Maestro radicado em Peruíbe concorre a reality show

Marco Antônio Rodrigues está na disputa para participar do programa espanhol “Bravo Maestro”

José Luiz Araújo, em A Tribuna

Câmeras, microfones, luzes. Nenhum gesto, palavra ou som será ignorado. Seis dias sob vigilância. Reality show? Acertou! Mas não há confinamento e muito menos as futilidades dos realities que conhecemos.

Vai retratar o cotidiano de cinco profissionais: como são, o que fazem e a preparação (estudo, concentração, ensaio) durante cinco dias para, no sexto, a regência de uma orquestra sinfônica. É o programa “Bravo Maestro”, para divulgar, promover e incentivar cultura.

Marcado para ser exibido, ao vivo, de 8 a 13 de agosto, em Helva (Espanha), poderá ter um brasileiro próximo de nós: o maestro paulistano Marco Antônio Rodrigues (foto), 54, que reside em Peruíbe. É um dos profissionais espalhados pelo mundo que concorrem às cinco vagas do reality, que será transmitido para a Europa pela TV e online para os demais países.

O quinteto será selecionado por júri composto por três diretores de orquestras: Francisco Navarro Lara (Escuela de Dirección de Orquesta, Espanha), Maurício Caro (432Hz Recording Studios, Colômbia) e Juan Carlos dos Santos (da Orquesta Sinfónica Nacional del Paraguay.

“Os inscritos mandaram vídeos de suas performances, que serão analisadas. E haverá uma votação pública, pela internet, em caso de empate. Terá peso na seleção dos cinco. Vai mensurar a popularidade do maestro em seu país. Meus amigos estão divulgando isso em rádios, na TV, nas redes”.

Vencer o “Bravo Maestro” trará vantagens: gravar um álbum com uma orquestra sinfônica, visibilidade internacional, convites para reger e ter a carreira administrada por nomes como o próprio Navarro Lara, que faz parte do júri.

“Qual brasileiro não sonha com carreira internacional? Ter acesso ao que há da melhor qualidade? A música sinfônica no exterior ainda é uma oportunidade melhor do que aqui”.

Determinação é a expressão para defini-lo. É autodidata. Desde os 7 anos, quando aprendeu a tocar trompete, na maior parte, se virou sozinho.

“Lendo livros, partituras, recorrendo a gravações, discos, depois, à internet. Muito tempo depois fui fazer cursos, entre eles (por dois anos), com o maestro Eleazar de Carvalho. Também fiz aulas de composição e regência com Sérgio Vasconcelos. Com Eleazar, em 95, fui assistente na execução do primeiro movimento da Sinfonia de Beethoven, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp”, lembra.

No cotidiano, ]trabalha como regente convidado (recentemente, esteve à frente da Sinfônica do Paraguai), arranjador, compositor e assessor. “Avalio a orquestra para detectar problemas e revolvê-los, como criar repertório adequado”.

Para ontem

Paralelamente, é aluno do curso de regência na Escuela de Dirección de Orquesta, em Huelva. Falta um ano para se formar. Foi na página dela que soube do reality.

Deixando a modéstia de lado, Marco Antônio acredita que será um dos cinco selecionados, mas, claro, não dispensa a ajuda dos internautas.

Mais: aposta que tem grandes chances de vencer. “Isso falado por muita gente, inclusive da Europa. Minha maior qualidade é a memória auditiva. Tenho as cinco obras na cabeça (uma será escolhida, na hora, como uma das muitas tarefas do reality. Com isso, olho diretamente para os músicos, o que os incentiva muito mais, resultando em um trabalho em conjunto de bem maior qualidade”.

O mais curioso nisso tudo é que Marco Antônio é formado em Educação Física. Dá aulas nos ensinos fundamental e médio municipais em São Paulo de… Música.

“Comecei a tocar trompete aos 14 anos. Aos 17, na hora do vestibular, prestei e passei em Música (na Santa Marcelina) e Educação Física (Guarulhos). Como eu era atleta e fui das categorias de base no futebol no Palmeiras, optei pela segunda graduação. Se eu tivesse sido orientado, faria música. Teria encurtado, e muito, a minha entrada na área do que realmente amo fazer”.

Por conta desse arrependimento, o músico e maestro tem como um de seus compromissos educacionais justamente orientar seus alunos. Há muita gente talentosa, atesta, somente de olhar.

“Mas eles estão mais ligados na internet. E se não tiveram apoio dos pais, é pior. São imediatistas, querem tudo rápido. Não há paciência. Estudar música requer tempo, dedicação. É fácil ver como o jovem de hoje é em relação ao tempo e à música. O instrumento que mais gosta, de cara, é o de percussão. É só bater e sai som. Os de cordas e sopros dão muito mais trabalho para produzi-lo. Não estou desclassificando a percussão. Temos alguns dos melhores profissionais do mundo. Falo desse imediatismo”.

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