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Errata: Julieta está no PPS, e não no PMDB (Um pouco dessa história)

Da Redação

Matéria publicada ontem aqui (veja aqui) levantando dúvida sobre rivalidade política que haveria entre Ana Preto (PTB) e a prefeita Milena Bargieri (PSB) contem um erro que precisa ser reparado: A ex-prefeita Julieta Omuro não está mais no PMDB, e sim no PPS, por onde pretende se lançar candidata a prefeita no ano que vem.

O erro se deu pelo que se pode chamar de “força do hábito”, já que Julieta é esposa do também ex-prefeito Mário Omuro, cuja trajetória política começou nos áureos tempos do velho “Manda Brasa” (MDB), partido que se transformaria mais tarde no PMDB. “Não consigo dissociar um membro da família Omuro do PMDB”, lembra o sempre saudosista Washington Luiz de Paula, dono e responsável por este blogue. Para ele, a saída de Mário Omuro e Julieta Omuro do PMDB é um disparate, na mesma proporção em que foi disparate o partido de gloriosas lutas contra a Ditadura Militar pós 1964 receber em suas fileiras nomes como os do ex-vereador Anielo Pernice Neto (já falecido), e – pior ainda – do ex-prefeito Benedito Marcondes Sodré, histórico inimigo dos peemedebistas peruibenses.

A verdade é que o PMDB começou a perder sua identidade e a desintegrar com a divisão da qual resultou o nascimento do PSDB, para onde foram valorosos soldados da Oposição como Mário Covas e José Serra, para citar dois nomes de projeção nacional. De mesma projeção ficaram na agremiação, Ulysses Guimarães e Orestes Quércia. Ulysses, que foi o presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1988 tinha autoridade nada contestável sobre o partido, autoridade esta que, em São Paulo, era repassada para Orestes Quércia, que tinha o PMDB como um de seus filhos.

Com o falecimento de ambos, o partido ficou à mercê dos vendilhões. Recente pesquisa da ONG “Transparência Brasil” dá conta de que o partido é um dos campeões em escândalos de desvios de dinheiro público, e seus representantes no Congresso Nacional liderando o ranking de deputados e senadores com mais processos na Justiça.

História se repete em Peruíbe

Se vivo estivesse, ou se for possível a indignação de onde está, Victor Caetano dos Santos (emancipador e vereador de 1960-63), cuja família corajosamente abraçou a Oposição nos anos de ferro da política brasileira (e municipal), o saudoso Victor certamente não ficaria calado ante o virulento atentado que feriu de morte o PMDB, que foi a admissão dos inquisidores das antigas Arena e PDS em suas fileiras.

Washington lembra que quem segurava Mário Omuro e Julieta no partido era Orestes Quércia, que tinha uma consideração especial, não só pelos membros da família Omuro, mas, sobretudo pela família Wizentier, representada pelo seu filho Marcos Ensel (Marquinhos), ex-vereador, falecido precocemente aos 36 anos de idade em 1998. “Houve uma tentativa uns dois ou três anos antes de Quércia falecer de tirar o partido das mãos de Mário Omuro em Peruíbe, tentativa esta patrocinada pelo deputado Jorge Caruso, então líder do PMDB na Assembleia Legislativa, e com o conhecimento e complacência do ex-vereador Manoel Reis Guedes, por sua vez líder do PMDB na Câmara de Peruíbe”, lembra Washington. A intenção era entregar o partido para o então vereador Anielo Pernice Neto, irmão de Ordem de Caruso.

O atentado, porém, não logrou êxito: Quércia foi enfático em lembrar que ninguém tirava o PMDB de Mário Omuro em Peruíbe.

Mas não demorou em que Mário Omuro cedesse. O partido que já viera de receber Sodré como filiado, evento que foi comemorado como uma “grande aquisição” do “articulista” Manoel Reis Guedes, acabou recebendo também Anielo e, com eles, muitos de seus simpatizantes. Resultado: o partido inchou, e a família Omuro esvaziou.

A ida de Julieta e de Mário Omuro para o PPS marca o fim de uma epopeia. Para Washington, “os dois saíram do PMDB, mas esqueceram de suas identidades políticas lá. E, sem essa identidade – vaticina – jamais voltarão a serem o que já foram. Jamais voltarão ao poder municipal novamente”.