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Aos 52 anos, Peruíbe perde o verde interior

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O dia de hoje (18 de fevereiro) bem que poderia dar um tom mais esverdeado ao azul da bandeira da Terra da Eterna Juventude, ou, como queiram os mais novos, do “Portal da Jureia , para completar com esta cor-símbolo da ecologia as quatro cores do pavilhão nacional.

Sim, porque temos o azul deste céu que tem dias parecer um pedaço do paraíso, mas que não gosta nada nada quando os políticos resolvem fazer média com shows caríssimos contrastando com a miséria de seu povo. No dia do show, chove. Chove, e chove bastante; e São Pedro atende ao pedido do padroeiro São João e manda o sudunga castigar a todos, arrancando palcos e assustando quem faz e quem quer ver o show. (Uma pérola ouvida da parte de um dos “mandachuva” [sem trocadilho] da atual administração municipal, quando inquirido por um artista que sequer conseguiu subir ao palco num desses eventos, respondendo à pergunta: “Isso acontece sempre aqui?”. “Não; só quando tem show!”, respondeu).

E temos o amarelo do ipê lá na morada do Itatins, a sua montanha gloriosa (que ainda não foi lembrada por políticos e “lideranças comunitárias” como sendo um bom lugar para se construir… favelas!), que ainda permanece, digamos, intacta; o amarelo anunciando a primavera ali pelos meses de agosto, setembro, outubro, enquanto o Natal não vem.

Temos o branco da paz…, melhor dizendo, da relativa paz que, se contrabalanceada com as estatísticas de outras cidades, seja no plano da municipalidade, seja no plano político, a partir de números de criminalidade (e até mesmo de embates entre clãs políticos – que não os temos!), até que Peruíbe ainda pode dizer que vive em paz, embora, como dissemos, em relativa paz.

Mas, e temos o verde? Temos. Temos o verde da Jureia  da qual nos autoproclamamos “portal de entrada”. Não obstante, não temos mais o verde interior (ou muito pouco dele temos).

Quem conheceu Peruíbe na década de 60 e 70 sabe de qual verde falo. Falo dos chapéus-de-sol frondosos cobrindo o chão com folhas multicores no outono, e exuberantemente oferecendo sombra e frutos aos andantes no verão. Sim, frutos! Comíamos a cuca do chapéu-de-sol, amarelinha, quase vermelha, docinha, e competíamos com morcegos e uma infinidade de pássaros que se abrigavam e se alimentavam em seus galhos. Falo das enormes aroeiras chamando para si revoadas de sabiás, sanhaços, tiés, pintassilgos, coleirinhas, curiós e bonito-lindos… Falo dos grandiosos jamboloeiros – alegria da criançada – com seus galhos se abraçando uns aos outros em busca do céu, e seus cachos de frutas de onde não se vencia fazer geleias, compotas, chás para diabetes e outros males, licores – e até aguardente!

Que dizer dos pés de carambolas, de caju, de abricó, de tucum, de ingá, de brejaúva, de araçá…

Onde está, meus amigos, o verde de Peruíbe? Pois eu lhes digo que o verde de Peruíbe sucumbiu ao clamor de chatos que teimavam em estacionar seus carros brilhantes bem embaixo dos pés de jambolão para serem impiedosamente maculados pelas frutas maduras que caiam manchando a pintura do carro… O verde de Peruíbe desistiu diante do impaciente que não conseguia ver no varrer da frente da casa aquelas folhas multicores tantas que caiam do chapéu-de-sol um privilégio com o qual muitos sonham… O verde de Peruíbe morreu diante do machado cruel dos políticos que, porque mesquinhos e pouco inteligentes, nunca conseguiram ver nas árvores frondosas de Peruíbe um motivo para que a cidade fosse, como todos nós sempre a queríamos, diferente; só isso: diferente.

Arrisco a dizer que não houve governo que mais mal causou ao verde de Peruíbe que o de Gilson Bargieri e, agora, o de sua filha, Milena Bargieri. É um paradoxo, verdade, porque Gilson Bargieri foi protagonista da primeira efetiva campanha de arborização do município, fazendo com que fossem plantadas milhares de mudas de árvores pela cidade. Infestou Peruíbe de arecas que, quando todos nós demos por conta, estavam a destruir as calçadas, calçamentos, asfalto, muros e tudo o mais que suas raízes viam pela frente. Não faltou boa-vontade; faltou conhecimento, estudo prévio da natureza daquela árvore que não serve para outra coisa que ser um bonsai gigante.

Porém, das árvores centenárias – bem mais velhas que Peruíbe, portanto, teimo em dizer que só restou a “árvore dos enforcados” ali na Rua Tucuruvi, quase chegando à Almirante Barroso, que talvez só não tenha sido dizimada ainda por medo das almas penadas dos escravos e índios que pereceram pendurados pelo pescoço em seus galhos passado distante. As demais, pelo menos as que ilustravam o centro da cidade, desde a praia até a estação, desde o Stella Maris até o Porto, foram sumariamente assassinadas durante os Governos de Gilson e Milena.

Não os culpo. Talvez nem eles saibam disso; ou talvez nem se apercebessem disso. Mas este refrão se faz necessário até mesmo para isso: para que eles descubram e saibam o mal que, durante seus governos, seus mandatários fizeram ao verde interno de Peruíbe. Um verde que pode até voltar, mas que não será mais aquele mesmo, como o de outrora.

Ah, temos muito verde lá na montanha, e Jureia afora… Verdade. Mas eu e você – e todos nós – dependemos do verde, para comer, para respirar… Até mesmo do verde daquele pé-de-couve de dois metros e tanto de altura que cresce no quintal da Dona Isabel, matriarca dos “de Paula” em Peruíbe, e que pode ser visto, visitado e fotografado em sua casa lá no Jardim Peruíbe (e, se pedir com jeitinho, ganha até uma muda!).

Ano que vem é ano de eleição. Oxalá a cidade e seu povo resolvam escolher alguém menos “azul” e um pouco mais “verde”. Como “na natureza nada se cria, nada se perde; tudo se transforma”, no dizer de Antoine Lavoisier, pode até ser que nas mãos de quem conheceu Peruíbe quando ela ainda era uma criança e gozava da companhia de todo aquele verde, nossa Terra da Eterna Juventude, enfim, reviva rediviva para tempos melhores e mais seguros.

Washington Luiz de Paula

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