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Uma breve reflexão sobre a morte

Zezinho Serrana*

Interessante: Eu, Zezinho, estou aqui pensando:

A GENTE MORRE e fica tudo aí: os planos a longo prazo e as tarefas de casa; as dívidas com o banco e as parcelas do carro novo que a gente comprou para ter status.

A GENTE MORRE sem sequer guardar as comidas na geladeira. Tudo apodrece. A roupa fica no varal.

A GENTE MORRE, se dissolve e some toda a importância que pensávamos que tínhamos. E a vida continua – as pessoas superam e seguem suas rotinas normalmente.

A GENTE MORRE e todos os grandes problemas que achávamos que tínhamos se transformam em um imenso vazio, quando concluimos que não existem problemas! Os problemas? Eles moram dentro de nós. As coisas têm a energia que colocamos nelas e exercem em nós a influência que permitimos que exerçam.

A GENTE MORRE e o mundo continua caótico, como se a nossa presença ou ausência não fizesse a menor diferença. E, na verdade, não faz mesmo! Somos pequenos, e, mesmo assim, prepotentes! Vivemos nos esquecendo de que a morte anda sempre à espreita. E A GENTE MORRE. Pois é!

É bem assim: Piscou, morreu. O cachorro é doado e se apega aos novos donos. Os viúvos se casam novamente, fazem sexo, andam de mãos dadas e vão ao cinema.

A GENTE MORRE e somos rapidamente substituídos no cargo que ocupávamos na empresa. As coisas que sequer emprestávamos são doadas, algumas até são jogadas fora. E, quando menos se espera, A GENTE MORRE. Aliás, quem espera morrer? Se a gente esperasse pela morte, talvez vivêssemos melhor. Talvez a gente colocasse nossa melhor roupa hoje, fizesse amor hoje, talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço. Talvez a gente esperasse menos dos outros se a gente esperasse pela morte. Talvez a gente perdoasse mais, risse mais, saísse a tarde para ver o mar, talvez a gente quisesse mais tempo e menos dinheiro. Quem sabe, a gente entendesse que não vale a pena se entristecer com as coisas banais, ouvisse mais música e dançasse mesmo sem saber dançar.

O tempo voa. A partir do momento que a gente nasce, começa a viagem veloz com destino ao fim – e olha que ainda há aqueles que vivem com pressa, sem se dar a si mesmo o presente de reparar que cada dia a mais é um dia a menos, porque A GENTE MORRE o tempo todo, aos poucos e um pouco mais a cada segundo que passa.

O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O POUCO TEMPO QUE LHE RESTA? Pense nisso!

(*) Zezinho Serrana é comunicador e radialista na cidade de Prados, no Campo das Vertentes das Minas Gerais.

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