Campanha dos 3 anos deste blogue foi um sucesso (veja total arrecadado)

Da Redação

Como era esperado, o número de pessoas que responderam ao chamado por uma doação pelos três anos de aniversário do blogue “O Que Escrevi, Escrevi”, do jornalista Washington Luiz de Paula, foi nenhum.

Checando hoje pela manhã as contas que foram colocadas disponíveis para o depósito de apenas R$ 10,00, o balanço é este: Bradesco : 0 depósitos – Itaú: 0 depósitos – Banco do Brasil: 0 depósitos – CEF: 0 depósitos – PagSeguro: 0 depósitos – Paypal: 0 depósitos.

O fato inusitado merece comemoração. Sim, porque agora os “nenhuns” que contribuíram passam a ter direito de reclamar quando o responsável pelo blogue só publicar as coisas boas da administração Ana Preto, não criticando aquelas que infalivelmente são merecedoras de críticas.

Segundo Washington, a ausência de resposta para apelos deste tipo é sintomática e é reflexo do exemplo que a classe política e empresarial da cidade acaba transmitindo – e contaminando – a população do município. “Vivemos sob a égide da cultura da Lei de Gerson. Todo mundo quer levar vantagem, mas ninguém quer participar. No fundo, no fundo, boa parte daqueles que criticam os políticos porque ‘eles roubam’ queriam mesmo e estar no lugar deles, roubando também”, analisa o polêmico jornalista.

“Eu não conheço nenhum empresário de Peruíbe que, na época das festas de final de ano, por exemplo, procura a prefeitura para perguntar se precisa comprar uma lâmpada colorida para ajudar a iluminar a cidade, ou para comprar um traque para melhorar os fogos de passagem de ano”, adverte, para disparar: “Agora, se não tem enfeite de Natal, ou se os fogos passam de 20 minutos, todo mundo corre para criticar e dizer que a prefeita não está investindo no turismo da cidade ou que ela é perdulária com coisas fúteis”.

Para Washington, que, mesmo morando em São Paulo, continua sendo decano dentre os profissionais de Imprensa de Peruíbe ao lado do emblemático Alberto Talauskas (Jornal de Peruíbe), não seria de se esperar resposta diferente ao seu apelo por uma contribuição única e voluntária para ajudar na manutenção de seu blogue. “Tenho perto de 10.000 seguidores no Facebook e no Twitter, além de fazer parte de grupos com milhares de participantes, e mesmo colecionando 46 anos de vida em Peruíbe, dos quais quase 40 militando na política e nas lides jornalísticas, tudo que eu tenho conseguido é a preocupação de não mais que meia dúzia de amigos em me ajudar, seja contribuindo voluntariamente, seja anunciando comigo”, confere.

Acostumado com esta falta de sensibilidade, Washington se lembra das vezes que foi perseguido, ameaçado, processo e até preso por ser ferrenho crítico de políticos em Peruíbe. “É fácil você cobrar que o jornalista seja ‘independente’, vilipendiar, achincalhar, falar mal do jornalista, chamando-o de ‘puxa-saco’ e outras palavras desairosas”, reclama, para arrematar: “O difícil é você ter que contratar advogado para se defender de processos sem ter dinheiro para contratar um bom profissional e, por causa disso, acabar condenado e até preso” (Em 2004, terminada a campanha que elegeu José Roberto Preto prefeito, Washington foi condenado ao pagamento de uma multa de R$ 40.000,00 e ficou 17 dias preso. A multa e o advogado para livrá-lo do cárcere foi pago pelo “Seu” José).

Ameaçado de morte várias vezes ao longo destes anos, inclusive recentemente, Washington sempre foi destemido. No lembrar de Claudete Andreotti, do “Boca de Rua”, Washington é o “velho lobo da Imprensa de Peruíbe”. Velho, sim; velho e cansado. Experiente e sábio o bastante para refletir: Valeria a pena tudo isso? E conclui: “Se o meu leitor assíduo, se a minha leitora contumaz considera que todo meu empenho não vale R$ 10,00, acho mesmo que não vale a pena nada do que faço, e nada do que fiz”.

Contribuintes históricos

Dos cooperadores financeiros do trabalho de imprensa de Washington Luiz de Paula pelo menos dois se destacam pela presença marcante nas colaborações desde a época do jornal impresso.

Um é o funcionário público, sindicalista, topógrafo, desenhista e construtor José Alves de Aguiar que tem um registro histórico: “ Zé Alves foi o primeiro a contribuir com meu jornal, pagando o custo integral na gráfica da primeira edição, a pedido do então vereador Marcos Ensel Wizentier (Marquinhos), de saudosa memória”, anota Washington. De lá para cá suas contribuições, embora irregulares, são frequentes, mesmo agora para o blogue.

Outro é o vereador José Ernesto Lessa Maragni Júnior, o Zeca da Firenze, ou Diácono Zeca como vem sendo chamado ultimamente em razão do exercício do diaconato junto à Igreja Católica. “Eu considero o Zeca um afilhado político, e pondero que ele me considere um padrinho político dele. Vi Zeca crescer e debutar na política. Ao lado de seu pai, o saudoso Ernesto, chegou a administrar três pizzarias, no auge da ‘Firenze’, que eu costumava dizer que era ‘sinônimo de pizza’. E em todas as edições de meu jornal impresso lá estava o anúncio da Firenze. Seu Ernesto fazia questão disso!”. Hoje a família não tem mais a pizzaria, mas Zeca, que é vereador e presidente da Câmara, continua fazendo questão de contribuir para o trabalho de Washington.

Como vereador, Zeca (PV) se une ao vereador Ricardo Corrêa dos Santos (PT) na manutenção de meu blogue. “A ‘escola’ do vereador Ricardo é diferente da dos seus demais colegas na Câmara”, ensina Washington, para quem “ele vem de anos de militância como sindicalista no que talvez seja o mais importante sindicato do país, que é o Sindicato dos Bancários, está acostumado com o lidar com a imprensa, e sabe que jornalista também precisa comer, e o trabalho do jornalista é imprescindível para a divulgação de seus próprios trabalhos como político”. E alfineta: “De 15 vereadores na Câmara de minha cidade, só dois conseguem olhar um pouco acima de seus próprios umbigos. É lamentável”.

No mais, até aqui, somente outros três têm oferecido sua sempre importante parcela de contribuição pelo custeamento do blogue: a prefeita Ana Preto, o amigo de longa data, corretor de imóveis, Antonio Claret de Góes (Toninho Góes), e o meu irmão Wanderlei Abrahão de Paula, proprietário da De Paula Seguros. “Também a estes três vai seguindo os meus sempre sinceros agradecimentos”, diz Washington.

“Mas eu sou obrigado a contribuir, gostando ou não gostando do trabalho do Washington?”, pode você perguntar. É o próprio Washington quem responde: “Evidente que não! Todo mundo sabe onde aperta seu próprio calo; eu sei onde aperta o meu. Mas, na mesma proporção que ninguém seja obrigado a me deixar ‘mais rico’, ou a me dar dinheiro, também eu não sou obrigado a fazer as vontades daqueles que acham que, porque a Imprensa tem que ser ‘independente’, tem que meter os pés pelas mãos e ser injusto com quem quer que seja, ainda mais com uma administração que está fazendo de tudo para arrumar a casa que encontrou daquele jeitinho que foi mostrado no Fantástico em outubro passado, mas que hoje, passado menos de um ano, já se pode ver que o pouco que já foi feito é bem mais e melhor que tudo que foi feito nas duas administrações comandadas pela ‘famiglia’. É isso. Só isso. Simplesmente isso”.

Leia também:

Nota de falecimento – Selma Jerônimo