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Prefeito Luiz Maurício sobre eleição do CONDESB: “Foi um rolo compressor!”

“Prefeitos do PSDB e Governador apoiam candidatura própria do partido”, lembra Luiz Maurício

Mourão tenta conduzir o processo de sucessão do CONDESB: Interferência do Estado (Foto: Assessoria de Imprensa/AGEM)

Da Redação

Em entrevista exclusiva a este blogue, o prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira, fala sobre o episódio que marcou a eleição do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (CONDESB) na última terça-feira, 27, na cidade de Santos.

Tido como franco favorito à sucessão de Alberto Mourão (prefeito de Praia Grande) na presidência do órgão, Luiz Maurício acabou sendo vencido pela maioria dos votos dos conselheiros do Estado, mesmo depois de ter tido o voto da maioria dos nove prefeitos da região a seu favor.

O embate começou com a “quebra de braço” entre Mourão, que insistia que a eleição seguisse o protocolo estatutário do CONDESB, e a interferência de Edmur Mesquita, subsecretário da AGEM (Agência Metropolitana), que protestava por um adiamento do pleito para depois da posse de Márcio França como governador, o que deve se dar na próxima semana com o afastamento de Geraldo Alckmin que deve concorrer à Presidência da República.

Dizendo não achar “correto trazer a pauta política para o conselho”, Luiz Maurício vê com preocupação a interferência direta do vice-governador Márcio França no processo sucessório do CONDESB. Para o prefeito de Peruíbe, seja como for, ficou evidente que o vice-governador, que é pré-candidato à sucessão de Geraldo Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes, ao contrário do que se pensa, saiu enfraquecido justamente em sua região de origem.

Veja a íntegra da entrevista:

Prefeito, seu nome vinha sendo indicado para assumir a presidência do CONDESB para o próximo mandato, e, ao que tudo indica, recebia apoio não só do até aqui presidente do Colegiado, prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, como também da maioria dos nove prefeitos da região. O que teria acontecido para que o resultado da eleição restasse diferente do previsto?

Houve uma clara interferência do Governo do Estado na eleição. Optaram em não respeitar a decisão da maioria dos prefeitos e colocar à frente do CONDESB um prefeito alinhado ao atual vice-governador.

O que pode se deduzir do noticiário corrente é que parece ter havido uma sensível “quebra de braço” entre o até então presidente do CONDESP, prefeito Alberto Mourão, e Edmur Mesquita, subsecretário de Assuntos Metropolitanos de São Paulo, que vinha orientando pelo adiamento da eleição, até para aguardar a posse de Márcio França como governador em razão do afastamento de Geraldo Alckmin que deverá concorrer à Presidência da República. Qual o embate político que há por trás desta eleição que coincide acontecer em ano eleitoral?

O processo eleitoral de 2018. Alguns defendem a candidatura própria do PSDB ao governo do Estado, e outros o apoio à candidatura do Márcio Franca.

Você recebeu maioria dos votos dos prefeitos. Cinco dos nove acompanharam orientação de Mourão para que você assumisse o CONDESB, mas os conselheiros do Estado decidiram por ampla maioria que você fosse vencido, com visível pressão do Palácio dos Bandeirantes. Que implicação isso pode ter para o futuro do CONDESB e da região?

Vejo um risco grande de enfraquecimento do CONDESB. Não acho correto trazer a pauta eleitoral para o Conselho.

Você faz parte de um representativo grupo de líderes tucanos que defendem candidatura própria ao Governo do Estado, cujo expoente até aqui tem sido o atual prefeito de São Paulo, João Doria Jr., e que segue na contramão do curso pretendido pelo governador Alckmin de indicar seu vice – Márcio França, do PSB – como candidato à sua sucessão. Nesse sentido, você vê que a intervenção dos conselheiros do Estado na decisão da maioria dos prefeitos do CONDESB foi uma retaliação a você e a aos prefeitos de Bertioga, Cubatão, Itanhaém e Praia Grande que votaram em você?

O Geraldo Alckmin apoia o candidato do PSDB. Não vejo como retaliação, mas sim como uma tentativa de demonstração de força. Entretanto, vejo que o Márcio França saiu enfraquecido neste episódio. A maioria dos prefeitos da região dele deixou claro que não o apoia. O resultado da votação entre os nove prefeitos da região deixou isso bem evidente.

Pedro Gouveia, prefeito de São Vicente, é o novo presidente do CONDESB. Considerando o fato de ele ser cunhado do vice-governador, pode-se dizer que Gouveia teria vencido “no tapetão”?

Tapetão, não. Foi um rolo compressor!

Opositores ao seu governo – e a você – em Peruíbe têm explorado essa sua “derrota” como tendo sido resultado de incompetência política, e não demoram para vincular o nome de Gilson Bargieri, tido como “homem forte” de Márcio França na cidade como tendo saído favorecido neste resultado. Como você vê essa vinculação um tanto quanto “forçada”, por assim dizer?

Isso não procede. O embate foi acima da disputa local e nenhuma liderança política de Peruíbe hoje pode dizer que tem condições de interferir em um processo regional como esse.

O que muda para você, para o seu partido, para o seu governo e para Peruíbe não estar à frente do CONDESB, tido como importante órgão de ligação político-administrativa com o Governo do Estado?

Absolutamente nada! Minha candidatura era uma coisa natural, pois eu ocupava a vice-presidência. Era um consenso entre os prefeitos a minha eleição até a interferência do Estado. Mas para nada muda para Peruíbe. Continuamos com nossa cadeira no Conselho e com direito a recursos vindos de lá.

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