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Próteses mamárias: Cirurgia estética se torna caso de polícia em Itanhaém

Créditos: Davi Ribeiro
Patrícia e Maria Cecília submeteram-se a operações no ano passado. Desde então, paliativos e muita dor

Victor Miranda, em A Tribuna

Alegria e tristeza. Beleza e feiura. Sonho e pesadelo. Três casos de situações opostas, separadas por uma linha tênue. Ao procurar a Clínica Naturebelle, em meados do ano passado, para se submeter a uma cirurgia estética, tudo o que as professoras Maria Cecília Menezes e Patrícia Rafael Silva menos esperavam era vivenciar tais extremos.

As duas procuraram a clínica, em Itanhaém, para pôr próteses mamárias de silicone. Esperavam mais harmonia com o espelho e bem-estar com o corpo. As cirurgias ocorreram na mesma semana, no fim de outubro. No início, surgiu o orgulho por um corpo mais bem delineado. Mas, após cinco meses, olhar para os próprios seios ainda representa um desafio.

“Dá vontade de chorar. Se, antes, eu já não gostava de me olhar no espelho, hoje a imagem dói muito mais, porque tem o desgaste psicológico”, define Patrícia. Maria Cecília chega a dizer que tem vergonha não só dela mesma, mas também do marido. E a frustração começa a dar lugar à revolta. Elas se sentem enganadas pelo médico Renato Roland de Freitas Arcos, responsável pela clínica de estética.

Maria Cecília e Patrícia afirmam que o profissional não é especializado em cirurgias plástica e estética. Ou seja, não poderia responder como médico responsável da Naturebelle. Um mês após a intervenção, as duas começaram a ter problemas com as próteses. Depois de um início de pós-operatório tranquilo, os pontos das cirurgias se abriram. Elas recorreram à clínica. “Cada vez que a gente procurava ajuda, ele suturava  quanto mais ele suturava, ais abria a cirurgia”, conta Patrícia.

No caso de Maria Cecília, a prótese ficou exposta, em uma abertura de cerca de quatro dedos. “Um dia, depois de tentar várias coisas, ele nos disse que pesquisou na internet e descobriu que não poderia ter suturado tanto. E disse que a nossa pele estava fraca”. A informação é confirmada por Patrícia, ao explicar que, após a conversa, a dupla passou a desconfiar da ação do médico.

Elas alegam ter procurado Renato Arcos para afirmar que não havia mais condição de manter as próteses. “Ele abriu mais nossa incisão, retirou a prótese, lavou e colocou de volta. É caso de infeccionar ou não é?”, indaga Maria Cecília, que acrescenta. “Ele olhou para mim e disse: ‘Agora, vamos ao toque final’. Ele estava com (cola) Super Bonder na mão. E disse que aquilo era comum em cirurgias desse tipo”.

Não desconfiaram ?

A justificativa para não ter questionado os procedimentos antes é justificada por Patrícia. “Eu nunca tinha acompanhado uma incisão dessas. Era cliente da clínica desde 2006. Ela já havia me atendido como endocrinologista. Acreditei que estava nas mãos certas”. As duas fizeram boletins de ocorrência contra Arcos e a clínica.

Hoje, a polícia vai ouvir os depoimentos das duas. Atualmente, as professoras fazem tratamento com especialistas diferentes em Santos. Estão se preparando para a reconstrução das mamas – a pele necrosou. Depois, virá a fase de minimizar os efeitos das cicatrizes: o corte de Maria Cecília, por exemplo, tem 12 centímetros. Só após essas etapas é que poderão colocar uma nova prótese.

O custo das cirurgias foi de R$ 7,5 mil para cada uma. Mas alegam que o principal interesse não é a devolução do dinheiro. Em princípio, querem que o registro de Renato no Conselho de Medicina seja cassado e a clínica, interditada. “Fomos procurar beleza e saímos de lá mutiladas”, lamenta Patrícia.

Créditos: Davi Ribeiro
o médico Renato Arcos afirma que as duas pacientes não cumpriram o pós-operatório

Médico: clientes se descuidaram

A Tribuna esteve na clínica Naturebelle na terça-feira e conversou com o médico Renato Arcos e a enfermeira Alessandra Arcos – sua esposa. Eles afirmam estar tranquilos quanto às denúncias, que consideram “absurdas”, “infundadas” e de “caráter pessoal”. A principal defesa apresentada por Renato Arcos é que nenhuma das duas ex-clientes cumpriu o pós-operatório indicado.

“No feriado de 15 de novembro, elas viajaram para o Rio de Janeiro. Elas não tinham nem um mês completo de cirurgia. Jamais poderiam fazer isso”. Segundo ele, a exposição ao sol gera uma dilatação natural das próteses e prejudica a cicatrização. “Quando elas nos procuraram, fizemos o atendimento. Eu alertei que iria tentar e, se fosse o caso, teria que retirar as próteses. A área foi lavada, fez-se um novo fechamento, mas a paciente estava ciente de que, se abrisse de novo, teria complicações. Acho que elas não aceitaram”, comenta.

Segundo ele, Maria Cecília chegou a assinar um documento afirmando estar ciente dessa situação.

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