Garoto de 16 anos de Peruíbe faz estragos com pedras gigantes e vira projeto de mais forte do Brasil

Gustavo BarileDe O Rio Branco

No mundo dos negócios, um administrador é precoce quando consegue fazer uma empresa prosperar logo de cara. Do universo da moda, geralmente são aquelas modelos com jeito de quem trocou cedo o ginásio pelas passarelas. Dentro do strongman, no entanto, um talento prematuro pode ser identificado através da imagem de alguém que ainda não alcançou a maioridade, mas que faz estragos consideráveis em provas envolvendo carros de 750 kg e bolas de concreto gigantes.

A breve definição acima encabeça o currículo esportivo de Gustavo Barile (foto), que aos 16 anos desponta como principal esperança nacional da modalidade que expõe seus atletas a testes extremos de força, resistência e agilidade. O garoto da cidade de Peruíbe é tratado como uma espécie de projeto, liderado pelo tetracampeão brasileiro Marcos Mohai. A ideia é fazer do adolescente o melhor do país e um dos mais renomados do mundo.

Quem acompanhou o Campeonato Brasileiro de strongman, no fim de janeiro em Peruíbe, consegue compreender o entusiasmo do grupo em torno de Gustavo Barile. Em sua estreia em eventos do gênero, o garoto saiu com a segunda colocação da categoria até 100 kg, competindo entre os marmanjos. Em sua performance geral, executou provas que muitos de seus adversários não foram capazes de cumprir, como erguer bolas de cimento em série, virar um pneu gigante, arremessar tonéis de cerveja sobre uma trave de 5 metros e até arrastar uma carreta.

“Geralmente eu não tenho com quem competir nesta faixa etária. Acho que só eu mesmo faço esse esporte com 16 anos”, afirma o atleta precoce, atualmente com 97 kg.

Gustavo Barile se interessou pelo esporte dos “mais fortes do mundo” aos 14 anos, depois de ver de perto o desempenho de Marcos Mohai em Peruíbe em um torneio. Logo no dia seguinte, o garoto estava de prontidão na academia onde o campeão treinava, com a ideia de virar seu aprendiz.

Hoje, ainda antes de completar 17 anos [faz aniversário em março], Gustavo é tratado como realidade. Passou por bateria de exames para atestar sua compatibilidade com o esporte e deve ter seu desenvolvimento corporal monitorado em breve por um grupo de estudos da USP.

“A genética dele favorece, tem muita força, membros curtos, é rápido. Tem uma resposta rápida, aprende logo. Tem um jeito meio calado, mas é muito observador”, diz o ‘guru’ Mohai. “Ele desenvolveu muito rápido sua estrutura óssea. Tem estrutura de um cara de 20 anos já. Mas passou por exames para comprovar que pode treinar com este tipo de carga, que a atividade não é nociva para ele. Comprovou-se que não é uma sobrecarga perigosa”, acrescenta o campeão da modalidade.

Apesar do interesse crescente, o strongman ainda engatinha como esporte no Brasil. Mesmo assim, Gustavo Barile projeta um futuro dentro desta modalidade, com a meta de representar o país no “The World’s Strongest Man” [O Homem Mais Forte do Mundo]. Para isso, no entanto, precisa diminuir a diferença de estatura entre seus atuais 1,75 m e a altura padrão dos gigantes competidores internacionais deste evento, aproveitando enquanto seu corpo ainda pode aumentar.

“Eu tenho 1,75 m. Sei que preciso crescer mais um pouco para competir, quero ganhar mais alguns centímetros. Quero chegar até 1,80 m, pelo menos”, declara o precoce atleta, que dificilmente atingirá o patamar de 2 metros dos nomes mais famosos da modalidade.

A meta de Barile é competir na Europa, onde o strongman conta com um circuito de eventos profissional já estabelecido. Mohai diz que tem estudado a estratégia de enviar seu pupilo para fora do país, com o consentimento dos pais, em um momento adequado nos próximos anos.

ANTES DA ESTREIA: “EU NÃO CONSEGUI DORMIR”

Sem gritos e caretas de esforço, em pacote de exibição comum entre seus adversários, Gustavo Barile conseguiu se destacar em seu evento de estreia, no Campeonato Brasileiro de strongman em Peruíbe. Discreto, o jovem executou provas com precisão e saiu com o vice-campeonato da categoria até 100 kg.

Apesar da tranquilidade que seu semblante sugeria, Gustavo diz que levou à estreia uma carga especial de ansiedade. “Não consegui dormir, fiquei rolando na cama a noite inteira”, relata o garoto.

Durante o evento, a atenção natural sobre sua precoce atuação é multiplicada pelo registro do locutor oficial, com observações pontuais no momento em que Gustavo se exibe, como “Olha o tamanho da criança” e “É a criança mais forte do Brasil”.

Competindo em sua cidade, Gustavo Barile contou com fãs especiais logo nas primeiras fileiras. Eram os pais Cirene e Gino, que misturavam orgulho e aflição a cada vez que o filho único do casal era requisitado para fazer força diante de alguma tarefa da pesada.

PERFIL DE BOM MOÇO E PRIMEIRAS FÃS

Entre o público do Campeonato Brasileiro, os gritos de meninas da mesma faixa etária indicam que Gustavo Barile pode começar a fazer sucesso também como galã, se a modalidade que escolheu como vida de fato emplacar no país.

Fora do ambiente de competição, o garoto de 16 anos diz ter uma vida tranquila, distante da badalação da noite, que geralmente seduz os adolescentes da sua idade. “Não saio, não fumo, não bebo, não me drogo. Acredito na força mesmo, no foco, em uma vida regrada”, afirma.

A esperança do strongman nacional diz também que atualmente não namora. No entanto, um amigo entrega que as meninas da academia onde o garoto treina em Peruíbe já têm o atleta como uma espécie de sensação local.

A linha comportada de vida se alastra também para a alimentação. Gustavo come bastante batata doce, peito de frango, clara de ovos e alimentos com soja. De vez em quando, se permite exagerar com massas e pizza. Neste departamento em particular, escala a mãe Cirene. “À noite não tem lanchinho, não. É comida. Vou para o fogão todo dia. Come muita carne, arroz”, diz, em relato carregado de orgulho.

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