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Efeito Bolsodoria – O que os resultados das eleições têm a ensinar para Peruíbe

De plano, o povo quer mesmo mudanças por estar cansado dos mesmos, das oligarquias que teimavam pretender se perpetuar no poder, e está até mesmo disposto a correr o risco de experimentar o novo no lugar de ter que engolir a velha comida requentada que tanto mal fez à saúde (em todos os aspectos) de todos os brasileiros, de todos os paulistas, e, pensando no microcosmo de nossa cidade, de todos os peruibenses.

Não! Não adianta teimar, porque ainda que permaneçam bolsões onde a falta de informação e a ignorância pareçam teimar perenes na cabeça de uma parcela da população que não consegue mais discernir entre o bem e o mal, entre o bom e o ruim, é crescente o índice daqueles que estão descontentes e que se aperceberam que o voto, além de sigiloso, tem a força que propicia a mudança.

Se fizermos uma análise fria desta segunda-feira pós-eleições, e dos números que estes resultados nos apresentam, teremos a certeza de que parece mesmo que o povo vai perdendo o medo que os antigos coronéis lhes imputavam, e resolve, como é tradição na história brasileira, impor a revolução, sem o uso de recursos bélicos, sem derramamento de sangue, mas tão somente pelo voto.

O que o Brasil tem a aprender com estes resultados que sepultam não só velhas raposas da política em todos os planos – nacional, estadual e também municipal -, mas que também encerram nas masmorras da Justiça aqueles que lesaram os cofres públicos por anos a fio, é que é possível sim vislumbrar anos em que estejamos sob a égide de governantes que nos guiem “pelo exemplo” como salienta o presidente eleito Jair Bolsonaro, e como tem sido em Peruíbe nos últimos dois anos em que o município está sob a batuta do prefeito Luiz Maurício, e como se deduz ser guiado o estado a partir de janeiro tendo à frente um pragmático como João Doria Jr.

Evidente que os algozes de plantão, que ainda podem estar sob o efeito da ressaca das derrotas de 7 de outubro e também de ontem (28), haverão de espernear ao dizer que o que se aqui se escreve é mero exercício de retórica e semântica. Não tiremos destes o direito ao “jus sperneandi”. Aliás, em política aprende-se que promover esperneios (ou, para leitores mais modernos, o “mi-mi-mi”), não é próprio de estadistas, daqueles que estão preparados para governar ou para representar o povo nas câmaras legislativas. Exemplos disto pudemos ver ainda ontem, quando nem ainda haviam terminadas as apurações para o governo do estado, em que Márcio França, ainda que vendo que a diferença urna a urna andava na casa dos 500 a 700 votos (o que é pouco, convenhamos, para um universo de 33 milhões de eleitores), foi o primeiro a reconhecer a derrota para seu oponente João Doria, oficializando isto em telefonema que fez questão de fazer a Doria, parabenizando-o pela vitória. Eis aí um político tralhado para a vida pública – um estadista! Enquanto isso, praticamente no mesmo horário, Fernando Haddad, mesmo tendo perdido para Jair Bolsonaro por uma diferença acachapante de 10.756.607 votos (e olha que no primeiro turno Haddad perdeu para Bolsonaro por 17.934.959 votos!), o representante do Partido dos Traidores, ops… dos Trabalhadores preferia continuar com seu discurso de ódio (sim! – ele sim, de ódio!), de inconformismo, de ameaças, não esquecendo de impor, ainda que indiretamente, sobre os quase 58 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em Bolsonaro, a pecha da ignorância, de que não souberam votar. Eis, portanto, a diferença entre um estadista e um oportunista.

Ouvi ainda há pouco um discurso de Barack Obama – o discurso da derrota imposta por Donald Trump – que evidencia esta coisa de que “a eleição é um jogo, uma hora se ganha, outra hora se perde”. E ensina que, mesmo perdendo, é importante, seguir em frente, “ansioso por ajudar o próximo presidente a ter sucesso”, e não perdendo nunca a “fé no nosso povo”, porque “acima de tudo estamos todos no mesmo time”. Pois é. Lamentavelmente não há estadistas deste jaez no PT. Basta ver o escárnio com que as vozes vociferantes das lideranças petistas tratam as instituições públicas e, de resto o povo brasileiro, quando de seus esbravejantes discursos nas tribunas e palanques eleitoreiros.

Então. É disto que falo e vejo e que nos faz agora ter a certeza de que o povo está cansado. Cansado e oprimido. Cansado e inseguro. Cansado e cheio de incertezas quanto ao futuro, mas que agora joga suas últimas e preciosas cartas por um vislumbre que seja de Brasil melhor, de São Paulo melhor e, como aconteceu há dois anos atrás, de Peruíbe melhor.

No que tange ao que, como defini acima, “microcosmos” de Peruíbe, o avanço do entendimento da população por este anseio nacional por mudanças – de jogo e de regras – parece ter encontrado similaridade no resultado das apurações no âmbito municipal. Com 55.810 eleitores, Peruíbe foi muito além da média nacional, ao escolher Bolsonaro com 54,62% dos votos contra 15,55% dos votos oferecidos a Haddad. No segundo turno, a diferença foi ainda mais expressiva: Bolsonaro, com quase 70% dos votos dos peruibenses, deixando Haddad com pouco mais de 30%. É para reflexão notar, no entanto, que o embate para governador do estado, no plano municipal, demonstrou números que merecem ponderação, principalmente quando sabemos envolverem nomes que, a partir destes resultados, já começam a arquitetar seus planos para as eleições municipal de 2020.

A diferença de votos entre Márcio França (1º mais votado), e João Doria (2º mais votado) no primeiro turno (sempre lembrando que são números municipais, de Peruíbe), foi de 2.894 votos, ou, considerando terem havido 12 candidatos ao governo, 35,85% dos votos para Márcio França, contra 26,56% dos votos para Doria. Eram, convenhamos, números preocupantes para o staff tucano municipal, e de modo especial quando se sabe que os ex-prefeitos Gilson Bargieri, Milena Bargieri e Ana Preto apoiavam abertamente Márcio França, acompanhado de pertos por lideranças municipais não menos expressivas de vereadores, e até de ex-vereadores como Emer Elias Abou Jaoude, Alex Matos e Alexksander Veiga Mingroni (Kiko), e também pelo ex-candidato Barros (Altas Horas), e ainda por Paulo Henrique Siqueira (Paulão) teimosa eminência parda das oposições municipais. E ainda que não se possa afirmar que todos estariam juntos em 2020 contra o establishment tucano, o que, considerando a história política de Peruíbe, é deveras complicado e difícil, o fato é que as forças estavam juntas e misturadas em favor de Márcio França, legando a responsabilidade do apoio à “novidade” João Doria (pelo menos no plano municipal) para Luiz Maurício e sua régia equipe.

O embate estava, está e estará, portanto, evidente.

A quebra de braço, entanto, a meu modesto ver, não esteve só a serviço da medição do índice de satisfação que o povo vem tendo quanto à atuação do prefeito Luiz Maurício. Como dito acima, parece mesmo que o eleitorado de Peruíbe acompanhou a onda bolsonarista que apelava pelo desvio da rota deste gigantesco navio chamado Brasil para que não acabasse soçobrando ao chocar-se com o iceberg socialista e comunista que tenderia mesmo a tingir-se de vermelho do sangue de brasileiros que desde muito já morrem vitimados pelo descaso governamental nos cuidados com a saúde pública e com a segurança pública. Porém, quando se nota que a diferença de votos entre Márcio França e João Dória caiu de 2.894 votos no primeiro turno, para 429 votos apenas no segundo turno, é forçoso admitir que o cacife eleitoral do prefeito Luiz Maurício continua relevante ou mesmo, eu diria, até pode ter aumentado. Aliás, o próprio prefeito tem sido modesto em comentar reservadamente que o resultado das urnas foi uma vitória: “afinal éramos nós com nosso povo, contra todos eles”, referindo-se a nomes que seguramente deverão – e outros que poderão ou eventualmente haverão de – concorrer à prefeitura em 2020.

Embora não se possa precisar haverem vitoriosos ou derrotados nas searas dos políticos municipais que estiveram apoiando João Doria e Márcio França, pessoalmente cria que Márcio França teria votação muito mais expressiva em Peruíbe, até por ele ser um habitual frequentador da cidade, onde tem inclusive casa de veraneio. Do mesmo modo cria que João Doria teria votação bem menor em razão de até esta campanha não passar de um ilustre desconhecido para o povo de Peruíbe, e que dificilmente conseguiria convencer sobre a que veio, não fosse a interferência obstinada e direta do prefeito Luiz Maurício.

Por este viés é de se considerar que a ínfima derrota de Doria em Peruíbe não foi mais do que vitória para ele, e para o tucanato municipal. Afinal, ganhando na totalidade dos votos estaduais por apenas 3,5 pontos percentuais de votos à frente de Márcio França, é justo afirmar que os 15.971 votos (0,08% dos votos válidos) que João Doria obteve em Peruíbe foram de suma importância para ratificar sua vitória como governador do Estado para o quatriênio 2019-2022. E, para quem acha que esses números são poucos, experimente multiplicar esta votação local pelos 645 municípios do estado, e verá que se chega a um número que que representa um terço de todo o eleitoral paulista.

Elucubrações à parte, o importante mesmo é comemorar. O Brasil está livre da sanha socialista e comunista. São Paulo está livre das velhas oligarquias. Peruíbe agora pode sonhar e acreditar que os dois últimos anos deste atual governo do prefeito Luiz Maurício não será mais marcado pela perseguição política, pela vingança e pelo ranço. Retomamos, afinal, o rumo certo. Força no leme, João Doria! Força no remo, Luiz Maurício! Força na cabine de comando, Capitão! Deus os ilumine nesta dura tarefa, e ilumine a nós, vitoriosos e derrotados, para que saibamos entender que o Brasil, São Paulo e Peruíbe não é deste ou daquele partido ou político. O Brasil, São Paulo e Peruíbe é de todos nós! E, juntos, somos mais fortes! E, juntos, venceremos! Emmanuel!

Washington Luiz de Paula

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