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‘Penso, logo sou’; mas… ‘ser ou não ser? – Eis a questão!”

Há menos de 24 horas do início das votações para as eleições, sinto cumprir-me o dever de dedicar algumas linhas para, quiçá, tentar amenizar as dúvidas que ainda podem estar atormentando cabeças e mentes algures.

Evidente que tenho de mim e para mim a consciência e a humildade de reconhecer não estar dentre os pensadores mais brilhantes neste país, ainda que no campo da política, e muito menos quando se fala em ilustrações sociológicas ou antropológicas. Porém poderia me ufanar por fazer parte de uma classe que não se enquadra àqueles chamados “analfabetos funcionais”, que são aqueles que até escrevem e leem, mas que têm dificuldade de interpretação e de análise sobre tudo que leem (quando leem), e até sobre o que ouvem e veem alhures.

Sendo assim, penso. E, se penso, logo existo, para repetir René Descartes, muito embora seja muito mais correta a tradução do famoso “Cogito, Ergo Sum” como sendo “penso, portanto sou”.  A importância do “ser” é tão significativa que, para terem uma ideia, quando inquirido por Moisés sobre seu nome, ou sobre quem era, o próprio Deus foi peremptório: “Eu Sou o que Sou”, e seguiu dizendo: “Quando os filhos de Israel perguntarem quem o enviou para libertá-los, você assim lhes dirá: ‘Eu Sou me enviou a vós!”. (cf. Ex. 3.14).

Não! Longe de mim vangloriar-me por estar dentre os que pensam, ou, como queria Descartes, dentre os que são. Não pode ser vaidade aquilo que deveria ser obrigação de todo ser humano, desde o mais rude ao mais intelectual, desde aquele que teve oportunidade e acesso aos bancos escolares, até aquele cuja vida tem sido movida pela sabedoria passada e repassada de pai para filho, gerações a fio.

Mas, o que vemos no Brasil de hoje, graças ao aparelhamento do Estado e à doutrinação da sociedade pelo ideário socialista e comunista que comandou nosso país nas últimas décadas (e aqui estou com Olavo de Carvalho que lembra que a esquerda de viés marxista, seja cubano, soviético, chinês ou norte-coreano comanda Imprensa e o processo educacional no Brasil desde antes de 1964, e assim se manteve por todo o chamado “período militar”, e assim continua até hoje, e de modo muito mais enfático nos últimos anos comandados pelo establishment petista), o que vemos, e sobretudo sentimos, amargamente sentimos, eu diria, é que cresceu assustadoramente o número dos chamados “analfabetos funcionais” que – pasmem! – enchem até mesmo corredores de universidades, notadamente as públicas por todo canto deste Brasil varonil.

A catarse de Aristóteles parece ter se generalizado pela tragédia do abismo para onde todos estamos seguindo, ainda que contra a vontade. E esta tragédia é daquelas tragédias anunciadas, com exemplos marcantes e recentes, e muito próximos de nós, como aquilo que podemos ver acontecendo na Venezuela de hoje, por exemplo.

A questão é que o eleitorado (e aqui subtraio o eleitorado do restante da sociedade, por ser este aquele que decide nosso futuro pela força do voto), ainda que veja, ainda que leia, ainda que ouça, parece envolvido numa espécie de letargia sócio-política que o impede de discernir entre o que seja verdade e o que seja mentira. As evidências deixam de ter importância para parcela significativa do eleitorado quando, movidos por campanhas de propaganda em favor deste ou daquele pensamento político, passam a recear perder privilégios, por exemplo, privilégios estes no mais das vezes particulares e mesquinhos.

Entre a tragédia de Aristóteles e o drama de Shakespeare, esta porção dos que decidem por todos nós – livres pensadores ou não – escolhe a tragédia. O caos passa, por assim imaginar, a ser como uma espécie de “buraco negro” cuja força gravitacional põe em risco até mesmo o que de mais precioso existe no homem (no sentido antropológico), e na mulher (como queiram as feministas) que são os sentimentos.

Ora, se para Descartes, eu passo a ser exatamente porque penso, seria justo que a dúvida shakespeariana – ao menos ela – fosse o divisor entre a indecisão e a decisão sobre como proceder diante de situações tão nevrálgicas e emergentes como as de uma eleição como esta da qual participaremos amanhã. Afinal, a questão tem que ser – ou teria que ser – essa: “ser ou não ser; eis a questão!”.

O analfabeto funcional se evidencia, por pressuposto, pela preguiça de pensar. E, porque tem preguiça de pensar, de ler, de meditar, de inquirir, de buscar até mesmo no Google a coleção de informações da qual se pode garimpar a preciosidade da verdade, não faz outra coisa que contribuir para que o status quo ante se perpetue, permaneça e, em alguns casos, até piore.

E assim vemos uma massa disforme crendo serem mentiras as verdades que impuseram condenação e pena de prisão aos líderes petistas, pelo mesmo turno que creem de maneira até doentia que são verdade as mentiras que a propaganda petista impõe a seus desafetos políticos.

Uma das características deste eleitorado massacrado pela lógica de Goebbels, que a esquerda sabe muito bem aplicar em sua propaganda política e nos discursos inflamados, é a ambiguidade. Joseph Goebbels – o ministro da propaganda de Hitler e do nazismo – dizia que “uma mentira contada mil vezes torna-se verdade”; e acrescentava: “Minta, minta, minta, que algo cairá – quanto maior seja uma mentira, mais gente acreditará nela!”. E não outro que o próprio Adolf Hitler seguia lembrando que “se você pegar uma mentira grande, simplifica-la, e passar a afirma-la, todos acreditarão nela!”.

A “escola” deste tipo de doutrinação foi regiamente aprendida por Lula, por exemplo, quando confessou por inúmeras vezes que mentia para obter vantagens, sejam elas lícitas ou não. O exercício da mentira repetidas assim de modo tão ininterrupto parece mesmo ter ofuscado, por extensão, o eleitorado, que hoje mal se sabe dizer se é, afinal, do PT, ou se é mesmo só de Lula.

A ambiguidade a que me referi dois parágrafos acima transforma este nosso povo simplório em combustível para o anedotário político brasileiro. São, por assim dizer, como barcos de papéis singrando nas ondas do discurso dos caciques petistas, comunistas, socialistas, e até mesmo – por que não – de alguns partidos do chamado “centrão”, e mesmo de alguns direitistas mais exaltados.

A moda é acreditar. Mas acreditar apenas no que interessa não a mim ou a você, mas ao que interessa aos manipulares das massas. Se a manchete do Jornal Nacional ou da Revista Veja é favorável a Lula e ao PT, a Imprensa está seguindo o estrito compromisso com a “verdade”; se for contrária, a Imprensa é comprometida com a Direita e, portanto, “comprada”. Se a minha manifestação nas redes sociais é favorável à onda petista, eu sou amigo e colaboro com a “verdade”; se destaco as evidências escancaradas pelos fatos, deixo de ser amigo, e passo a ser hostilizado. Se o juiz, apoiado pelas provas colhidas por inquéritos policiais e por denúncia do ministério público, condena, ele está a serviço do capitalismo; se um procurador atende um pedido extemporâneo de liberdade para seu líder, esse “é o cara”. E por aí vai.

Fico triste quando vejo pessoas de meu convívio, que sei serem inteligentes o bastante para poderem pensar – ou, como queria Descartes, para “serem”, não conseguirem aferir, distinguir entre o bem e o mal. Chego a imaginar que estas, ao deitarem, não conseguem conciliar o sono sem ao menos por um instante duvidar de tudo aquilo que ouvem os outros dizerem, sem ao menos se preocuparem por um momento que seja sobre a que rumo estamos seguindo com nossas decisões tão pura e simplesmente ditadas e até ordenadas pelo pensamento alheio.

Oxalá que o dia de amanhã, este tão emblemático 7 de outubro de 2018, seja dia de redenção para o nosso país, para nossas crianças, para o nosso futuro, para nós mesmos. Afinal, somos ou não somos? Existimos ou não existimos?

Deus se compadeça do povo brasileiro. Deus se apiede do Brasil. Deus tenha compaixão de nós. Deus nos ilumine a mente e os corações amanhã. Kyrie Eleison!

Washington Luiz de Paula

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