O que o pai e a mãe nos ensinam

Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensino de tua mãe. Porque eles serão uma grinalda para a tua cabeça, e colares para o teu pescoço”. Prov. 1.8 e 9

Parece que vai cada vez mais se distanciando de nossa realidade contemporânea o modelo de família que Deus planejou para mim e para você. Receio que muitos jovens desta geração estão partindo para a aventura da vida conjugal sem ter a percepção exata daquilo de perfeição que Deus desenhou para o homem, para a mulher, e para os filhos destes. Desconhecimento esse que às vezes perdura por anos casamento adentro.

Família é isto: o homem deixa o seu pai e a sua mãe, e se une a uma mulher, e ambos serão uma só carne, isto é, passarão a ser um só corpo, num só pensamento, numa só aspiração, ambos imbuídos, determinados e incansáveis trabalhadores pelo sucesso do projeto da vida comum que escolheram para si. Aqui compartilho da corrente que crê que a conjunção carnal através do sexo tem o poder de compartilhar espiritualidade, de unir espíritos. Esta seria uma explicação de o escritor do Gênesis ter nos legado este princípio que a meu ver é uma espécie de pedra angular do casamento – e da família: e serão os dois “uma só carne”.

Do casamento – ou da união do homem com a mulher a fim de se tornarem, então, “uma só carne” – se pereniza o sublime milagre da multiplicação da vida, que começa na concepção e segue até o nascimento dos filhos. E aqui me parece residir a segunda e nobre razão pela qual Deus proveu ao homem a companhia feminina, instituindo o sacramento do casamento: o “crescei e multiplicai-vos”.

E nos filhos instala-se um terceiro motivo pelo qual Deus pretendeu ser o casamento perfeito, como Ele é perfeito: a responsabilidade que recai sobre os pais e mães de concorrerem para que seus filhos cresçam, e se tornem também homem e mulheres, cada um preparado para seguir o seu próprio destino, formando, por sua vez, sua própria família.

Interessante notarmos o texto do autor deste provérbio que é dever do pai instruir, e obrigação da mãe ensinar. Quem é pai, quem é mãe sabe, contudo, que esta não é uma tarefa fácil, mormente nos dias de hoje, quando as crianças já nascem sendo bombardeadas por informações de todo tipo, oriundas de todos os lugares que não raro, substituem a contingência do pai e da mãe na formação de seus filhos.

É possível que Salomão tivesse previsto que tal coisa pudesse vir a acontecer um dia, ainda que passado centenas de anos de quando teceu estes provérbios. E talvez esta seja a razão de sua preocupação em registrar a recomendação aos filhos de ouvirem a instrução do pai, e também os ensinos da mãe. Instrução e ensinamentos estes que funcionam como elementos insubstituíveis na criação dos filhos.

A vida lhe deu oportunidade de estudar, de ser hoje um médico, um advogado, um engenheiro. Você é um profissional respeitado, ou mesmo ainda um estudante aplicado. Mas todo o conhecimento que você coleciona através da televisão, da internet, dos jornais, na faculdade e mesmo nos livros, não se compara em nada com aquela palavra que seu pai tem sempre preparada para lhe dar, nem com aquele ensinamento que sua mãe está sempre disposta a lhe proporcionar.

Na outra ponta, você pode ser um jovem rebelde que resolveu desviar-se dos caminhos de instrução de seu pai e dos ensinamentos e conselho de sua mãe, preferindo antes seguir os falsos amigos, as más companhias, abandonando os estudos, e trilhando pelos perigosos caminhos das drogas e da marginalidade. Também é para você que o escritor deixou este provérbio: ouve a instrução de seu pai, ouve a instrução de seu pai, ouve a instrução de seu pai; e nunca deixe o ensino de sua mãe. Nunca mesmo!

Imagine-se saindo à rua com uma grinalda sobre a cabeça e um colar adornando o pescoço. Para usar termos mais para hoje, você pode se imaginar usando aquele boné de marca, e uma corrente de prata maciça no pescoço. Não há quem não o note ao andar pela rua. Se você é mulher, poderíamos pensar num penteado bonito, diferente, exótico, ou num chapéu caríssimo, e em volta do pescoço, um fino colar de pérolas. Realmente não tem como você passar despercebida ao andar pela rua.

O adorno – ou o enfeite – tem esta missão de nos deixar mais bonitos, mais atraentes. E é isso que acontece com você quando você tem se revelado um filho obediente que só traz alegria e orgulho para sua mamãe e para seu papai. Quando você busca avidamente pela instrução de seu pai e pelos ensinamentos de sua mãe reproduz-se em você a bênção de vir a ser notado dentre seus amigos, no seu trabalho, na escola, na igreja, e todos poderão dizer: “vai ali um jovem bonito (ou uma jovem bonita)!”.

Funciona como um mistério como tudo que vem de Deus. Mas mistério que contribui para o nosso bem. E tem coisa melhor e mais gostosa que passarmos pela rua e as pessoas notarem que somos diferentes, que irradiamos simpatia, felicidade e amor?

Se acaso você ainda não pensou nessa verdade, é momento de parar para pensar. Afinal, não demora e chega o dia em que você também será pai – ou mãe – e tudo que você quererá para seus filhos é que eles lhe deem a alegria de serem filhos e filhas que honrem aos pais, e amem a Deus sobre todas as coisas.

E se você não tem mais seu pai ou sua mãe com você, olhe à sua volta; é possível que neste momento mesmo alguém tenha uma palavra para você de tal modo que você possa acolhê-lo como um pai ou uma mãe. E – lembre-se: acima de tudo temos a Deus, que é nosso Pai sempre presente e pronto a nos ajudar. Deus abençoe você.

Washington Luiz de Paula

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