Inquérito de Jandira (SP) aponta esquema em outras cidades

Apontado pela polícia como um dos mandantes do assassinato do prefeito de Jandira, Walderi Braz Paschoalin (PSDB), o ex-secretário de Habitação da cidade Wanderley Lemes de Aquino é investigado por fazer parte de um esquema de corrupção que envolve outros municípios da Grande São Paulo.

Da Agência de Notícia Jornal Floripa
Durante o inquérito que investiga o secretário pelo homicídio, a polícia afirma ter obtido provas de que a arrecadação de dinheiro ilícito envolvia outras prefeituras da região metropolitana.
Em princípio, ao menos 20 pessoas estão sendo investigadas. Entre elas estão financiadores de campanhas eleitorais, advogados e políticos.
Nos próximos dias, assim que concluir a apuração sobre a morte do prefeito, os policiais deverão abrir um inquérito específico a fim de investigar a corrupção.
“Sabemos que o Aquino era um dos que tinha poder de mando dentro do grupo, mas havia pessoas que também davam ordens a ele”, afirma o delegado Zacarias Tadros, sem citar os nomes dos suspeitos nem das prefeituras sob investigação.
Até sexta-feira (28), o ex-secretário de Habitação e outras sete pessoas, incluindo Sérgio Paraíso, ex-secretário de Governo de Jandira, já tinham sido presas e indiciadas sob a suspeitas de terem participado do assassinato.
Há outros suspeitos – Ronaldo Lobo, ex-policial militar, e Anderson Muniz, candidato derrotado a vereador nas eleições passadas.
Para a polícia, foi Lobo quem obteve as armas – um fuzil e uma submetralhadora – e fez o plano operacional da morte do prefeito, a mando de Aquino e Paraíso.
O ex-PM teria recebido R$ 600 mil pelo serviço. Muniz, diz a polícia, colaborou no plano. Todos os envolvidos no caso negam os crimes.
No inquérito que será aberto, a polícia vai investigar se Aquino enriqueceu ilicitamente. No cargo de secretário, com renda anual de cerca de R$ 60 mil, ele comprou uma casa que custava R$ 10 milhões, diz a polícia.
Além disso, documentos obtidos na casa do suspeito mostram que ele tentava vender 20 lotes de esmeraldas por R$ 7,1 milhões.
As pedras, conforme os investigadores, vieram de uma jazida em Teixeira (BA) que teria Aquino como sócio.
No dia 18, a reportagem revelou que, com a morte de Paschoalin, o ex-secretário queria se tornar prefeito da cidade. Isso seria possível caso a vice-prefeita, Anabel Sabatine, renunciasse e houvesse uma eleição indireta na Câmara Municipal na qual o ex-secretário concorreria.

Outro lado

Desde que foi preso no dia 16 de dezembro sob a suspeita de ser o mandante do assassinato do prefeito de Jandira, Walderi Braz Paschoalin (PSDB), o ex-secretário municipal de Habitação Wanderley Lemes de Aquino tem negado a participação em qualquer crime.
Na última sexta-feira (28), o criminalista Mauro Otávio Nacif, advogado de Aquino, disse que ele não tinha motivos para matar o prefeito nem para agir em esquemas de corrupção em nenhuma prefeitura.
“Ele era um homem de negociatas, vendia imóveis e negociava pedras preciosas com amigos, com particulares. Nada que envolvesse o poder público. O que está sendo discutido agora não é se o Aquino matou o prefeito com um saco de esmeraldas, e, sim, se ele era o mandante do crime. E eu digo que não foi ele quem mandou matar o Paschoalin“, afirmou o defensor de Aquino.
Após ser detido anteontem, o ex-secretário de Governo e advogado Sérgio Paraíso disse que estava ocorrendo algum engano e que ele não tinha nenhuma relação com o assassinato.
Anteontem, a reportagem não localizou os advogados dos suspeitos Ronaldo da Silva Lobo e Anderson Muniz.

O crime

Paschoalin foi morto com 13 tiros no dia 10 de dezembro, quando chegava à rádio Astral FM para participar do programa semanal “Bom Dia, Prefeito”. Era perto das 8h quando dois homens dispararam uma rajada de tiros de fuzil e submetralhadora no carro em que ele estava.
O motorista e segurança do prefeito também foi atingido e foi internado em estado grave. CFSP

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