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Polícia não rastreia balas de execuções, diz fabricante. Policiais são suspeitos

CBC não consegue decifrar quem são os autores das mais de 400 mortes na recente onda de violência

Thaís Nunes, no Rede Bom DIA

Os estojos recolhidos em locais de crime na série de assassinatos registrada em São Paulo nos últimos três meses não foram rastreados pela Polícia Civil, revela a CBC, única fabricante de munições do país. Até ontem, a empresa diz não ter sido notificada pela polícia para ajudar a decifrar quem são os autores das mais de 400 mortes registradas na região metropolitana do Estado.

Cada munição fabricada pela CBC possui uma marcação exclusiva. Por meio desse registro, a empresa controla quando e para quem as balas foram vendidas. A indústria fornece para as polícias Civil e Militar de São Paulo e para as demais forças de segurança do país.

O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) afirmou, através da assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública, “que vários ofícios foram remetidos à empresa”. Informou também que as solicitações não foram respondidas, “mas estão dentro do prazo”. O departamento não esclareceu, entretanto, em quantos casos a CBC foi notificada e em quantos dias a empresa deve responder a polícia.

Salésio Nuhs, diretor comercial de relações institucionais da CBC, garantiu não ter conhecimento de nenhum ofício da Secretaria de Segurança de São Paulo que não tenha sido respondido . A empresa, explica Nuhs, tem prazo máximo de 24 horas para prestar esclarecimentos à polícia.

A execução da juíza Patrícia Acioli no Rio de Janeiro foi esclarecida graças ao rastreamento dos estojos deixados no local do crime. A CBC informou à investigação que a munição usada para matá-la havia sido comprada pelo batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde o réu confesso, Sérgio Costa Júnior, trabalhava. A pesquisa de origem do projétil nesse caso foi feita em 15 minutos.

Em maio, três policiais militares de Santos também foram presos assim. A Corregedoria da PM rastreou um estojo de munição .40, a mesma usada pela PM, de um lote destinado a 70 unidades da corporação.A participação de policiais é investigada  na recente onda de violência. O governo não informou quantos autores de assassinato foram presos ou identificados.

Assassinos recolhem cápsulas porque sabem da identificação

É quase um procedimento padrão: motoqueiros mascarados passam, atiraram em um grupo de pessoas e logo depois um carro passa e recolhe as cápsulas. Essa cena tem se repetido com frequência nos últimos meses, quando São Paulo passou a ser palco de uma guerra entre o crime organizado e a polícia.

Para um delegado da Polícia Civil, especialista na investigação de homicídios, a preocupação em recolher as cápsulas e adulterar a cena do crime é um indicativo de que os executores sabem que podem ser rastreados. “A  munição contrabandeada também pode ser rastreada, mas você descobre que foi vendida para uma loja no Paraguai, por exemplo, e fica por isso mesmo”, afirma.

O delegado explica ainda que oficiar o fabricante de armas é o bê-á-bá da investigação de homicídios e o próprio DHPP consegue identificar a numeração das armas usando lupas. A técnica é usada desde 2006 e ajudou a desvendar grupos de extermínio como os Matadores do 18, com atuação na Zona Norte.

Ontem, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Cãmara dos Deputados esteve a empresa de armas CBC para realizar uma visita técnica. Na avalição do grupo, a crise na segurança pública de São Paulo tende a se agravar.

ADULTERAÇÃO DE LOCAL DO CRIME

São Luiz 4/12
Dois jovens foram mortos e PMs recolheram as balas, disseram as testemunhas

Osasco 24/11
Quatro mortos (uma criança de 5 anos). Testemunhas viram a PM recolher as balas

Taboão 18/11
Testemunhas viram homens, em um carro,  conversarem com  PMs e recolherem balas

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