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Motorista de ambulância sofre enfarte dentro da UPA/Peruíbe

Espera de 10 horas por uma vaga em hospitais mais aparelhados pode ter agravado situação de Beto

Da Redação

O motorista de ambulância de Peruíbe, Roberto Bastos sofreu um enfarte agudo durante seu plantão na madrugada de antes de ontem para ontem dentro da Unidade Pronto Atendimento – UPA, quando se preparava para fazer mais uma viagem para levar pacientes em casa.

Beto, como é conhecido carinhosamente por seus colegas e amigos, é considerado um funcionário exemplar, sempre disposto a cumprir os plantões noturnos, que são os que menos agradam os motoristas por conta dos riscos de estar se locomovendo durante a madrugada para lugares distantes.

Segundo familiares, Beto chegou a fazer uma dessas viagens e, quando se preparava para fazer a segunda, sentiu um dor no peito, mas disse à colega enfermeira que o acompanhava na ambulância que faria primeiro a viagem para depois ver no que se tratava aquele incômodo. A enfermeira negou e fê-lo entrar imediatamente até a ala de emergência da UPA onde ele teria caído e socorrido imediatamente. O enfarte foi de tal magnitude que foi preciso entubá-lo.

Via Crucis

A partir dai – com os familiares já devidamente avisados – começou a maratona por encontrar uma vaga em hospital de região que pudesse dar suporte ao quadro de Beto, já considerado grave para gravíssimo. A tal “Central de Vagas” mais parece um instrumento de tortura chinesa, e que chega a dar a impressão de que é um instrumento usado para esgotar todas as possibilidades de salvamento do paciente no próprio local do acidente. Por incrível, deixa transparecer que oferece oportunidade para que, no limiar que separa a vida da morte, apareça um “salvador da pátria” com a tal vaga na manga para oferecê-la aos familiares, o qual, via de regra, é político (coincidência?).

E claro que isso não importa numa horas dessas de extrema angústia para os familiares. Mas essa demora que, no caso de Beto, chegou a 10 horas, pode ter comprometido seu quadro. E todo mundo sabe que tanto um enfarte ou avc, como um acidente automobilístico com vítimas graves, cinco minutos pode representar o liame entre a vida e a morte. O que dizer de 10 horas?

A vaga, afinal, apareceu, no HGA – Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, por mãos de um médico, também político, que nem é ligado à atual administração municipal. Agora a maratona era outra: a espera pelo preparo da ambulância UTI, a papelada, o excesso de burocracia… Sabe aquele momento que uma canetada parece caminhar sobre o papel eminterminável slow motion? É isso.

Situação crítica

O quadro enfrentado por Beto é crítico. Internado na UTI do HGA teve seu coração praticamente todo necrosado e comprometido em suas funções. Seus rins pararam de funcionar. As possibilidades de sobrevivência estão para 50%. A notícia, enfim, não é nada animadora. Sobrevivendo, é possível que tenha que entrar em fila de transplante. Em resumo: só Deus atendendo as preces de familiares e amigos pode salvar o querido Beto neste momento de aflição para todos.

O caso de Beto chega a ser irônico por ter sido ele até aqui um “salvador de vidas”. E, agora, vítima da ineficiência de um município, estado e país falidos no que diz respeito à saúde pública. E nos remete à lembrança do ex-vereador Anielo Pernice Neto, talvez aquele que tenha sido o maior baluarte da saúde de toda a história de Peruíbe, que também foi ironicamente vítima da ineficiência que ele tanto combatia. Enfartado, e sendo levado pelo filho para o Pronto Socorro, ele teria dito: “Não tenha pressa, filho; eu não volto para casa mais”. E não voltou .

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