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Onda de denuncismo: Até que ponto isso é bom para a cidade?

Resultado de imagem para denuncismoDa Redação

Quando se diz que quatro anos é pouco para um mandato de prefeito, por exemplo, tem um pouco a ver com o que parece ser corrente por todas as cidades por onde se passa ou delas se tem conhecimento, que é a onda de denúncias contra agentes públicos, no mais das vezes infundadas, e quase que geralmente feitas por pessoas que não conseguiram se firmar na comunidade no quesito credibilidade.

Basta uma varredura simples nas redes sociais para ver que nove em 10 publicações nos perfis, páginas e grupos políticos tem a ver com críticas (boa parte delas raivosas e tendo por base o “diz-que-diz-que” ou “ouvi dizer”); e nove entre 10 destas “denúncias” são feitas sempre pelas mesmas pessoas, o que faz qualquer pessoa sensata a duvidar da sanidade de quem faz as denúncias, e mais ainda daqueles que as espalham sem antes buscar um mínimo de respaldo para entender ser a notícia é ou não é verídica, afinal.

E o mais incrível – o que faz cair no terreno da dúvida toda e qualquer “fato” levado a conhecimento do público – é que estas notas geralmente têm no ano pré-eleitoral um marco para começarem a serem disseminadas. Segundo um sociólogo e conhecido analista político da cidade, “estas denúncias, no mais das vezes vazias, têm dois propósitos principais: primeiro de desestabilizar os governos, segundo de beneficiar a oposição que fica ‘adormecida’ nos primeiros dois anos de um mandato, para acordarem nos dois anos subsequentes, que são os anos pré-eleitoral e o ano das eleições propriamente dito, para tentarem se beneficiar de alguma maneira”. Segundo o mesmo analista, “nem sempre o mesmo agente denunciante ganha alguma coisa, aufere algum lucro direto com as essas disseminações de ‘fakenews’”, mas, alerta: “quase sempre beneficia alguém ou algum grupo político disposto a apostar no “quanto pior, melhor”.

Querer o bem da cidade

Como decifrar quem está com a razão, e até onde está a verdade em casos de denúncias, principalmente as que são feitas contra políticos que estão no pleno cumprimento de seus mandatos? É uma tarefa difícil, é de convir. Mas algumas pistas podem ser seguidas por todos aqueles que têm consciência de que o interesse da cidade e o bem da comunidade vai muito além dos interesses pessoais de quem quer que seja.

É lógico que é de conhecimento geral que a classe política não anda lá em muito bom conceito junto à opinião pública, graças aos desmandos e crimes cometidos por muitos por todo o Brasil. Mas neste quesito não podemos generalizar. Então, a primeira coisa a se verificar até que ponto uma notícia veiculada nas redes sociais ou em blogues e sites especializados em denúncias é ou não verdadeira, seria apurar se quem fez a denúncia goza de credibilidade junto à comunidade, ou, traduzindo em miúdos, se já foi capaz de trazer algum benefício concreto para a cidade, que não aquele de pura e simplesmente sair vociferando denúncias contra tudo e contra todos, de forma indiscriminada e até irresponsável. Ainda segundo o analista mencionado acima, “não basta fazer a denúncia, tem que oferecer a prova concreta ou estar disposto a sofrer o dano causado por ter exposto um agente público a uma denúncia vazia”, afirma, lembrando que “o principal, nesse caso, é verificar até que ponto o denunciante (ou a denunciante) faz uma crítica propositiva, ou seja que tenha propostas que resolvam não só os males apontados em suas denúncias, mas que tragam benefícios efetivos e concretos para cidade”.

A segunda coisa a ter por regra antes da aceitação da denúncia é ouvir a parte denunciada. “O contraditório é importante e necessário, e, pelas nossas leis, não só ninguém pode ser apontado como culpado antes do transitado em julgado por todas as instâncias judiciais, como também é de suma importância ouvir-se a parte prejudicada na ação – ou na denúncia – para se apurar por meio de amplo processo investigatório, até que ponto há culpa, dano ou dolo, ou mesmo inocência na denúncia”, afirma um advogado próximo da Redação.

Reparação moral difícil

Lamentavelmente há profissionais de Imprensa que parecem saber que suas canetas são pesadas o suficiente para derrubar quem quer que seja, e, quando espalham uma denúncia, ainda que desabastecida de provas, sabem que haverão de prejudicar quase que irremediavelmente a pessoa denunciada, ou até mesmo uma empresa.

A Justiça coleciona casos em que pessoas foram injusta e antecipadamente condenadas pela Imprensa por crimes que mais tarde se revelaram nunca terem existido, mas já era tarde demais. “A reparação moral nunca é compensada pela reparação material”, ensina o advogado, que lembra ter visto tantos casos de injustiças perpetradas pela Imprensa.

Washington Luiz de Paula, proprietário e responsável por este blogue, e vice-presidente da Associação Peruibense de Imprensa, lembra que exercer o ofício de disseminador da notícia é como dirigir um carro. E faz uma analogia: “não basta você ser habilitado para dirigir um carro; você precisa ter consciência e responsabilidade: na posse do volante de um carro você pode tanto concorrer para salvar uma vida, como pode invadir um ponto de ônibus e tirar a vida de uma dezena de pessoas, vidas estas que jamais poderão ser recuperadas”.

Para Washington, que, em 45 anos no ofício do jornalismo “de orelhada” como gosta de dizer, enfrentou dezenas de dissabores por conta de inúmeros processos sofridos, “há colegas que se acham paladinos da justiça e senhores da verdade absoluta, e gostam de propalar que fazem uma imprensa ‘independente’, mas alguns escondem seus reais objetivos, e outros não confessam a serviço de quem ou de quais grupos estariam trabalhando, o que é lamentável”. Para o decano do jornalismo peruibense, “o exercício do plumitivo é igual um sacerdócio, e, do mesmo modo que há padres e pastores levando seus fiéis para o inferno, há jornalistas pouco sérios que, por conta de suas canetadas irresponsáveis, tendem a levar toda uma cidade para o retrocesso e para a estagnação”.

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