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Editorial – A maternidade… Ah, a maternidade de Peruíbe…

A maternidade dilaceraEu sou da época em que referência de maternidade na região não era nem Itanhaém, nem Praia Grande, nem Cubatão, e muito menos Santos. Creiam ou não, todas as mães – inclusive as de Peruíbe – preferiam dar à luz a seus filhos em Mongaguá!

Não sei lá por quais e tantas as razões das futuras mamães da época buscarem mais a confiança na vizinha Mongaguá. Talvez o histórico de baixíssimos acidentes com parturientes e nascituros; e, para os casos das gestantes peruibenses o fato de que Peruíbe não gozava lá muito bom conceito nesta área, ou pelo menos não vinha gozando de bons conceitos até uma oportunidade em que a história dos procedimentos médico-hospitalares andou melhorando bastante.

Fato curioso que me vem à lembrança agora é o acontecido com uma cunhada minha que, às vésperas de dar à luz ao mais novo de seus dois filhos, insistia que o parto fosse feito em Mongaguá. Ela não escondia a falta de confiança nos procedimentos na maternidade local que, à época funcionava em anexo ao denominado Hospital Dr. Dalmar Americano da Costa, médico abnegado de quem pouquíssimos se lembram ou conheceram como eu conheci. Pois bem. Eu consegui mudar isso na cabeça dela com uma atitude simples: conversei com Dr. César Kabbach Prigenzi (que na oportunidade era o secretário de Saúde), e marcamos uma visita de minha cunhada à maternidade. Chegando lá foi como se um tapete vermelho se estendesse sob os pés dela. Conheceu cada detalhe do funcionamento da maternidade, cada enfermeiro e enfermeira, cada assistente, cada médico e médica, e pode conversar com as parturientes que aguardavam para dar à luz, e outra que já estavam com seus bebês no colo. Não deu outra: entusiasmada, ela mudou de opinião, e não demorou para que Peruíbe recebesse mais um de seus filhos – mais um “de Paula”.

Não que não houvesse exceção; mas que aquilo era uma regra, isso era!

Tenho para mim, e estão aí dois notórios médicos da cidade, o pediatra Dr. César Kabbach Prigenzi, e o ginecologista e obstetra Dr. Jaime Ichtiro Uehara, a endossarem esta minha assertiva de que o ápice do atendimento médico-hospitalar público foi mesmo durante a gestão do ex-prefeito Mário Omuro (1989-1992), e só quem não esconde o ranço político não consegue admitir isso. Testemunha ocular desse tempo, vi surgir o agora extinto Hospital São Pedro no Caraguava (minha sobrinha Gabriela, filha da Waldicéia, nasceu nele), que chegou a ser referência regional, e vi nascerem as duas ainda hoje mais famosas clínicas particulares: a Clínica São Pedro e o Centro Clínico Peruíbe, de fundação e propriedade dos médicos citados neste parágrafo.

O hiato entre o governo Mário Omuro e Dr. Alberto Sanches Gomes fez o que pode e mais um pouco para não deixar prosperar a história – por exemplo – do hospital municipal que nasceu lá com Mário Omuro prefeito e Orestes Quércia governador, bem ali onde hoje o prefeito Luiz Maurício consegue, com imprescindível apoio do governador João Doria, dar seguimento e solução para este tão importante e necessário empreendimento. A prova está enterrada na pedra fundamental, onde e quando eu mesmo nela cheguei a depositar uma moedinha da época, e que deve estar ainda mais ou menos onde começa a alça de acesso ao UPA, na esquina da Terezinha Rodrigues Kalil com a Tenente José Ignácio Monte Oliva.

Dr. Alberto, e até mesmo por ser ele mesmo médico (cirurgião-dentista), reavivou a esperança do peruibense, jogada ao ostracismo nos quatro anos que o precederam no cargo de prefeito. A curva, que com Mário Omuro fora ascendente, declinara vertiginosamente, e Dr. Alberto emprestou sua seriedade, competência e experiência (afinal, ele fora o secretário de Saúde do governo Mário Omuro) para fazê-la alçar vôo novamente. Contou, para isso, com o apoio de Dr. César que foi seu secretário de Saúde. E aqui chegamos ao ponto em que Mongaguá perdia seu status de referência maternal na região. Os registros da época davam conta de parturientes vindo de Itanhaém para ganharem seus rebentos em Peruíbe!

O que se deu depois que Dr. Alberto deixou o governo, a meu modesto e desde já confessado pouquíssimo entendimento de gestão pública em área de Saúde, foi uma sucessão de erros e acertos, sendo os primeiros prevalecendo sobre os segundos. Os escândalos e desvios passaram a ser correntes, e o mar de lama acabou por fazer Peruíbe parar nas telas do Fantástico, escancarando que os mandatários que se seguiram a Dr. Alberto pareciam estar nada preocupados com a ética e a lisura no trato do dinheiro público. Restou que não houve governo posterior que não se atrapalhasse vertiginosamente na administração da Saúde em Peruíbe, ao ponto de até mesmo uma ex-prefeita se socorrer de clínica particular em Santos para poder dar à luz a seu filho! O ponto alto destes (des)governos foi a interdição da maternidade de Peruíbe, em 2014, tarefa regiamente cumprida pela Vigilância Sanitária Estadual. Vê-se, então, que tais governos eram verdadeiramente pau para toda “obra”!

A pergunta que as redes sociais deveriam estar fazendo hoje não é aquela que já começamos a ficar de saco cheio de ver sendo veiculada por mulheres que sabidamente já não parem mais, e por homens que dão a impressão de estarem loucos por passarem pela experiência do fórceps. Pergunta essa que, se a voz rouca das redes sociais não a fazem, a faço eu: Quem foi, ou quais foram os responsáveis pela falência do sistema de saúde em Peruíbe, e o que as autoridades – inclusive as atuais – têm feito (ou irão fazer) para levar estas pessoas para o banco dos réus – seja na Justiça, seja nas Urnas?

Ora, vemos passar-se no microcosmo de Peruíbe e que estamos a ver se passar no macrocosmo do Brasil: O PT (des)governa o país por 13 anos, levando o país à crise que presenciamos em todos os níveis, e a culpa é de Bolsonaro que está à frente do governo por apenas seis meses! Pelo menos cinco ex-prefeitos de Peruíbe por 20 anos destruíram tudo aquilo que fora construído no passado na área da Saúde por Mário Omuro e Dr. Alberto Sanches Gomes, e a culpa agora é de Luiz Maurício que, não obstante estar caminhando já para seu último ano de governo, conseguiu avanços significativos para a pasta da Saúde. E porque não conseguiu fazer tudo que certamente gostaria ou prometera, e, de modo particular, a bendita maternidade municipal, sofre o revés da incompreensão, ainda bem que de apenas alguns.

É muito certo que Luiz Maurício errou na interpretação da previsão da obra que certamente lhe passaram os técnicos na área. Confiou demais, eu diria. Confiou tanto que por mais de duas vezes declinou data para a inauguração da maternidade, inauguração esta que, como vemos, não veio. Mas, alguém duvida que virá? Claro que virá! Seja agora ou às vésperas das eleições do ano que vem, é importante que a maternidade seja inaugurada, como uma coisa perene, como obra construída pelo desejo ardente de quem não consegue esconder de seus milhares de seguidores nas redes sociais que ama Peruíbe, e ama de verdade, não amando só de palavras, mas também por gestos e ações que já vêm de classificar Luiz Maurício como o mais arrojado, sério e competente prefeito que já passou pelo Executivo peruibense.

A questão é que ser prefeito não é tarefa fácil. E satisfazer a todos, menos fácil ainda. Eu diria que impossível. Se os pré-candidatos às eleições do ano que vem não vêm lugar onde se agarrar no governo municipal a não ser no calcanhar de Aquiles de Luiz Maurício, que é justamente a tal maternidade municipal, deve ser líquido e certo que tanto o prefeito quanto sua equipe devem dar pouco azo a estes arrazoados para lá de suspeitos, alguns vindos – pasmem! – até mesmo de ex-prefeitos que foram justamente aqueles que jogaram no lixo todo e qualquer postulado que tivesse por objetivo melhorar a Saúde para minorar o sofrimento do povo peruibense.

Quem duvida, por exemplo, que se o prefeito tivesse inaugurado hospital e maternidade logo no primeiro ano de governo, e fizesse como têm feito alguns prefeitos Brasil afora que retiraram as verbas do Carnaval (por exemplo) para alocar para Saúde, quem duvida que não haveria ainda assim quem e quantos reclamassem? Pois é. Ser prefeito é pecar por ter cão, e pecar por não ter cão.

Para o caso presente, eu que acompanho as redes sociais, salvo melhor juízo e visão, não consegui enxergar ainda uma só gestante a reclamar pela ausência da maternidade. E é bem certo que, nestes três anos e meio do governo Luiz Maurício crianças nasceram, e algumas até mesmo dentro dos limites de Peruíbe, usando dos recursos que está à mão hoje, notadamente os de urgência, que me parecem de extrema competência.

Quando lembro do ex-prefeito José Roberto Preto, com todo o potencial econômico e financeiro de que dispunha, socorrido (como foi ou se necessário fosse) por helicóptero do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, morrendo por uma complicação respiratória de aparente simplicidade dentro do hospital que é referência nas três Américas, eu tenho a certeza de que pode-se perfeitamente morrer (ou ser mal atendido) também em Peruíbe, por que não? Então, meus queridos e diletos leitores, preparem-se, porque inaugurar a maternidade e o hospital municipal até que será tarefa fácil. Difícil mesmo será manter a maternidade e manter o hospital funcionando, com equipamentos, insumos, pessoal etc. A tarefa é sobremodo árdua, e para tal eu até que torço para que tal concurso esteja ao alcance dos opositores políticos de hoje, dos críticos de hoje, já que bem certo que estes poderão sentir na pele que o bicho é mais feio do que pintam; o negócio é bem mais embaixo!

A impressão que me dá é a de que o prefeito já não mais dará importância a este assunto. Quando chegar a hora, ele fará acontecer, e a maternidade estará, enfim, inaugurada. Mas, passado este transe, que outro assunto se tornará tema para os vociferantes?

Washington Luiz de Paula

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