Prefeito de Itaguaí (RJ) é suspeito de comandar desvio de verbas

De acordo com a PF, Luciano Mota, do PSDB, comandava quadrilha que desviava verbas dos royalties do petróleo e do Sistema Único de Saúde.

Do Jornal Nacional

No Estado do Rio de Janeiro, a suspeita de desvio de dinheiro público na cidade de Itaguaí provoca até surpresa. Porque os sinais das irregularidades chegam a ser escandalosos.

A TV de 85 polegadas foi só um dos artigos de luxo que chamaram a atenção da Polícia Federal. O modelo, de última geração, foi apreendido na casa do prefeito de Itaguaí, Luciano Mota, do PSDB. Segundo os agentes, Luciano pagou R$ 99 mil em dinheiro pelo aparelho. O prefeito é o principal alvo de uma investigação que já dura seis meses.

De acordo com a PF, ele comandava uma quadrilha que desviava verbas dos royalties do petróleo e do Sistema Único de Saúde. Os investigadores dizem que o esquema de corrupção consumia pelo menos 30% do orçamento da cidade. Algo em torno dos R$ 10 milhões por mês.

Itaguaí tem pouco mais de 100 mil habitantes, que vivem, em média, com menos de R$ 700 mensais. Alguns moradores começaram a suspeitar do prefeito em junho de 2013. Primeiro, desvios de medicamentos no hospital público. Depois, os kits escolares que foram comprados, mas nunca chegaram.

“Começa um grupo a se reunir para poder garimpar jornal oficial, que a gente lê muito jornal oficial, e a partir daí nós fomos vendo que as coisas eram compradas e não chegavam ao município”, diz Sueli Fernandes, moradora de Itaguaí.

Só em uma compra de pães foram gastos R$ 177 mil. Mas no endereço da padaria, só existe uma casa. Na saúde, há postos fechados. E o centro de especialidades médicas está sendo despejado. A prefeitura não paga o aluguel há um ano e três meses. No mesmo período, gastou R$ 4,2 milhões com festas e shows.

Enquanto isso, o prefeito Luciano Costa, que ganha R$ 25 mil por mês, era visto dirigindo uma Ferrari. O carro, avaliado em R$ 1,2 milhão, pertence ao dono de uma empresa de limpeza urbana, um ex-frentista, apontado como laranja pela investigação.

“Uma das formas da lavagem de dinheiro é justamente essa, você desvincular pessoa do bem. Então, ele não vai colocar nunca a Ferrari no nome dele”, explica Hylton Coelho, delegado da Polícia Federal.

No registro da candidatura, enviado ao TRE, em 2012, Luciano Mota, declara que não ter nenhum bem. Mas os investigadores dizem que ele é dono de uma casa de praia em Mangaratiba, no litoral do Rio, e de um Porsche.

Nesta quinta-feira (18), durante a operação da Polícia Federal, o prefeito Luciano Mota não foi encontrado. Nesta sexta-feira (19) o Jornal Nacional voltou à prefeitura de Itaguaí para tentar falar com ele, mas ele continua desaparecido. No fim da tarde, o delegado que comanda as investigações disse que pediu a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do prefeito e de todos os envolvidos nas denúncias.

A prefeitura de Itaguaí negou as denúncias. E afirmou que as despesas do município foram aprovadas pelo Tribunal de Contas. E que está à disposição da Polícia Federal para prestar esclarecimentos.

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