sexta-feira , 17 novembro 2017
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Essa Imprensa canalha de Peruíbe (ou o “O ‘déjà vu’ antigo do Plínio, o Velho” – Parte II)

A verdadeira honra está em fazer-se o que merece ser escrito, e escrever o que merece ser lido.” – Plínio, o Velho

Dia destes fui surpreendido com um áudio que me mandaram no qual era manifestada a opinião de um desses seres abjetos que ainda teima em circular pelas bocas malditas de Peruíbe acerca da Imprensa. Surpreendido, não! Engano. Nada mais me surpreende quando vem das esferas menores da sociedade, e o que disse o dito cujo não poderia ser menos esperado.

Mas, vamos ao tema.

Para aquele que cujo nome e o que faz e o que deixa de fazer é assunto recorrente nos salões do Ministério Público, e tem suprimido o tédio das sessões dos tribunais de contas – aqueles que julgam o uso do dinheiro público, condenando os que mal-usam o seu e o meu dinheiro, como parece ser caso cíclico para o consagrado “ambientalista-mor” de nossa cidade, “nunca Peruíbe não teve imprensa. Peruíbe tem uma meia dúzia de canalhas que tentam ganhar dinheiro; sobrevivem vendendo espaço no que eles chamam de jornal, mas é um papel higiênico, usado…” E segue rasgando sua mais fina seda para os assessores de imprensa da prefeitura que, segundo ele, “são sempre os mesmos”, que “vão falando aquilo que lhes é pedido”.

Muito curioso, convenhamos. O discurso, evidentemente falacioso, tenta vender uma imagem de alto conhecedor da matéria, mas ao mesmo tempo evidencia que a desconhece por completo. Primeiro porque, seguindo este raciocínio pouco ou nada lógico daquele que parece só saber articular as palavras depois de ter tragado um, é mais que evidente que não há diferença entre um dono de jornal, seja em Peruíbe, ou seja onde for, e um dono de padaria, por exemplo. O dono da padaria pode até ser português, mas não é burro o bastante para impedir a entrada em seu estabelecimento de quem quer que seja que a ele adentre para consumir e pagar pelo que consome! Neste sentido, o jornal, a rádio, a tv, o blogue, a Imprensa, enfim, é um comércio como outro qualquer. O dono da padaria – e o dono do jornal – pode até ter uma opinião formada sobre determinado assunto, mas não será inepto (como inepto demonstra ser aquele que agora solta suas frustrações para cima da Imprensa) a ponto de negar espaço em seu veículo, e de modo muito especial se este for pago! Por que deveria ser diferente?

Vamos a um exemplo prático, e para isto me permita o nobre empresário peruibense, criador e dono do Pão de Maçã, reconhecidamente uma das empresas mais bem-sucedidas de Peruíbe. O Emiliano, muito embora tenha demonstrado ser visceralmente contrário à instalação da termoelétrica em Peruíbe, não poderia – nem deveria – colocar uma placa à entrada de seus estabelecimentos onde estivesse escrito: “aqui não entra quem for a favor da termoelétrica, e principalmente os empresários donos da Gastrading”. Poder, em tese, até que poderia, mas seria um suicídio comercial tentar imaginar ter um comércio e nele tolher a entrada deste ou daquele só porque pensa diferente.

Imaginemos ainda outro cenário, ainda me permitindo me referir ao Pão de Maçã, que sei, conheço, e tenho testemunhos de que tem gente que não passa por Peruíbe sem tomar um cafezinho que seja nestas duas casas que, graças à competência do Emiliano e de sua família, vem sobrevivendo a toda e qualquer crise, e que trouxe um pedacinho da Europa para dentro de Peruíbe. Os donos da Gastrading (empresa que pretendia – ou ainda pretende – instalar a UTE no município), querem organizar um café para autoridades na cidade, e perguntam onde há um espaço aconchegante para isso, no que os informantes haverão de serem unânimes: Pão de Maçã!

Não creio que os donos da Gastrading iriam querer saber a opinião do dono do Pão de Maçã acerca da termoelétrica antes de decidir contratar o café mais famoso de Peruíbe, assim que me custaria crer que me dissessem que o Emiliano não aceitaria vender seus serviços à Gastrading.

Por lógico, é assim que funciona com a Imprensa. Eu mesmo fui contatado pela agência que está cuidando do marketing da Gastrading em Peruíbe para contratar a publicação de um banner em meu blogue, e em nenhum momento eles me perguntaram se eu era a favor ou contra a UTE. (Aliás, tenho repetido inúmeras vezes que não sou a favor, nem contra; e brinco: muito pelo contrário!).

Mas, infelizmente em Peruíbe há e sempre houve destes que acreditam, como Plínio, chamado “O Velho”, que acreditam que “será mais fácil criticar a minha obra do que imitá-la”.

Na extensão desta corda com que teceu a loa especialmente dedicada aos profissionais da Imprensa de Peruíbe, o eminente ambientalista-mor de Peruíbe (cujo nome me recuso a replicar nestas minhas mal traçadas linhas) lembra dos assessores de imprensa da prefeitura como aqueles que “seguem falando o que lhes é pedido”. Ora, e era para ser diferente? Como poderia um padeiro falar mal do pão da padaria em que trabalha, ou mesmo do dono da padaria que lhe paga seu salário? O próprio inquisidor, nos seus áureos e gloriosos tempos em que sobreviveu com projetos sustentados pela Petrobrás (projetos esses de duvidosas procedências e execuções), manteve-se silente diante dos desvios da estatal, receoso de que, se algo falasse, seu quinhão viesse a ser cortado. É natural. Aliás, assessor serve para isso mesmo: para falar bem do chefe e, no caso de uma prefeitura, falar o melhor que pode do governo, afinal, sigo acreditando não existir governo que seja cem por cento ruim, assim como não o há aquele que seja cem por cento bom.

A este assunto, ainda me socorro do famoso ecologista da Roma antiga, cujo nome civil é curioso: Caio Plínio Segundo, ou, em latim, Gaius Plinius Secundus, quando, em um de seus aforismos, que “pasma ver até onde pode chegar a arrogância do coração humano estimulada pelo menor êxito.” O “êxito” em tela parece mesmo ser a tal “vitória” que os ecochatos de Peruíbe obtiveram sobre as autoridades constituídas de Peruíbe, na aprovação e promulgação da lei que quase que literalmente impede que a Gastrading pise em solo peruibense, ainda que seja para montar uma padaria – Sim! Ou vocês duvidam que não demoraria para encontrarem na fumaça que sairia da chaminé da “Padaria Gastrading” agente poluente que fosse suficiente para comprometer a camada de ozônio e a qualidade do ar de Peruíbe, que um dia chegou a ser tido como um dos três melhores do mundo? O quê? Mas a padaria não é a lenha, e sim a gás? Não tem fumaça? Ah! Eu entendi… Agora eu entendi!

O fato é que esta gente não está habituada àquilo que se convenciona chamar de “estado democrático de direito”, e que somos livres para pensarmos, e para manifestarmos nossos pensamentos, seja falando ou escrevendo, e isto não deveria ser nunca motivo a que qualquer que seja fosse chamado de canalha, apenas e tão somente por exercer o seu inalienável direito de buscar o pão para levar para dentro de suas casas. Por outro turno, poderíamos sim sermos chamados de “canalhas” se nos apropriássemos de dinheiro público, e o desviássemos de sua finalidade precípua; mas o dinheiro que vem da publicidade para este e aquele jornal vem da iniciativa privada, e graças a Deus que vem, porque dinheiro é bom, e sempre vem em boa hora! (Costumo dizer que gostar de dinheiro é um verbo que se pode conjugar em todas as pessoas e tempos: eu gosto, tu gostas, ele gosta, nós gostamos, vós gostais, eles gostam!).

Fui procurado por alguns colegas buscando apoio para arquitetarmos um processo contra o dito gajo. Repeli de pronto. Primeiro porque não sou litigante de má-fé. Acho que a Justiça tem mais com que se ocupar do que com picuinhas, principalmente em razão de verbalizações proferidas por quem sabidamente vive dopado, ervo-afetivo como é. Segundo, porque, muito embora careca, não caiu sobre minha cabeça o monte de bosta que ele mesmo produziu, cagando na mão, e buscando o papel higiênico limpo da imprensa para tentar se limpar. Não o conseguindo, jogou pra cima, e – acreditem – em minha careca não respingou sequer um feijãozinho!

Foi ainda Plínio, o Velho, quem ensinou que “pouco herda quem não herda as virtudes dos seus antepassados”. Pois então; dos meus antepassados herdei o ensinamento de que toda vez que alguém lança ao léu um impropério, uma calúnia, uma ofensa, uma difamação, não o faz senão pelo sequioso desejo de se livrar daquilo do qual o seu próprio coração e alma está cheio. Se ninguém abraçar a ofensa lançada, tal como bumerangue o xingamento volta ao ponto de sua origem, do que depreendemos que, se eu não sou canalha, se os demais colegas (contrário ou a favor dos ideais mesquinhos deste um) não são canalhas, canalha mesmo é aquele que acusou.

Em tempo, lembro que a palavra “canalha” tem origem no latim “canalia”, que significa “bando de cães”. E isto nos remete ao vaticínio pelo qual sofre todo aquele que se evidencia numa cidade, notadamente no plano público ou político, onde se é acusado “por ter cão e também por não ter cão”. Mas, sem querer ofender os cães, ainda mais que que tanto amo estes adoráveis e fiéis animais, prefiro seguir sempre também recomendando que “é bem melhor ter um cachorro amigo que um amigo cachorro”.

Os meus diletos leitores já vêm de se aperceber que gosto de citações. E gosto mesmo. Por isso mesmo termino esta prédica lembrando três personalidades que trataram com propriedade do tema. A primeira é François Fénelon, teólogo, poeta e escritor francês, que disse: “As injúrias são os argumentos daqueles que não têm razão”. Mateo Alemán, escritor espanhol, assim se manifestou: “O melhor remédio contra as ofensas é desprezá-las”. Por derradeiro, Confúcio, pensador e filósofo chinês, ensinou que “ser ofendido não tem importância nenhuma, a não ser que nos continuemos a lembrar disso”.

Esqueçamos as ofensas, portanto. Um registro de autor desconhecido confere que “o veneno só faz efeito se você o engolir”. Agora, se vocês continuarem insistindo em falar mal de mim (lembrando Tati Bernardi, escritora, cronista, roteirista e jornalista brasileira), por favor, me chamem – eu sei coisas terríveis a meu respeito!

Washington Luiz de Paula

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