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Funcionalismo de Peruíbe decide entrar em estado de greve

Da Redação

Por 124 votos a 73, os funcionários públicos municipais de Peruíbe, reunidos em assembleia convocada pelo SINTRAPE – Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Peruíbe, no início da noite de hoje (18), decidiram não aceitar a proposta de reforma administrativa do Executivo, declarando estado de greve até que a prefeita Ana Preto cumpra norma constitucional oferecendo o dissídio na data-base do funcionalismo.

Conforme decidido em Assembleia, a diretoria do SINTRAPE reúne-se com a prefeita nesta quinta, 19, às 11hs, para oficiar pessoalmente o resultado obtido em votação. Caso a prefeita não tenha uma proposta que atenda à reivindicação original do sindicato, que é de aumento de 12% já, a greve poderá ser deflagrada.

A assembleia foi convocada pelo presidente do SINTRAPE assim que saiu da reunião com a prefeita na última sexta, 13. Com um documento em mãos assinado pela prefeita, o presidente postou na página do SINTRAPE no Facebook que a prefeitura estava oferecendo um abono de R$ 100,00 mensais a partir de abril até dezembro, e que estaria enviando já neste dia 16, segunda, um projeto de reforma administrativa que contemplaria cerca de 950 funcionários com um reequilíbrio salarial que permitiria ganhos reais de até 100% a partir de janeiro de 2016.

Como o documento acabou não descendo para a Câmara, e poucos tiveram acesso ao seu inteiro teor, houve espaço para que funcionários graduados da secretaria de Obras saíssem no pátio para conclamar os trabalhadores a se fazerem presentes à Assembleia do SINTRAPE reivindicando o cumprimento do dissídio anual. Segundo informações extraoficiais, a convocação promovida por engenheiros e diretores de carreira teria sido uma represália por estarem incomodados com o fato de que os escriturários poderiam passar a ganhar tanto quanto eles a partir do ano que vem.

Dupla derrota

Como a assembleia do SINTRAPE foi marcada para o mesmo horário da sessão da Câmara para a qual os professores estavam se mobilizando para comparecimento em massa para exigir dos vereadores providências quanto ao descaso da prefeita em atender à previsão legal de aumento salarial, a classe se dividiu, mas não o suficiente para que o intento da oposição lograsse êxito.

O que se sucedeu é que a derrota do Executivo foi dupla. No sindicato, mesmo com uma diretoria suspeita por estarem em bom número, direta ou indiretamente, contratados em cargo em confiança na prefeitura, pelo anúncio da entrada em estado de greve. E na Câmara, pela aprovação de uma comissão de inquérito que deve investigar os motivos que levaram a prefeita Ana Preto a não oferecer aumento este ano, postergando-o para o ano de 2016, que, como todos sabem, é ano eleitoral.

Faltou comunicação e transparência

Visivelmente amargurado e aborrecido, importante fonte da Administração chegou a dizer que “infelizmente quem seria beneficiado com a reforma preferiu ficar em casa descansando”, sinalizando que a reforma tão esperada há anos por escriturários e técnicos “foi para o espaço”.

Pelos corredores palacianos, na prefeitura e câmara, no entanto, o que se vê e ouve é que ninguém estava sequer sabendo de que haveria uma reforma neste sentido. “Ninguém nos falou nada; não estávamos sabendo de nada”, reclamava um dos prejudicados, que prefere não se identificar. E arrematou: “Se tivessem distribuído uma circular interna mostrando todos os pontos da reforma, e no quê, onde e quando a classe iria ser beneficiada, é claro que todos nós estaríamos lá também para votar em favor de nosso interesse”.

A expectativa para amanhã é a de que a prefeita Ana Preto ceda às reivindicações dos trabalhadores. Afinal, em ano pré-eleitoral, só se fosse suicida para dizer não a mais de 2.000 famílias que hoje vivem e sobrevivem do salário que ganham como funcionários públicos.

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