sábado , 18 novembro 2017
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20 anos depois, zebra do PSDB se repete em Peruíbe

2006_animais_tucano_amarelopretobrancoevermelhonogalho1Dizem que a história é cíclica, e há quem brinque dizendo que “enquanto o mundo gira, a Lusitana roda”, fazendo referência ao mote publicitário de uma antiga transportadora. Mas o que se viu em Peruíbe nas eleições deste ano foi um repeteco tão sem vergonha de 1996 que, mesmo quem queria ver, não poderia acreditar que a mesma coisa daquele ano viria acontecer agora.

Naquele ano também estavam no páreo Gilson Bargieri e Mário Omuro, que concorriam agora quase que em um presságio de que o resultado das eleições não teria como ser diferente do que se deu lá atrás.

As diferenças são poucas: Em 1996 eram seis candidatos, em 2016, oito. Gilson Bargieri era candidato pelo mesmo PSB de agora. Mário Omuro pelo PMDB, que agora também concorria com Alex Matos à frente como candidato a prefeito. O PTB da atual prefeita Ana Preto, que preferiu não correr o risco da aventura rumo à consolidação do desagrado geral do povo, tinha como candidato José Carlos Rúbia de Barros (Carlinhos), que hoje era o capitão da campanha de Gilson Bargieri. De resto, PT e PPB cada qual lançaram seus candidatos, com a bizarra votação de Alba Valéria Vieira de Farias, candidata do PPB que terminou a eleição com 62 votos.

De igual – bem igual – entre as duas eleições ficou para as brigas entre todos os demais candidatos, que partiram para uma baixaria descomunal, e todo mundo bateu em todo mundo, menos em Dr. Alberto Sanches Gomes, candidato do PSDB, que até 15 dias das eleições daquele ano recebia recomendação expressa do então governador Mário Covas para desistir do pleito, em razão de sua última colocação das pesquisas. Seguir à frente seria fazer feio demais para o tucanato estadual! Mas Dr. Alberto seguiu em frente. Em seu último comício ali na Praça Redonda, não tinham mais que dúzia e meia de gatos pingados, ou de tucanos bicudos. Enquanto isso, lá fora, a guerra estava armada. Por bem pouco não teve mordidas, tapas, bolachas e voadoras como teve agora.

Dr. Alberto não entrou na briga dos obcecados pelo poder, e levou a melhor. Elegeu-se prefeito com 29,34% dos votos válidos, um pouco mais que seu sucessor póstero, Dr. Luiz Maurício, que venceu agora as eleições para prefeito em Peruíbe, com 28,50% dos votos.

Para os devotos do PSDB, pode não ter sido zebra, antes um justo prêmio pela persistência em perseguir seus objetivos programáticos, mas sobretudo de não se misturar à “gentalha” que gosta mesmo é de um barraco, não medindo tramas e trapaças para se manter no poder. E a coisa é bem por aí mesmo: Dr. Alberto é conhecido como sendo um poço de seriedade no trato de suas coisas pessoais, e, de resto e principalmente, na administração da coisa pública. E, ao que parece, Dr. Luiz Maurício (este advogado, ao passo que aquele, cirurgião dentista), segue o mesmo viés de seriedade tão necessário para o condutor deste grande veículo chamado município que, no caso de Peruíbe, tem já 80.000 passageiros.

A repetição da história de 1996 nas rusgas interpessoais em que se meteram Gilson Bargieri, Alex Matos e Emer Elias Abou Jaoude só fez crer que o povo já não aguenta mais esta história de pessoas se mordendo mutuamente enquanto que a caravana passa com seus tantos e tantos problemas, sem que nenhum desses ferozes gladiadores pare para pensar se vale a pena se matar por uma vaidade pessoal em detrimento de tudo aquilo que o povo mais precisa para ter dignidade.

Não quero aqui repetir que venceu o melhor para não cair no lugar-comum de todos quantos neste momento podem estar ligando para Luiz Maurício para tecer loas e elogios, como se tivessem estado todo o tempo ao lado dele. Mas como cidadão apaixonado por esta cidade é meu dever dizer que me sinto feliz e gratificado por Peruíbe ter escolhido, senão o melhor candidato, ao menos alguém bem diferente daqueles antigos coronéis – e suas vertentes.

Que o bom Deus conduza os passos deste jovem advogado. A lamentar, a lacuna que ele deixa na Câmara. Ele e seu vice, André de Paula.

Washington Luiz de Paula

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