidade a Sodré de falar, e ele solta esta frase, com uma simplicidade mais que surpreendente: “Quero aqui convidar a todos para as festas do ‘décimo quatorze’ aniversário de ‘Piruibe’”.

Doutra feita, quando Laudo Natel governador, este viera visitar a cidade, e foi levado pelo prefeito Sodré até o local das Termas da Lama Negra e Água Sulfurosa, no Jardim Veneza. Chegando lá, e ao pé da torneira de onde jorrava água sulfurosa que parecia não acabar mais, Sodré pega um pouco da dita água em um copo e a oferece ao Laudo Natel: “Governador, ‘escute’ o cheiro dessa água!”.

A terceira, não menos surpreendente, dá conta de um diálogo que teria havido entre ele, Sodré, e o “Boi” (Paulo Renato), frentista do Posto Três Coqueiros. Sodré manda colocar 60 Cruzeiros de gasolina no carro, saca o talão de cheque, pensa um pouco, coça a cabeça, e passa o talão e caneta pro Boi: “Preenche ai, que eu esqueci os óculos em casa”. O famoso frentista pega o talão e a caneta e pensa um pouco, coça a cabeça, e saca: “Prefeito, sessenta se escreve com ‘c’ ou com dois ‘s’”? O então prefeito foi rápido no gatilho: “Não encha o saco, faz dois de trinta!”.

Boatos ou não, o fato mais evidente de todos é um só: Sodré está ai. Muitos do que o amaram ou o odiaram já morreram. E, se fosse possível neste momento ouvir de Sodré qual o segredo para tamanha longevidade, certamente ouviríamos dele o seguinte: “eu simplesmente vivo a vida como ela é: bastante simples e sem se preocupar em querer parecer ser o que não sou, ou de querer ser o que eu não posso ser”. A receita, então? Viver a vida, não ter vícios senão de uma boa noitada jogando sueca e jogando conversa fora.

Portanto, ao Sodré de TODOS os anos, exatamente TODOS aqueles anos que se completa TODOS os dias, o melhor de meus amplexos. Que o bom Deus o contemple de vitórias em todas as aspirações que tem. Com essa confiança, tenha certeza: o penta não será o limite!

Washington Luiz de Paula

Agustin – Morre um abnegado

Agustin se foi… Um entusiasta do esporte… Um lutador do comércio… Um filho dedicado… Um gigante no tamanho… Uma criança no espírito… Vá em paz.

Weber Laganá Pinfari, jornalista e radialista

É de meu dever como servo das letras não deixar passar este triste episódio do qual infelizmente poucos se ressentem desde ontem, que foi o passamento de um cidadão peruibense – ainda que não tenha sido reconhecido assim em vida: Augustin Stin. Eu digo poucos porque retorno à minha ladainha histórica de que se tem uma coisa de que Peruíbe e seus mandatários e seu povo é prodiga é nisso: na ingratidão!

Consoante tudo o que passou, até que Agustin sobreviveu bastante. Os revezes que sua santa e obstinada teimosia em favor do esporte – de modo especial o basquete – de Peruíbe lhe causaram em sua vida pessoal e até mesmo empresarial foram tantos que outro já teria enfartado há muito tempo. Mas Agustin era diferente até nisso: sua obstinação não lhe permitia morrer porque sabia ele que fora encarregado pelo destino com a missão que poucos em Peruíbe receberam, embora muitos por causa dela já tenham morrido: a tentar mudar Peruíbe – para melhor!

Mal sabia Agustin que, não obstante seus 2,05m de altura, e sua coragem, e seu coração enorme, não era ele de ferro, e a morte lhe arrebatou de uma forma inesperada para ele e para os que com ele estavam no seu derradeiro momento.

Serão poucos os que chorarão a sua morte, ou talvez até dela mesmo tomem conhecimento, como poucos foram os que tomaram conhecimento e choraram a morte de Mário Cabral e de Pedro Omuro para citar dois anônimos heróis de Peruíbe, o primeiro na Educação, o segundo no Comércio. Que fazer? Infelizmente a vida é assim, e foi mudada de tal forma pela letargia e insensibilidade coletiva que o modernismo nos impõe que não demorará duas ou três semanas para ninguém mais fale de Agustin.

Poucos sabem, por exemplo, que Agustin Stin tratava uma luta titânica há anos para não perder o patrimônio da família em favor dos bancos. Teria sido ele um mal administrador de seu comércio? Não! Por amar Peruíbe, por ser um apaixonado pelo esporte, por acreditar na possibilidade de fazer a diferença e de mover as autoridades públicas a ajudarem, não a ele, mas ao esporte, ele tomou a decisão de contrair empréstimos para poder honrar salários de atletas que ele formou, e alguns que ele contratou, até mesmo dos Estados Unidos para vir defender a bandeira de Peruíbe nas quadras. Com isso a propriedade de sua família foi penhorada. Foi o preço da honestidade, da honradez, do dever de cumprir a palavra empenhada, coisa  que pouca gente sabe o que é hoje em dia.

Depois fundou a Liga de Esportes de Peruíbe numa tentativa de mostrar força com a reunião das modalidades que passavam – e ainda passam – pelo viés da vergonha de ter que passar o chapéu pelo comércio sempre que têm que representar Peruíbe nos campeonatos, seja no Brasil ou no exterior. Mas essa sua tentativa lhe mostrou outra triste realidade: numa cidade onde a politicagem grassa até mesmos os esportistas são desunidos. Disso resulta a sabedoria milenar que ensina que onde a politicagem grassa, a merda não passa; continua a mesma.

Talvez decepcionado – embora nunca confessado – Agustin investe agora nas Comunicações, com a fundação da LEE TV, capitaneada pelo já também saudoso Paulinho Maravilha. Em seu íntimo talvez perguntasse se com um canal de televisão nas mãos, os politiqueiros de Peruíbe não lhe dessem crédito pelo que passariam a lhe temer. Foi outro engano. E tal foi o engano que, acreditando até o pescoço na boa vontade do então candidato a prefeito José Roberto Preto (2004), exagerou na dose do apoio e acabou por cometer um crime eleitoral, pelo que foi “presenteado” com uma multa assombrosa, que ele nunca conseguiu pagar, mas que vinha lhe rendendo – a ele e a todos os diretores da Liga de Esportes de Peruíbe, “dona” da LEE TV, uma dor de cabeça tão grande quanto a multa.

E quem se importava com tudo isso? Você? Eu? Esta prefeita ou aquele prefeito? Os vereadores de ontem e os vereadores de hoje? Todos os demais esportistas de Peruíbe? Eu respondo: ninguém!

Agustin tinha esse perfil de não se lamuriar. Inconformado com a falta de compromisso e de palavra de todo aquele que, geralmente em época eleitoral, encostava para lhe prometer ajuda, ele mesmo decidia resolver a situação sozinho.

Mas ele morreu. E agora? Pois eu digo que o mínimo que o povo de Peruíbe, através de seus mandatários, pode fazer por Agustin agora é o de lhe outorgar a comenda máxima do município como homenagem post-mortem. Não é hipocrisia, não é vitupério, antes seria uma reparação, um gesto de humildade, de ignominiosa humildade, que a sociedade lhe ofereceria.

Mais difícil que o título, que basta uma canetada e o preencher de um papel mais bonito, mas não menos obrigação de todos, seria procurar saber de sua esposa qual e quanto representa o seu passivo contraído em função de seu amor por Peruíbe, e que todos nós nos cotizássemos para saldar esta dívida.

Termino esta manifestação pública em favor de meu querido amigo Agustin, com as palavras que lhe dirigiu em seu perfil no Facebook sua companheira Miriam Collino e com um vídeo que Paulinho Maravilha gravou por ocasião de seu aniversário:

Agustin querido,

” A eternidade é Tua. E, na eternidade, será sempre lembrado, não como ponto insignificante deste mundo real, mas como folha sadia que, em um certo momento, floresceu nos ramos da árvore da vida.”

“Estas folhas caem da árvore, mas não caem no esquecimento, porque está presente em mim!”

Washington Luiz de Paula

 

Do discurso à prática – que distância é esta?

No auge da guerra fria, ali pelos anos 70, 80 do século passado, quando União Soviética e Estados Unidos ameaçavam aniquilar a humanidade pelo apertar de um botão, a grande discussão que se fazia entre os velados amantes do comunismo e os ardorosos defensores da democracia dizia respeito aos benefícios que um e outro acreditava que estes sistemas de governo trariam para dentro de suas casas – e também aos malefícios.

Há uma historieta que me restou na lembrança desta época de medo e suspense general: Dois agricultores morando em países diferentes, porém vizinhos, separados pela imaginária linha da fronteira entre um país e outro – um comunista e outro democrático – conversavam amparados pela cerca que dividia suas propriedades, seus países, seus regimes e suas crenças.

Dizia o comunista tentando convencer seu vizinho do por que seu regime era o melhor e a também a salvação da humanidade:

– Comunismo é tudo de bom. No comunismo a gente divide tudo o que tem com o outro que não tem. Por exemplo, se você tem duas vacas e eu nenhuma, você me dá uma, e fica com uma; se você tem duas casas e eu nenhuma, você fica com uma, e eu nenhuma…

E ele seguiu tecendo um rol de exemplos de ajuda mútua, mal sabendo que, enquanto tentava convencer seu vizinho democrático, este estava mesmo era de olho no imenso galinheiro que seu vizinho comunista possuía, já que considerado o maior criados de galinhas da região.

Em dado momento este se vira para o prosélito comunista e pergunta:

– E galinha? A gente divide as galinhas também?

– Galinha, não! Galinha eu tenho – respondeu rápido o outro que logo encerrou a conversa e se foi para o seu mundo particular. Ele e seu discurso eivado de hipocrisia.

Não é minha intenção chamar os petistas de Peruíbe, e quiçá do Brasil, para o duelo do braço ou das armas, já que das palavras e dos argumentos eles ou fogem ou se investem em impropérios, ameaças, desvios do assunto, ofensas gratuitas e discursos vazios que colocam em dúvida todo aquele que consegue enxergar o Brasil real que a escolástica petista insiste em incutir nas mentes de seus soldados como sendo campanha sórdida da burguesia, da imprensa reacionária de direita, ou dos que eles agora convencionaram chamar de “coxinhas”. Até porque é de meu dever respeitar as divergências de opiniões e de conceitos, por entender que a democracia se alimenta exatamente desta pluralidade de ideias que, ainda que divergentes em sua nascente acabem por convergir, no desaguar das águas no mar das coisas concretas e existentes, para o bem de todos.

Mas parece que não é bem isso ou assim que entendem os petistas. Como sempre temo a generalização, foco minha prédica para o alto clero do Partido dos Trabalhadores de Peruíbe – de ontem e de hoje – e lanço aqui uma pergunta que tem o condão de desafio: Alguém conhece um petista em Peruíbe que não seja burguês (ainda que pequeno burguês) no sentido de que faz parte da propalada inimiga do proletariado que é a classe média (ainda que classe média baixa)? Eu não conheço! Mas, se conhecerem, que me apresentem.

Todos estes que bradam agora nas redes sociais – na verdade temem – a visível derrota de sua companheira Dilma Rousseff nas urnas em outubro próximo (até porque se não temessem não estariam tão preocupados com a ascensão de Marina Silva, ou com o “desastre” de perderem a eleição no segundo turno para Aécio Neves, ou para o PSDB), todos estes vivem muitíssimo bem em Peruíbe, obrigado. Há quem more em bairro nobre ou no centro da cidade; há quem tenha sua casa com muros altos todo adornado de pedras caríssimas, pedras estas mandadas colocar tão logo promoveu o acinte público e popular de manar granitar todo o chão da repartição pública que dirigia; há dono de restaurante famoso bem à porta da Jureia, e no caminho da mais bucólica praia de Peruíbe, há funcionário público de carreira que ganha o suficiente para se gabar oferecer churrasco regulares para os amigos; há aposentado pelo maior dos símbolos do capitalismo que é sistema bancário e financeiro; e há profissionais liberais também. Todos, porque estão bem acima da linha de pobreza e de miséria que o petismo teima que tenha acabado com R$ 120,00 mensais, todos estes nós podemos reputar fazerem parte da classe média peruibense, e, para os padrões de níveis de vida de Peruíbe, são de fato burgueses. São gente de bem, é verdade; alguns até amigos e irmãos, mas que são burgueses isso eles são!

Não adianta me chamarem de preconceituoso. Eu não sou contra pobre. E só não digo que sou pobre porque o meu bom Deus tem me agraciado com a exata medida daquilo que preciso para viver – e não preciso de mais! Eu apenas sou visceralmente contra este paternalismo perene do qual uma imensidão de famílias Brasil afora está agora irremediavelmente dependente. É o tal vício do qual falava Luiz Gonzaga em sua música lembrando que “uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”. E bem pior que isso é saber que muita gente que tem carro próprio, que tem casa própria, que trabalha regularmente (embora não queira ter a carteira assinada para não perder o “benefício”), que tem celular moderno, televisão de 50 polegadas em casa, que continua sendo assistido pelo governo… ops, pelo governo? Não! Por nós!

É ledo o engano de quem acredita que esse paternalismo provém de dinheiro público. Não! Não existe dinheiro público. Existe o SEU dinheiro. Existe o MEU dinheiro. Vamos lembrar aqui a grande estadista inglesa, Margareth Thatcher:

Nunca esqueçamos esta verdade fundamental: o Estado não tem fonte de dinheiro senão o dinheiro que as pessoas ganham por si mesmas e para si mesmas. Se o Estado quer gastar mais dinheiro, somente poderá fazê-lo emprestando de sua poupança ou aumentando seus impostos. Não é correto pensar que alguém pagará. Esse “alguém” é “você”. Não há “dinheiro público”, há apenas “dinheiro dos contribuintes”.

Pois bem. No meu tempo – e eu não sou tão velho assim – eu ia para a escola com caderno e livros que meu pai, mesmo sendo funcionário público que ganhava menos de dois salários mínimos por mês, comprava para mim e para meus cinco irmãos. O uniforme era minha mãe, que era costureira e ajudava com isso no orçamento familiar, quem fazia. A merenda eu levava de casa – geralmente pão com ovo – e não nos esquecíamos da fruta para a professora. Se você precisava de um atendimento de urgência no pronto socorro, você era atendido; mas se você precisava de atendimento médico, você tinha que provar que era contribuinte do INPS, mostrando sua carteira assinada para a atendente do hospital. E assim gerações e gerações se passaram e fizeram o Brasil que nós temos hoje, sem que qualquer de nós morresse por falta de merenda escolar gratuita, de uniforme gratuito, ou de qualquer outra benesse a que nossos jovens hoje têm acesso, mas que não sabem aproveitar, muitos deles se mostrando ingratos, fazendo pouco caso do que hoje ganham “no mole”.

Quem não vê isso? Quem não sabe disso? Ora, somente quem não quer ver, ou quem não quer acreditar nisso.

Logo, falar é muito fácil. Eu poderia falar por horas e dias e não demoraria a trazer uma multidão de seguidores para minhas ideias tidas como conservadoras e preconceituosas por esta esquerda burguesa que a gente vê por ai. Assim, você chegar a sua casa, ligar o computador tecnologicamente equipado e atualizado para ler os e-mails, pegar uma dose do melhor uísque 12 anos, acender um cigarrinho de maconha pra relaxar, ir para o deck da piscina, acender a churrasqueira e dizer que vida está boa é também muito fácil. Difícil mesmo é compartilhar todas essas benesses que o capitalismo lhe ofereceu com a classe menos favorecida, com a classe proletária.

No mesmo diapasão que todos aqueles que traíram os princípios éticos programáticos do Partido dos Trabalhadores em momento algum daqueles quando pilhava o dinheiro que deveria ter por destino a Saúde, a Educação, a Segurança Pública, os Transportes, em momento algum pensaram por um minuto em quem seguia morrendo nas filas dos hospitais públicos por falta de atendimento médico, de remédio, de insumos, todos estes inflamados petistas de Peruíbe não estão nem um pouco preocupados com o povo. A preocupação deles todos está um pouco mais acima: com o poder. E, para atingir o poder, vale tudo, até mesmo acreditar que eu teria mesmo que acreditar naquilo que eles acreditam ser a única verdade universal – a deles.

O mestre JC lembrou bem: “onde está o tesouro do homem, ai está o seu coração”. E eu uso estas palavras, com o respeito que devo a Ele, para fazer esta analogia: É mais fácil o Morro do Itatins vir abaixo do que qualquer um destes petistas burgueses de Peruíbe vender tudo o que têm para distribuir aos pobres, como fez Santo Agostinho de Hipona que se desfez de todos seus bens (ele era de família rica!) para viver entre os pobres e miseráveis; ou como fez muito mais próximo de nós, Eduardo Bastos, o saudoso mestre que, mesmo sendo PhD em Sociologia pela Universidade de Coimbra (Portugal), tendo como esposa D. Zilah (também de saudosa memória), psicopedagoga especializada em excepcionais, decidiram ambos fazer voto de pobreza e ir morar numa casa de Madeirit lá na antiga Rua 27 do Caraguava. Eles e seus pequerruchos, dentre os quais destaco a hoje jornalista Maria Raquel Ferreira Bastos.

O dia que um deles – apenas um! – fizer isto, e se o fizer ainda antes das eleições, eu mudo meu voto, e serei Dilma. Até lá, voto Marina. Seja ela a déspota que venha a ser amanhã como insistem os seus algozes de hoje que ela será caso eleita, no que não creio.

O difícil para as bases petistas no Brasil todo é assimilar, digerir, que o PT vai precisar dessa derrota para poder sobreviver. Só com a derrota poderá retomar o rumo original para voltar a ser o que era em seu nascedouro. E voltando às suas origens, quem sabe não faça retornar às suas fileiras homens a mulheres dignos que, incomodados com a desfaçatez, saíram ou foram convidados a sair, como a própria Marina Silva, Luciana Genro, Luiza Erundina e Heloisa Helena, para citar apenas quatro, casualmente mulheres.

Tudo o que passar disso é bravata. É hipocrisia. É burrice. É sandice.

Termino lembrando a todos estes indignados petistas burgueses que hoje tanto atacam Marina Silva e Aécio Neves, a que se preparem para o bastante provável segundo turno com Dilma Rousseff. Vocês verão que, em pouquíssimos dias Marina Silva mudará de diaba em santa, ou Aécio Neves de capeta em salvador, com o PT vindo a precisar do apoio de Aécio ou de Marina para o segundo turno. E vocês todos, que gozam pelas ventas quando sofrem uma lavagem cerebral, terão que venerar Marina Silva ou Aécio Neves. E Dilma Rousseff lhes terá que abrir concessões, sem as quais não terá apoio, e nem governará.

Com tudo isso, o que é que vocês vão dizer lá em casa depois? Bem mais prudente é que se calem agora. E quando forem acender a churrasqueira novamente, não se esqueçam de me convidar. Eu também filho de Deus. Eu também sou povo. Se me convidarem, prometo que entro com a linguiça.

Washington Luiz de Paula

Caso Intersul (Parte II) – O milagre intersuliano

O milagre está um pouco mais acima…
Dando sequência a este tema que, como sabem os mandatários municipais em Peruíbe, não demora a cair no esquecimento coletivo (sem trocadilho com o próprio caso em tela), é preciso, em nome da verdade e dos bons costumes que teimamos em tentar fazer contrapor com as mazelas e vicissitudes encetadas pelos políticos, alhures e algures, quero aqui que você, meu caro leitor, pense um pouco comigo, e se veja do lado da empresa Intersul.

O belo e isento trabalho jornalístico de Solange Freitas, da TV Tribuna (assista aqui), procura mostrar os dois lados dessa moeda rota e gasta pelo tempo. Tudo que se pode ver e ouvir dessa reportagem não são mais do que tudo aquilo que se pode ver e ouvir do que aconteceu no passado. Desta sorte, ver e ouvir André Isaias Santana, hoje secretário de Planejamento da prefeitura, recém-saído da chefia de Gabinete da prefeita Ana Preto, é exatamente igual que ver e ouvir o Ferreirinha (chefe de Gabinete da ex-prefeita Milena) falando em defesa dos interesses da administração que lhe pagava seu salário. Só muda o timbre da voz.

Ambos, porém, não convenceram. O lero-lero de Ferreirinha anos atrás não se contrapõe à lengalenga de André Santana hoje. E, por curioso, é preciso anotar que, se André Santana não acreditava em uma só palavra que Ferreirinha dizia para defender sua prefeita, hoje Ferreirinha também não dá uma vírgula de crédito ao que André Santana diz. E isto – repito – embora ambos tenham dito ou digam a mesma coisa, cada um no seu tempo.

Falando francamente, tenho asco disso tudo. Quando se vive num tempo em que uma “mentira” contada por um empresário, que se diz logrado por um político, tem muito mais crédito que uma “verdade” contada por um político que diz que, de fato, é o empresário quem mente, fica ilustrada a razão de meu nojo.

Mas aqui, no presente caso, resta evidente que o advogado da Intersul não mente. Não teria por que mentir, até porque esse é o tipo de mentira que, quando posta à mesa do juiz, seria prontamente desmascarada.

Ivan Lima, advogado da Intersul, rebate com veemência todas as acusações da administração pública municipal de Peruíbe que teriam dado motivo à rescisão contratual da prefeitura com a Intersul, a começar pelas notificações que o representante da prefeita Ana Preto diz terem sido enviadas para a empresa cobrando cumprimento das cláusulas contratuais. E é enfático: “são notificações mentirosas, fabricadas”, para seguir dizendo que “nunca a Intersul recebeu notificação alguma”.

O representante jurídico da Intersul alega que “não existe fundamento legal para rescindir o contrato”, e promete: “a empresa vai lutar com unhas e dentes para que a senhora prefeita cumpra a parte dela”. E que seria esse tal “parte dela” que Ana Preto deixou ou teria deixado de cumprir?

A parte dela – da prefeita – é a parte que mais interessa nesse pleito todo: a grana! Sem grana nada vira; sem grana, nada funciona. Todo mundo sabe disso – e Ana Preto sabe disso também muito bem. Imaginem, por exemplo, não pagar a conta do celular ou da internet… adeus Facebook e seus joguinhos lindos e maravilhosos!

Mas, de que “grana” fala esse advogado da Intersul, afinal? E ele mesmo responde: “Fechamos um acordo com a prefeitura. Apresentamos plano de transporte para melhoria dos serviços. A prefeitura nunca respondeu”. Bem pior que isso, é que a parte da prefeitura no tal acordo, que seria de repassar verbas da passagem subsidiada representada pela diferença dos R$ 2,80 reais para os R$ 1,70 maquiados que o povo paga, achando que a diferença é a prefeita quem paga, do bolso dela, segundo Ivan Lima afirmou à reportagem da TV Tribuna, “não é feita há três meses pelo menos”.

Acresce-se a isto o famoso caso das vans, ou “transporte alternativo”, que até pouco tempo era chamado de “clandestino”. Para Ivan Lima, “no momento que as vans levam os passageiros pagantes, a empresa sofre muito, porque ela leva o passageiro que paga passagem, o qual, em última análise, sustenta a empresa”. Segundo ele, “sempre pedimos à prefeitura que ela coibisse esse tipo de transporte”.  Por seu turno, André Santana, falando em nome da prefeita que nunca se preocupou em mover uma palha pela esperada regularização desse tipo de transporte, justamente para não ferir seu acordo com a Intersul, justifica (ou tenta justificar), dizendo que “esse tipo de serviço acaba beneficiando a população, porque vai atrás de onde a empresa estava deixando de cumprir suas obrigações”.

As informações acima não são contestadas pela prefeitura. Com relação ao repasse, eles tentam justificar que o repasse não foi feito porque a empresa não vinha cumprindo com suas obrigações; e, no que diz respeito às vans, André promete o que não pode ou não vai cumprir, seja com a Intersul ou com qualquer outra empresa: “A prefeitura faz a fiscalização para que esse tipo de serviço não continue na cidade”.

Parece um jogo de empurra-empurra, mas não é. E explico, ou tento explicar.

Como já disse no editorial “Caso Intersul (Parte I) – O milagre pretoriano”, tudo me leva a crer que a Intersul, que vinha sendo parceira da administração desde o período de campanha, caiu no logro do artista e arteiro deste governo, o que, se conferido e achado como fato, é muito mais que um logro: é uma sacanagem das mais vis.

Não tenho procuração para defender a Intersul, não conheço seus proprietários, nem seu advogado. Mas eu fico imaginando que o que fizeram com ela, é exatamente o que foi feito, respeitadas as proporções inclusive de numerário, comigo, com duas centenas de candidatos a vereadores que ainda aguardam o cumprimento das promessas e pagamentos de dinheiro devido desde a campanha, e com muitos outros correligionários que acreditaram no nome de Ana Preto porque carrega ela o nome do senhor seu pai, verdadeiramente um homem honrado – e de palavra!

Realiza ai você que me lê agora: Eu lhe digo que vou lhe dar R$ 100 para você ir comprar uma pizza. Eu não lhe dou o dinheiro que prometi, e você não vai comprar a pizza porque não tem o dinheiro para compra-la. Mas eu não lhe dou não porque não queira, é porque eu também não tenho. Prometi uma coisa que não poderia cumprir. Eu não tenho os R$ 100! Mas, para tentar me justificar para os convidados que estão esperando pela pizza, eu digo que você é um relapso, um desonesto, que não cumpriu sua parte do acordo comigo de ir buscar a pizza! Você ficaria quieto? Se ficar é porque é uma banana! Tem que ir pra cima mesmo! E nisso eu estou com a Intersul de olhos fechados. Agora, se eu lhe tivesse dado os R$ 100, e você tivesse saído e não tivesse voltado com a pizza, eu teria tido então razão para vilipendia-lo o quanto fosse possível.

Sendo assim, o tal milagre pretoriano que eu anunciei em meu último editorial só seria possível mesmo se contasse com a complacência da Intersul que, ao que tudo indica, está disposta a ir até as últimas consequências para não deixar este assunto barato, mas que não tinha mesmo qualquer condição de cumprir qualquer parte do acordo feito com a prefeitura, sem dinheiro – e olha que não era dinheiro adiantado: era apenas o pagamento do subsídio (a diferença das passagens de R$ 2,80 para R$ 1,70) de passageiros que já haviam passado pela catraca! Em outras palavras eles compraram a pizza mesmo não tendo recebido o dinheiro para isso. Mas, exigir a pizza e o refrigerante seria demais!

Se para a prefeita Ana Preto realizar ou tentar realizar o seu milagre particular não é assim tão difícil em função do peso de sua caneta de alcaidessa, para a empresa Intersul, como soe acontecer com todas as empresas neste Brasil sinônimo de imensa carga tributária e responsabilidades trabalhistas, o milagre a ser realizado é muito mais complexo.

O “Goebbels” de Ana Preto pode fazer comigo o que fez. Pode fazer com as duas centenas de candidatos e com a quase milhar de correligionários também, o que fez, faz e continuará fazendo (e muitos ainda acreditando que suas mentiras são verdades e suas falsas promessas são realizáveis). Agora, fazer com uma empresa que tinha sobre suas costas o peso de uma centena de famílias e que, bem ou mal, vinha carregando gente para lá e para cá que as vans não carregam, como, por exemplo, idosos, estudantes e até funcionários públicos que contam com a gratuidade das passagens; e que acreditou que seria possível colaborar com a maquiagem de uma passagem que viria a se tornar a mais barata do Brasil, mas que não viu a cor desse dinheiro prometido, seja porque a prefeitura não quis pagar, ou porque não tem mesmo esse dinheiro, embora não dando o braço a torcer de confessar estar com os cofres zerados; fazer tudo isso com uma antiga parceira, é traição sórdida.

O que será que Ana Preto, Paulo Henrique Siqueira e André Isaías Santana esperavam? Um milagre que a Intersul realizasse? Para este triunvirato sob cujas rédeas estão 60.000 pobres e desassistidos “peruibanos”, sugiro uma releitura de “O Todo Poderoso”, parando naquele instante supremo do diálogo de Deus com o Homem: “Você quer um milagre, filho? Seja o milagre!”, e meditem no arrazoado do Tempo de Mário Quintana: “Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é Natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado…”

Quando vocês três perceberem terá passado quatro anos. Um e meio já foi; e 2016 não tarda a chegar. Até lá, não façam com ninguém ou com alguém o que não querem que façam com vocês. E, sobretudo, não repitam mais hoje aquilo que vocês tanto censuraram ontem.

Termino essa minha quase homilia repetindo (novamente) dois dos versos de “Il Cinque Maggio”, de Alessandro Manzoni: “Fu vera gloria? Ai posteri l’ardua sentenza”.

Washington Luiz de Paula

Caso Intersul (Parte I) – O milagre pretoriano

Não posso deixar de ter justificada preocupação ao ler a notícia do rompimento (por que feita às 22hs de ontem, 10, pode-se dizer “na calada da noite”) do contrato da prefeitura com a Intersul, empresa concessionária do serviço de transporte coletivo urbano de Peruíbe.

O ato, anunciado por alguns vereadores como tendo sido um “feito histórico”, como se uma canetada de quem está sentada no trono não para outra coisa que dar canetadas significasse a redenção do município de todos os seus mais graves problemas, veio recheado de efeitos, a começar pela reunião de todos os vereadores da base governista para testemunhar o tiro de misericórdia que a prefeita Ana Preto haveria de dar na Intersul, como deveras acabou dando.

De mente fria é preciso ponderar algumas coisas que passam despercebidas pelo usuário comum, aquele que reclama por um transporte público de qualidade, e que, de preferência, seja barato, mas que não tem capacidade de mensurar o quê pode haver de podre neste pueril reino de Tapirema.

O primeiro ponto a ser pensado diz respeito às 100 famílias dos empregados da Intersul no município que, com a rescisão, estarão desempregados. E resumo este tópico numa pergunta simples, não sem antes deixar claro que entendo que, quer seja R$ 1.300 ou R$ 1.500 o salário de um motorista ou cobrador, este é um dinheiro por demais pequeno e até ridículo, considerando que um motorista que está na estrada pode ganhar de cinco a 10 vezes mais! Mas, ainda assim eu pergunto a você que é pai de família que se vê diante da iminência de estar desempregado numa cidade que não oferece oportunidade de emprego digno para ninguém: O que é melhor levar para casa: R$ 1.300 ou nada? Claro que eu sei a resposta. Mas, guarde-a com você.

A segunda questão que eu colocaria em foco tem a ver com a própria empresa. Todos nós testemunhamos um alarde que o governo municipal fez recentemente (veja aqui) ao anunciar um subsídio de “trocentos” milhões para a Intersul para permitir que a passagem cobrada ao usuário viesse a ser a menor de toda a região, e que acabou sendo a menor de todo o Brasil! Aquele foi um momento de euforia em que o próprio secretário de planejamento da prefeitura à época anunciava que, ao final do governo, em 2016, a passagem estaria a um real. E não duvido que venha a estar mesmo, ainda que o aumento da carga tributária – para usuários e não usuários dos coletivos municipais – bancasse mais essa demagogia paternalista que consegue ter o viés de fazer crer ao povo mais humilde que é o Município quem banca este “presente”, mas que na verdade é pago por mim e por você. Pago? Bem, aqui temos um ponto interessante que a governante e sua equipe talvez não tenham medido, ao repetir aqui, no microcosmo de Peruíbe, o que o governo federal faz no macrocosmo do Brasil com o bolsa família, por exemplo. E isso é fácil de entender: Vejam: Se no Brasil gira uma enormidade de dinheiro a cada minuto em razão da altíssima carga tributária de que todos nós somos vítimas, é permitido ao governo ir honrando seus compromissos paternalistas com a multidão de gente que hoje vive exclusivamente dos favores do governo, ainda que a dívida – interna e externa – venha se avolumando a olhos vistos e a cada dia mais. Já em Peruíbe, onde quando se faz um orçamento de R$ 200 milhões, do qual se realiza metade apenas, de onde – dessa metade – metade está comprometa com folha de pagamento, um quarto com a Educação e um quinto com Saúde, não sobrando mesmo muita coisa para as obras de manutenção das vias públicas, como fazer dinheiro para “brincar” de ser Papai Noel (no nosso caso, mamãe)? Logo, é de se perguntar: vinha a prefeitura honrando a sua parte do compromisso de repassar à Intersul o que prometido fora quando houve o comprometimento mútuo de se abaixar o preço da passagem? Se a resposta for sim, ainda resta outra pergunta: houve uma equipe técnica da prefeitura para fazer um estudo da planilha de custos da empresa para chegar à conclusão de que ela tinha mesmo condições de manter e melhorar o serviço concessionado, sendo omissa em não fazê-lo? Agora, se a resposta é não, só me resta depreender que o governo municipal não fez mais que promover um sonoro “passa-moleque” numa empresa que, de um modo ou de outro, vinha ajudando o governo. E bastante!

O terceiro questionamento que faço é quanto à anunciada contratação em “caráter de emergência” de uma empresa para suprir os serviços que a Intersul deixa de realizar em razão de seu distrato.

Todo mundo está careca de saber – e eu literalmente! – de que contratação de emergência no serviço público é sinônimo de facilitação ao superfaturamento e à corrupção. O mandatário municipal decreta estado de emergência e contrata-se esta ou aquela empresa a bel prazer daquele (ou daquela) que contrata. Não importa o preço ou as promessas feitas verbalmente ou por escrito. Depois ninguém as cumpre mesmo. E, pior: dá-se um jeito de perpetuar aquilo que era só de caráter emergencial. Isso aconteceu neste governo e aconteceu em governos anteriores com a contratação de gestores para a saúde pública e também para a coleta do lixo. Agora, repete-se para a contratação da empresa de ônibus. E todos sabem que nove entre dez destes contratos acabam sendo reprovados na análise técnica do Tribunal de Contas do Estado, embora os prefeitos saibam que a desaprovação dos conselheiros do TCE e nada é a mesma coisa quando se tem maioria nos legislativos, cujos vereadores – alguns semianalfabetos – conseguem a proeza de derrubar os pareceres de desembargadores… O que esperar? Estamos no Brasil…

Não seria demais perguntar, portanto, qual é e onde é que o staff de governo da prefeita Ana Preto encontrou uma empresa com todo esse denodo altruístico de vir para Peruíbe para assumir aquilo que a Intersul não foi capaz de fazer? Sim, eu digo “encontrou”, porque não duvido nada mesmo de que há “na manga do colete”, como diria Vicente Matheus – o maior de todos os corintianos, de que há já uma empresa com os pneus dianteiros de seus ônibus já passando as divisas internas da cidade.

Para que tenhamos uma ideia em termos numéricos, uma empresa dessas, com cerca de 100 funcionários ganhando os pretendidos R$ 1.500 mensais, mais vale-refeição de R$ 400, mais convênio médico, mais encargos trabalhistas, teria que ter cerca de 100 mil pessoas passando por suas catracas mensalmente. Isso sem contar os custos com combustível, manutenção dos ônibus, locações, água, luz, telefone, impostos e outras “gordurinhas” já conhecidas dos empresários que prestam serviços para órgãos públicos. Com uma passagem a R$ 2,80 (considerando o subsídio governamental), como explicar esse milagre? Eu me atrevo a responder: vem aumento de tarifa por ai – ou vem aumento de impostos (leiamos IPTU e ISS)!

Se não for nada disso, é bem possível que o grande artífice deste governo, Paulo Henrique Siqueira – o Paulão, que, embora fora do governo, manda, coordena e decide no governo Ana Preto tanto quanto Gilson Bargieri mandava, coordenava e decidia no governo Milena Bargieri, mesmo depois de ter sido deposto por imposição do Ministério Público, é bem possível que Paulão, que ninguém duvida ser o típico vendedor que consegue vender geladeira para esquimó, tenha logrado êxito em lograr alguma empresa com informações que podem fazer crer que o fluxo de gente que passa pelas catracas dos ônibus em Peruíbe é tal e tanto que bem logo colocaria a empresa no encalço da Breda ou da Itapemirim (aliás, e bem a propósito: por que será que a centenária Breda não pega essa “bucha”?).

Afora as pressuposições insertas, só um milagre mesmo. E ai, a conferir o resultado de mais este “milagre”, Ana Preto não terá feito só um “ato histórico” ao romper o contrato com a Intersul. O seu ato será mais: será sacrossanto. E a ela, pois, ficaremos a dever o consignado “Ut Venerabilis Servi Dei Ana Maria Preto, Majorem, Beati Nomine In Posterum Appelletur”. Amém.

Washington Luiz de Paula

Por Peruíbe. Para Peruíbe. Com Peruíbe

Jantei esta semana aqui em São Paulo com uma proeminente figura da política de Peruíbe, na oportunidade em que ele assumia importante posto na direção de um instituto que justamente discute as questões político-eleitorais, embora que, ao que parece somente no âmbito acadêmico e das leis.

Fazia-se ele acompanhar de seu fiel escudeiro.

A uma mesa do Hooters, entre um chope e outro, tudo alimentado por generosas porções de coxinhas e asas de frango à milanesa, temperadas com exagerada pimenta mexicana, o prato principal era, para não perder o azo e o costume, a política local. Nada mais indigesto, mas, tal e qual aquele óleo de fígado de bacalhau que tomávamos quando criança para tentar vencer a anemia, a política é comida que se tem de comer e beber, ainda que com cara feia.

De esperado perguntava-me ele: Você acredita na eleição do Alex Matos? Tudo porque o dito me vira fotografado ao lado do ex-vereador em matéria publicada neste blogue dias atrás, e logo tratou de provocar meus instintos que, se não tão aguçados quanto o dele, têm relevo nas quatro décadas que me dedico no exercício de pensar e no ofício de escrever a história política de Peruíbe. Se não por outra coisa, por isso só já mereço respeito.

A resposta requerida pelo meu interlocutor não poderia ser dada naquele momento em que os olhares estavam distraídos pelo passar de uma e outra garçonete nos trajes que notabilizaram a franquia do Hooters mundo afora. Mas a dou aqui. Por isso, aliás, dou-a aqui.

Ainda assim foi possível trocarmos as figurinhas que, se não fizeram-no entender as minhas razões e opinião acerca de mais um processo político-eleitoral em que Peruíbe tem a chance que nunca teve de ter, afinal, um filho da terra consagrado deputado federal, ao menos fizeram-me entender que engrossa ele uma plêiade de mandatários e ex-mandatários da cidade que não querem mesmo o bem do município e, consoante isso, tudo fazen e se esforçam para obstar as intenções de quem as tem boas, para Peruíbe, por Peruíbe, com Peruíbe, seja ele este ou aquele.

Meu encontro com Alex Matos aqui em São Paulo teve razão além de pessoal. Muito mais do que o interesse pelo trabalho que se vislumbrava – e eu também sou filho de Deus, e como e bebo como qualquer um dos que agora me leem –, eu que já vinha de analisar sua pré-candidatura desde cá da capital, neste meu exílio voluntário, tinha a curiosidade de ouvi-lo para saber onde estavam suas motivações, e a que se deu, afinal, esta dita de cair-lhe assim tão acentuadamente em seu colo esta oportunidade que, se não aproveitada agora, poderá ser que jamais chance outra terá. Eu queria sobretudo ouvir de Alex Matos – e isto era mais importante para mim para entender seu afã rumo ao Congresso Nacional – acerca de duas coisas: É Alex Matos, afinal, candidato a prefeito de Peruíbe em 2016?; e, quantos votos pensa Alex Matos ter em Peruíbe, ou precisa ter em Peruíbe para se somar aos mais de 60 mil votos que precisará para chegar perto de se eleger?

A provocação do meu patrocinador daquele jantar – sim!, para me ouvir tem que pagar a conta! – tinha respaldo no histórico de meu relacionamento anterior com Alex Matos que, digamos, nunca foi lá muito amistoso, principalmente motivado por seus laços bastante estreitos de amizade com Gilson Bargieri de quem acabei me tornando desafeto político sem que até hoje eu entenda bem o porquê disso.

Dizer que mesmo agora morro de amores por Alex Matos é mentir. Mas a vida e o bom Deus que já me deram metade de século e um tanto mais de anos me ensinaram a discernir onde começa o despeito a ponto de eu mesmo ter aprendido a dominá-lo para que não mais descambe na maledicência, na distorção dos fatos. Ah, quanto me arrependo de ter judiado de tantos com a facilidade de minha verve! Se não porque eu estava certo, mas ao menos porque hoje eu me pergunto: de que adiantou tudo aquilo se o ideal que eu persegui foi cruelmente pisoteado pelos conchavos que realizaram o milagre da união dos contrários, deixando-me no ostracismo por amigos e por inimigos, por afetos e por desafetos?

Logo é tempo de reiterar aqui que, se morro mesmo de amores por alguém ou por alguma coisa, a par de minha esposa que me atura a 31 anos comemorados neste quatro de junho próximo, é mesmo a cidade de meu coração: Peruíbe!; ainda que Pariquera-Açú seja a minha cidade de nascimento.

Ora, se penso em Peruíbe, por Peruíbe, para Peruíbe, com Peruíbe, tenho que pensar nas possibilidades de um dia ver o povo de Peruíbe seguindo o exemplo de pequenas cidades do interior paulista que conseguem, num momento como este, se unir em prol da eleição de um representante que tenha condições de, não só de se eleger, mas também de bem representar seu povo, seja na Assembleia Legislativa, seja na Câmara dos Deputados.

Reluto em crer no discurso da utopia! Prefiro crer e pensar que é possível sim que os quase 60.000 eleitores de Peruíbe conjugarão esforços para eleger o seu – o nosso – deputado estadual e o seu – o nosso – deputado federal. E não importa quem seja ele (ou ela), mas desde que apresente reais condições, e não caia no lugar comum daqueles que, ou são usados como joguetes por conta de interesses nem sempre confessáveis, ou entram para a disputa pensando mesmo em ver se sobra alguma coisa das verbas da campanha…

O que me é difícil entender é o discurso que a gente ainda consegue ouvir para justificar o lançamento de uma determinada candidatura. Ficou evidente, por exemplo, que o lançamento da pré-candidatura do vice-prefeito Nelson Gonçalves Pinto (Nelsinho do Posto) a deputado federal tem o feitio não de promover sua eleição, mas de se contrapor à campanha de Alex Matos que, para gáudio de uns e desespero de outros, não só é oficial-maior do staff do ex-prefeito Gilson Bargieri, como bem pode ele mesmo acabar de sagrando em popularidade a ponto de viabilizar sua candidatura a prefeito de Peruíbe em 2016, o que, naturalmente, não interessa ao atual governo municipal.

Eu ainda não ouvi o dileto amigo Nelsinho do Posto, a quem eu tantas vezes incentivei a que alçasse voo solo na política de Peruíbe. Mas a mim me parece que, ele entrando neste certame por este viés entabulado para desestruturar as bases de um oponente, continuará ele seguindo a triste sina de novamente ser usado como tantas vezes usado foi desde quando decidiu deixar sua vocação primeira que é o Legislativo. E Nelsinho sabe, com todo respeito que lhe devo, que ele não só não tem escopo para se aventurar numa eleição de orçamento milionário, como sabe que Ana Preto não tem liderança estadual que permita que ele entre em centena de cidades para buscar a expressiva votação que precisará para se eleger.

Não! Custo crer que entraria neste jogo descalço e com uniforme roto. Se entrar é porque, ou acredita no que me parece impossível, ou tem cartas na manga que até aqui desconheço (lembrando sempre que seu padrinho político está confinado em lugar de onde pouco ou nada poderá fazer para ajuda-lo), ou ele mesmo terá motivos para fazer o que puder ser feito para impedir que um candidato da cidade venha a se eleger deputado.

A preocupação latente é na retórica ouvida durante o jantar: “Para cada voto que Alex Matos conseguir, eu arrumo cinco para o Nelsinho!”. Lógico que se se fala de Peruíbe, do eleitorado de Peruíbe, o que, em número, seria mais ou menos pensar que, se Alex Matos vier a ter 5.000 votos em Peruíbe, a tropa de choque da prefeita Ana Preto arrumaria 25.000 para Nelsinho. E, aqui entre nós, essa é uma tremenda bravata, já que se Nelsinho viesse a conseguir o milagre da multiplicação dos votos para um só candidato, vindo a ter mesmo 25.000 votos, ainda assim esse número seria insipiente perto dos mínimos 60, 80 mil votos necessários para entrar no páreo para deputado, mas daria fôlego e ânimo para Nelsinho para ser ele, e não o Alex, e muito menos a Ana, o grande nome para a prefeitura em 2016. Seria um tiro no pé!

Alex Matos deixou claro duas coisas: não é candidato a prefeito em 2016, principalmente se vier a ser eleito deputado, e também porque não tem intenção nenhuma de se contrapor ao seu grande líder que é Gilson Bargieri, a quem costuma chamar de “eterno prefeito de Peruíbe” (Gilson já está em franca campanha para 2016, caso alguém ainda não tenha se apercebido). A segunda coisa é de que não precisaria de mais que 5.000 votos de Peruíbe para se eleger. Mas adianta: “Claro que se o povo de Peruíbe entender que eu tenho condições mesmo de me eleger e me ajudar me oferecendo bem mais votos do que eu preciso, eu sairei valorizado de minha cidade, e com condições de brigar muito por minha cidade lá em Brasília”, avisa.

O apoio que o deputado federal Márcio França dará a Alex Matos evidente que fará toda a diferença neste pleito. Eu assevero que foi um tremendo golpe de sorte de Alex. É um afortunado do destino mesmo. Há que se ponderar que Márcio França é o deputado federal que maior votação teve em toda a história do litoral paulista: foram mais de 215 mil votos em 2006 e 172 mil em 2010; e seu espírito de liderança logo o levou a compor o chamado “alto clero” do Congresso Nacional, a ponto de agora ele vir a ser cotado para ser candidato a vice-governador este ano. Se ele não for aprovado como candidato a vice, seu partido – o PSB – o indicará para ser candidato a governador mesmo.

Vê-se que há uma diferença da água para o vinho da fortuna que caiu agora no colo de Alex Matos como presente dos céus com a pretendida comparação do apoio de Nelson Marquezelli, também deputado federal, a José Carlos Rúbia de Barros (Carlinhos) para deputado estadual na campanha de 2002. Na oportunidade, Carlinhos obteve 10.458 votos, dos quais 6.898 em Peruíbe. O restante vieram de 117 outras cidades das 645 que o estado tem. No mesmo ano, Marquezelli teve 89.531 votos, dos quais apenas 1.210 em Peruíbe.

Claro que Marquezelli se elegeu. A bem da verdade, nem precisaria dos votos que lhe arrumaram em Peruíbe. Carlinhos, no entanto, ficou de fora. Mas a gente sabe que esta mecânica, ou como diria um amigo, esta “química” de lançar um candidato a deputado estadual numa cidade para que ele venha a ser uma espécie de “cabo eleitoral de luxo” já está para lá de manjada…

Voltando aos números, porém, e apenas para termos de comparação, Márcio França teve 2.885 votos em Peruíbe em sua primeira campanha (2006), e 5.774 votos em 2010. Diante destes números, tem mais o que dizer?

Fica evidente que Márcio França não se lançaria a uma aventura ao indicar Alex Matos como seu candidato a deputado federal. Alex é seu assessor em Brasília já há alguns anos, e a mim me parece ter se tornado uma espécie de “pupilo” daquele que o próprio Alex chama de “grande mestre”. É ponto de honra, portanto, para Márcio França elegê-lo. Quer queiram os políticos despeitados de Peruíbe ou não. Ou vocês acham que Márcio França está lá preocupado com o processo sucessório de Peruíbe para 2016? Ora, vamos e venhamos, não dá mais para ficar brincando desse joguete de comadres e compadres, por favor!

Diante do exposto tenho a eleição de Alex Matos, se ratificado seu nome como candidato mesmo nas convenções que haverão de se dar nas próximas semanas, como favas contadas. E eu conclamo o povo de minha Peruíbe a se unir a ele para que eu e você amanhã possamos ter orgulho de dizermos que um moço nascido em Peruíbe, que mora na cidade, que tem negócios na cidade, que tem família na cidade, será nossa voz lá no planalto central do país.

Aos contrários, em que pese que o exercício da democracia permita a que todos saiamos candidatos se o quisermos que analisem bem quais são seus verdadeiros propósitos e verdadeiras intenções. Lute, mas lute para vencer, e não pelo simples prazer de ver seu oponente caindo derrotado no solo, caindo você com ele. E, sobretudo, voe se tiver que voar, mas voe com suas próprias asas. Se você não tiver asas, não se dê que aquele que lhas emprestou as requeira de volta, ou tome de você, só pelo simples prazer de vê-lo estatelar-se no chão.

Ah, e da próxima vez vamos a uma churrascaria. É mais barato. E melhor.

Washington Luiz de Paula 

O que estariam querendo? Fim da concessão ou fim da Intersul?

Se eu andei de ônibus urbano em Peruíbe – destes da Intersul – não foi mais do que umas duas ou três vezes. De ônibus, em Peruíbe e para Peruíbe, ou a partir de Peruíbe, de que me lembre, andei bem e bastante de Viação Abarebebê, de 9 de Julho, de São Miguel Arcanjo, Breda e daquele “cata-osso” da família Arruda que antecedeu ao Quinzinho. Serve?

Também é bom ir lembrando que não conheço quaisquer dos proprietários da atual empresa detentora da concessão do serviço de transporte público urbano de Peruíbe (se eles quiserem me pagar um almoço, eu aceito; mas tem que ser aqui em São Paulo!). Não tenho, portanto, procuração para defendê-los, e aqui, nestas linhas, me interessa apenas a reflexão sobre uma injustiça que me parece estar sendo cometida, na calada do populismo e da demagogia, contra a Intersul.

De plano lembremos que a Intersul, em que pese seja concessionária de serviço público, é uma empresa privada, regida pelas leis e obrigações jurídico-trabalhistas como soe serem regidas todas as pessoas jurídicas deste país. Logo, precisa ela que aufira lucro, sob pena de não ter como honrar seus compromissos com fornecedores e empregados.

Pois muito bem. A empresa está vivendo um momento sui generis que, se não era esperado por seus gestores, era de se supor, por uma simples questão de justiça, por todos quantos sobre elas jogam pedras – sejam políticos ou usuários.

Diante disso, difícil para eu crer que quando chamada a participar do processo licitatório que viria a lhe dar ganho da concessão exclusiva do transporte de passageiros pelas vias urbanas da cidade, que tenha chegado ela a ter conhecimento que a grande maioria dos passageiros que viria a transportar estaria isentos do pagamento de passagem, e que, assim mesmo, a minoria que fosse passar pela roleta pagando uma passagem, pagaria um preço defasado, aviltante até, se posta na balança as obrigações contratuais da empresa se contrapondo ao número de usuários pagantes.

Sim. O que talvez nem todos tenham conhecimento é que em Peruíbe hoje basta você sair do armário e se declarar homossexual que você logo estará isento do pagamento da passagem como parece querer propor um dos edís mais próximo do terceiro gênero. Mas, mesmo que isso seja um exagero e quase uma licença poética requerida por este escriba, é fato que soropositivos não pagam passagem, assim como deficientes físicos e mentais, aposentados e – pasmem – até mesmo os funcionários públicos!

Vejam. A discussão não é de mérito. Todos estes merecem não pagar passagem no ônibus, assim como não pagam para usar a praia que custa alguns milhões de reais anuais para a prefeitura manter limpa, e não seria exagero dizer que bem que todos poderiam ter “vale-cerveja” e “vale-porção de camarão”, pelo menos para o final de semana… Não seria uma maravilha? Agora, sigamos perguntando: por que é que eu e você temos que pagar passagem, se um soropositivo, um funcionário público, ou aquele malhado senhor de 60 anos não paga, como se isso fosse doença impeditiva de locomoção?

Voltemos à Intersul que este assunto gera polêmica capaz de entupir os servidores do Facebook.

A empresa me parece vítima, portanto, deste algoz e injusto método que oferece benefício a uns em detrimento de outros. O subsídio oficial, então, se faz necessário e urgente, até para salvar a empresa de um processo falimentar iminente. Acontece, entrementes, que até este subsídio é injusto. Engana-se quem pensa que não sou eu e não é você, e até mesmo aquele que nunca andou de ônibus, ou não precisa andar de ônibus, quem é que paga esta conta.

Tinha razão a falecida dama-de-ferro inglesa, Margareth Thatcher, quando dizia que “não existe dinheiro público; existe apenas dinheiro de pagador de impostos”. Neste sentido, claro que o uso do meu e do seu dinheiro, e de resto de todos aqueles que pagam impostos, recebem autorização legislativa para serem usados para benefício de um projeto ou empresa. No caso presente, a Intersul deverá receber um subsídio que chega quase aos R$ 2 milhões este ano, o que é mais que justo. Mas o agente público doador e distribuidor do nosso dinheiro omitiu que esse subsídio não irá fomentar a empresa para permitir que a passagem dos que a pagam seja diminuída de x para y, mas sim – e também – para arcar com o ônus daqueles que andam de ônibus sem pagar, e que são, salvo melhor juízo e contabilidade, a grande maioria dos transportados pela Intersul diariamente entre ruas e avenidas, bairros e zona rural de Peruíbe. Em outras palavras mais claras: o preço da passagem aumentou – e bastante! – mesmo para você que não precisa andar de ônibus!

Por seu turno, a empresa se calou. A polêmica política parece não interessar muito à Intersul, mas sabe ela – assim como sabem todos os membros do Executivo e do Legislativo peruibense – que, saindo ela, por boa-vontade, ou por rompimento unilateral do contrato de concessão, dificilmente outra empresa haveria de querer vir servir Peruíbe para receber R$ 1,70 por passagem de um passageiro pagante contra nove que não pagam. Mesmo com o subsídio oficial.

À margem deste processo não consigo ver ou ouvir vereador – ou mesmo representante da prefeitura – falando do caso das vans, por exemplo, que é outro assunto que torna o contrato de concessão da prefeitura com a Intersul ainda mais draconiano. Também não vejo passageiro reclamando que a van passou superlotada, ou que não passou, ou que não pegou o idoso ou o cadeirante, ou que a passagem é cara. E a mim essa discrepância me parece assaz sintomática: estariam mesmo querendo que a Intersul vá embora da cidade deixando todos aqueles que ela transporta de graça à pé de uma hora para outra?

Pessoalmente eu sou a favor da regulamentação do serviço de transporte alternativo de passageiros, como já andou sendo feito em várias cidades, inclusive da região. Não resta dúvida de que os chamados “perueiros” prestam um relevante serviço à população, mas estariam muito mais seguros – eles e os passageiros – se estivessem regulamentados.

O que não pode, a meu modesto ver, é a Intersul ser obrigada contratualmente a construir e manter pontos de ônibus nas vias da cidade, para as vans deles se utilizarem, numa concorrência que, senão desleal, fere cláusula de exclusividade também prescrita no documento assinado entre prefeitura e a Intersul. E o que não pode é a Intersul pagar o ônus criado e sustentado por leis que foram criadas objetivando o voto, e não a perseguição efetiva da melhora do serviço prestado pela concessionária, em todos os níveis.

Não sei até onde vai a estrutura empresarial da Intersul, se é pequena, grande, se está em outras cidades, e em quantas está. Porém, se eu fosse o dono da empresa, e dependesse só de Peruíbe, eu poderia dizer que estaria frito. E seria sério candidato a acabar drasticamente como acabou – consigo e com a outrora gloriosa Viação Abarebebê – o proeminente e já infelizmente esquecido empresário Joaquim do Val, o Quinzinho. E exatamente pelos mesmos motivos.

O que se reivindica, portanto, é clareza nas explicações e nas intenções de todos quantos se arvoram parecerem salvadores da situação. Sim, porque enquanto muito se discute nos gabinetes e nas redes sociais, o povo assumidamente dependente do transporte público urbano continua lá no ponto esperando, esperando, esperando o transporte que já vem, que já vem, que já vem; mas que nunca vem; ou que, quando vem, está lotado demais para pegar mais passageiros! Até porque é mesmo difícil crer que vereadores que ainda ontem pediam empregos na Intersul para seus correligionários, agora, no calor das reclamações populares, a joguem para o limbo.

Por último deixo a pergunta que não quer calar, e sobre a qual bem merece que se levante nova discussão – nas redes sociais e nos gabinetes oficiais: não está passando da hora de se pensar na municipalização desse serviço? Sim, até porque ônibus a prefeitura tem; crédito para comprar mais também tem; motoristas ela também tem. Por que não municipalizar?

Senhores, a palavra é de vocês.

Washington Luiz de Paula

Peruíbe: 55 anos de chuvas e enchentes

As chuvas de janeiro, fevereiro e março em Peruíbe sempre são um grande transtorno. Atrapalham a temporada de verão, atrapalham as festividades de aniversário da cidade e atrapalham o Carnaval, seguindo por atrapalhar até mesmo a Páscoa.

Sempre foi assim. Não é primazia do governo Ana Preto fazer a chuva acontecer trazendo suas desagradáveis consequências para a população. Mas também não era culpa de Milena Bargieri, de Julieta Omuro, de José Roberto Preto, de Gilson Bargieri, de Alberto Sanches Gomes, de Benedito Marcondes Sodré, de Gheorghe Popescu, de Albano Ferreira ou de Geraldo Russomanno.

A nenhum dos ex-prefeitos em particular deve ser imputada a culpa de Peruíbe estar amarrada aos pés do magnifico cinturão verde da Jureia-Itatins de um lado, e da Serra do Mar de outro, que são pródigos em mananciais de águas e verdadeiras fábricas de oxigênio que, subindo aos céus, faz concentrar as nuvens da sempre benfazeja chuva. A todos eles, porém, deve ser atribuída a culpa pela falta de planejamento no trato com as obras públicas. E isto não é caso recente; é coisa que começou lá atrás, bem lá atrás.

Quando eu cheguei a Peruíbe, em 1967, não havia calçamento ou asfalto. Mas assim mesmo as enchentes ocorriam, embora em lugares determinados, como o Jardim Veneza, por exemplo – e ai está a razão daquele bairro se chamar “Veneza”. O Veneza sempre foi um bairro bem mais baixo que o nível geral da cidade (ainda hoje é, bastando passar na estrada para ver), e ainda hoje é cercada por dois dos rios de Peruíbe e também pelo mangue. Os governantes de ontem e a população do bairro acreditavam que bastava colocar calçamento ou asfalto que o problema das enchentes diminuiria. Ledo engano. Foi preciso desviar o rio para minorar a anunciada desgraça de todo ano daquela sofrida população, numa obra de engenharia que se fosse hoje os ecochatos não permitiriam.

Outros pontos isolados de enchentes eram encontrados, sempre à beira dos rios e córregos, e cito o início da estrada Armando Cunha e o córrego da antiga avenida Ubatuba, hoje avenida dos Expedicionários.

Ora, nós todos sabemos que a chuva em si, seja em que quantidade for, nunca deve ser considerado como um mal. Assim como sol, Deus manda a chuva sobre todos, bons e maus, e ela sempre haverá de ser motivo de bênção para alguém bem-agradecido. A questão, porém, são as enchentes e suas consequências danosas.

No caso de Peruíbe as enchentes não são primazia dos bairros pobres, e não atinge somente aquele que nunca “tem nada”, mas que, invadindo as águas a sua casa, “perdeu tudo”. A enchente causa transtorno e perdas também na principal artéria da cidade – a avenida Padre Anchieta – e o bairro mais nobre, onde só mora “bacana”, que é o Boungainvillée.

E a que isso se deve? De quem é a culpa, afinal? A culpa é da Ana Preto, prefeita? Talvez seja, ou talvez venha a ser daqui um ano ou mais. Agora, eu digo: não é tanto culpa dela quanto culpa também é dos prefeitos que passaram pelo paço municipal.

Nesta busca por culpados – o que o brasileiro faz sempre depois que o acidente acontece – há dentre estes também o povo que não consegue ter a educação para descartar melhor o seu lixo, e continua jogando móveis velhos no meio da rua, do mato, dentro de córregos e até no rio, muito embora caiba ao poder público também o gerenciamento e a fiscalização destes atos que evidencia os costumes de uma gente que prefere reclamar por ações mais presentes dos agentes públicos, não sendo capaz de se reunir na comunidade para ajudar a manter limpa sua rua, praça, o manancial de águas que está perto de sua casa.

Consubstanciado com isto encontramos a falta de planejamento quando do calçamento e asfaltamento da cidade, mas principalmente dos bairros periféricos. E ai sim a culpa é dos prefeitos e prefeitas que passaram por Peruíbe. Mas, insisto: ainda não é culpa de Ana Preto, atual prefeita.

Querer imputar culpa à atual prefeita pelo que a população “paga” hoje por erros cometidos no passado, quando mais uma chuva torrencial caiu sobre a cidade causando os previsíveis transtornos a todos – pobres e ricos – é mostrar o quanto se está cego e conduzido pela propaganda dos algozes da atual administração que tudo fazem para criticar, mas que não têm a coragem de dizer a que interesses servem, não arregaçam as mangas para ajudar no salvamento de vidas e de coisas daqueles que prestes estão a perder seus bens, e não abrem os olhos desta mesma população numa campanha que vise buscar soluções – e não críticas vagas – para que o problema de hoje não se repita amanhã.

Você que me lê agora de repente foi um daqueles que pediram urgência no calçamento de sua rua. Se anunciassem que o calçamento ou o asfalto seria precedido de estudo prévio de escoamento de águas pluviais, de obras para instalação de galerias subterrâneas, e que isto tudo demandaria dois anos para acontecer, você reclamaria. Então o prefeito (ou prefeita) vai lá e joga um caminhão de lajota sextavada ou de asfalto em frente de sua casa e a deixa uma beleza. Semanas depois a chuva vem, faz buraco no asfalto, desmonta as lajotas e as águas, não tendo para onde ir, invade sua casa, e você perde tudo. Triste não? Mas é esta a realidade de 90% dos casos de enchentes que nós vemos em Peruíbe, em Itanhaém, em Itariri, em São Paulo ou em qualquer lugar do Brasil e do mundo (Os Estados Unidos têm enchentes e enormes desastres naturais, assim como a Inglaterra, a França, o Japão…).

O início da pavimentação da cidade – lembro-me bem – se deu com as famosas lajotas sextavadas feitas de cimento e areia de construção. O trabalho de colocação destas lajotas era manual, e dava gosto ver esta verdadeira obra de arte que cobria a areia sobre a qual todos nós estávamos acostumados a patinar. O mato, contudo, teimava em crescer por entre as frestas entre uma lajota e outra, e o que poderia até dar um charme a mais à cidade com aquele verde enfeitando as lajotas desde que bem aparadinho, evidente, serviu de motivo de reclamação general, até que a prefeitura não encontrou outra solução que tapar as frestas com cimento. A gênese dos problemas com enchentes acontecia ai: a chuva vinha, as águas não tinham mais como se infiltrar entre as frestas das lajotas, corriam para as guias desprovidas de bocas-de-lobo, e iam parar no rego mais próximo. Quando não o encontrava, invadia as casas.

A “brilhante” solução viria depois, com o asfalto. A sanha e a saga sempre inconfessável de ex-mandatários de fazerem contratos absurdos para asfaltar toda a cidade ao toque da caixa, transformou a cidade no que ela é hoje: um enorme reservatório de águas a céu aberto, desde que as chuvas caiam como caíram ontem, e como continuarão caindo até março pelo menos. Betume de péssima qualidade, serviço de quinta com preço de primeira, uma passada de margarina sobre o pão das ruas maquiou Peruíbe, e a transformou, em dias de sol pelo menos, no sepulcro caiado, tão bonito por fora, mas por dentro uma podridão.

Pois bem. Chegamos aos tempos atuais. A revitalização asfáltica de vias da cidade a ser anunciada para ter seu inicio nesta semana de aniversário da cidade preocupa até o ponto em que se venha a saber que o que se vai fazer, ou se pretende fazer, seria a mesmíssima coisa que todos os ex-prefeitos e ex-prefeitas fizeram até aqui. Ana Preto que começa seu governo – com seu próprio orçamento – neste ano, tendo passado o primeiro ano de sua gestão administrando as mazelas do governo predecessor, deverá sentar no banco dos réus e deverá figurar o rol dos culpados se fizer o que até aqui tem sido feito, no que eu não creio. Mas isto a gente só vai poder ver amanhã, daqui um ano, dois, ou no ano em que ela pretenderá se reeleger.

Aqui, agora, hoje, Ana Preto não tem culpa. Ponham a mão na consciência e pensem: É justo sacrificá-la por não ter conseguido corrigir em um ano todas as mazelas feitas em 55 anos? Conheço um só que pagou com seu próprio sangue pelos erros cometidos por toda uma humanidade desde os princípios dos tempos até hoje, e Ana Preto, convenhamos, está bem longe de ser Jesus Cristo.

Ou será que você prefere estar entre aqueles que gritam por soltar Barrabás para que ele volte a cometer os crimes que cometeu?

Washington Luiz de Paula

Nota de Esclarecimento: Eu não sou assessor da prefeitura!

Para que prevaleça a verdade quero deixar bem claro que eu, Washington Luiz de Paula, RG 9.324.241-4 SSP/SP, NÃO sou assessor da prefeitura municipal de Peruíbe, nem presto qualquer tipo de serviço remunerado para a prefeitura ou para qualquer pessoa ou empresa ligada à prefeitura.

Se me perguntarem se eu gostaria de ser assessor, diretor, secretário, aspone, ou seja lá o que for, eu respondo que sim. Eu preciso trabalhar como qualquer pessoa deste mundo, por um motivo simples: porque eu como, bebo, me visto, me calço e tenho despesas regulares de aluguel, luz, gás, água, como qualquer um de vocês. E o trabalho na prefeitura ou câmara é digno também, como qualquer trabalho.

Mas eu não sou! Embora não tenha satisfações a dar a ninguém, durante o ano de 2013 eu recebi a importância de R$ 1.000,00 pela campanha de prevenção à dengue que foi levada a efeito em meu blogue, dos quais restam recibos e outros documentos junto à agência que administrou a verba para esta campanha.

Tudo que tenho escrito e publicado no meu blogue com relação à administração municipal se deve à liberdade que eu tenho de usar uma ferramenta que é minha para divulgar algo em quê acredito. E eu acredito nesta administração comandada pela prefeita Ana Preto, e ela não precisa me pagar para que eu diga isso a ela, da mesma forma como tem um exército de pessoas que fazem até hoje a campanha de Gilson Bargieri, de forma direta ou indireta, também sem ganhar nada, o que é também louvável.

Ninguém e obrigado a gostar de mim, nem eu obrigado a gostar de quem quer que seja.

Diferente de uns e outros que não têm a coragem de vir a público para esclarecer que vivem do dinheiro público repassado por uma estatal à sua organização não social, e que não têm vergonha de gastar desse mesmo dinheiro público – meu dinheiro, e seu dinheiro! – enchendo a cara de cerveja nos botecos de Peruíbe, e que, por não ter outra atividade mais útil à sociedade prefere prestar o desserviço que presta a Peruíbe e à sua história, eu digo para vocês que vivo da ajuda que meus poucos anunciantes me emprestam, e não tenho vergonha de dizer que meu orçamento familiar é complementado pela aposentadoria de minha esposa.

Se amanhã a prefeita Ana Preto me chamar para assumir um posto na prefeitura, eu aceitarei. Não me faço de rogado nem de orgulhoso. Não vivo de diz-que-diz-que, tenho o meu talento, e agradeço a Deus pelo que sei e pelo que faço.

Aborrece ver que meia dúzia de abutres em Peruíbe torce para que a desgraça caia sobre a cabeça do povo mais simples da cidade somente para ter motivo e assunto para dizer que a culpa é dessa e daquele. Mas estes mesmos não são capazes de deixar a sua zona de conforto para arregaçar as mangas para ajudar o próximo. E, pior: usam de uma técnica sórdida e covarde para dizer que a culpa pela desgraça é sempre de seus desafeitos políticos e de seus inimigos pessoais.

Repetindo, portanto: não sou assessor da prefeitura! Mas apoio tudo quanto vem sendo feito até aqui por Ana Preto e sua equipe, simplesmente porque eu quero o bem de Peruíbe. Querem me chamar de puxa-saco, baba-ovo, o façam. Mas não joguem a população vitimada pela desgraça contra mim ou contra quem quer que seja.

É isso.

Washington Luiz de Paula

O Rubicão do Paulão: ele passa ou não passa?

Alea Jacta Est. A sorte de Peruíbe está lançada desde 1º de janeiro do ano passado. Portanto, não adianta outra coisa que torcer pela coisa dar certo, como certo haverá de dar pelo menos como prognóstico do que está encerrado a cadeado no coração e na mente do emblemático Paulo Henrique Siqueira, o todo-poderoso secretário de Planejamento da Prefeitura Municipal de Peruíbe.

Eu admiro a coragem e o denodo de Paulão. E vou me antecipando aqui para dizer para vocês, meus diletos leitores, que eu não duvido uma só vírgula que Paulo Henrique Siqueira vai vencer, não obstante todos os reveses que seus algozes lhe põem em meio à sua caminhada. Sim! Terá sido Paulo Henrique Siqueira a vencer – não o governo; e não a cidade! Ou será que, depois de ter dado certo tudo quanto está nos planos desse nosso Don Quixote, haverá alguém que também queira compartilhar consigo dos louros do pódio? Não duvido. Conhecendo Peruíbe e essa desavergonhada casta política que se sustenta do suado dinheiro de seu povo, não duvido também nem um pouco que, depois, tendo dado tudo certo conforme o script pauliniano, todos haverão de querer abraçar a causa que até aqui tanto vilipendiam, e até torcem para não dar certo, simplesmente porque não querem estes que seja ele, Paulão, a vir a ser considerado o mentor e o autor da façanha de atravessar rio tão caudaloso como este Rubicão tupiniquim.

Aliás, é vergonhoso saber que tem tanta gente que se acerca de seu trono para reivindicar um lugar à mesa do primeiro ministro, mas que não perde oportunidade de, assim que vira as costas, descer a pua naquele que trabalha, não para o seu próprio bem, mas para o bem comum, o bem de todos.

Existem dois grupos distintos destes algozes. Os declarados e os velados. Ambos sofrem da inveja e da obsessão por não estarem no poder, ou por não fazerem parte dele. Incapazes de terem logrado o sucesso nas urnas, choram uma viuvez perene que dura a “eternidade” de quatro anos, até que tentem novamente o poder. Os primeiros, contudo, ainda têm o brio de mostrarem suas caras. Não temem represálias ou perseguições. Têm as suas opiniões que, ainda que não concordes com as opiniões daquele que governa, são válidas porquanto a crítica sempre é válida – e sempre necessária num processo democrático como o que vivemos. Já os segundos, aqueles que se escondem por detrás da máscara criminosa e assassina do anonimato eu diria que estariam subdivididos entre aqueles que são simplesmente covardes e aqueles que são anarquistas, vândalos, que têm o sórdido prazer de atacar por atacar, ainda que tenham uma mente suficientemente burra para sequer saber no quê atacam, e por quê atacam.

Graças a Deus ambos estes grupos são pequenos. E, graças a Deus ainda, ambos não tendem a crescer, ainda que usem as redes sociais para conclamar o povo em torno de seus ideais para lá de suspeitos.

A grande falha da administração municipal de Peruíbe talvez esteja em seu mecanismo de comunicação e de divulgação daquilo que vem sendo feito no dia-a-dia da prefeitura, nas obras, na saúde, na educação, na habitação, na cultura, no turismo, nos esportes. E talvez nisto resida o maior dos pecados que Paulão possa ter: o de não acreditar ele – e justamente ele que é publicitário e marqueteiro – que só a propaganda é capaz de vender qualquer coisa. Não! Eu não estou falando da propaganda maciça para o show do aniversário da cidade com a estrela Ivete Sangalo. Não! Eu estou dizendo é daquelas iniciativas pequenas tomadas pelo mais simples funcionário público que tem feito uma enorme diferença na vida do cidadão peruibense.

Por conseguinte, falha o planejamento da prefeitura em não acreditar nos seus próprios números ou nas suas próprias estatísticas. Ou alguém duvida que para cada pessoa que foi mal atendida no UPA existam pelo menos 10 que foram muito bem atendidas no mesmo UPA? Você duvida que para cada pessoa que morreu no sistema de saúde do município por suposta falha médica ou falta de algum insumo ou ainda falta de se conseguir uma vaga nos hospitais da região, não tenham sido salvas cem, duzentas, por um atendimento médico-hospitalar e de urgência que está longe de ser o ideal, mas que está muito melhor do que sempre esteve?

Quem sabe dizer quanto do orçamento municipal vem sendo empregado na saúde pública, que eu tenho certeza ser bem mais que os 15% mínimos propostos pelas leis de responsabilidade fiscal?

Quem sabe com minúcias dizer da qualidade do ensino público municipal, do que vem sendo servido aos alunos na merenda escolar, e das condições dadas aos professores e demais funcionários da educação com os 25% do orçamento que obrigatoriamente devem custear a educação em Peruíbe?

E as obras? Quem sabe dos equipamentos que estão sendo construídos para dar mais qualidade de vida à nossa gente? Quem divulga os mutirões de limpeza que fazem um esforço descomunal para agradar a tantos mal-agradecidos que não têm a mínima paciência para compreender que o mato cresce assim que aquele que capina deixa a rua e a praça que acabou de capinar, e que precisa estar em outro lugar onde o mato já cresceu, mas que vai voltar logo para onde começou sua empreitada quase inglória contra o mato que cresce e nunca para de crescer?

Com tudo isso, ainda que esta falha seja – acredito – reconhecida até mesmo pelo grande visionário que é o dileto Paulo Henrique Siqueira, ainda assim eu tenho que reconhecer que Peruíbe vai contabilizar um assombro de progresso ao final dos quatro anos que o povo – o povo! – delegou ao atual governo comandado por Ana Preto.

O que tenho visto até aqui de uma campanha de “oposição” nas redes sociais, e, imagino, nas esquinas malditas da cidade, já vi, vivi e revivi no passado. O problema da “oposição” não é o governo, nem a cidade, nem a prefeita Ana Preto. O problema destes apóstolos do quanto pior melhor tem nome: Paulo Henrique Siqueira; e tem codinome: Paulão.

Sei que muita gente se enoja dos meus escritos justamente porque tudo que escrevo, escrevo baseado no que conheço e no que acredito. Estes chegaram ontem na cidade, e não passam de uns aventureiros. Eu não tomo por vitupério dizer que faço parte da história política de Peruíbe, porque eu a conheço! Então, se conformem. Dos 55 anos de nossa cidade, eu respiro 46. E só dou ouvidos aos argumentos de quem conheça o município tão bem – ou quem sabe melhor – do que eu o conheço.

No governo de Mário Omuro (1989-1992), o “Paulão” da vez era o troglodita Itamar Baptista Campos e o “Rasputin” Plínio Pinto Teixeira, advogado e hoje desembargador no Tocantins. Todo mundo achava que se o prefeito Mário Omuro mandasse embora um e outro, Peruíbe mudaria mesmo. Para melhor.

No governo de Alberto Sanches Gomes (1997-2000), o “Paulão” era o indolente Eduardo Monteiro Ribas. Lembro que até eu cheguei a sugerir para o prefeito Dr. Alberto que o mandasse embora para ver se os que atacavam o seu governo se acalmavam. Dr. Alberto fez ouvidos moucos às sugestões das ruas.

Gilson Bargieri, que governou a cidade de 2001 a 2004 tinha uma coleção de “Paulões”. Dulciro Roberto Modesto, Carlos Bex, Tamada e Saga, sofriam a malhação das vozes roucas das vielas da cidade, vozes essas que Gilson sequer parou para ouvir. Os esportistas da cidade chegaram a fazer um movimento pela derrocada do então secretário de esportes, Carlos Bex (o Carlinhos Batatinha, esse mesmo que serve hoje no Gabinete da prefeita Ana Preto). Conta-se que Gilson reuniu os manifestantes no Gabinete e mandou chamar Bex para enfrenta-los, e, na frente de todo mundo disse: “Esse sujeito aqui amassou lama comigo na campanha; vocês querem, mas eu não quero manda-lo embora”. E não mandou.

José Roberto Preto (2005-2007) tinha também o seu “Paulão”. E este era José Carlos Rúbia de Barros, o Carlinhos, que, mesmo tendo sido vereador, presidente da câmara, vice-prefeito, seu grande sonho era ser prefeito – e acabou sendo mesmo prefeito, ainda que só por decreto. Ah, quantos não se morderam, não conseguiam dormir, e acabaram morrendo de ódio e inveja dele. Lembram?

Dra. Julieta Omuro (2008) também teve seus “Paulões”. O primeiro foi o linha-dura do funcionalismo público, cuja escola era a do “professor” Sodré, Odair Neves do Prado, nomeado seu chefe de gabinete. O segundo foi aquele que a deixou com o pires na mão.

Milena Bargieri (2009-2012) amargou ter que engolir um “Paulão” do tamanho da autoridade de seu próprio pai, Gilson Bargieri, que talvez tenha sido o único dos “Paulões” até aqui que, vitimado por uma odiosa campanha da “oposição”, acabou caindo mesmo, embora tivesse continuado mandando no governo da filha – que era o que interessava, convenhamos.

Chegamos aos dias atuais. Ana Preto tem em Paulo Henrique Siqueira o seu “Paulão”, este, porém original. Original e plenipotenciário. E, não obstante todo o poder que tenha em mãos, ele é o único de todos os “Paulões” dos que passaram por Peruíbe que tem um norte, que tem uma visão, que tem uma missão, e que está determinado a cumpri-la, não porque queira enriquecer a custa dos cofres públicos, não porque tenha sede do poder, não porque seja mesquinho em pensar somente em si, mas porque quer findar sua passagem pela administração pública e provar, para ele mesmo e para toda a população de Peruíbe, que é possível sim resgatar Peruíbe do limbo e torna-la numa cidade moderna e progressista.

Se conseguir este feito, Paulão terá mostrado a todos nós que ele mesmo deu o exemplo ao não estar preocupado em saber o que Peruíbe poderia fazer por ele e por suas meninas, mas em o quê ele mesmo poderia fazer por Peruíbe.

O menino que passou meses se tratando de uma depressão por ter sido lançado ao ostracismo justamente por aquele que ele mais ajudou, e que chegou a passar fome, a sentar numa mesa de bar e pedir que lhe pagassem um guaraná ou um pedaço de pizza, e que viu muita gente que o cerca hoje não lhe dar sequer uma carona em meio ao sol escaldante, poderá, afinal, repetir Júlio César para dizer, tão logo tenha atravessado o seu Rubicão, em 31 de dezembro de 2016: Veni, vidi, vici (Vim, vi e venci).

Eu creio nisso. Você não crê? Se não crê, aguarde. Para você, repito Alessandro Manzoni em “Il Cinque Maggio”: Ai posteri l’ardua sentenza.

Washington Luiz de Paula

Grupos do Facebook: ame-os ou deixe-os

Estou abandonando todos os grupos do Facebook neste exato momento, à exceção daqueles que eu mesmo criei e pelos quais tenho interesse comercial direto.

O motivo é simples: é uma perda de tempo inestimável essa coisa de ficar administrando o que se deve postar neste grupo e o que se deve postar naquele, e o retorno que é bom, ou que seria bom, é zero.

Eu que vivo exclusivamente de meu blogue preciso que ele me dê dinheiro para o meu sustento. A química é simples (sempre lembrando o saudoso Oswaldo Herrera): eu trabalho porque quero; porque quero comer! E o dinheiro me vem de publicidade e de doações dos meus leitores.

Caminhando para quase quatro anos de atividade, se recebi R$ 30 em doações como resposta das várias campanhas sazonais e permanentes que fiz foi muito. E anunciantes diretos eu os tenho na conta dos dedos de uma das mãos.

Você dirá: mas que obrigação eu tenho de ajudar esse “blogueiro metido a jornalista”, no dizer daquela esquizofrênica de plantão ai nestas paragens? Claro que nenhuma, na mesma proporção que você não tem obrigação de continuar ajudando a enriquecer a família do Abílio Diniz fazendo suas compras no Extra, ou o dono daquele fast-food famoso comendo seu hambúrguer de minhocoçu, ou comprando sua pizza na pizzaria do bairro para ajudar o dono de lá a manter seu negócio, mesmo que a duras penas. Se bem que estas coisas das necessidades das lombrigas dificilmente tenham alguma coisa a ver com as do cérebro – a menos que elas subam para lá e comecem a saltar pelos olhos…

Mexer com dinheiro é complicado mesmo. Quem tem, tem; quem não tem; não tem. Veríssimo, através do seu “Analista de Bagé”, foi quem disse que “dinheiro é igual hemorroida: quem tem não conta!”. Verdade. Eu, como sou um desavergonhado, confesso que não tenho aquele, mas tenho esta!

Mas eu estou deixando os grupos todos dos quais faço parte no Facebook. E peço encarecidamente que não me convidem para fazer parte de nenhum outro, que declinarei, ainda que com polida educação.

Estou ressentido? Estou. Os 20 e tantos grupos dos quais faço parte hoje – e dos quais me despeço – reúnem bem mais que 100.000 almas viventes. Só o grupo “Fazer Peruíbe Acontecer” conta com um amontoado de perto de 6.000 peruibenses, peruibanos e peruibanas. Se 20% desse povo visitasse meu blogue pelo menos uma vez por dia, eu já contaria com uma média de 1.200, 1.500 visitas diárias, o que aumentaria o tráfego de meus anúncios indiretos. Com isso eu ganharia pela visualização desses anúncios, e, se dessas visualizações viessem cliques nos anúncios, seria um tanto melhor. Se negócios fossem concretizados, melhor ainda!

Em meu “In Lápide” eu escrevi que “…dos que hão de vir / talvez pra chorar / talvez pra florear / e quem sabe cobiçar / essa alma fugaz / que encontrou a paz.” Está ai: paz encontrada. Chore. Ria. Comemore. Solte um foguete, mas não acerte a cabeça de ninguém!

Mas, me vou. Um pouco e não me vereis, repetindo o mestre JC. Mas vocês saberão onde me encontrar. Seja através de meu blogue, de meu perfil, ou de minha fan page. Querem continuar me vendo? Curtam lá.

Fui.

Washington Luiz de Paula

Queria entender…

Queria sinceramente entender suas preferências e escolhas…

Queria também que meus credores entendessem estas suas escolhas e preferências…

Você, que já enricou o religioso supremo em período de menos de um ano, tirando-se de uma situação pré-falimentar quando sequer a prestação de um carro podia honrar, mas que agora pode comprar à vista um solar lá no céu junto às estrelas chamadas de “Três Marias”, bem poderia ser mais justo com todos os seus amigos, principalmente com aqueles que passaram pelas agruras pelas quais você mesmo passou, num tempo em que ninguém queria saber de você, sequer para lhe dar uma carona, e que hoje nojentamente lhe bajula não pelo que você é, mas pelo que de poder que você tem à mão.

Mas, que obrigação tem você para este ou aquele? Que obrigação tem você para comigo? Respondo: nenhuma! Portanto, se assossegue.

Tudo o que eu queria mesmo era ter independência financeira o bastante para poder encher a boca e, ao invés de dizer que entendo você, manda-lo solenemente à merda! E como não tenho essa independência, e como migalhas ainda teimam por me sustentar, eu me calo. Calo-me e sofro. Sofro e morro a cada dia um pouco diante de minha própria incapacidade de suplantar o vaticínio de meu pobre e falecido pai, que era quem dizia: “esse meu filho é inteligente; só não sabe ganhar dinheiro”.

Luiz de Paula tinha razão.

Washington Luiz de Paula

Esse empresariado mesquinho de Peruíbe…

Vivo, mal e parcamente, há algo em torno de 35 anos do jornalismo em Peruíbe. Escrevi para o Jornal Atlântico (de Mário Omuro), e para o pioneiro “Panorama”, fundado pelo José Bruno Filho (primeiro jornalista e primeiro farmacêutico de Peruíbe), quando seu filho Paulo Bruno o “vendeu” também para Mário Omuro, ainda na década de 70, no século passado.

Depois tentamos ressuscitar o “Gazeta de Peruíbe”, fundado por outro eminente jornalista – e político – da cidade, Abram Jacob Wizentier, em parceria com Manoel Mota Neto (Motinha), oriundo dos porões da Ditadura onde apanhou o quanto aguentou, pelas mãos do filho do então já falecido Jacob, Marcos Ensel Wizentier (Marquinhos), ex-vereador, comerciante e entusiasta dos esportes da cidade. A tentativa não passou de duas edições.

Em 1983 fundei o “Jornal das Estâncias”, em parceria com Manoel Mota Neto, desejosos que estávamos de conseguir apoio logístico e financeiro da então FUMEST – Fomento para Urbanização e Melhoria das Estâncias, onde Mário Omuro era o diretor financeiro (“dono” da grana, portanto) para a empreitada, que também não passou de duas ou três edições pagas por Mário Omuro, com dinheiro de seu próprio bolso.

Em 1986, resolvi partir para carreira solo. Manoel Mota, que viera de Itanhaém, onde trabalhara para o “Repórter do Litoral”, da família “Metralha” daquela cidade, já vinha de ter o seu próprio periódico: o “Jornal Caiçara”. E eu fundei sozinho o “A Notícia”.

Três anos depois, em 1988, o jornal virou revista, e o passei para Milton Pedra Beccaro, que acabou levando-o para Santos.

Naquele mesmo ano, em novembro, para comemorar a vitória de Mário Omuro com seus 54% de preferência do eleitorado, fundei o “Acontece” que, depois de 178 edições, e 17 anos de muitas lágrimas derramadas, em 2005, acabei por passa-lo para o então presidente da Associação Comercial de Peruíbe, João Fioribelli (Di Fiori) que, não aguentando o tranco, o passou para Heitor Pires, seu atual proprietário e responsável.

Não foi uma venda propriamente dita. Troquei-o por um Chevette ano mil e alguma coisa, caindo aos pedaços, cujos pedaços terminaram de cair nas mãos do ex-vereador Cícero Rodrigues da Silva para quem o vendi em mil parcelas que eram pagas na mesma proporção em que os pedaços do carro iam caindo pelas ruas da cidade.

Mas esta “venda” para Di Fiori não foi mais do que uma provocação. Semanas antes de bater o martelo neste negócio espetacular, eu fizera uma pergunta ao representante do empresariado local, o próprio Di Fiori, ali no Bar do Gordo, entre uma cerveja e outra, e uma dentada e outra no joelho de porco que o Gordo Dib fazia tão bem: “João, me diga uma coisa: quanto é que você gasta por mês entre cigarro e cerveja?”. Ele não se fez de rogado: “Uns três mil mais ou menos”. E eu retruquei: “Pô, e você não tem coragem de fazer um anúncio de 20, 30 reais no meu jornal, alegando que não tem dinheiro?”. Ele desconversou.

A maneira de me vingar foi pegar logo o Chevette preto das mãos dele, e passar para estas mesmas mãos o Acontece.

O pensamento de João Di Fiori não é exclusivo dele, porém. Está no inconsciente coletivo do empresariado local: não faço anúncio fora da temporada porque estou quebrado; não faço anúncio dentro da temporada porque não tenho como atender mais gente.

Quem sobrevive de propaganda em Peruíbe sabe do que estou dizendo. Admiro, aliás, Adelino Soromenho, do “De Mão em Mão”, pela coragem e paciência com que ele se entrega ao sacerdócio de pescar anúncios de R$ 20, e de, depois, ao ir cobrá-los, ter que pedalar sua bicicleta três, quatro, cinco vezes para buscar esta migalha, sempre ouvindo as mesmas respostas: não tenho dinheiro hoje, estou sem talão de cheque, passa depois…

Lembro-me do pessoal de “O Mirante” chegando a Peruíbe em 2004 com um aparato profissional de dar medo aos decanos do jornalismo local (dos que estão por ai ainda): eu e Alberto Talauskas, do “Jornal de Peruíbe”. Estão eles ainda vivos? Estão. Foi-se embora Marcos Asa, Guto foi para o “Ágora”, e André Santana abraçou o “O Mirante” numa quase senil esperança de tentar ver melhor norte para o jornalismo local a partir dele.

Não, meus senhores. É fácil para o empresário local, principalmente em tempos eleitorais como este pelo qual estamos passando, cobrar imparcialidade, investigação, denodo e coragem dos jornais e jornalistas; mas, na hora de enfiar a mão no bolso, o escorpião aparece logo para lembrar que pode picar!

Que resta, pois, aos profissionais da imprensa numa cidade tão pequena e provinciana, de empresariado tão mesquinho e burro como esse que temos senão acabar se entregando para as correntes políticas, de direita ou de esquerda, do bem ou do mal?

A questão histórica de Peruíbe neste campo é de que a inveja grassa no meio da sociedade peruibense, e ninguém ajuda ninguém porque simplesmente não quer ver ninguém bem, ninguém melhor que ele. Basta você ver que se alguém aparece com um carrão novo passeando pela cidade, não demora a circularem rumores de que está traficando, roubando, ou estaria servindo de laranja para algum contraventor ou criminoso.

Todos conseguem olhar tão-somente para os seus próprios umbigos. E só.

Ninguém pergunta quantas vezes foi você processado, quantas vezes condenado, quantas vezes sofreu revezes, injustiças, perseguições, agressões físicas, ameaças até de morte. Quanto gastou com advogados, com tempos, com viagens. Sequer querem saber quanto custa uma edição em uma gráfica!

E posso dizer que tudo isso já sofri! Só em uma condenação, em 2004, foram R$ 40.000,00 numa ação que Gilson Bargieri moveu contra mim, e que até hoje não fiquei sabendo se foi o próprio Gilson quem ma perdoou, ou se foi José Roberto Preto quem a pagou. Se um ou outro não tivesse tomado sua atitude, eu estaria enroscado até hoje, quem sabe teria ido até preso por isso.

Mas, se não fui preso por isso, fui por outra coisa. Vítima de uma armadilha preparada por políticos desafetos locais, quando vinha do Paraguai onde fora comprar um computador para uso pessoal, junto a policiais rodoviários que comiam e pescavam na fazenda de um destes políticos, acabei sendo preso em flagrante por descaminho e, depois o processo extraviou, sumiu, e eu acabei ficando 17 dias recolhido numa cela especial na cidade de Eldorado. Notem que ninguém vai preso por “descaminho”, a não ser por contrabando de armas ou drogas. Mas eu fui! Mesmo sendo primário, tendo residência fixa, documentos em dia, trabalho e formação, eu fui. Fui preso! (Em tempo, devo a minha soltura e o “achado” do processo que fora parar em São Paulo embaixo de uma enorme pilha de processos, ao então presidente do SINTRAPE, José Alves de Aguiar, ao Dr. Toni [advogado e professor em Santos], ao Dr. Mundi, do Ministério Publico Estadual, e a José Roberto Preto, à época já prefeito eleito).

Você que está lendo isso, que é empresário da cidade, me responda: no que isto lhe interessa? Sua resposta é simples: em nada! Claro. Você não é mais que um dos que somam a turba que querem ver mesmo é o circo pegar fogo e, quem estiver embaixo da lona, que se ferre. Mas não pensa que, quando você vier a precisar da saúde pública, da escola pública, do transporte público, da segurança pública, da limpeza pública, de impostos mais justos, você não terá ninguém que o defenda, porque a Imprensa, que deveria ser o Quarto Poder, se mancomunou com a sordidez dos políticos corruptos, tudo porque estes profissionais – e seus filhos – também sentem fome, e precisam comer.

Olhe para si mesmo agora e reflita se isto é justo. Há jornais, rádios, revistas, programas de televisão, portais e blogues na internet em Peruíbe. Não creio que nenhum deles gostaria de dizer para você que infelizmente não é independente porque você é um dos que preferem gastar dezenas de reais todos os dias numa maquininha caça-níqueis no boteco da esquina, mas não quer prestigiar a Imprensa de sua cidade!

Mas eu digo. Tenho moral para dizer isso. Tenho história para encher a boca e jogar isso na sua cara. Até porque, basta você ver que (veja aqui), das centenas de comércios e empresários da cidad