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Prefeito Juninho: A mão que empunha o ferrão!

Embora com tão pouco tempo em Prados, e aqui decidido a ficar pelos anos – que espero muitos – que me restam, é marcante a experiência que tenho vivenciado, em aqui estando, e de modo muito especial nas pelejas da política que parece mesmo ter sido o norte que me conduziu pelo curso de pelo menos 45 anos dos 62 que já vou desde logo comemorando, antes que 4 de novembro chegue.

Trago na alma os louros do aprendizado que a vida me concedeu, mas também as marcas das feridas deixadas pela insistência de ter sido movido pelo destino à lide da informação e da notícia. Porquanto isso, quem logra pensar que esta tarefa de escrever a história e os fatos é tarefa fácil, está enredado pelo engano ledo. Afinal, além do dom para a escrita, é necessário ter coragem e, sobretudo, responsabilidade; responsabilidade e coragem. É preciso ao plumitivo a certeza de que uma palavra mal colocada, uma vírgula em lugar inadequado, uma frase mal formulada pode promover a derrocada de uma instituição, de uma empresa e – o que é mais grave – de um semelhante! Na vertente contrária, o louvor do jornalista pode fazer crer que seja merecedor do elogio e de aplausos – até mesmo quem não os merece!

Trago para Prados esta minha bagagem, e dela me permito extrair conceitos que brotam daquilo que tenho observado nestes 18 meses em que descanso um pouco das inglórias e ingratidões que me perseguiram por quase meio século na Peruíbe que, por amargura que teima ser perene, vai ficando para trás, num ostracismo que teimo em buscar, não obstante o vínculo temporal de um acordo que é preciso ser honrado.

Observador que sou, observador que preciso ser, não poderia jamais fugir de expor aquilo que é fruto desta observação inata, não sem antes chegar à conclusão de que, no que tange à coisa pública em Prados, é preciso registrar aqui o testemunho de que o município e muitíssimo bem administrado pelo seu prefeito Lester Rezende Dantas Júnior, carinhosamente conhecido por todos como “Juninho do Lester”, ou ainda “Prefeito Juninho”, ou também só “Juninho”, diminutivo para quem leva nome e prenome do pai, homem probo, livre e de bons costumes, tal e qual o filho.

Conheci o prefeito Juninho num desfile de carros de boi ali por abril do ano passado. Carro de boi parece mesmo ser sua grande paixão, afora Deus, a família, e a Ordem de São Sebastião, da qual é patrono por herança de seu avô. Curiosamente lá estava o prefeito com seu carro de boi, trazendo algumas centenas de tijolos de barro que foram oferecidos em leilão em prol de uma das instituições de caridade do município, sob os auspícios sacrossantos de Santo Antonio, em cuja igreja, à frente, se dava o leilão.

Terminada sua participação, com seus tijolos arrematados por um conhecido altruísta, Juninho encostou seu carro puxado por duas parelhas de enormes bois e começou a descarregar os tijolos junto à “calçada” feita de grama. Apontaram-me como sendo ele o prefeito, e eu me acheguei meio ressabiado, afinal, de longe parecia um matuto do qual poder-se-ia esperar reação não muito afetuosa, e fui logo perguntando: “Prefere que o chame de ‘prefeito’ ou de ‘Juninho’?”. E respondeu seco: “Juninho”. Apresentei-me e disse a ele que estava surpreso de estar descarregado sozinho sua carroça, já que, se fosse em minha cidade, é muito certo que estaria rodeado por uma centena de puxa-sacos, todos querendo pegar ainda que meio tijolo, “pra mostrar serviço”. Ele se limitou a um sorriso tímido, terminou sua tarefa, e, segurando numa mão um creme de pimenta que lhe presenteara, e na outra o ferrão, foi-se embora o prefeito, digo, o Juninho!

Não preciso dizer que eu estava diante de um caso de simpatia à primeira vista. Mais que isso: também de empatia por aquele instrumento rudimentar empunhado por aquele homem do campo, cuja posse conferia-lhe poder e autoridade sobre quatro enormes brutos a puxar-lhe o carro que seguiu avante, acompanhado pelo som cheio de nostalgia que nasce do atrito da madeira com o ferro das rodas batidas a martelo pelas mãos do artesão-boieiro.

No mesmo desfile vi crianças ainda segurando com as duas mãos o ferrão que com certeza era quatro ou cinco vezes maior que sua estatura. Destemida, a criança se punha à frente das duas parelhas de enormes touros, levantava com algum esforço o ferrão, e, numa mecânica difícil de explicar, os bois paravam; a criança descia até o chão o cabo do ferrão, e os bois seguiam caminho adiante. Eu estava fascinado!

Mas a intriga maior ficava mesmo para aquele homem simples que galgara o mais alto cargo da hierarquia político-administrativa de uma cidade: o ser prefeito! Um desejo de querer buscar um pouco mais da história política de Prados fez renascer em mim o âmago catalizador da informação, adormecido que estivera desde quando havia deixado Peruíbe.

Não demorou muito a que eu fosse chamado à prefeitura certo dia para falar um pouco mais de meu trabalho e, assim, me apresentar formalmente. Fi-lo com ávido interesse. Afinal, já vinha de apreciar que eu acertara em escolher esta cidade para morar, não só por seus atributos naturais, artísticos e históricos, como também pelo que desde logo pude observar tratar-se de uma cidade limpa, organizada, ordeira, de um povo amigo, onde tudo parecia misteriosamente funcionar “redondinho”, desde os serviços de saneamento básico como água e esgoto, como limpeza de ruas, coleta de lixo, saúde (a cidade conta com uma Santa Casa de Misericórdia mantida pelo trio igreja-prefeitura-comunidade), educação etc.

Não seria preciso resumir: acabei por ver enredado na política local, o que me tem dado grande satisfação e alegria. A política aqui se faz bem à moda mineira, como não poderia ser diferente. Mas na sutileza da “mineirice” parece não haver lugar para a maldade, para o ranço, o mesmo ranço que tanto tem impedido que Peruíbe avance como urbe que tenha por fim e finalmente o bem comum, e nada mais do que isso.

Ilustro esta certeza agora testificada de que Prados neste diapasão é bem melhor que Peruíbe com as duas vezes em que me vi na contingência de procurar o pronto socorro do hospital da cidade. O que havia verificado na primeira vez, se confirmou na segunda, e eu não me contive em elogiar enfermeiras e a médica de plantão, assim como a atendente, e até a moça da limpeza, e elas foram unânimes: “temos que atender bem a este povo sofrido, porque quando esta nossa Santa Casa precisa da ajuda deles, eles estão sempre prontos a ajudar”. Oh, gloriosa verdade, muito diferente do que podemos verificar se passar com o povo de minha cidade de origem! Aqui em Prados é muito comum se fazerem bingos, festas, leilões e outros eventos com o intuito de ajudar não só a Santa Casa de Misericórdia, como também outras instituições como APAE, a AMAI (asilo que abriga os representantes das gerações passadas da cidade), e até a Igreja Católica que registra uma devoção impressionante e de fazer inveja ao mais crédulo dos crentes! Estes leilões e estas festas e estes eventos são sobremodo concorridos. Todos fazem questão de participar, porque sabem que o que está em jogo é o bem-estar coletivo, de todos, sem distinção alguma.

E sabe-se lá porque razão, toda vez que observo esta preocupação geral em buscar ajudar, mas de modo singular em não criticar, em não reclamar porque falta isso e aquilo, fico com aquela sensação de que o segredo pode bem estar naquele ferrão que, tal e qual uma batuta na mão do maestro, pode mesmo ser o grande responsável pela condução desta grande e ordeira orquestra chamada povo pradense.

Demograficamente a cidade é pequena, convenhamos. 8.000 habitantes em números redondos, dos quais três quartos são eleitores. Geograficamente, porém, é enorme. Receio que eu venha a precisar ainda de bons pares de anos para conhecer os quatro pontos cardeais de Prados. Número significativo de sua população está na roça, onde vive e de onde tira seu sustento, de modo especial através da pecuária leiteira. Na cidade, o que toca é o artesanato, de fama que atravessa as fronteiras do Brasil mundo afora. Por conseguinte, o orçamento é irrisório, o que indica que o administrador de uma cidade assim tem que agregar aos atributos de um bom gestor quase que também a destreza de um mágico.

Fui à Câmara algumas vezes assistir à sessão legislativa que aqui acontece quinzenalmente. Tirando os embates naturais frutos das diferenças partidárias, o anseio comum verifica-se logo ao iniciarem-se os trabalhos, que não começam sem que antes os vereadores todos, em pé, roguem a proteção de Deus não só para os trabalhos daquela sessão, como também para a vocação de todos em buscarem o bem do município acima de tudo. Aqui não há gravata para prefeito nem vereadores; as botinas desbotadas pelo barro fazem as vezes dos sapatos lustrados, e as calças rancheiras e camisas de tecido simples dão provas de que em Prados o homem público é também trabalhador e homem do campo, revestido da simplicidade com a qual já nasce o mineiro. As duas representantes das mulheres pradenses não fogem a toda esta regra.

O detalhe fica para o fato de que prefeito e vereadores não ganham 20% do que ganham prefeito e vereadores de Peruíbe, para fazer um paralelo entre as duas cidades que represento. O time de primeiro escalão, composto pelo secretariado, leva para casa todo mês pouco mais que dois salários mínimos.

Bem igual ao que se deu com muitas cidades Brasil afora, com o próprio Estado de Minas Gerais, e, de sobejo sabido, com o Brasil, Prados também acabou também sendo administrada por três gestões por representantes do Partido dos Trabalhadores (PT). E igualmente ao que se deu por todas as cidades que sofreram as injunções de uma cartilha absolutamente centralizadora de recursos que tinham por destino o que também todos sabemos de cor e salteado, Prados soube dizer um basta aos desvios propugnados em favor do PT e seus militantes exatos dois anos antes que Minas Gerais e o Brasil também decidissem por estancar a sangria na ferida que a corrupção comandada pelo petismo acabou por provocar nos cofres públicos.

Desde então, e ainda que eu não tivesse estado aqui dois, três anos atrás, é possível medir o bem que aquele estanque proporcionou para Prados e para seu povo. O testemunho coligido aqui e ali dá evidências de que o povo segue satisfeito, senão porque a cidade esteja crescendo a contento do que seria necessário, ao menos porque não há pradense que não concorde que a administração da cidade está entregue às mãos de homens e mulheres sérios, competentes e, sobretudo, honestos, seja na Prefeitura, seja na Câmara.

Ora, afora o que não se pode ver senão se buscar a informação mais escorreita, aquilo que se pode ver por toda a cidade e, de resto, por todo o município, testifica que Prados está muitíssimo bem cuidada; e, se no passado também se calcetou esta ou aquela rua, este ou aquele bairro, o diferencial está no informe que é preciso fazer chegar a todos de que, o que antes se fez por Prados, custou e ainda hoje custa aos cofres públicos a irresponsabilidade da contratação de empréstimos em bancos, bem diferente do que hoje que, o que se faz e o que se em feito, tem fonte de dinheiro em recursos próprios, “milagre” que tem sido possível com contenção de despesas e muita responsabilidade na administração do dinheiro público.

Ninguém esperava que Juninho do Lester fosse um fanfarrão, ou viesse a se tornar um demagogo só por conta da política ou por ter sido feito prefeito por votação histórica para quem debutava na política em 2016. Em tese, todos sabiam que Juninho do Lester feito prefeito, continuaria a ser o homem que sempre foi: calado, de pouquíssimas palavras, em certo sentido até tímido e pouco afeito a grandes comemorações, simples, mas que continuaria carregando no peito o coração de um homem bom, testemunho esse também muito fácil de colecionar por onde quer que se ande em Prados.

Perguntar-me-ia, então, você, caro leitor: mas, e o ferrão? Pois é, o ferrão… O ferrão é a ferramenta mais evidente a ensejar provas de que é mesmo possível a um homem, por franzino que seja, por menino ou velho que venha a ser, conduzir um carro puxado por parelhas de bois que talvez tenham dezenas de vezes mais o peso daquele que o empunha, e que podem puxar ou carregar uma carga de peso que 50 homens não carregariam. Trata-se de um símbolo, portanto.

Nas minhas pesquisas sobre as eleições passadas, descobri que o prefeito Juninho fez menção ao ferrão em aquele que talvez tenha sido seu último comício antes do dia da votação. Ao responder ao questionamento de o motivo que o levara a aceitar sem candidato e a querer se prefeito, Juninho teria dado um tiro certeiro em seus opositores: “Essa mão aqui que pega a caneta é a mesma que segura o ferrão; é a mesma que amarra e ordenha uma vaca; é a mesma que segura o cabo de uma enxada”. E arrematou: “Muitos de vocês se perguntam: Por que o Juninho quer ser prefeito? E, eu respondo: Porque eu trago na sola da minha botina a poeira da nossa terra; porque eu tenho na sola da minha botina a poeira da terra que eu nasci e aprendi a amar”.

A frase – sem dúvida de efeito – fez Juninho ganhar o carinhoso apelido de “botina” (ou, como preferirem, “butina”), mas, bem acima disso, deu provas de que estava ali um homem interessado em ajudar Prados a se reerguer das cinzas dos descasos perpetrados pelo PT nas três gestões antecedentes.

Passado dois anos e meio de seu mandato, e quando já se caminha a passos largos para o pleito do ano que vem, o que noto é que o embate novamente marcará a polarização entre as duas maiores forças políticas da cidade, representadas pelo legado histórico de Tancredo Neves (PSDB), e pelo legado da triste figura de um ex-presidente que hoje está preso por crime de lesa-pátria. É preciso destacar que estas “forças políticas”, internamente falando, pouco ou nada têm a ver com os registros de desvios de suas lideranças, sejam municipais, estaduais ou federais.

Não se deve nem se pode atribuir culpa à gente simples que ofereceu confiança e se dedicou de corpo e alma à construção de um partido que tinha por mote a representação dos trabalhadores, mas que se perdeu pelos caminhos da arrogância e da ganância de seus líderes maiores. Conheci e conheço muito fundadores do Partido dos Trabalhadores que, em que pesem teimarem em permanecer no partido como que numa árdua tentativa de fazer o trabalhismo retomar o seu rumo primordial, não escondem a vergonha de terem sido eles próprios vítimas da mentira que lhes fora contada por quem desde a era do sindicalismo já fazia tal e quanto viria a fazer com o Brasil.

Oxalá, portanto, em 2020, o povo pradense entenda que, acima dos partidos, está a gente de Prados, essa gente trabalhadora e ordeira do lugar. Se todo tiverem por princípio básico notar que o que se faz hoje por Prados é muito mais, e com muito menor custo para os cofres públicos, será previsível que Juninho do Lester receba o agradecimento público, vindo de todos os matizes políticos e partidários, a fim de que o projeto que certamente tem guardado no coração para uma Prados melhor receba a confiança da reeleição.

Até lá, tudo indica que o prefeito Lester Rezende Dantas Júnior continuará sendo o Juninho que sempre foi. Afinal, para quem ama Prados como tem demonstrado amar, para quem empunha a caneta com a mesma destreza com que abraça o ferrão, para quem tem orgulho de dizer que a poeira das estradas de Prados ainda encontram lugar no solado de suas botinas, o sucesso na política não é mais do que consequência.

Eu que, como dito no início destas longas linhas, trago a experiência de uma região historicamente marcada por políticos do passado que nunca conseguiram olhar muito além de seus próprios umbigos, posso aqui advertir ao povo de Prados a que tenham orgulho do homem que escolheram para ser o mandatário do município. Juninho do Lester é, sem dúvida, referência de político, de administrador público, de homem público.

Que o bom Deus o proteja e o guie nas muitas conquistas que ainda tem por mostrar para todos nós, assim como o protegeu e conduziu a resgatar Prados do limbo de uma cidade esquecida e maculada pela endividamento público, para uma cidade que hoje tem nome limpo, como limpo é o nome de quem a conduz.

Washington Luiz de Paula

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