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Nome que é sobre todo o nome e seu sobrenome

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O apóstolo Paulo afirma, em sua Carta aos Filipenses, Capítulo 2, Versículo 9, que a Jesus – e só a ele – foi dado um nome que é sobre todo o nome. No mesmo versículo Paulo completa que este nome que é sobre todo nome dado a Jesus, foi dado pelo próprio Deus, que – agora imaginem isso: “o exaltou soberanamente”!

Claro que aqui tratamos de um Jesus tido como o temos, nós os cristãos, como sendo o Filho unigênito do Deus Pai, e que, desde a Criação constitui o mistério da Trindade, sendo três e sendo um, juntamente com o Espírito Santo (In Nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti…).

Jesus, porém, não tinha um sobrenome, ou antes, um nome. Poderíamos dizer que Jesus era o seu prenome, se pensarmos os nomes civis como os vemos hoje. Se seu nome fosse Jesus da Silva, para efeitos legais hoje em dia, seu nome seria “da Silva”, e Jesus seria seu prenome. Se seu nome fosse Jesus da Silva Santos, dir-se-ia que seu nome, então, seria “Santos”, que “Jesus” continua sendo seu prenome, e o “da Silva” passaria a ser seu prenome.

Este assunto, por cultura inútil que possa parecer, deixa de sê-lo quanto pensamos na importância que tem um nome para uma pessoa e, de modo de maior importância ainda, para uma família.

Ainda que eu não tenha estudado isso com afinco, quero supor que mesmo no tempo de Jesus não haviam nomes, prenomes e sobrenomes como os conhecemos hoje. Basta ver os relatos dos evangelhos e das epístolas para notarmos que as pessoas eram conhecidas por serem filho de fulano ou de ciclano. Eram o que poderíamos dizer de “filhos do pai”, não obstante já serem também naquela época “filhos da mãe”!

Sendo assim Jesus era identificado pelos seus conterrâneos como sendo “Jesus, filho de José”. Como a comunidade de Nazaré era pequena, era difícil que houvesse outro “José” que tivesse um filho chamado “Jesus” pelas redondezas. Mas não era impossível. Para resolver esse impasse, acrescentava-se ao nome do pai da criança o ofício do pai: “Ora, não é este Jesus, filho de José, o carpinteiro” (cf Mateus 13.55). E, se houvesse ainda mais que uma carpintaria em Nazaré, Jesus também poderia ser identificado como “o nazareno” (cf Mateus 14.67). Aliás, é curioso que o próprio Jesus tivesse essa particular predileção: ser nazareno. Paulo, quando relatava o episódio de sua conversão na estrada de Damasco, lembrava que Jesus lhe aparecera e se identificara por seu gentílico: “Eu sou Jesus, o nazareno, a quem tu persegues” (cf Atos 22.8).

Trazendo para os dias cartoriais de hoje, seria algo como dizer que eu tenho por nome “de Paula”, que tenho por sobrenome Luiz, mas que sou conhecido por Washington, que é o meu prenome. Mas quem sou eu? Ora, Washington, filho do Luiz, o topógrafo do estado; ou ainda poderia dizer: sou Washington, o pariquerano (ou pariquerense, como queiram).

Desta arte proceder com um estudo de uma árvore genealógica hoje em dia é de algum modo fácil, graças aos mecanismos de busca e pesquisa que a internet oferece. Este estudo, entanto, nem sempre traz notícias agradáveis: alguns descobrem-se como tendo antepassados nobres, outros, que são provenientes de uma casta de criminosos piratas que assombraram os sete mares no passado.

Ainda assim, o nome de uma família deve ser preservado, sim! Este é o meu entendimento preliminar.

Trago a lume este assunto agora, mesmo depois de ter feito a digressão inicial em nome de Jesus, para tentar invocar o direito que a família tem que ter de se defender destes ataques sutis encetados pela mídia, pelos partidos políticos pouco comprometidos com a ordem natural das coisas, pelas entidades que defendem a liberalidade como pressuposto de liberdade, e, por consequência, pelas mudanças correntes nas leis que regulam o registro civil das pessoas naturais.

Evidente que há nomes que constrangem. Outros são até curiosos. Outros provocam a imaginação aos trocadilhos e aos cacófagos. Mas há também aqueles que, mesmo sendo jocosos, impõem respeito. Ainda no mandato passado tivemos um “Pinto” na Câmara, e olha que ele passou os quatro anos do Legislativo com posicionamento duro, inflexível até. Já o seu irmão, também “Pinto”, que chegou a ser vereador, presidente da Câmara e até vice-presidente, era bem mais conciliador. De tão moderado, dizia-se dele até mesmo ser “Denorex” – aquele que parece, mas não é. Mas deixo claro que não está aqui em pauta a discussão se é melhor que Manoel Bosta deixe de se chamar assim para passar a se chamar Joaquim Bosta (aliás nomes portugueses e japoneses são pródigos no oferecimento no enriquecimento do anedotário e do folclore).

O que trago à discussão são absurdos como a daquela senhorinha que tem elegante nome espanhol e que, à hora do casório, diante do juiz “de paz”, descobre que será acrescentado ao seu nome catalão um “Pereira” meio desengonçado, e arma desde aquele momento uma batalha campal que não poderia dar em outra coisa que num casamento de pouquíssima duração. Pois é. Mas a lei já vem de há muito de permitir isso: cabe à mulher decidir à hora do casório se quer ou não ter acrescentado ao seu nome o nome de seu marido, podendo inclusive decidir pela supressão de seu nome de solteira (vejam bem: estou falando de nome, e não de prenome!).

Imaginemos a Joana da Silva se casando com o João dos Santos. A lei permite que ela, ao se casar, passe a se chamar Joana da Silva dos Santos, ou só Joana dos Santos (suprimindo o nome paterno “da Silva”), ou até mesmo que permaneça só com o nome de solteira: Joana da Silva. Mais curioso é uma mais recente reforma na lei dos registros cíveis que permite também o contrário: João dos Santos, ao se casar com Joana da Silva, pode escolher permanecer com seu nome de solteiro, ou acrescentar o nome da esposa ao seu, ficando então João dos Santos da Silva, ou ainda suprimir o nome de seu pai (“dos Santos”), passando a se chamar somente João da Silva.

Parece complexo, mas não é. Sim. Não é. A crescente campanha de aniquilamento dos valores morais e das tradições familiares, trazendo para o mesmo nível de irresponsabilidade ética e social as figuras do pai, da mãe e dos filhos faz que as pessoas tenham este assunto como de somenos importância. “É irrelevante”, diriam alguns. “Não tem nada a ver”, acrescentariam outros. E outros ainda invocam o mais nobre dos sentimentos para defender a mesquinharia social reinante: “O que importa é o amor”, dizem. Infelizmente a realidade é dura, nua e crua: há muita gente se vingando de seus pais e de seus familiares neste importante momento de mudança de sua própria história, mal sabendo que esta armadilha pode pegar a caça, sim, mas, de modo geral, tem é pego o caçador!

Por retrógado que eu possa parecer aos meus leitores, repudio tais preceitos. Acho que é mais que um dever meu preservar a integridade dos nomes da minha família, e da família de minha esposa – é uma obrigação. A “simples” inserção dos nomes “de Paula” e “Toledo” no nome de meus filhos promove uma satisfação à sociedade do quanto eu e minha esposa somos gratos aos nossos pais, senão pelos que eles foram ou deixaram de ser, ao menos por nos terem concedido o dom mais precioso que é o dom da vida! Minha esposa, quando se casou comigo, este ano fazendo 35 anos já, fiz questão que preservasse o nome de seu pai, e acrescentasse ao seu nome o meu: Neide Toledo de Paula é o nome dela. Os meus filhos – todos os três – trazem também ambos os nomes, sendo que os três carregam também o prenome do avô paterno: George Washington LUIZ Toledo de Paula, Gabriel Felipe LUIZ Toledo de Paula e Guilherme EUCLIDES LUIZ Toledo de Paula, sendo Euclides o prenome do avô materno.

Os nomes ficaram grandes? Que importa? Importa mesmo é o privilégio de carregar em sua carteira de identidade a lembrança de suas origens. Faço outra digressão para uma aulinha modesta de história: Dom Pedro I, aquele que proclamou nossa Independência de Portugal ostentava “modestos” 18 nomes em sua certidão de nascimento: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Por tradição seu filho D. Pedro II não fugiria à regra, com 17 nomes: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon. (Se você teve paciência de ler ambos os nomes, percebeu um “de Paula” escondidinho entre seus nomes, não?).

A acusação por certo é fatal, porém não certeira: ah, isso é vaidade! Não diria. Orgulho? Também não. Tradição? Sim. Respeito? Igualmente sim!

Fico estupefato quando vejo alguém negar vincular o nome de seu pai ao seu. Há muitos pais e muitas mães na cadeia hoje em dia. São ladrões, traficantes, assassinos, criminosos de toda ordem. Outros estão fora da cadeia, mas envergonham de igual modo a família e a sociedade. Mas, se você buscar com cuidado, amor, atenção e gratidão, verá que há um quê de bondade no pior dos facínoras sociais. E eu acrescentaria: Você não tem o direito de vilipendiar, jogar no ostracismo, sepultar o nome de sua família só por carregar no peito um coração eivado de mágoas e questões mal resolvidas com seus entes mais próximos. Se seu pai foi assim e assado, será que seu avô também foi assim? Ou será ainda que não nenhuma viva ou morta alma dentre os nomes que você pretende perpetuar de agora para diante que também não tenha lá suas mazelas? Claro que há! Em toda família há alguém que por qualquer motivo envergonha ou já envergonhou seus parentes.

A desculpa para este negócio de não querer mais o nome de seu pai pode até se amparar na lei que, como dito acima, traz escondida em seu bojo uma intenção malévola de desarticular a família como ente perfeito criado por Deus. A família, prevista constitucionalmente como o “esteio da sociedade” já vem de perder o seu valor, o seu objetivo, a sua intenção maior que é a de formar homens e mulheres responsáveis e capazes de conviver em sociedade, de estudar para o aprendizado que traz o conhecimento e a capacidade ao desenvolvimento, de trabalhar para a promoção do bem comum.

Sei que estas são letras mortas para muitos. E eu não penso só em mim não. Tenho uma neta que traz só o meu nome, tendo deixado de receber o nome de seu avô materno. E posso dizer que, porquanto esta minha neta seja a coisa mais linda que o bom Deus já me deu até aqui, chama-la por prenome e nome me soa estranho: falta alguma coisa, falta o nome que, tenho certeza, encheria de alegria o coração do avô que mora lá para as bandas do interior.

A escolha dos prenomes, sobrenomes e nomes, por evidente, deve ser sempre prerrogativa dos pais. Foi assim comigo. E deve ser assim com meus filhos e noras, assim como com você que teve paciência de me ler até aqui. Mas lá, naquela horinha preciosa em que se vai definir o destino nominal daquela nova criatura que Deus nos dá, será que não vale refletir ao menos um pouquinho neste sentimento de gratidão que deve permear nossos corações, gratidão a Deus em primeiro lugar, e a nossos pais por terem feito o que podiam (e alguns até o que não podiam) para nos criar?

Neste momento em que me preparo para ser avô novamente, faço esta reflexão, por entender oportuna, e que tenho certeza poderá nortear caminhos e procedimentos diferentes que, por si só, podem servir de remédio que faça dissipar de todos os meus leitores toda mágoa, rancor e ódio que eventualmente temos ou que um dia porventura tivemos de nossos pais.

Deus nos abençoe! Sempre.

Washington Luiz de Paula

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