sexta-feira , 21 julho 2017
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Quem são os que temem os paraquedistas

Começo estas considerações lembrando o folclórico JP Melo que costumava dizer que “filho da terra é minhoca”. Dizia ele isto, na campanha de 2000, para rebater as acusações que recebia de ser “paraquedista”, e de que o eleitor de Peruíbe deveria mesmo era votar num “filho da terra”. Aquele era um tempo em que ele – Dr. Melo – ousava invocar para si o direito de vir a ser candidato a prefeito de Peruíbe, direito esse que é dado a qualquer cidadão e eleitor, independente de morar na cidade há muito ou pouco tempo.

Não foi a primeira vez que isto aconteceu. Em 1988 – lamento que poucos se lembrem – o empresário Francisco Pereira da Rocha (Dr. Rocha), depois de indignar-se por ver uma cidade tão bela como Peruíbe arrastar anos a fio de descaso por obra e arte de seus mandatários, “intromete-se” na política como candidato a prefeito nas eleições daquele ano, e não demorou para que o acusassem também de paraquedista, justamente ele que, quando veio para a cidade, não buscou morar em condomínios fechados e em casas luxuosas, mas foi se instalar no coração do Caraguava, numa chácara em meio a maior bolsão de miséria de Peruíbe como era aquele bairro àquela época, não porque era demagogo, mas sim porque não temia ele o cheiro do povo, como fazem alguns candidatos hoje que mal pegam nas mãos dos eleitores, e, quando pegam, correm a lavar as mãos com álcool.

Infelizmente um e outro – Dr. Rocha e Dr. Melo – não tiveram oportunidade de mostrar a que vieram, e se suas propagandeadas boas intenções de mudança para a cidade eram verdadeiras, se seriam implementadas caso viessem a ganhar as eleições, vez que sabido que o que pretendiam de melhor para Peruíbe era factível, possível de se realizar. Enquanto Dr. Melo perdeu-se nos descaminhos de asseclas mal-intencionados e de seus próprios medos, Dr. Rocha teve a vida ceifada meses antes das eleições em fatal e até hoje mal explicado acidente automobilístico à entrada da cidade.

A curiosidade ficou sem que a conferíssemos, afinal. Levadas, uma e outra candidatura, até as urnas, o povo os elegeria como pleito de uma necessária e urgente mudança da rota em que teimavam sempre os mesmos seguir, tendo como rumo interesses de meia dúzia em detrimento de toda uma população carente das necessidades as mais básicas possíveis? Ou será que este mesmo povo assentiria no discurso dos que apontam o dedo para o “aventureiro”, para o “paraquedista”, para “o que chegou ontem na cidade”, ao mesmo tempo em que escondem a mão do gato que usurpa os cofres públicos em seus próprios benefícios, e que o povo nunca viu, não vê, e parece mesmo não ver, ou não querer ver?

Infelizmente a história política conta para nós este enredo triste repetido e cantarolado toda eleição de que o anterior fora melhor que o atual. O conceito do “ah, eu era feliz e não sabia”, parece ofuscar olhos, ouvidos, bocas e mentes do povo sofrido e esquecido de situações desastrosas acontecidas há apenas quatro ou cinco anos atrás, as quais justamente foram os motivos que fizeram a revolta se instalar para eleger a atual mandatária, em detrimento daquela que o próprio povo julgara ter sido “a pior prefeita que Peruíbe já teve”.

Este estado instável da vontade do povo tem raiz na sua letargia política, no cabresto mental que nossa gente carrega por falta de oportunidade de acesso a uma educação sóbria e digna, e às manifestações culturais. É notório que o livre pensar não faz parte do interesse daqueles que têm no cabresto a sua principal arma de perpetuação no poder.

Exemplo recente disso vem das eleições de 2004 para cá. Naquele ano, José Roberto Preto encetou uma corajosa campanha para derrubar o estigma de poder criado pelo ufanista Gilson Carlos Bargieri. A campanha milionária de JR Preto tinha dinheiro suficiente para desmascarar os escândalos perpetrados durante o governo de Bargieri e leva-los à TV, em rede nacional. O povo teve um despertar ligeiro de seu sono hipnótico, e derrubou o então prefeito, elegendo seu opositor e denunciante.

Quatro anos parecem terem sidos mais que suficientes para o povo esquecer tudo aquilo e adormecer novamente. Em 2008, Gilson Bargieri voltou ao palanque, denunciou o que passou a chamar de “trama eleitoral”, invocou sua inocência em discursos inflamados que só não convenceram a Justiça Eleitoral, e, impedido de ser candidato, apontou ao eleitor sua filha Milena, às vésperas do pleito, quando sequer tempo deu de trocar a foto de um pela outra nas urnas, e o povo, não convencido dos argumentos da oposição – e da Justiça –, e apenas se lembrando do desastroso último ano daquele mandato, logo pretendeu entender que Gilson, afinal, fora bem melhor que a dupla José/Julieta, e elegeu então Milena Bargieri como prefeita para o mandato de 2009-2012.

Passional aos extremos, em 2012 o povo se arrependeu novamente. Não! Não era um Bargieri que representaria a salvação municipal, mas sim uma descendente de José Roberto Preto, porque parecia restar provado que as administrações encetadas pela “famiglia” não eram dignas de merecer nota e respeito, ou mesmo lembrança. E lá correram os eleitores para as urnas quais ovelhas rumando céleres e inocentes para o matadouro daquela que hoje vemos ter sido a mais perigosa loba que os anais da história político-administrativa de Peruíbe já registrou. Pensavam os eleitores estarem seguindo o caminho do aprisco. O engano foi geral, e o destino desta desastrosa caminhada está ai, representado pelo cadafalso da guilhotina eleitoral que a própria prefeita Ana Preto criou para si e para os seus mentores.

O desastre da atual administração, se não fez acordar o povo de vez da necessidade de ousar experimentar o novo, parece ter tido o efeito corriqueiro e já conhecido: Gilson Bargieri e Milena foram melhores prefeitos que Ana Preto, por isso merecem voltar a governar a cidade, e isto explica o porquê de ambos os Bargieri estarem sendo apontados em lugares de destaques nas pesquisas feitas aqui e ali, alhures e algures.

Em que pese que até mesmo Robalinho, o extinto guardião da praia do Costão, teria gerido melhor a cidade que a atual mandatária, pretender trazer luz para a futuro da cidade acendendo a vela já gasta de que “o anterior foi melhor que o atual”, é um perigo a ser combatido por todos os homens e mulheres de bem e de bons costumes da cidade. Não podemos mais repetir este discurso falido, que já era de ter caído em desuso desde muito tempo, sob pena de a cidade continuar se arrastando por mais décadas a fio, sem sair da mesmice, do lugar comum em que tem se encontrado desde sempre. Ou será que alguém duvida de que, se eleito este ano, Gilson Bargieri ou Milena Bargieri, por mais esforço que venha a fazer em seu futuro e eventual governo, não conseguirá evitar que Ana Preto volte à carga em 2020, correndo nós o risco de a elegermos porque não ficamos de todos contentes com o governo de Bargieri, quando descobrimos que, com Ana Preto, “éramos felizes e não sabíamos”?

É, senhores e senhoras. Votar é fácil; pensar é necessário. Necessário, mas difícil.

A proposta que faço é pelo novo. Sempre pelo novo. Eu não tenho medo do chamado paraquedista. Durante a II Guerra Mundial eram os alemães – os bandidos daquela vez – quem tinham medo das brigadas paraquedistas dos aliados. E eu não sou bandido, e sei que o povo de Peruíbe não é bandido. Por conseguinte, só temem os paraquedistas aqueles que têm interesses inconfessáveis, ou os que costumam fazer na vida pública o que fazem na privada!

A lógica da escolha pelo novo é simples e pode encontrar espelho em muita gente que veio para a cidade trazendo todas suas economias para investir aqui, criando negócios, estabelecendo empresas, gerando empregos, trazendo novidades, quando poderiam estar fazendo tudo isso em lugares onde o retorno lhes seria muito mais confiável e seguro. Trago a lume, com a devida vênia, o exemplo de Antônio Carlos Caruso. Dr. Caruso (ou “Carusão”, como é carinhosamente conhecido entre nós) ousou empreender negócios através de uma pequena cadeia de hotéis e pousadas, um centro de convenções e eventos de primeiro mundo, um cinema digno de uma capital, e, embora reconhecido como “cidadão honorário de Peruíbe” não logrou ainda o reconhecimento merecido para vir a se tornar – também ele – mandatário municipal.

Tenho para mim, e creio firmemente que Dr. Caruso seria um ótimo prefeito para Peruíbe. Seria o nosso redentor, a ponto de estabelecer um hiato, um abismo a ser esquecido, entre ele e Geraldo Russomanno, nosso emancipador de seis décadas atrás. Mas Dr. Caruso não é candidato. Infelizmente, não é.

Não há outra novidade no cenário dos candidatos a prefeito neste 2016, senão o empresário Carlos Barros, que eu não conheço pessoalmente, e que sequer sentei à mesa do seu “Altas Horas” para medir a qualidade de seu empreendimento. Mas tenho ouvido dele, e o tenho ouvido nas redes sociais. Descontadas as acusações de praxe, pouco dignas de nota e crédito, porque oriundas de seus desafetos políticos, a mim me parece que Carlos Barros parece ser a bola da vez. É uma pena que a classe política de Peruíbe prefira manter-se próxima do poder, buscando a manutenção dos mesmos de sempre. Não os culpo, embora os julgue; afinal, têm eles seus interesses, como já ditos, no mais das vezes inconfessáveis.

Dos candidatos que se apresentam no palco da eleição para prefeito, me parece que todos, à exceção do próprio Carlos Barros, tiveram ou têm alguma participação no tabuleiro da história política da cidade. Alguns fizeram alguma coisa pela cidade, outros nenhuma. Mas todos deram um jeitinho de se manterem vivos – e bem vivos! – com o que ganhavam, direta ou indiretamente, do dinheiro oriundo dos cofres públicos. As fortunas não explicadas – ou mal explicadas – de alguns destes dão atestado de onde é que reside essa disposição tamanha e desmedida que eles têm de gastar milhões de reais numa campanha eleitoral para um mandato cuja renda oficial não faria retornar nem um terço do que gastam em algumas semanas de campanha.

Não é preciso dar “nome aos bois”. Basta acessar as informações dos candidatos dispostas nos sites da Justiça Eleitoral para saber e conhecer que tem candidato morando em casa que vale mais de um milhão de reais, mas que declarou à justiça nem um quarto de seu real patrimônio. Por consoante e por me parecerem serem todos suspeitos em seus interesses escusos somente a partir deste quesito, é que reitero aqui que, se temos que escolher alguém, se somos impelidos e compelidos a escolher senão o melhor, ao menos o “menos pior”, é bem preferível que ousemos nos aventurar pela escolha de um “paraquedista”. Tentar, assim, é bem melhor que incorrer no erro segunda ou terceira vez, o que nos daria atestado perene de burrice.

Como cidadão, como munícipe, como membro de uma família que está há 49 anos nesta cidade, e que acompanha eleições municipais bem de perto desde a eleição de 1976, acho que o eleitor de Peruíbe teve seus momentos de ousadia quando elegeu Mário Omuro prefeito em 1988, quebrando uma hegemonia Sodré-Popescu-Sodré-Popescu no poder de 30 anos; mas também avançou quando elegeu Dr. Alberto Sanches Gomes em 1996, desconsiderando os antigos coronéis que ainda teimavam retornar ao poder; e avançou mesmo quando elegeu Gilson Bargieri em 2000; e depois José Roberto Preto em 2004. Se as “novidades” não atenderam de todo as expectativas do povo de Peruíbe, ao menos podemos dizer que tentamos.

A hora agora é novamente pelo novo. Temos que continuar tentando! Urge tentarmos, até porque tudo que temos visto e ouvido por ai – e hoje nada e ninguém se esconde por muito tempo, graças à internet e às redes sociais – parece não merecer mesmo qualquer crédito de nossa parte.

Portanto, é momento de darmos um basta às mentiras, às promessas, ao descaso, à briga do poder pelo poder, aos interesses escusos.

Se você quer tentar um governo nota 10 para Peruíbe, se você não é o bandido que tem medo de paraquedista nem de ousar, nem do novo, já sabe: Barros é o cara! Barros é a novidade! Barros é 10!

Washington Luiz de Paula

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2 comentários

  1. Bárbaro, Parabéns pelo texto, todos deveriam ler.

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