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A formatura do rábula

Por Evaristo de Moraes, publicado no site da OAB/SP

Consagrado como o maior advogado criminal do Brasil de seu tempo, Evaristo de Moraes somente veio a bacharelar-se aos 45 anos, em 1916, pela antiga Faculdade Teixeira de Freitas. Até então era um rábula. Discursando por ocasião de sua formatura, disse:

“Eis-nos, enfim, bacharéis – como toda gente, dirão com sediça ironia, os impertinentes chasqueadores do bacharelismo… Todos recordamos o que disse, com experiência própria, o grande Cícero: a advocacia foi em Roma o viveiro das honras – ‘est corpus advocatorum seminarium dignitatum’.

“Através dos séculos, vemos a advocacia enaltecida e glorificada pelo bens que promove, pelos males que evita: auxiliar da justiça, amiga natural da liberdade, inimiga capital da tirania, insuflando aos perseguidos coragem para afrontar os poderosos, a estes se impondo por sua sobranceira independência… seja permitindo ao recém-togado lembrar que, entre os muitos elogios prodigalizados à profissão da advocacia, é dos mais repetidos o do Imperador Leão, no escrito em que ele pondera que os advogados não são menos úteis à humanidade do que os que dão o seu sangue à pátria:

“‘A nossos olhos, os defensores do nosso Império não são somente os que combatem armados do gládio, do escudo e da couraça; também o servem os advogados, estes que, com a modéstia convinhável à verdadeira eloquência, dão esperança ao desgraçado que sofre, protegem-lhe a vida e os filhos.'”

Fonte: Grandes Advogados, Grandes Julgamentos – Pedro Paulo Filho – Depto. Editorial OAB-SP
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