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E o prefeito não fez nada… de errado.

Trabalhando2É muito certo que já vivi um bom tempo para ver o que mais uma vez vejo e ouço sendo propagado nas redes sociais, num vídeo muito mal-acabado, disparando uma melodia de péssimo gosto, com letra de igual jaez, e protagonizado por uma voz que, de tão ruim, dispensa todo e qualquer comentário. Logo, não há arte onde há esse tipo de protesto que mais faz crer haver algo mais do que um interesse propriamente dito de pontuar uma – por sua vez – crítica àquilo que pretende fazer entender o tal vídeo, que é o entendimento de um e outro de que o prefeito Luiz Maurício, ao cabo de seu terceiro ano de mandato, nada fez, nada faz ou nada tem feito.

Ora, nem é preciso ser sensato para entender que o exagero é latente, até porque seria absolutamente impossível a um prefeito – e qualquer que fosse ele – não ter feito nada. E ainda que o que tivesse feito fosse deixar de fazer aquilo que por obrigação deve vir ou ir ao encontro da necessidade coletiva, ainda assim ele – o prefeito – teria feito alguma coisa, portanto.

Não tenho estado tão perto de Peruíbe. Por razões de foro íntimo dedico meus últimos meses a respirar o ar dos prados mineiros, em meio ao Campo das Vertentes, na bucólica Prados, entre as históricas São João Del Rei e Tiradentes. Mas a internet – e por conseguinte as redes sociais me fazem ver que, se aqui e ali podem ser apontadas falhas do que poderíamos chamar de bom atendimento á população de Peruíbe como um todo, ao menos naquilo que pode ser considerado primordial e de mais latência frente às necessidades básicas de Peruíbe, o governo municipal, ora comandado pelo prefeito Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira, até que tem se saído muitíssimo bem.

Sempre que vejo o tempo caminhar a passos largos, e já dentro de um ano pré-eleitoral como o que ora vivemos, posso encarar como absolutamente normal que os comportamentos dos chamados “suspeitos”, porque não conseguem esconder (embora não confessem) sua condição de pré-candidatos, tomem tempo incrivelmente grande para buscar razões e motivos para achincalhar o governo. Quando digo “normal”, é porque, assim como os urubus e os abutres não sobrevivam ser que acha carne podre que os sustente, os políticos de oposição, até por serem dotados de capacidade cognitiva que as aves de rapina não têm, quando não encontram elementos que consubstanciem suas pérolas de acusação, eles as inventam.

Como comecei estas linhas, já vivi bastante para ver que esta toada se repete a cada quatro anos, assim como as eleições tendem a se repetir obrigatoriamente de quatro em quatro anos também. E o momento natural é esse, seguindo daqui até a campanha eleitoral.

É curioso notar e lembrar alguns prefeitos do passado, e eu posso até mesmo enumerar quase todos eles, pelo menos dos que eu conheci desde quando, em 1976, debutei numa campanha eleitoral e me embrenhei na política peruibense. Benedito Marcondes Sodré e Gheorghe Popescu se revezaram, se alternaram no poder por 30 anos. É sabido que tinham um acordo comum entre eles, que era o de fomentar a crítica, sempre em ano pré-eleitoral, de que nada um fazia e que, por isso, o outro era o que era melhor. Por 30 anos ambos os dois conseguiram fazer incutir no consciente coletivo da população de Peruíbe o mote do “éramos felizes e não sabíamos”, e felicidade e amargura foram se revezando, com o povo cada vez mais cego, mais surdo e, como ambos também viviam sob o manto de proteção dos militares pós 1964, também mudos.

Quando o povo “acordou”, Mário Omuro “entrou no jogo e venceu o pingue-pongue” tal e qual como expus em manchete que fiz vir a lume logo após as eleições de 1988. Não demorou, porém, para que o povo novamente fizesse ressuscitar o tal do “éramos felizes com Sodré e não sabíamos”. Uma campanha virulenta contra Omuro fez o povo acreditar que ele era relapso, fujão, viajante, irresponsável e que… “não fazia nada”. O resultado foi que Benedito Marcondes Sodré voltaria para o seu quarto mandato como prefeito, o que se deu de 1993 a 1996. Naquele ano de 1996, Gheorghe Popescu tentaria repetir a façanha do tetra de Sodré, mas foi vencido por Alberto Sanches Gomes, parecendo mesmo que o eleitorado gostara da experiência de experimentar o novo, castigando Popescu e o próprio Mário Omuro. Afinal, haviam sido ambos prefeitos “que não faziam nada”.

Indo para o final de seu mandato (1997-2000), Dr. Alberto foi o “homenageado” da vez. Acusado de apatia e de que “não fazia nada”, não foi difícil para que Gilson Bargieri, que era novidade e grande promessa para alavancar Peruíbe rumo ao futuro, ganhasse a eleição de 2000, fazendo um governo (2001-2004) que, sob uma densa névoa de desmandos e acusações diversas de desvios e corrupção, ensejou a José Roberto Preto vencê-lo naquela que talvez tenha sido a mais tumultuada eleição de toda a história de Peruíbe no ano de 2004.

José Roberto Preto não viveu o bastante para terminar seu mandato. Ele, que havia prometido à então vereadora Maria Onira Betioli Contel sua sucessão, não escondia sua predileção por seu pupilo José Carlos Rúbia de Barros que foi assim uma espécie de “tranca-rua” do governo JR Preto. Tendo falecido na passagem do penúltimo para o último ano de seu governo, o último ano da gestão de José Preto foi entregue à sua vice-prefeita, Julieta Fujinami Omuro que não precisou fazer muito esforço para logo começar a ser acusada de indolente também, permitindo assim que Milena Bargieri (com a cara do pai nas urnas) ganhasse a eleição não menos tumultuada de 2008. Em 2011/2012 uma feroz campanha contra Milena expôs todas as vísceras de seu governo. Com Milena também “não fazendo nada”, Ana Preto veio à forra e venceu Milena nas urnas.

Em 2016 foi a vez de Ana Preto ser jogada no cadafalso daqueles carrascos que são sempre os mesmos, com nomes e sobrenomes, os quais boa parte conheço e poderia até declinar aqui não fosse a nomenclatura ser extensa e cansativa. E foi assim que chegou ao poder o então vereador Luiz Maurício, se apropriando desta mesma campanha interna de “esta prefeita (Ana Preto) não faz nada”, conjugado com amplo apoio do tucanato estadual.

Por ser cíclica, ou ao menos por parecer cíclica, a história política de Peruíbe contempla hoje Luiz Maurício com semelhante campanha eivada de sordidez e vilipêndio da qual foram vítimas seus antecessores, todos acusados de que “não faziam nada”, uns com muita justeza e razão, outros nem tanto, outros ainda com nenhuma razão.

Ora, se não havia indicação direta daquilo que, afinal, deixavam de fazer os prefeitos passados, é justo imaginar que a crítica de hoje dirigida ao prefeito de plantão – a saber Dr. Luiz Maurício, venha também desprovida de razão. Afinal, a olhos vistos contemplam-se obras e serviços sendo levados a efeito pelos quatro pontos cardeais da cidade. Sendo assim, além de suspeitos (por sabidamente serem pré-candidatos), por conhecerem a verdade, e por não serem cegos, podem até mesmo serem classificados como aquilo que nos meios forenses se convenciona chamar de litigantes de má-fé.

Já coloquei aqui que estou distante 650km de Peruíbe, e, mesmo sabendo que nem mesmo Luiz Maurício seria autor da façanha de agradar todo mundo, a mim me vai parecendo que a visão que posso ter, por ser macro, facilita o entendimento e o descobrimento de onde, afinal, pode estar o diferencial que tanto faz Luiz Maurício incomodar a seus opositores. E já lhas digo.

Embora funesta, é cultura político-administrativa no Brasil os mandatários fazerem pouco caso das obras iniciadas por seus antecessores. Preocupados com a “paternidade” de tais obras, preferem antes darem início a novas do que acabar as antigas, deixando as obras inacabadas como monumentos ao descaso com o dinheiro público a fim de que elas sejam sempre lembradas como tributo político-eleitoral a serem debitados das contas dos gestores antecessores.

Um exemplo marcante disso é o hospital municipal, cujo início e pedra fundamental teve início 30 anos atrás, com Mário Omuro prefeito e Orestes Quércia Governador, e que prefeitos e governadores que se sucederam desde então nada ou pouco fizeram para vê-lo tornar-se realidade. Claro que sabiam todos que, hospital pronto e funcionando nunca deixaria de ter a “cara” de Mário Omuro. E o que vemos hoje é que o hospital, afinal, parece mesmo uma promessa prestes a se tornar realidade, com o empenho redobrado com que o prefeito Luiz Maurício tem se dedicado para levá-lo a termo.

Não se pode discutir que são inúmeras as obras de escolas, creches, unidades de saúde, próprios municipais de todas as áreas, além dos serviços elementares de zeladoria, coleta de lixo, iluminação pública, merenda escolar, atendimento ambulatorial e médico-hospitalar, farmácia popular e o que mais se pode exigir de uma administração pública escorreita, parecem trazer a marca de quem está preocupado em buscar o melhor uso possível do dinheiro público outrora gasto de maneira suspeita, fazendo ressurgir das cinzas do abandono equipamentos públicos que, de bonitos e práticos para o atendimento à população, têm merecido elogios os mais diversos pela grande maioria da população peruibense.

Então, é de se perguntar o que é queriam que o prefeito fizesse, afinal, para que não viesse a ser acusado de que “não faz nada”? Que não fizesse nada mesmo, inclusive com as obras que, iniciadas e não terminadas, tinham o carimbo do descaso e da má-gestão do dinheiro público de governos passados?

Tenho aqui para mim que este é um caso solene que requer de todos um pouco mais de humildade para reconhecer que, se mais não tem feito, é por absoluta falta de condição mesmo. Evidente que, em vindo a ser candidato a reeleição no ano que vem, Luiz Maurício não tenha lá a pretensão de colecionar a unanimidade, seja em votos, seja em simpatia. É até mesmo justo que haja outros candidatos à cadeira do Executivo, e que tenham propostas com o viés de alternativas a um governo diferente. Faz parte, portanto, do exercício democrático que a oposição se manifeste com uma crítica que vá além do pontual, mas que seja sobretudo e sobremodo propositiva. E o que isso quer dizer? Que tenham propostas e alternativas àquilo que venham a entender ser equívoco da administração.

Dizer, portanto, que Luiz Maurício não faz nada soa muito vago, convenhamos.

Lamentavelmente vivemos tempos em que a crítica destrutiva tende a reverberar com muito mais facilidade e intensidade que um elogio. Experimente, à guisa de exemplo, gritar na rua algo do tipo “vamos todos dar um abraço nessa pessoa ali!”, e verá que grande parte vão achar que você não está bem das ideias; já que você disser o contrário: “vamos descer o pau naquele ali!”, não demora e a pessoa “premiada” está seriamente ferida, senão morta, tal a agilidade e prontidão com as pessoas tendem a responder pelo chamado do mal.

Eu prefiro antes, e antes de ouvir a voz rouca das ruas nem sempre carregada de razão, ouvir, investigar, pensar, ver, para só depois expor o que penso. E, se eu não tenho proposta melhor a apresentar, ou mesmo se me sinto desqualificado neste ou naquele assunto, prefiro antes de me calar. Posto isso, digo que o prefeito Luiz Maurício pode mesmo até não ter feito tudo para agradar a todos, mas dizer que ele não fez ou não faz nada, isso eu não digo.

Olha, sinceramente, eu gostaria mesmo de ver um desses ferozes críticos da administração municipal como prefeito ou prefeita. Provariam eles de que estavam mesmo de olho é na “butique dela”, butique que pode ser entendido pelo salário de prefeito que, convenhamos, é, digamos, “robusto”, ou mesmo pelos orçamentos do município que, nos quatro anos, andam na casa do bilhão de reais.

Se, como já disse alguém “a falsidade é um caminho perigoso escolhido apenas por pessoas que não conseguem ter mérito no que fazem”, é sempre tempo de lembrar Ramakrishna: “Tudo que é falso, é ruim, até mesmo a roupa emprestada. Se seu espírito não combina com a sua roupa, você está sujeito à infelicidade, porque é desta maneira que as pessoas se tornam hipócritas, perdendo o medo de agir mal e de dizer mentiras”.

Logremos a autenticidade e lutemos pela verdade e pela virtude. Posto isso, sejamos todos mais pelo bem de nossa cidade, e menos pelo mal dos interesses daqueles que não conseguem sequer esconder a desfaçatez do corpo, quiçá da alma e do espírito.

Por fim, admito que é justo reconhecer que o prefeito não fez nada, não fez nada mesmo, mas nada de errado!

Washington Luiz de Paula

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