Conseguir boleto de quitação na BV Financeira não é novela: é filme de terror!

Da Redação

Desde o final do ano passado que a funcionária pública aposentada da prefeitura de Peruíbe, Neide Toledo de Paula vem insistindo que a BV Financeira emita o boleto de quitação de seu empréstimo, sem lograr êxito.

Aquilo que, no mundo em que a tecnologia e as facilidades da internet dominam, predominam e é já a preferência dos bancos e agentes financeiros para intermediação de negócios, pensar na dificuldade imposta pela BV Financeira para que uma cliente consiga que atendam um simples pedido que quitação daquilo que ainda resta para pagar o total de sua dívida junto ao banco é de provocar à ira e à revolta.

“Nós estamos perdendo uma oportunidade de negócios na locação de um imóvel que dispensou o fiador e aceitou o depósito, o que é uma raridade hoje em dia, principalmente na Capital”, diz Washington Luiz de Paula, esposo de Neide Toledo, que conta que desde dezembro tem seguido uma verdadeira “via crucis“ imposta pelo atendimento da BV Financeira, e até agora tudo que tem ouvido é enrolação do atendimento online e via telefone por parte da financeira do Grupo Votorantim, que se presume ser séria e… moderna!

A novela – ou melhor: o filme de terror – começou quando surgiu a necessidade de se renovar o empréstimo para tentar levantar o capital para fazer o negócio da locação do novo imóvel. Consultado, o agente representante da BV em Peruíbe deu os valores possíveis para renegociação, mas o dinheiro que restaria, caso fosse quitado contrato era insuficiente para a realização do negócio da locação.

Diante disse, o casal Washington e Neide desceu a Peruíbe e foram até à agência da Caixa Econômica Federal, que recentemente firmou convênio com a PERUIBEPREV, e se certificaram que a proposta oferecida pela CEF era muito mais vantajosa: além de juros infinitamente menores, o prazo para pagamento é bem mais elástico e, como consequência, o que sobraria, descontada a quitação do contrato com BV, era mais que suficiente para a realização da negociação com a imobiliária que já estava em andamento.

Como era final de ano, o representante da BV em Peruíbe não pode atender, alegando que as renegociações dos contratos estavam paralisadas no sistema da própria financeira. Passada as festas e iniciado o ano, o casal voltou a Peruíbe e conseguiu uma carta de procedimento para solicitação da quitação que tem que seguir todo um trâmite burocrático como reconhecimento de firma em cartório, juntada de cópias de documentos e a recomendação de que o processo fosse enviado via Sedex para o endereço da BV em São Paulo.

Como a residência da funcionária é em São Paulo, ficou decidido levar a documentação em mãos até o endereço anotado para envio do Sedex, na Av. Nações Unidas, na Capital, que dista cerca de 20 minutos de onde moram Neide e Washington. A intenção era tentar agilizar o processo, quem sabe conversar com alguém lá, uma vez que a indignação já estava instalada, principalmente porque se sabe que hoje você liga num 0800, ou entra no site de uma empresa, pede o boleto, e eles emitem e lhe enviam por e-mail no mesmo instante, e você paga! Simples assim.

Chegando ao endereço da Nações Unidas, nem subir no prédio se conseguiu. Uma distinta e simpática atendente disse que aquela documentação teria que ser protocolada no escritório da BV na Avenida Paulista! Educadamente o casal atendeu à sugestão e foi até a Paulista. Chegando lá as surpresas não acabaram: também nem foi possível subir no prédio, e o aviso foi peremptório: ninguém sobe aqui; só funcionário.

Diante da revolta demonstrada – e da repetição da aventura inglória para se pagar o que se deve! – o casal foi orientado a dar a volta no prédio, entrar na garagem, e procurar a expedição, que lá receberiam a documentação. Desta vez foi verdade. Um rapaz realmente a recebeu e prometeu encaminhar, mas não ofereceu protocolo, e alegou que não poderia dar ou não precisaria dar.

Passado quase um mês deste episódio, na data de hoje, Neide Toledo de Paula, que já passou por três cirurgias do coração, tendo inclusive perdido a visão de uma das vistas durante a última cirurgia, e que, por isso, é aposentada por invalidez, não podendo ficar se deslocando para Peruíbe a toda hora, a funcionária liga para a BV e o que ela houve é de chorar: “Seu processo está dentro do prazo; aguarde mais uns 10 dias para avaliarmos a possibilidade de emitirmos o boleto de quitação. Em sendo aprovado, ele será enviado para seu endereço”. Alguém consegue acreditar nisso? Parece ficção. Parece. Só parece. Não é!

A tentativa de buscar auxílio na Ouvidora da financeira é de piorar o fígado: Não há atendimento pessoal, e, quando você digita o número do protocolo da reclamação, ouve uma voz gravada dizendo que a reclamação está dentro do prazo para atendimento…

Pois bem. O prazo da imobiliária extinguiu. O negócio arranjado está praticamente perdido. E a BV muito certamente terá marcado um ponto, porque, se Neide Toledo de Paula desistir de quitar sua dívida agora, ainda ficará por mais um ano pelo menos, pagando o juro absurdo (que é altamente interessante para a financeira, convenhamos), e restará escrava do descaso de uma empresa que, por levar o nome do seu proprietário Antonio Ermírio de Moraes, era de se supor mais justa, senão perfeita.

Não obstante isso, Washington avisa que já encomendou estudos junto ao seu advogado para acionar judicialmente a BV Financeira pelo constrangimento, dano moral e, verificado, até mesmo o dano material. (wlp)

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