Sujeira e baixaria na Administração Municipal envolvendo o Departamento de Trânsito da cidade pode ter sido a causa da denúncia contra o Capitão Falcão

Capitão Falcão ao lado da prefeita Milena Bargieri sempre oferecendo total apoio da PM aos eventos da Administração. Foto: WebRadioJureia.com

Da Redação

Com mais de 20 anos de serviços prestados à Polícia Militar do Estado de São Paulo, o comandante da PM em Peruíbe, Capitão Dimitrius Falcão, se viu, de uma hora para outra diante do completo inesperado: foi jogado numa lama daquelas da qual, convenhamos, é difícil se limpar.

A busca, agora que foi afastado de suas funções, e que foi até preso administrativamente pela corregedoria da PM, respondendo por processo disciplinar sob a acusação de peculato, é a de lavar, não só a honra, mas a alma, coisa que, convenhamos só o tempo mesmo permitirá.

O caso que o envolveu na denúncia que acabou por ter sido preso em flagrante (veja aqui) interessa para o momento presente porque parece ter variantes com o escândalo envolvendo o Departamento de Trânsito de Peruíbe, denunciado recentemente pelo ex-diretor daquele departamento Saga Suséliton de Souza (veja aqui), e também o Departamento de Defesa Social, que hoje é comandado pelo maquiavélico Marcelo Tamada.

O flagrante

A denúncia (ao que parece anônima) contra o Capitão Falcão dava conta de que havia se apropriado de alguns bens da prefeitura e do Estado. Ao chegar a Peruíbe, os agentes da Corregedoria da PM realmente encontraram em propriedade particular de Dimitrius Falcão cerca de 50 beliches com seus colchões e dois veículos quadriciclos e, não obstante as explicações, o comandante acabou recebendo voz de prisão. O caso foi parar na Imprensa, reverberando com facilidade principalmente por se tratar de um oficial comandante.

Segundo o que a Redação deste blog apurou de fontes extraoficiais, o material que estava sob a posse do Capitão Falcão em um galpão de sua propriedade, se tratava de colchões, beliches e veículos doados pelo Estado ao município, e que eram usados pela própria PM durante a chamada Operação Verão, ou seja, apenas na alta temporada quando a polícia militar envia reforço policial para as cidades praianas.

“É evidente que o Capitão Falcão guardava esse material todo em sua propriedade por zelo, e não por que dele tivesse se apropriado indevidamente, até porque se tratavam de equipamentos usados, e o que se pretendia era apenas proteger os colchões de ficar largado no tempo”, disse uma fonte da prefeitura, lembrando que tem conhecimento de o próprio Capitão Falcão em pessoa procurou Marcelo Tamada (diretor da Defesa Social) solicitando espaço para guardar os beliches e colchões, e foi informado que a prefeitura não dispunha de local para isso.

Para alguns amigos que ainda lhe restaram e que acreditam que as acusações contra o oficial são falsas e encomendadas, Dimitrius Falcão confirmou a informação. E adiantou: “o que estava lá em minha propriedade estava guardado inclusive com conhecimento de meus superiores”.

Indignados, estes mesmos amigos do Capitão Falcão ainda se perguntam: “Quem é que pode acreditar que um oficial da PM, que ganha bem, que procede de uma família de posses, que sequer tem tempo de praticar o surf, que é seu esporte preferido, iria se preocupar em se apropriar indevidamente de um monte de móveis velhos e de dois quadriciclos que, ainda por cima, estavam quebrados?”. Visto por este ângulo, a indignação realmente procede.

Multas

O estopim deste caso pode ter surgido de dentro do Departamento de Trânsito da cidade, e pode estar envolvendo mais uma vez a aplicação irregular de multas contra os incautos munícipes e turistas feitas por “agentes de trânsito” não concursados da prefeitura, e por alguns policiais militares subalternos do Capitão que, ao que tudo indica estariam lavrando multas “contrariando o convênio da polícia militar com a prefeitura”, informou um amigo de Falcão.

O próprio ex-comandante lembra que chegou a enviar um documento ao diretor do Departamento de Trânsito informando quais policiais estariam autorizados a proceder com o policiamento de trânsito e a autuar a partir daquela data: “Escolhi pessoalmente os policiais que apresentavam condições para o bom desempenho na área de trânsito”, lembra o Capitão Falcão em conversa com outro amigo que o visitou recentemente. O resultado é que, com essa medida, acabou por desagradar não só aos policiais que ficaram sem os talões de multa, como também a pessoas dentro da própria Administração Municipal que têm interesses no mais das vezes nada confessáveis neste assunto de apreensões de veículos que todos sabem ser bastante rentável.

A medida da troca dos policiais para atender ao convênio com a prefeitura foi necessária, e se deu em razão de denúncias que inclusive chegaram ao Ministério Público de que estava havendo excesso das autoridades de trânsito em recolher veículos onde eram encontradas irregularidades, beneficiando determinado guincho particular e o pátio também sob a responsabilidade de particular, mediante convênio com a prefeitura.

Vingança

Diante disso e em razão disso, o Capitão Falcão pode mesmo ter sido vítima de uma vingança.

À época do flagrante pela Corregedoria da PM, e estampada a notícia na Imprensa, este blog recebeu uma série de ligações e e-mails de quem conhece o Capitão Falcão mais de perto. O resumo do espanto geral foi um só: “Ele não precisa disso. Só pode ter sido vítima de uma armação”. A indignação encontrou ressonância também na web, como se pode ver aqui.

O dono e responsável por este blog, Washington Luiz de Paula, afirma que esta possibilidade  de vingança e de que o Capitão Falcão tenha sido vítima de uma trama, tem que ser investigada: “Eu próprio quase fui vítima de uma armação sórdida perpetrada por Marcelo Tamada, que acabou num inquérito policial pela Delegacia do Caraguava”. E arremata: “Não fosse os meus 44 anos de Peruíbe, teria acabado preso!”. (Curiosamente o caso envolvia também colchões doados pela Defesa Civil do Estado, e acusação vazia que Tamada intentou contra Washington foi de “receptação”).

A diferença é que, com os 35 anos fazendo política em Peruíbe, e conhecendo cada um dos que se valem destes artifícios para perseguir e prejudicar seus desafetos ou aqueles que lhes contrariam suas vontades no mais das vezes de lesar a municipalidade, Washington consegue já absorver tanta maldade patrocinada por um e outro. No caso de alguém como o Capitão Falcão que tem toda uma carreira – e uma vida – prejudicada por uma denúncia, ao que tudo indica vazia, a maldade é quadruplicada.

Além de gente de alma sabidamente ruim e maldosa que permeia o primeiro e segundo escalão da Administração Municipal, os quais Washington não tem qualquer preocupação em nominar, quem mais poderia ter tido interesse em prejudicar o Capitão Falcão? Por uma questão disciplinar, o próprio Capitão Falcão prefere o silêncio como resposta. Mas dá uma dica: “Verifiquem o número de veículos apreendidos em determinados períodos por determinadas autoridades, e vocês terão uma pista preciosa de quem, como e quando foi prejudicado pela minha decisão de corrigir o que estava visivelmente incorreto na fiscalização de trânsito da cidade”.

Dimitrius Falcão se recupera do susto e do trauma sofrido. Enquanto aguarda o término do inquérito que investiga se realmente cometeu o crime do qual foi acusado, e do qual tem certeza sair absolvido, está em tratamento de saúde, que ficou seriamente abalada. Embora fosse um comandante da Polícia Militar interessado em ajudar a cidade e, por isso alinhado com a Administração Municipal, ninguém da prefeitura o procurou desde que sofreu o revés para uma palavra de apoio que fosse.

É sintomático; deveras sintomático.

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