Uma ‘salva de palmas’ para Jesus? Como compatibilizar as palmas no culto?

Dc. Edson Cavalcante Dos Santos, Blog Batistas Tradicionais

Parece um assunto definido e contextualizado em nossos cultos. O que quero entender é se é compatível ou não.

  1. Aplaudir em nosso contexto cultural significa aprovar, parabenizar, elogiar, avaliar. Vários *dicionários colocam também como sinônimos, louvar e/ou adorar. É comum aplaudir também ironicamente como reprovação ou conotação de afronta. Esse estilo é corrente em muitas citações Bíblicas no AT.
  2. O bom senso cultural exige que o aplaudido reverencie e retribua o ato da platéia, ficando patente que os elogios se revezam, há uma interação.
  3. A salva de palmas é o ato repetido de aplaudir. De origem desconhecida, mas tem se notícias que há mais ou menos 3.000 anos esse gesto era para uma invocação aos deuses pagãos gregos antes de uma apresentação teatral para uma proteção para que tudo ocorresse bem. O costume passou aos romanos que disseminou por todas as partes. Hoje em dia é a demonstração não verbal de aprovação de um ato ou situação. (site Yahoo respostas).
  4. Juntando os termos de “salva” de palmas, que tem o mesmo significado de “ave” das saudações dos romanos aos imperadores e “ave” Maria dos católicos, que é simplesmente uma adoração ao suposto deus e sua origem pagã, fica difícil compatibilizar ou associar com nosso culto tais termos juntos ou separados. Além de não depreendermos indicativos de tais práticas no NT.

Quando disse que esse assunto parece, é que a prática vai ditando o ritmo e a força da maioria nos afasta de queimar fosfato em algo aparentemente estabilizado, nesse caso, palmas e suas “justificativas” para o culto. As palmas em nossos cultos são como o vírus da dengue, está sempre em mutação e as vacinas precisam de constantes atualizações.

Pregamos que nosso culto é ao Senhor Jesus, e só a ele adoramos, seguindo a argumentação dele mesmo. “Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás” (Mateus 4.10;15.8,9). Também pelo seu ensino sabemos que não podemos servir a dois senhores (Mateus 6.24). A filosofia da declaração da CBB pag 28 prescreve que o culto cristão é prestado somente a Deus. Conhecemos muito bem o texto deIsaias 42.8; 48.11, que diz que o Senhor não divide sua glória.

Isso é o que sabemos e pregamos, mas o duro é que nossa prática não é bem assim. Com certa freqüência encaminhamos nosso culto a irmãos, pregadores, coisas e a nós mesmos. Isso é um risco que precisamos atentar e evitá-lo o quanto pudermos. Nada é mais fragrante como a conhecida “salva de palmas”, que é declaradamente uma das formas de adorar, segundo o dicionário de nossa língua, pode não ser a intenção, mas é isso que significa e que em última análise acontece.

A CBB reunida em 1998 na sua 79ª assembléia em Goiânia aprovou o relatório do GT sobre práticas pentecostais nos cultos das igrejas batistas, que chamou as “palmas para Jesus” de práticas contrárias ao culto à luz da Bíblia.

Argumentos articulados não faltam, mas em todos eles existem rachaduras comprometedoras. É claro que dirão, as palmas praticadas nos cultos não tem essa característica; que não se aplaude a Jesus, mas usamos como aprovação de algo ou alguém, como se fosse um “amém”. Um erro sempre pedirá outro para tentar justificar, o que não é possível, é o que acontece nesse caso. Prefere-se articular filosoficamente a acatar o ensino claro, mesmo declarando ser a Bíblia nossa ÚNICA regra de fé e prática. Compatibilizar prática e teoria tem sido um desafio cada dia mais difícil dentro das igrejas.

Uma vez concluído que não devemos aplaudir a Jesus, sendo anti bíblico, herético e reprovável num consenso amplamente debatido e declarado, pergunto: como poderíamos aplaudir/adorar/louvar alguém ou algo no culto que é exclusividade do Senhor? Se ele não divide sua glória, como aplaudiríamos terceiros? Seria possível abrir espaço para atos extras culto, dentro do próprio culto? Claro que não, o culto não se divide e nem se compartilha a sua finalidade.

Poderíamos aplaudir como sinal de aprovação? Além de não ser possível, pelas razões acima, se possível fosse, seria legítimo vaiar como reprovação, pois tudo que é submetido à aprovação está sujeito também a reprovação. No culto ao Senhor estamos sujeitos a aprovação ou reprovação apenas do Senhor, pois só a ele adoramos e precisamos apresentar-nos aprovados (2Timóteo 2:15).

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